Cinéfilos Eternos: Terror
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

WILD LOVE





Hum, pra quem gosta do gênero,...

Acho que esse é curta mais curtinho do festival, mas são 7 minutos de puro horror, mesmo sendo uma animação.
Coitados de Alan e Beverly, que em um encontro tão romântico, sem querer, provocam um acidente fatal. Mas esse crime não ficará impune...
Divertidamente macabro.

Filmow: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Wild Love.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Paul Autric e outros.
Animação, curta.

* Disponível no My French Film Festival 2019, até o dia 18 de fevereiro.

sábado, 22 de dezembro de 2018

CAIXA DE PÁSSAROS




Em Um Lugar Silencioso, uma família se comunica somente por sinais. O silêncio precisa ser absoluto porque, a qualquer ruído, alguém (ou alguma coisa) os ataca. Em "Bird Box", ou Caixa de Pássaros, a ameaça é visual. O mundo é acometido por uma espécie de loucura , onde as pessoas começam a se suicidar. Os suicídios são precedidos de visões. As autoridades pedem que as pessoas se tranquem em casa e cubram todas as janelas. Mas ao contrário de em "A Quiet Place", em que o espectador acaba ficando igualmente em silêncio, tamanha a tensão, em "Bird Box" ficamos é com os olhos bem arregalados e querendo ver, procurando em cada detalhe uma pista. A inquietude, o nervosismo, tomam conta do espectador, na tentativa de desvendar o mistério.
Eu, particularmente, gostei muito mais desse, foram duas horas e cinco minutos em que não despreguei os olhos da tela. Com uma atuação maravilhosa de Sandra Bullock como Malorie, a protagonista da história inspirada no best-seller homônimo de Josh Malerman e dirigido por Susanne Bier, premiada diretora dinamarquesa, o filme é a nova aposta da Netflix e estreou ontem, 21 de dezembro.
Malorie, ainda por cima grávida, é levada para uma casa onde está um grupo de pessoas, uma delas o desagradável Douglas, interpretado por John Malkovich. Mas quando a casa deixa de ser segura, ela é obrigada a procurar outros caminhos e um deles a leva a uma difícil travessia de um rio com duas crianças, mais difícil ainda por precisarem estar com os olhos vendados. Sandra Bullock diz que se inspirou na força de sua própria experiência como mãe para fazer Malorie enfrentar essa travessia com as crianças, na tentativa de encontrar um lugar onde pudessem reconstruir a vida.
Como em outros filmes que não pude deixar de lembrar, Caixa de Pássaros é mais que uma obra de suspense ou terror. Em O Último Suspiro, Paris é tomada por uma bruma que mata as pessoas. É preciso fugir da névoa, procurar os andares mais altos dos prédios, mas o casal protagonista tem um grave problema: uma filha que sofre de uma doença rara e vive em uma espécie de bolha. Em A Noite Devorou o Mundo, também em Paris, a cidade da noite para o dia está tomada por zumbis famintos. Também o protagonista desse filme precisa se trancar no prédio para se proteger. Os roteiros-catástrofe criam uma intimidade, uma forte ligação entre os sobreviventes. Mas em A Noite Devorou o mundo, o protagonista se vê lutando por uma vida sem sentido, já que solitária. E se ele for o único sobrevivente do mundo, valerá a pena lutar? Na sua ilusória vida, em vigília o tempo todo, ele não estará se tornando uma espécie de zumbi? Não sou chegada a filmes de terror, por isso gostei desses, porque são também sobre solidão e escolhas. Como em O Último Suspiro, o que prende umas pessoas pode ser a libertação para outros. Caixa de Pássaros é mais que tudo um filme de descoberta do amor, de um amor reprimido e adormecido que vai ser forçado pelas circunstâncias a se manifestar com todas as forças.
Assim como não é da natureza do homem viver solitário, também não é da natureza dos pássaros viverem trancados em uma caixa. Malorie é dura com as crianças, as mantém em uma espécie de caixa de pássaros, onde só cabem o silêncio e a escuridão. Porque ela acredita que é a única maneira de sobreviverem. Mas adianta viverem sem sonhos, sem esperança? O casaco azul, a imensidão do rio, do azul do rio, nos remetem ao espaço, à liberdade, aonde os pássaros devem estar e também as nossas mentes. A própria Malorie sempre viveu em uma espécie de "caixa de pássaros", mesmo antes da tragédia.
Da mesma forma que as pessoas com deficiência visual apuram a audição, Malorie ensina as crianças a reconhecerem todos os tipos de barulhos, a perceberem quando alguma coisa está perto ou longe. E Susanne Bier também trabalha bem a trilha sonora para nos dar a mesma percepção. Existe uma lenda, eu gostava muito de ler sobre isso na adolescência, sobre um continente perdido, a Lemúria, cujo povo era cego e evoluído, eles desenvolveram a terceira visão.
Mas como em qualquer adaptação de livros, haverá sempre queixas de que o filme não se aprofundou nisso ou naquilo, chato isso, sabe? Caixa de Pássaros pode até não trazer nada de novo, mas é muito bem trabalhado e tem ótimas atuações, até das fofas crianças. Sim, existem algumas inverossimilhanças, mas é ficção e o que importa aqui é o que o filme nos faz sentir e, posso garantir que é, no mínimo, é um excelente entretenimento.
A atriz Sandra Bullock conta como foi difícil atuar com olhos vendados e diz que trombou com a câmera várias vezes.
Outro ponto a refletir é que a ameaça do filme é invisível e por isso provoca os piores medos e sensações. Uma personagem acredita que viu ou ouviu sua mãe, morta há vários anos. As pessoas, após as visões, se matam por desespero ou atraídas por algo muito maior? É mencionada uma certa beleza. Será o fim do mundo uma passagem para um outro bem melhor? O filme talvez sugira que em determinadas situações seja conveniente ficar de olhos vendados para preservar a lucidez. A mente limpa como um canal aberto para compreender o verdadeiro significado da vida. Em um mundo apocalíptico então, só os lúcidos sobreviverão. Ou talvez os loucos...
IMDB: 6,7/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Bird Box
Outros nomes: Às Cegas.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Susanne Bier.
Roteiro: Eric Heisserer, JoshMalerman.
Elenco: Sandra Bullock, John Malkovich, Trevante Rhodes, Sarah Paulson.
As crianças: Julian Edwards, Vivien Lyra Blair.


