Cinéfilos Eternos: Mistério
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segunda-feira, 30 de julho de 2018

AS BOAS MANEIRAS




Nossa, que filme mais louco e mais lindo, mais bizarro e poético ao mesmo tempo...
Fala sobre a solidão...
sobre a rejeição...
a solidão de viver só
a solidão de ser diferente
a solidão de um segredo inconfessável
a solidão de ser abandonado
Fala sobre como as convenções
podem ser colocadas acima dos sentimentos.
Fala sobre o medo.
Sobre o amor, um amor que pode ser tão grande
que transforma o medo em entrega
Um amor tão grande que transforma
seu maior desejo em renúncia
Um amor tão grande
que vira uma dança...

O filme conta a história de Ana que contrata uma pessoa, Clara, para cuidar do bebê que está esperando. Ana vive sozinha e Clara também é uma pessoa solitária, ela está sem emprego e devendo o aluguel do seu quartinho, então o emprego vem a calhar, já que precisa dormir no apartamento. Mesmo antes do filho de Ana nascer, a jovem grávida precisa de cuidados, principalmente de companhia e amor. Clara vai se ver envolvida numa estranha relação, que vai modificar a sua vida para sempre!
Uma espécie de fábula que vai mostrar que "as boas maneiras" passam muito longe pelas regras de etiquetas e são mais ditadas pelo coração.
E eu paro por aqui, porque o filme deve ser uma descoberta do espectador, mas infelizmente a maioria das críticas está entregando a história, o que tira muito do sabor, até o poster é um spoiler.
Os diretores conseguiram com muito talento e criatividade juntar vários gêneros de uma forma muita harmoniosa. Além da direção, ainda são responsáveis pelo roteiro. Uma grata surpresa!

IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: As Boas Maneiras.
Outros títulos: Good Manners, Les Bonnes Manières.
País: Brasil, França.
Ano: 2017
Direção: Juliana Rojas, Marco Dutra.
Roteiro: Juliana Rojas, Marco Dutra.
Elenco: Marjorie Estiano, Isabel Zuaa, Miguel Lobo, Cida Moreira.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

NEVE NEGRA



Conhecemos primeiro Marcos (Leonardo Sbaraglia), onde parecem cair todos os problemas da família. Tem que se dividir entre sua esposa Laura (Laia Costa), que está grávida e os cuidados e despesas com sua irmã Sabrina, que está internada com problemas psiquiátricos. Seu pai faleceu recentemente e lhe deixou com o encargo de enterrar suas cinzas junto aos restos mortais do outro filho, Juan. 
E lá partem ele e Laura ao encontro de Salvador (Ricardo Darin), que, após a morte de Juan e de ter sido acusado de matá-lo, isso há trinta anos, se isolou na antiga cabana da família. 
Marcos precisa da ajuda de Salvador, porque não lembra onde o irmão mais novo foi enterrado. Mas também deseja convencer o irmão a vender a propriedade herdada por eles. E que por sinal, não se sabe por quê, vale muito mais do que se imaginava. Mas Salvador tornou-se uma pessoa de difícil trato e o dinheiro não lhe interessa. Alega também que não pode sair dali e deixar o irmão enterrado sozinho. Culpa talvez? Mas tudo indica que foi somente um acidente de caça.

O clima é claustrofóbico, o personagem de Darin é um homem envelhecido e amargurado, o cenário são as colinas geladas da Patagônia.
Segunda produção do argentino Martín Hodara para os cinemas. A parceria com Darin teve sua participação como diretor no primeiro filme, "O sinal" e agora como ator, em "Nieve negra".
Quase não vi porque li tantas críticas negativas. "Pretensioso", disse o critico da Folha de São Paulo, por exemplo. Pretensioso é ele , que não poupou adjetivos negativos ao filme e o pior, a quem quer que goste, que ele chamou de "público com síndrome de inferioridade". O filme é bom sim, nada de extraordinário, como acredito que nem era a intenção. E, ao contrário de ser pretensioso, achei que é um filme honesto. Elenco forte, um roteiro instigante e conduzido com habilidade, alternando o reencontro constrangedor entre os dois irmãos com inevitáveis lembranças do passado.
IMDB: 6,2/10
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Nieve negra
País: Argentina
Ano: 2017
Direção: Martin Hodara
Roteiro: Martin Hodara/ Leonel D'Agostino
Elenco: Ricardo Darin, Leonardo Sbaraglia, Laia Costa, Federico Luppi.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

