Cinéfilos Eternos: Latinos
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quarta-feira, 4 de julho de 2018

MATE-ME POR FAVOR



Sob uma perspectiva adolescente, a história mergulha em um mundo quase isolado de adultos, e isso acontece de modo proposital, pois uma de suas críticas é justamente a ausência dos pais na vida dos filhos. 
Embebido de alegorias e simbologismos, o filme acompanha a vida de Bia (Valentina Herszage), uma estudante de classe média que mora na Barra da Tijuca, RJ, com sua mãe e o irmão. Assassinatos estão acontecendo pela redondeza e a menina fica obcecada com aquilo enquanto a comunidade parece se apavorar e busca conforto em cultos e vigílias religiosos. 

O ostracismo da juventude atual é traduzido por Bia com perfeição na medida em que ela se distrai e se atrai com facilidade pelo oculto e mórbido. A mortes a seduzem, em contrapartida suas atitudes são de indiferença a cada minuto da projeção. Inclusive essas mortes refletem com perícia a contagem de corpos na cidade maravilhosa, promovida fatalmente por uma violência indiferente às autoridades. 
O interessante do longa, é também a abordagem com que os jovens e seus mundos são retratados. Por momentos isso é feito de maneira bem crua e perversa, além de um humor bem ácido. 

A direção estilosa, com a ajuda da belíssima fotografia garantem um charme ao filme. E a trilha é bem característica do público abordado na história, bem como da cidade do Rio de Janeiro. 

Infelizmente o filme foi vendido como um terror e, apesar da trama flertar com o gênero, em especial pela primeira cena, o pêndulo recai para o lado do drama. Inclusive o frio desfecho é tão triste quanto pesado.
(Comentários: Tom Carneiro)
*Telecine Play
IMDB: 6,3/ 10
Filmow: 3,2/ 5
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Mate-me Por Favor.
País: Brasil e Argentina.
Ano: 2015
Direção: Anita Rocha da Silveira
Roteiro: Anita Rocha da Silveira
Elenco: Valentina Herszage, Dora Freind, Mariana Oliveira 

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A LINHA VERMELHA DO DESTINO



Esse filme me deixou com várias reflexões, nem tanto pelo próprio filme, mas pelos diversos comentários que li depois. Estou aqui a pensar o quanto as pessoas acreditam realmente no que dizem. A vida é tão simples assim, para elas? Saíram do útero da mãe para entrar em uma caixinha. Nessa caixa é permitido isso, não é permitido aquilo, isso é certo, aquilo é errado, ... tudo fora dos padrões deve ser julgado, deve ser apontado, quem não segue as regras deve ser banido. Ninguém se pergunta quem criou as regras. Ninguém questiona? E a ousadia, onde fica?
Manuel e Abril conheceram-se em uma viagem de avião. Sentiram uma forte ligação, beijaram-se apaixonadamente. Ele a convida para se encontrarem na saída, mas um contratempo os afasta, sem que tivessem tempo de trocarem os nome, os telefones. Sete anos depois o acaso, ou o destino, os coloca frente a frente. Só que eles estão casados e ambos têm filhos. Abril ama Bruno, seu marido, e Manuel ama Laura, sua mulher, nem um e nem outro pensavam em traí-los. Mas existe uma atração irresistível entre Abril e Manuel, eles não sabem explicar, mas é um sentimento de inevitabilidade.
O amor perfeito, no momento errado...
Eu sei como é isso,a gente sabe que vai acontecer , que não adianta resistir. Teria sido mais fácil para eles se nunca tivessem se reencontrado.
"Diz a lenda que uma linha vermelha invisível conecta aqueles que estão destinados a se encontrar, independentemente do tempo ou lugar. A linha pode esticar ou emaranhar, mas nunca se romper..."
Sim, claro que seria mais fácil ... aquele encontro no avião teria ficado apenas como uma lembrança boa, ninguém sofreria, nem Hugo, nem Laura, ... e nem eles próprios! Porque era doloroso para eles também. É muito fácil julgar, quando não se está no lugar do outro. "Não gostei do filme porque não gosto de traição", disse alguém. E eu fico com vontade de perguntar a essa pessoa: "mas você negar os seus próprios sentimentos também não é uma traição?" No caso, eu veria aí uma tripla traição: com você mesmo, com a pessoa que você ama e com a pessoa com quem você é casada. Porque você pode até não traí-la fisicamente, mas seu sentimento não é mais dela e você vai esconder isso dela.
"Nunca pensei que fosse me apaixonar de novo", diz Manuel para Abril.
A vida imita a arte? Durante as filmagens de El Hilo Rojo, o ator Benjamin Vicuña, casado há sete anos e a atria Eugenia Suárez apaixonaram-se. Vicuña e a mulher se separaram em meio às acusações de traição do ator. O escândalo durou alguns meses até Benjamin e Eugenia assumirem publicamente seu romance. Vicuña declarou que já estava separado e que tinha não só o direito, mas a obrigação de refazer sua vida.
María Eugenia Suárez Riveiro, mais conhecida como Eugenia Suárez, ou como "La China" Suárez, é uma atriz, cantora e modelo argentina. Ficou famosa por interpretar Jazmín na novela Casi Ángeles e por ter feito parte da banda Teen Angels.
O casal do filme é muito cativante, impossível não se envolver com eles. fora a versão de You Know I'm no Good, interpretada pela atriz/ cantora Eugenia Suárez. Segue o link.
E você? Já sentiu uma linha vermelha te ligando a alguém?