quarta-feira, 3 de outubro de 2018

BYZANTIUM - UMA VIDA ETERNA.




Clara e Eleanor são duas vampiras. Sim, não sei o que está acontecendo comigo, agora dei pra ver filmes de zumbis e de vampiros! Clara é mãe de Eleanor. 
Pelas leis da irmandade, Clara não poderia ter filhos, ela pensou em matar Eleanor quando ela nasceu, mas então ela olhou para a filha e conheceu o amor.

A história é contada por Eleanor, que pensa que ela e a mãe são as únicas sobreviventes da irmandade. Eleanor está cansada da maneira de viver que acredita que sua mãe impõe a ela, da facilidade com que Clara mente. Está cansada de se mudar de cidade em cidade. Para desabafar, ela escreve e escreve sua história. Porque não pode contar para ninguém.
Fica claro no filme que elas fogem de alguém, Eleanor não sabe.
A história de Clara e de Eleanor não é muito diferente da história de muitas mulheres. Na verdade, eu penso que o filme é mais sobre as mulheres do que sobre vampiros, talvez por isso eu tenha gostado. É sobre o sentimento maternal e a força que ele traz. É sobre viver duzentos anos e mesmo assim os homens continuarem a tratar a mulher como um ser inferior. Quantos anos mais serão necessários para que as mulheres sejam mais valorizadas?
Eleanor queria ser uma adolescente normal. Principalmente quando conhece Frank (Caleb Landry Jones). Ela está muito cansada, ela convive com seu passado eternamente. É impressionante como a vida pode ser tão importante para alguns e um fardo para outros.
Não é o primeiro filme de vampiros do diretor, em 1994 ele dirigiu Entrevista com o Vampiro, com Tom Cruise, Brad Pitt e Kirsten Dunst. Mas Clara e Eleanor são umas vampirinhas bem diferentes, inclusive elas podem ver a luz do sol. Vocês vão se apaixonar por elas, apesar do sangue, muito sangue, envolvido no filme.

IMDB: 6,5/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,2 / 5

Ficha técnica:
Nome original: Byzantium
País: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
Ano: 2012
Direção: Neil Jordan.
Roteiro: Moira Buffini.
Elenco: Saoirse Ronan. Gemma Arteton, Caleb Landry Jones,

segunda-feira, 30 de julho de 2018

AS BOAS MANEIRAS




Nossa, que filme mais louco e mais lindo, mais bizarro e poético ao mesmo tempo...
Fala sobre a solidão...
sobre a rejeição...
a solidão de viver só
a solidão de ser diferente
a solidão de um segredo inconfessável
a solidão de ser abandonado
Fala sobre como as convenções
podem ser colocadas acima dos sentimentos.
Fala sobre o medo.
Sobre o amor, um amor que pode ser tão grande
que transforma o medo em entrega
Um amor tão grande que transforma
seu maior desejo em renúncia
Um amor tão grande
que vira uma dança...