AS CRIATURAS




O filme provocou polêmica entre os anos de 1965-66, talvez devido ao experimentalismo que não foi compreendido na época, ocasionando um grande fracasso de bilheteria, mesmo com o elenco fabuloso. Um casal sofre um acidente e Mylène (Deneuve) fica muda. Não ficou bem explicado no filme o porquê, se era só por causa do trauma do acidente. Porque ela continua apaixonada e doce com o marido (Piccoli, que no filme é Piccoli mesmo). Eles se instalam em um forte, na Ilha de Noirmoutier. Ela também não quis mais sair de casa, de forma que as compras ficam por conta de Piccoli. Ele também não é de falar muito, o que desperta a curiosidade dos moradores locais. Entre seu trabalho como escritor, Piccoli faz longas caminhadas, sozinho, já que a esposa se nega a sair e ele é considerado esquisito.


Fatos perturbadores começam a acontecer. Piccoli descobre que mora um engenheiro no farol, que inventou uma estranha máquina, que permite que ele manipule os moradores como marionetes. Tem início um jogo entre os dois, onde real e imaginário se confundem.

Não é uma obra que agradará a todos, não há coesão, mas achei bem original, principalmente para a época. Pode ser visto como um filme de ficção, apenas como algo para divertir ou como uma série de metáforas, eu entendi assim. E volto sempre à minha pergunta: somos nós que escolhemos nossos destinos ou é o destino que nos escolhe? E mesmo quando escolhemos, haverá algum controle sobre o que optamos viver? Ou existe algum papel para nós, que é modificado, incluídos novos elementos, talvez para nos testar, pelo Roteirista e Diretor de nossas vidas?

IMDB: 6,7/ 10
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Les Créatures
País: França
Ano: 1966
Direção: Agnès Varda.
Elenco: Michel Piccoli, Catherine Deneuve, Eva Dahlbeck, Lucien Bodard.

ANTES QUE TUDO DESAPAREÇA



Kiyoshi Kurosawa é um diretor, roteirista, crítico e professor na Universidade de Artes de Tóquio de Cinema. Por mais que ele tenha trabalhado em vários gêneros, Kurosawa é mais conhecido pelas suas contribuições ao gênero terror japonês.
Antes que Tudo Desapareça está mais para mistério e ficção científica, mas o cineasta inicia o filme com uma cena bem sangrenta, com jeito de filme de terror. Foi aí que eu quase desisti de ver o filme.
As histórias de três pessoas se entrelaçam. Uma é a da adolescente Akira Tachibana, cuja família é brutalmente assassinada e ela é recolhida confusa, andando no meio da estrada. Um jornalista, Sakurai, vai ao local para cobrir a matéria e lá conhece Amano, um outro adolescente, que está à procura de Akira e pede a Sakurai que seja o seu guia. Shinji Kase era um marido infiel e estava desaparecido. Ele é encontrado totalmente diferente, agora é gentil e terno, mas muito confuso. Ele pede à esposa, Narumi Kase, que seja a sua guia.
O que essas três pessoas, Akira, Shinji e Amano, têm em comum? Eles dizem que a Terra será invadida e que toda a humanidade desaparecerá. O que eles sabem? Quem serão eles?
Narumi nem consegue mais se concentrar no trabalho, tendo que ficar às voltas com aquele marido com comportamento esquisito, ao mesmo tempo que começa a desejar que ele não mude mais...
O filme envereda por vários gêneros e coloca a questão de que talvez a raça humana esteja realmente perdendo alguns conceitos essenciais, ao mesmo tempo que se apega a outros que a aprisiona. Talvez o nosso planeta precise mesmo ser renovado. No fundo, é um filme leve e até divertido.
IMDB: 6/ 10
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Sanpo suru shin'ryakusha
Outros nomes: Before We Vanish
País: Japão
Ano: 2017
Direção: Kiyoshi Kurosawa
Elenco: Masami Nagasawa, Ryuhei Matsuda, Hiroki Hasegawa, Tsunematsu Yuri, Takasugi Mahiro.