A LENDA DA CORDA VERMELHA:Vinda do Japão, a lenda da corda vermelha explica os mistérios da vida de uma forma muito romântica. Feche seus olhos e imagine um corpo trespassado por uma extensão grande de vasos sanguíneos que ligam todas as partes dele. Existe um canal especial que liga o coração ao dedo mindinho. De acordo com a lenda japonesa, esse fio não termina no dedo em questão. Ele se estende para fora do corpo de forma invisível e passa a entrelaçar com o fio de outra pessoa. Duas pessoas conectadas dessa maneira estão unidas pelo destino e se encontrarão cedo ou tarde e quando isso acontecer, o encontro afetará profundamente os dois.
IMDB: 5,2/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: El Hilo Rojo
Outros nomes: The Red Thread.
País: Argentina.
Ano: 2016
Direção: Daniela Goggi
Roteiro: Daniela Goggi.
Elenco: Eugenia Suárez, Benjamin Vicuña, Guillermina Valdez, Hugo Silva.
O casal, na vida real.




sábado, 9 de junho de 2018

AOS TEUS OLHOS



Carolina Jabor (Boa Sorte) é filha do cineasta Arnaldo Jabor e esposa de Guel Arraes. Impossível não associá-la aos dois, embora seja desejo dela ser reconhecida por seu trabalho e não pelo seus parentescos. No seu segundo longa, Aos Teus Olhos, ela conta a história de Rubens, um professor de natação vivido por Daniel de Oliveira que é acusado de ter beijado na boca uma das crianças de sua turma. Carolina não entrega respostas e o filme levanta várias questões.
Vamos pensar o seguinte: você conhece uma pessoa há tantos anos e de repente vem uma suspeita dessas. Difícil acreditar. Mas até onde conhecemos alguém de verdade? Porque infelizmente são tantos casos ... Por que teria Alex acusado Rubens injustamente? Com qual intuito? A diretora Ana fica realmente em uma posição desconfortável. Por um lado, ela sempre gostou do trabalho do professor de natação, era o melhor de todos. Por outro, ela não pode ignorar a aflição dos pais.
Mas e se não for verdade? A mãe do Alex joga nas redes sociais uma denúncia contra Rubens. Nós sabemos como o ódio cresce de uma maneira espantosa nessas redes, pessoas que não se preocupam nem de verificar se a notícia tem uma base sólida, pessoas que estão prontas para julgar. Para condenar. Eu imagino que a grande maioria possui muitas culpas, fazer isso com o outro é uma maneira de se colocar como defensores do bem, quando nem sempre estão desse lado. Quando apontam o dedo para o outro, esquecem um pouco dos seus defeitos, têm a satisfação, nem que seja momentânea, de se acharem melhores. Não estão nem aí se é verdade ou mentira, precisam de um "bode expiatório".
Mais uma coisa, quando Davi (Marco Ricca), o pai do Alex, pergunta à Ana (Malu Galli) se o professor do filho é gay, temos aí a velha história de confundir homossexualidade com pedofilia.
E é assim que a vida de Rubens, dos Rubens da vida, é virada pelo avesso. Vejam bem, não estou defendendo ele, talvez seja até culpado. Mas talvez não! Estou falando do poder do ódio pela internet e acredito que esse é o mote principal do filme.
Outra questão que o filme levanta é que agora tudo é visto com maldade. Lembro de viajar muito com amigas ou com uma amiga só, hoje em dia, não que tenha nada demais se fosse, mas já seríamos consideradas um casal. Eu acho que até mesmo o nosso comportamento mudou. Um carinho pode ser considerado um assédio. Perdemos a liberdade, a espontaneidade e, do jeito que as coisas seguem, um simples carinho é realmente um assédio, porque se não é, ninguém tem mais coragem de fazer. Dois amigos evitam de sair juntos numa noite de sábado, porque serão considerados gays. Tudo é visto com outros olhos. Aos teus Olhos, eu posso ser muito diferente do que sou. É preciso ter muita personalidade para encarar e nem todo mundo tem. Um deslize e sua vida está acabada!
Aos Teus Olhos é uma adaptação da peça de grande sucesso O Princípio de Arquimedes, texto do catalão Josep Maria Miró. Temas como benefício da dúvida, exercício da empatia e julgamento sumário (às vezes, a um passo do linchamento moral) estão na ordem do dia de diálogos ou polarizações entre gente de toda parte.
IMDB: 6,7/ 10
Minha nota: 3,5- 5

Ficha técnica:
Nome original: Aos teus olhos
Outros nomes: Liquid Truth
País: Brasil.
Ano: 2018
Direção: Carolina Jabor.
Roteiro: Jorge Moura, Josep Maria Miró, Lucas Paraizo, Ventura Pons Sala.
Elenco: Daniel Oliveira, Malu Galli, Marco Ricca, Stella Rabello.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