O filme conta a história de Ana que contrata uma pessoa, Clara, para cuidar do bebê que está esperando. Ana vive sozinha e Clara também é uma pessoa solitária, ela está sem emprego e devendo o aluguel do seu quartinho, então o emprego vem a calhar, já que precisa dormir no apartamento. Mesmo antes do filho de Ana nascer, a jovem grávida precisa de cuidados, principalmente de companhia e amor. Clara vai se ver envolvida numa estranha relação, que vai modificar a sua vida para sempre!
Uma espécie de fábula que vai mostrar que "as boas maneiras" passam muito longe pelas regras de etiquetas e são mais ditadas pelo coração.
E eu paro por aqui, porque o filme deve ser uma descoberta do espectador, mas infelizmente a maioria das críticas está entregando a história, o que tira muito do sabor, até o poster é um spoiler.
Os diretores conseguiram com muito talento e criatividade juntar vários gêneros de uma forma muita harmoniosa. Além da direção, ainda são responsáveis pelo roteiro. Uma grata surpresa!

IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: As Boas Maneiras.
Outros títulos: Good Manners, Les Bonnes Manières.
País: Brasil, França.
Ano: 2017
Direção: Juliana Rojas, Marco Dutra.
Roteiro: Juliana Rojas, Marco Dutra.
Elenco: Marjorie Estiano, Isabel Zuaa, Miguel Lobo, Cida Moreira.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

A NOITE DEVOROU O MUNDO



Quem diria que eu ia ver um filme com zumbis. Pesquisando, descobri que os zumbis não são completamente míticos, olha que assustador! Há rituais necromânticos, em particular ligados à religião do vodu haitiano, com a intenção de invocar os zumbis. Zumbis também são bem reais entre outras espécies animais, cujos comportamentos dos espécimes infectados podem ser drasticamente modificados e controlados por patógenos hospedeiros. A figura dos zumbis humanos ganhou destaque no gênero de filme de terror principalmente graças ao filme de 1968 "Night of the Living Dead", de George A. Romero.
Sam vai até o apartamento de sua ex para reaver umas fitas- cassetes que está precisando, o que ele não sabia é que tinha uma festa lá, com muita bebida. Ela diz pra ele onde está a caixa com as fitas e pede que ele a aguarde lá, mas Sam acaba dormindo. Quando ele acorda e sai do quarto, ele encontra um apartamento vazio, todo quebrado e com sangue por toda parte. Ainda confuso, ele descobre um terrível acontecimento: a cidade de Paris está tomada por zumbis famintos. Ele vai se trancar no prédio e começar a criar estratégias para se proteger. Toda a ação desse filme se passa nesse prédio, de onde se vê a Torre Eiffel.
A Noite Devorou o Mundo, embora com o clima de terror, é um filme sobre solidão e escolhas. Será Sam o único sobrevivente dos humanos? E terá sido sorte ele ter um lugar para se proteger, mas somente para isso? A sua vida dessa maneira valerá realmente a pena? Sam descobre que no prédio também ficou um zumbi, ele está preso no elevador, não oferece perigo, mas mesmo assim Sam deveria matá-lo. Mas a solidão é tão grande que ele decide mantê-lo "vivo". Alfred, o zumbi também solitário, todos o abandonaram ali, é interpretado pelo genial ator Denis Lavant. Alfred é diferente dos outros zumbis, ele ainda mantém resquícios de civilidade. 
Essa parte me lembrou de um outro filme, macabro por sinal, que vi há muitos anos, tenho quase certeza que é com o ator Sam Neill, mas não encontro mais: uma mulher vai a uma festa e lá pelas tantas, já alcoolizada, sai com um homem que conheceu, que a leva para a sua casa, bem no meio de uma ilha deserta. Ele a mantém refém e ela acaba matando o tal homem e o escondendo em um freezer. Mas ela não sabe sair dali e a solidão começa a consumi-la de tal maneira que faz com que ela veja no desconhecido congelado uma companhia. Lembrei também de Gravidade, já pensou ficar perdida no espaço?