O FILME DA MINHA VIDA


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Adaptação do livro "Um pai de Cinema", do chileno Antonio Skármeta, o qual assina o roteiro junto de Selton Mello, "O Filme da Minha Vida" é um delicioso escape em tempos tão difíceis para o país. E sua importância não para aí, o longa é uma verdadeira homenagem à sétima arte e sua construção rara no cinema nacional foge do ensolarado cinema sudeste-nordeste já bem recorrente. O Brasil de Selton Mello nesta sensível adaptação é tão Brasil quanto o emocionante "Central do Brasil" e o cativante "Auto da Compadecida" e lembra a indústria de que o cinema verde amarelo precisa traçar viagens corajosas por outros cantos ricos, porém desconhecidos deste país, pois existem muitas histórias a serem contadas ainda.
A trama trata acima de tudo sobre o tempo. Logo no início, o personagem principal Tony Terranova (Johnny Massaro), narra o seguinte trecho: "Antes, eu só via o início e o fim dos filmes. O início, para conhecer a história; e o fim, gostava de assistir porque o fim é sempre bonito", indo na contramão com uma belíssima cena metafórica em um trem, quando o maquinista explica que se alguém quiser adiantar o rumo das coisas o trem fatalmente sai dos trilhos. 
Faz-se necessário então assistir o começo e depois o meio, para então chegar até o desfecho de um filme. Tudo em seu tempo certo, sem atropelos, pois só assim é possível compreender o porquê dos finais. E mais que isso, os meios também devem ser aproveitados.

Em conformidade com o que prega, a história se transcorre. Tony retorna de Porto Alegre, onde cursou faculdade, mas no dia em que ele desceu do trem, seu pai, Nicolas (Vincent Cassel), subiu no mesmo vagão e desapareceu, deixando pra trás o filho e a esposa em uma pequena e charmosa cidade do interior gaúcho. Tony segue inconformado com a atitude do pai e se torna professor de francês na escola local. Ele vive na esperança do retorno ou ao menos de uma resposta do homem por quem ele tinha grande admiração. A mãe, em contrapartida, prefere não falar mais sobre o assunto e se ocupa com o serviço em uma empresa de telefonia e o árduo trabalho de casa. Seguir em frente quando há um assunto inacabado é mais difícil que diante de uma tragédia declarada. Aquele silêncio irremediável fazia de Tony um rapaz melancólico e que se arrastava pela cidade querendo pular o meio e ir direto para o desfecho, quando ele desvendava o maior mistério de sua vida. E assim, ele vivia seus dias, pela metade e sem aproveitar seus meios. Contudo, uma reviravolta estava prestes a acontecer em seu filme.
O roteiro cheio de metáforas, peca um pouco ao entrega-las de forma muito direta ao espectador. Sem dar muita chance a interpretação e a dúvida. Já o grande mistério da história talvez tenha ficado previsível nas atitudes de um personagem. Ainda sim, não é nada que estrague a experiência deliciosa que esse filme proporciona e que em grande parte é mérito do diretor de fotografia Walter Carvalho, o qual com seus planos abertos vislumbrastes, capturou bem a região sul e construiu essa atmosfera triste e bucólica, fazendo o espectador se apaixonar a cada quadro dessa obra de arte. Inclusive um vagão do Trem de Vinho e a própria estação, ambos em Garibaldi (RS), foram restaurados para voltarem ao tempo em que a história acontece. As cenas ali são ainda mais belas pelas mãos de Walter. 
Já a direção competente de Selton Mello, atesta seu crescimento e maturidade por trás das câmeras. Ele, que também atua na fita como um gaúcho machão, certamente está no caminho certo para se tornar um grande diretor brasileiro contemporâneo, a julgar pelos três filmes que Selton dirigiu até agora. Já as músicas foram escolhidas a dedo e dão ainda mais vida e cor a cada quadro.

Em uma nostálgica cena do belo "De Onde Eu Te Vejo", o personagem de Juca de Oliveira relembra com gosto como tudo era mágico na saída de um cinema de rua. Isso é retratado aqui de forma tão inesquecível como nas saudosas falas de Juca. Após se maravilhar com o filme de John Wayne, Rio Vermelho, Tony deixa o cinema flutuando e, de acordo com a precisa descrição do outro filme, o personagem sai da sessão, mas tudo ainda parece ter trilha sonora. Foi exatamente como me senti após essa sessão, que por coincidência foi em um cinema de rua.

Sinopse e análise: Tom Carneiro.

IMDB: 7,5/ 10
Nota de Tom Carneiro: 8,5 / 10,0

Ficha técnica:
Nome original: O Filme da Minha Vida
Outros nomes: The Movie of My Life
Paía: Brasil
Ano:  2017
Dirigido por: Selton Mello
Roteiro: Selton Mello, Antonio Skármeta, Marcelo Vindicato
Elenco: Vincent Cassel, Selton Mello, Bia Arantes, entre outros.

MÃE SÓ HÁ UMA



O filme é baseado na história de Pedrinho que comoveu o país em 2002, quando os pais biológicos dele, após 16 anos e buscas incessantes finalmente o encontraram. Pedro tinha sido sequestrado em uma maternidade em Brasília em 1986, poucas horas após o seu nascimento, por Vilma Martins Costa. Mais tarde descobriu-se que também a outra filha de Vilma era vítima de sequestro. Vilma foi presa e os filhos encaminhados às verdadeiras famílias.
Anna Muylaert mostra com o filme o desconforto da situação. É justo, claro, que os pais biológicos que tanto sofreram passem a ter a guarda dos filhos. É justo para os pais. Mas será justo para os filhos? A força do sangue que os une falará mais forte? Eu não acredito nisso. Pierre e a suposta irmã viviam bem com Aracy, agora têm que se separar, os três. Será possível para as novas famílias preencherem todas as lacunas deixadas pelo tempo em que viveram separados?
A diretora aproveita a história real para tratar de outro assunto que é sempre motivo de preocupação entre os pais: a adolescência. Se para os pais que viram os filhos crescerem, têm toda uma série de lembranças, é muito difícil lidar com eles nessa fase, imagina os que começam a conhecer um filho quando ele tem 16/ 17 anos de idade. No filme, Pierre que de repente vira Felipe, nessa difícil fase de transição de uma identidade para outra, também está enfrentando outra crise, que é a definição de sua identidade sexual. Os conflitos com a família são inevitáveis. A família com medo de perdê-lo de novo. E para Pierre/ Felipe é como se os seus pais biológicos é que o tivessem roubado da sua verdadeira família.
O ator que interpreta Pierre, Naomi Nero, é sobrinho de Alexandre Nero. Achei muito interessante ser a mesma atriz, a Dani Nefussi a representar tanto a mãe biológica quanto a mãe que o criou. Numa analogia a que todas as mães são uma só? Dizem que uma mãe de verdade sofre por todos os filhos de todas as mães.
A diretora Anna Muylaert, depois do aplaudido "Que horas ela volta", ousa contar uma história real sem ater-se somente aos fatos, mesclando ficção e focando mais no drama familiar e também no individual.

IMDB: 6,8/ 10
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Mãe Só Há Uma
Outros nomes: Don't Call Me Son
País: Brasil 
Ano: 2016
Direção e roteiro: Anna Muylaert
Elenco: Naomi Nero, Dani Nefussi, Matheus Nachtergaele..

Pedro, com a sequestradora Vilma Martins.

COMO NOSSOS PAIS



♫♫♫ 
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais ♫♫♫


É, não dá pra não ficar com essa linda canção composta por Belchior e interpretada maravilhosamente por Elis Regina tamborilando na nossa cabeça, só de lermos o título do filme da diretora Laís Bodanzky. Nem de não refletir sobre o quanto isso é verdade.
Rosa, como a maioria das mulheres de hoje, alterna, ou melhor, faz tudo ao mesmo tempo: ela é mãe, esposa, filha, trabalha fora. E sobra pouco tempo para o papel principal dela, que é ser ela mesma. Rosa quer ser diferente da mãe, quer ser para suas filhas mais do que sua mãe foi pra ela. Sim, Rosa almeja a perfeição. Ela quer ser também uma ótima esposa e amante, uma excelente profissional e, além de tudo, o mundo atual cobra dela que esteja sempre bem informada, que tenha sua opinião formada sobre política, que defenda direitos sociais, que seja engajada!
Rosas, Marias, Joanas, Cecilias, ... pensamos que seria diferente porque achamos que agimos diferente, que somos diferentes. Rosa contestou a vida toda sua mãe e agora sua filha está fazendo a mesma coisa com ela. Quando a mãe de Rosa joga na cara dela um segredo sobre seu pai, sem a menor cerimônia e cuidado, parece ser o fim da linha para as duas. Rosa questiona a mãe por não ter se colocado no lugar dela. Mas a mãe, que já passou por tudo que Rosa está passando, lhe responde que finalmente ela está se colocando no lugar dela mesma.
Parece que vejo esse filme todos os dias, é o filme da minha vida, é o filme da moça que é caixa na farmácia, da moça da esquina, é o filme da moça que faz minhas unhas que diz ter um sonho: chegar do trabalho e sentar no sofá pra ver TV.
O tempo passou, queimou-se sutiãs, houve a revolução sexual, mas as necessidades de nós, mulheres, parecem ser as mesmas. Questionamos os homens por ajudarem pouco nas obrigações domésticas e na atenção com os filhos, mas só essa palavra, ajuda, já mostra que não mudamos nada. Fulano é um marido maravilhoso porque ajuda, escuto dizerem. As próprias mulheres perpetuam esse modo de vida, quando educam os filhos homens.
Culturalmente falando, o modelo de família continua o mesmo. Fomos criadas para sermos super mulheres, super mães, falaram para nós que a maternidade é a melhor coisa que pode acontecer para uma mulher, que amor de mãe é incondicional, mas não nos avisaram que nunca mais iríamos dormir da mesma maneira. A diferença talvez consista em que as mulheres antigamente aceitavam melhor esse papel pois os anseios da mulher contemporânea são diferentes. O que, a longo prazo, pode gerar uma mudança de verdade. Mas, por enquanto, só nos deixa mais estressadas.
Estamos sempre com a sensação de estar fazendo tudo pela metade. E a culpa? Convivemos com ela o tempo todo!
Como os homens são endeusados, ninguém parece achar nada demais ele se espreguiçar em frente a uma televisão enquanto toma uma cerveja. Merecidamente, vão dizer!
Maria Ribeiro carrega todo o filme nas costas. Como todas as Marias carregam todas as responsabilidades nas costas. Como a mãe de Rosa, como as mães das Marias, como as mães das mães das Rosas e Marias do mundo. Aos homens, aos pais dos homens, aos pais dos pais dos pais dos pais, cabe a leveza de deixar o trabalho para trás quando encerra-se o expediente do seu trabalho. E talvez perguntar o que tem para jantar.
O filme prima não pela originalidade, mas pela naturalidade. Todas nós conhecemos uma Rosa. Como Nossos Pais é um filme sobre mulheres. E como trata de mulheres, trata também da difícil relação mãe e filha. E principalmente da necessidade de se buscar um equilíbrio entre homens e mulheres, um novo comportamento!
Laís Bodanzky é uma cineasta e roteirista brasileira, diretora do premiado filme Bicho de Sete Cabeças e do documentário Cine Mambembe - O Cinema Descobre o Brasil.