Destaque também para a parte comovente do filme, que tem a participação da iraniana Golshifteh Farahan.
O filme será considerado talvez parado para os que esperam perseguições e cenas sangrentas assustadoras o tempo todo. Mas o foco é o psicológico do protagonista. Até quanto tempo Sam aguentará aquela situação sem enlouquecer? E o quanto ele realmente está seguro ali? 
Sam terá que fazer a escolha de ficar ali, onde se sente protegido, catando as comidas que restam dos outros apartamentos, colocando diversas vasilhas no terraço do prédio à espera da água das chuvas, verificando e reforçando as portas e janelas o tempo todo, na mais profunda solidão, ou procurar uma saída, tentar achar um lugar onde talvez não hajam zumbis, mas correndo o risco de vida. É uma alegoria, acredito, à vida de todos nós. Sempre digo que muitas pessoas para não morrerem, deixam de viver. Porque se Sam optar por ficar ali na sua ilusória segurança, ele também não estará praticamente se tornando um zumbi?

Dominique Rocher, que também assina o roteiro, dirige com muita criatividade e sensibilidade esse seu primeiro longa, que é baseado em um livro de mesmo nome e que fez muito sucesso no Festival Varilux 2018.
IMDB: 6/10
Filmow: 3,2/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Nuit a Dévoré le Monde.
Outros títulos: The Night Eats the World.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Dominique Rocher
Roteiro: Dominique Rocher
Elenco: Anders Danielsen Lie, Golshifteh Farahani, participação especial de Denis Lavant.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

PRIMAVERA



Um idílico vilarejo na costa italiana... uma jovem bonita e interessante que o seduz... um emprego em uma fazenda...
Nada mal para quem precisava recomeçar sua vida. Evan é americano e acaba de perder sua mãe e, além da tristeza, um sentimento de abandono toma posse dele, porque ela era toda a sua família, ele está só no mundo. No dia do seu funeral, ele se mete em uma briga e fica também sem o emprego. Ele conhece uns caras que o convidam para dividir a gasolina e fazer turismo da Itália. É quando conhece Louise, uma estudante de Ciências, sensual, mas também muito misteriosa. O dono da fazenda gosta dele, é um outro solitário. O emprego propicia a Evan um lugar para dormir, aprender a língua e a oportunidade de se aproximar de Louise.
Um romance começa a florescer entre os dois, Louise é divertida, meiga, inteligente, a lua e o mar azul, azul, azul, ajudam, e os lugares incríveis, praças enormes, cafés e bares em locais que parecem escavados nas pedras, basílicas, museus e igrejas antigas, universidades onde estudaram poetas italianos famosos, um forte contexto histórico e cultural que remete ao passado, ... 
Um amor que desabrocha como a primavera... 
Mas Evan não demora a perceber que ela esconde um segredo.

O filme mescla comédia romântica com horror. A linda fotografia e a bela trilha sonora, composta por Jimmy LaValle encantam os sentidos, mas coisas estranhas começam a acontecer. Coisas bem estranhas...
Sim, é claro que a condução de algumas cenas levam ao velho clichê de que devemos aceitar as diferenças, à reflexão que também temos as nossas bizarrices, mas nem por isso as cenas de terror deixam de ser competentes e originais.
IMDB: 6,7/ 10
Minha nota:

Ficha técnica:
Nome original: Spring.
País: EUA
Ano: 2014
Direção: Aaron Moorhead, Justin Benson
Roteiro: Justin Benson
Elenco: Lou Taylor Pucci, Nadia Hilker, Francesco Carnelutti