IMDB: 7,5/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Como Nossos Pais
Outros nomes: Like Our Parents
País: Brasil
Ano: 2017
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi.
Elenco: Maria Ribeiro, Paulo Vilhena, Clarisse Abujamra.

LEONERA



O filme começa com Julia (Martina Gusman) acordando toda machucada e ensanguentada em um apartamento revirado.
Ela toma banho e vai para o seu trabalho. Não tenho certeza mas acho que era um pedacinho de sangue coagulado que cai de seu cabelo e que começa a despertar lembranças nela. No caminho de volta, começa a perceber com horror os hematomas no seu pescoço.
A sensação de pânico chega ao clímax ao voltar ao apartamento e perceber que tem dois homens caídos e muito sangue por tudo quanto é lado.


Julia liga para alguém apavorada relatando os acontecimentos enquanto a polícia arromba a porta.
Um dos homens está morto: Nahuel. O outro, Ramiro, interpretado por Rodrigo Santoro, ainda tem vida e é levado para o hospital enquanto Julia é presa e enviada a uma penitenciária.



Chegando lá, como está grávida, é encaminhada para uma ala específica para mães e grávidas.
Lá, as celas individuais não são trancadas, há uma área em comum e os filhos ficam com as mães até os 4 anos de idade.
Por isso o nome do filme - Leoneras - que, em espanhol significa o lugar onde se mantem os leões, no caso as leoas, as mães leoas.



Este é o 2º filme em que o diretor Pablo Trapero e a atriz Martina Gusman, que é a esposa dele na vida real, trabalham juntos. O anterior foi Nascido e Criado (2006).
Leonera foi rodado em uma verdadeira prisão e muitos figurantes eram detentos do local.
Walter Salles é um dos co-produtores deste Leonera.



A princípio, Julia rejeita o filho, quando ele nasce também se mostra totalmente despreparada para cuidar dele.
Mas, ajudada por Marta (Laura Garcia), aos poucos começa a se adaptar e, muito mais que isso, o pequeno Tomás se torna a fonte de transformação e sustentação para Julia, que se torna uma mãe forte e corajosa, capaz de tudo para ter o filho com ela.



Rodrigo Santoro faz o principal papel masculino do filme argentino, mas não é um papel de destaque. O filme é sobre mulheres e sobre o presídio feminino.
Depois que sai do hospital, ele também é preso, ele e Julia são suspeitos da morte de Nahuel.
Qual a relação dos três? Por que Julia estava ferida? Qual dos dois matou Nahuel? Por que motivo? Nem Julia e nem Ramiro se lembram de nada. Por que não lembram? Tomás é filho de quem?



Se você está interessado nessas respostas, não veja Leonera.



O filme não é sobre o crime, é sobre Julia, é tão real que é quase como se víssemos o mundo através dela. É a jornada de uma mulher frágil, confusa, que passou a ver sentido na vida e se transformou numa leoa para ficar com o filho.



Leonera foi muito elogiado pela crítica. Participou da mostra competitiva de Cannes, foi o representante da Argentina para a indicação do Oscar de melhor filme estrangeiro.
Recebeu o Prêmio Ariel de Melhor Filme Ibero-Americano.



Esqueci de falar que o filme me lembrou um pouco O quarto de Jack, o Tomás nascido e criado naquele ambiente claustrofóbico, a sobrevivência da mãe dependendo do amor que ela tinha por ele. A questão levantada se ela seria mais mãe se tivesse aberto mão dele. Sendo que aqui a visão é a da mãe e não a do filho, como em Room.



IMDB: 7,1/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Leonera
Outros nomes: Lion's Den
País: Argentina 
Ano:2008 
Direção: Pablo Trapero.
Roteiro: Alejandro Fadel, Martin Mauregui, Santiago Mitre, Pablo Trapero.
Elenco: Martina Gusman, Rodrigo Santoro, 

ANITA



Lá vem a piadinha: "um filme argentino sem o Darin?" Pois é. 
Do diretor de "Elsa & Fred", "Anita" é a história comovente de uma menina com síndrome de down, que mora com sua mãe (Norma Aleandro, O Filho da Noiva) em Buenos Aires. Muito doce e obediente, ela depende totalmente da mãe. Porém uma tragédia vai separá-las: o ataque terrorista que houve em 1994 com uma bomba que atingiu a AMIA - Assoc Mutual Israelita Argentina. A mãe de Anita estava lá quando ocorreu. A explosão, que matou 85 pessoas e deixou 300 feridas foi tão forte que foi sentida em toda a redondeza e atingiu até a casa e a loja onde Anita tinha ficado esperando pela mãe.

Anita era condicionada a obedecer, já que não tinha inteligência suficiente pra tomar decisões sozinha. Mas o que fazer se o relógio que ela marcaria a hora que a mãe ia voltar se quebrou com a explosão, o que fazer naquela desordem, com o nariz sangrando, sem ninguém pra ajudá-la, sem ninguém pra lhe dar as coordenadas?
Perdida e confusa, ela sai pelas ruas, não sabe pra onde, não lembra de onde veio. 

Enquanto isso, seu irmão (Peto Menahem) que viu a notícia pela tv está desesperado, acreditando na morte das duas.

Anita encontra algumas pessoas na rua, diz que quer telefonar para a mãe, mas não sabe o número, não sabe nem o nome da mãe, sabe só que é "mamãe". Também não sabe explicar o que houve, diz só que caiu da cadeira, isto é, não fala nada que a ligue ao atentado.
Perambulando com frio e com fome, mas sem nunca perder a doçura, ela conhece umas pessoas boas e outras que não se importam. 

Dá pra imaginar o que Anita passou? 

Ótimo filme, o cinema argentino se destacando mais uma vez.
O mais bacana é uma atriz com síndrome de down (Alejandra Manzo) sendo a protagonista.


IMDB: 7,3/10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Anita 
País:  Argentina 
Ano:  2009
Direção: Marcos Carnevale.
Roteiro: Marcos Carnevale, Marcela Guerty, Lily Ann Martin.
Elenco: Norma Aleandro, Alejandra Manzo.

NEVE NEGRA



Conhecemos primeiro Marcos (Leonardo Sbaraglia), onde parecem cair todos os problemas da família. Tem que se dividir entre sua esposa Laura (Laia Costa), que está grávida e os cuidados e despesas com sua irmã Sabrina, que está internada com problemas psiquiátricos. Seu pai faleceu recentemente e lhe deixou com o encargo de enterrar suas cinzas junto aos restos mortais do outro filho, Juan. 
E lá partem ele e Laura ao encontro de Salvador (Ricardo Darin), que, após a morte de Juan e de ter sido acusado de matá-lo, isso há trinta anos, se isolou na antiga cabana da família. 
Marcos precisa da ajuda de Salvador, porque não lembra onde o irmão mais novo foi enterrado. Mas também deseja convencer o irmão a vender a propriedade herdada por eles. E que por sinal, não se sabe por quê, vale muito mais do que se imaginava. Mas Salvador tornou-se uma pessoa de difícil trato e o dinheiro não lhe interessa. Alega também que não pode sair dali e deixar o irmão enterrado sozinho. Culpa talvez? Mas tudo indica que foi somente um acidente de caça.

O clima é claustrofóbico, o personagem de Darin é um homem envelhecido e amargurado, o cenário são as colinas geladas da Patagônia.
Segunda produção do argentino Martín Hodara para os cinemas. A parceria com Darin teve sua participação como diretor no primeiro filme, "O sinal" e agora como ator, em "Nieve negra".
Quase não vi porque li tantas críticas negativas. "Pretensioso", disse o critico da Folha de São Paulo, por exemplo. Pretensioso é ele , que não poupou adjetivos negativos ao filme e o pior, a quem quer que goste, que ele chamou de "público com síndrome de inferioridade". O filme é bom sim, nada de extraordinário, como acredito que nem era a intenção. E, ao contrário de ser pretensioso, achei que é um filme honesto. Elenco forte, um roteiro instigante e conduzido com habilidade, alternando o reencontro constrangedor entre os dois irmãos com inevitáveis lembranças do passado.
IMDB: 6,2/10
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Nieve negra
País: Argentina
Ano: 2017
Direção: Martin Hodara
Roteiro: Martin Hodara/ Leonel D'Agostino
Elenco: Ricardo Darin, Leonardo Sbaraglia, Laia Costa, Federico Luppi.

O SINAL




Quando o diretor argentino Martin Hodara fez o seu segundo longa,foi taxado por alguns de pretensioso,por ter colocado no elenco dois atores de peso, um deles o Ricardo Darin. Lembro que comentei ser normal, já que os dois, Darin e Hodara já tinham um tipo de parceria, quando dez anos antes se juntaram na direção do filme La Señal.
Inicialmente O Sinal seria dirigido por Eduardo Mignogna, que também é o autor do romance adaptado para o filme. Mas ele faleceu faltando um mês apenas para o início das gravações. Darin já vinha recebendo propostas de vários produtores argentinos e espanhóis, interessados em que ele dirigisse os próprios filmes, mas vinha resistindo. Quando resolveu assumir a direção desse, estreando na função, foi como uma forma de prestar uma homenagem ao amigo falecido. A filmagem foi adiada por alguns meses e ele ainda recorreu a outro amigo, o diretor de curtas Martin Hodara, com quem compartilha a realização de O Sinal.

Ontem tive a oportunidade de ver. No filme, Corvalán (Ricardo Darin) e Santana (Diego Peretti) têm um escritório de investigação que, na verdade, não dá nenhuma satisfação pessoal a eles, porque só pegam casos medíocres, o que os deixa bastante frustrados. Quando surge a sedutora Gloria (Julieta Diaz) e entrega a Corvalán um caso que desde o início se mostra instigante, ele não consegue deixar de se sentir atraído pelo caso e principalmente por ela. Apesar das advertências de seu sócio Santana e da própria consciência lhe indicar que está entrando num jogo perigoso, Corválan não consegue recuar e se envolve cada vez mais com Gloria.
Exibido na mostra Première Latina, no Festival do Rio 2007 e grande sucesso nas bilheterias argentinas, o filme arrisca no estilo noir e nos presenteia com uma linda fotografia, de uma Argentina em tons melancólicos. Ambientado em 1952, quando o país está paralisado, aguardando a qualquer momento a morte de sua grande dama, Eva Perón, consumida pelo câncer. O povo reza e agoniza com ela, pois se vai junto o sonho de uma política social, de igualdade e justiça. Essa parte, intercalada com a restante, funciona para dar realismo ao filme.
La Señal não traz nenhuma surpresa no desfecho já que cumpre a função de todo filme noir e, por isso, é uma história de traição. A trama policial tem toques de suspense e romance, com direito a muita fumaça e cigarros acesos no escuro. O longa conta ainda com uma bela coleção de carros antigos desfilando pelas ruas, aparecem todo o tempo e em diversos modelos e cores. Não é um filme espetacular mas, além da sempre boa atuação de Darin, cumpre seu papel, com um bom enquadramento, e uma excelente direção de arte, com os figurinos e a música dando veracidade aos ambientes.

IMDB: 6/ 10
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Señal
País: Argentina.
Ano: 2007
Direção: Martin Hodara, Ricardo Darin.
Roteiro: Beatriz De Benedetto e outros.
Elenco: Ricardo Darin, Julieta Diaz, Diego Peretti.

TIEMPO MUERTO




Histórias com viagem no tempo sempre me chamam a atenção, e com os filmes não é diferente. A quantidade de possibilidades que uma história com essa temática abre é incrível!
Sinopse: Franco sofre desesperadamente pela perda de sua esposa, Julia, em um acidente. Um amigo dela, Luis Ayala, marca um encontro com ele, onde sugere que talvez não tenha sido acidente. Franco e Luís resolvem investigar, procurando por pistas nos e-mails e pertences de Julia. 
E o que descobrem é uma coisa muito assustadora. Ao mesmo tempo, libertadora. Franco se aprofunda nas suas pesquisas sem compartilhar mais nada com Luís. As buscam levam a uma misteriosa mulher, que se chama Ada. Mas não será muito perigoso esse caminho?

Pode parecer loucura, mas o que você faria se tivesse a  possibilidade de ver um ser querido que se foi, repentina e inesperadamente? 

Muitas pessoas não gostaram, acharam fraco, mas deixo aqui a minha apreciação positiva por ser um roteiro original, não é uma história fácil de se criar, é preciso imaginação.

No elenco, atores argentinos e colombianos, fazendo um intercâmbio de cultura. Consuelo Luzardo, a atriz colombiana que interpretou a Ada, deve ter se sensibilizado com a história, já que ela mesma passou recentemente pelo luto de sua irmã mais nova, Celmira Luzardo, também famosa atriz de telenovelas e teatro.


IMDB: 6,1/ 10
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Tiempo Muerto
Outros nomes: Time Sweep (Na Netflix, procure por esse nome)
País: Argentina 
Ano: 2016
Direção e roteiro: Victor Postiglione.
Elenco: Guillermo Pfening, Luís Luque, Maria Nela Sinisterra, Consuelo Luzardo.

FAROL DAS ORCAS



Beto é um biólogo solitário que mora na Patagônia e tem como "família" as orcas e os lobos marinhos. Ele esconde um segredo.
O lugar é paradisíaco, as fotografias são de tirar o fôlego, dando uma paz sem fim.
Sua solidão é quebrada com a chegada de Lola, uma espanhola, e seu filho autista de 11 anos.
Lola veio atrás de uma esperança. Seu filho não reage a nada, mas ao ver um documentário sobre Beto e as orcas mostrou pela primeira vez interesse.

A princípio, Beto não os recebe bem, acostumado que estava à sua rotina. Mas aos poucos os três vão se apegando.

Muito se tem falado sobre terapia com os golfinhos e os seus benefícios. Encontros com golfinhos evocam uma profunda resposta emocional e suscitam a libertação de emoções e sentimentos.
Beto, de início relutante, aceita trabalhar com as orcas e o menino. Mais que isso, começa a se criar um tipo de relação pai-filho, de que os dois são carentes.

Lola (Maribel Verdú, de "E sua mãe também") também parece pertencer àquela zona de conforto onde já se acostumou com a solidão e prefere-se não mexer com ela para não sofrer de novo.

O filme é muito lindo e envolvente, mas o final me deixou bem na dúvida, tive que fazer diversas pesquisas sobre o verdadeiro Beto e também foi motivo de diversos debates. Embora eu depois tenha chegado a uma conclusão, já que o filme é baseado em uma história real. Mas se não fosse, digamos que o final não me convenceu muito.
Joaquin Furriel, Maribel Verdúm e Beto Bubas,
durante as filmagens de El Faro de Las Orcas.
IMDB: 6,9/ 10
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: El Faro de Las Orcas)
Outros nomes: The Lighthouse of The Whales
País:  Argentina/ Espanha
Ano: 2016
Direção: Gerardo Olivares
Elenco: Joaquin Furriel, Maribel Verdú, Quinchu Rapalini.


O verdadeiro Beto Bubas,:
"Com vinte anos e um sonho em mente, decidi estudar Biologia Marinha".









TRUMAN



"O que você aprendeu comigo?"
Essa parte do filme me emocionou muito, quando o Julián (Ricardo Darin) faz essa pergunta para Tomás (Javier Câmara).

Ele mesmo, o Julián, já havia dito que do Tomás admirava a generosidade, esse dar sem esperar nada em troca. Tomás então lhe responde que admirava a valentia dele, a capacidade de enfrentar as situações. Completa: "como essa que você está enfrentando agora".
É que Julian está enfrentando um câncer terminal.

Nessa altura você deve estar se perguntando quem é Truman. Não é nenhum dos dois, realmente.
Truman é o cachorro de Julián, seu fiel companheiro. E agora Tomás precisa ajudar Julián a encontrar um lar adotivo para ele.

Tomás mora atualmente no Canadá e Julián na Espanha. O filme é sobre os 4 dias que Tomás tira para visitar o amigo. Apesar do tema forte, o filme não apela para o melodrama. Eles saem juntos, bebem juntos, recordam-se dos velhos tempos...mas não dá para ver e não se imaginar na mesma situação. Do Julián ou do Tomás.
Muito bom! O filme conta ainda com o carisma do Darin, mas o Javier também é ótimo, já vi vários filmes com ele.

“Truman” foi o grande vencedor do prêmio Goya 2016, o Oscar espanhol. Indicado em seis categorias, o filme levou cinco prêmios: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Ator e Coadjuvante.

E aqui deixo uma pergunta: o que você aprendeu com seu melhor amigo?

IMDB: 7,3/10
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Truman.
País:  Argentina/ Espanha
Ano:  2015
Direção: Cesc Gay.

Roteiro: Cesc Gay, Tomàs Aragay
Elenco: Ricardo Darin, Javier Câmara, Dolores Fonzi.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

AS FILHAS DE ABRIL



Um filme que parece um drama do cotidiano, mas que se revela totalmente imprevisível. Uma história incomum, Ou talvez mais comum do que eu saiba.

Emma Suárez interpreta a mãe de Clara e Valeria. Separada e já há algum tempo afastada das filhas, ela recebe o telefonema de Clara, pedindo ajuda e fica sabendo que a mais nova, ainda adolescente, está grávida e o namorado tem também apenas 17 anos.

Abril resolve passar uns tempos então na colorida e agradável casa no México, à beira-mar, para dar todo o suporte financeiro e emocional que as filhas estão precisando.

Emma, a atriz espanhola que recebeu o Prêmio Goya de Melhor Atriz pelo seu papel como Julieta, no filme de Almodóvar, é a figura central no filme, tanto como personagem quanto como atriz. Las Hijas de Abril recebeu, merecidamente, o Prêmio Especial do Júri do Festival de Cannes. O longa explora as relações entre mães e filhas, seus sonhos e medos e também a coragem.

Já o diretor, Michel Franco, é o mesmo do excelente Depois de Lúcia. Em 2015, o cineasta mexicano de 38 anos, comoveu Cannes com o seu filme Chronic. Foi o único filme da América Latina na disputa pela Palma de Ouro e provocou um impacto no Festival com uma descrição sóbria, realista e devastadora do fim da vida.


As Filhas de Abril é muito bem conduzido, a tensão é administrada com habilidade e só posso dizer que nos deixa completamente desconcertados.

IMDB: 6,7/ 10
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Las hijas de Abril
País: México.
Ano: 2017
Direção e roteiro: Michel Franco.
Elenco: Emma Suárez, Ana Valeria Becerril, Joanna Larequi, Enrique Arrizon.