segunda-feira, 25 de junho de 2018

RESOLUTION



Vi Resolution na tentativa de tirar as dúvidas da continuação dele, The Endless. Tipo ver Better Call Saul depois de Breaking Bad. Resolution é uma produção independente de baixo orçamento, dirigido com competência por Justin Benson e Aaron Moorhead. Benson também assina o roteiro. Classificado como terror, mas é um terror sutil, o clima é tenso o tempo todo, daqueles que estão mais para fundir a cuca.
Tudo começa quando Michael (Peter Cilella) recebe uma fita com uma gravação do seu amigo drogado e um mapa de sua localização, o que ele interpreta como um pedido de ajuda. Ele deixa sua esposa grávida e parte para o que ele considera ser uma missão. Talvez Michael deseje ter alguma coisa para se orgulhar e contar para o filho que vai nascer.
Michael resolve prender Chris (Vinny Curran) com uma corrente, de forma que ele não tenha acesso às drogas nem às bebidas, dentro da cabana que depois ele vem a saber que foi ocupada ilegalmente pelo amigo e que está localizada em uma reserva indígena. Outro problema que ele tem que resolver. Ele pede para ficar por cinco dias e paga pelo aluguel. Não bastasse isso tudo e aturar as súplicas e as tentativas de Chris para ser desacorrentado, além do assédio de dois drogados, coisas estranhas começam a acontecer, fitas e fotos estranhas aparecem em todos os lugares, como a mandar um recado. E outra: Chris afirma que não foi ele quem mandou aquela fita para Michael.
Os dois amigos terão enfim muito tempo para se lembrarem e talvez se arrependerem de alguns atos praticados no passado, numa jornada de auto-conhecimento e reaproximação.
Mike só sai da cabana para comprar alguma coisa e caminhar. Numa dessas caminhadas, onde torce o pé, ele conhece um sujeito que mora em um trailer e que o convida para tomar um chá. Ele lhe diz que veio para o local com mais dois franceses, que diziam procurar um monstro, mas que desapareceram e que só ele acabou ficando, não conseguiu sair mais e nisso já estava por lá há trinta anos. Também o tal sujeito era chegado a umas ervas que trouxe da América do Sul. O cara era meio sinistro, começou a fazer uns lances com espelho e Michael, desconfortável, agradece a aspirina e resolve ir embora. Será que era mesmo aspirina? O sorrisinho do morador do trailer diz que não, o que nos leva a pensar se tudo não passa de alucinações provocadas pelas drogas, porque parece que todo mundo se droga naquele lugar.
Somos convidados a embarcar nessa aventura, novamente aqui, como em The Endless, não sabemos o que é real e o que é imaginário. Pior: nos questionamos sobre o que é a realidade afinal. Como em O Show de Truman, será que estamos apenas interpretando papéis em um cinema maior? 
Costumo dizer que o cinema, ou um livro, passa a ter vida própria da feita que começa a ser elaborado. O diretor passa a ser dirigido pelo próprio filme, o roteiro e as cenas começam a surgir, independentes da vontade do seu criador, brincando com seus limites.

Bem, e aí, quem viu? Alguém sabe me dizer o que significam afinal aqueles desenhos tribais, o que se esconde naquelas cavernas? Fala-se de uma seita de adoração ao demônio. Serão alienígenas que estão por ali? Qual a finalidade daqueles estranhos objetos (fotografias antigas, livros velhos, rolos de filmes)? Será que é apenas uma comunidade de traficantes que quer afastar as pessoas do local? Quem é o misterioso francês que mora no trailer? Por que ele nunca foi embora? Ah, e o que serão aquelas luzes alaranjadas que parecem flashes? Se não foi o Chris, quem enviou o vídeo para Mike? E o final, hein, o que foi aquilo??? Você não sabe? Hahaha, nem eu. Podemos supor várias coisas, diferentes pessoas terão diferentes explicações. Se você não gosta de finais abertos, não veja, porque Resolution, assim como sua continuação, The Endless, não entrega respostas. Na verdade, tenho a minha teoria, mas não vou dizer.
Mas assim como The Endless faz uma analogia com a rotina que nos devora, Resolution é também um filme sobre a amizade. O outro filme deles, Spring, também envolve bizarrices, porque é sobre um casal em que um deles é um monstro, mas fala principalmente sobre o amor. Então Benson e Moorhead usam sempre uma mensagem subliminar.
IMDB: 6,2/ 10
Minha nota: 3,4/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Resolution
País: EUA
Ano: 2012
Direção: Aaron Moorhead, Justin Benson 
Roteiro: Justin Benson
Elenco: Peter Cilella, Vinny Curran, com a participação de Aaron Moorhead e Justin Benson.


O CULTO



Eu acho que o filme fala basicamente sobre o medo.
"O sentimento mais forte e mais antigo do ser humano é o medo, e o medo mais forte e mais antigo é o medo do desconhecido".
O que o ser humano mais deseja? Ser imortal. E o que o ser humano mais teme? A morte. Mas, pelo menos para os que acreditam na continuidade do espírito, é necessário que o corpo morra, é preciso nos despojarmos dessa roupa, muitas vezes já velha e cansada, às vezes doente, para realizarmos esse sonho.
O fato é que não deveríamos ter medo da morte, já que só podem acontecer duas coisas: não existir nada depois e então não sentiremos nada; ou existir vida após dela, a constatação de que nosso espírito, ou nossa alma, é uma energia e vai continuar fluindo.
Então por que temos medo? E não diga que não tem, todo mundo tem. Porque é o desconhecido. Acreditamos, enquanto vivos, ter controle sobre tudo. Precisamos acreditar que temos os pés no chão. No entanto, pisamos em um planeta que está "solto" no universo, às vezes estamos de cabeça pra baixo, se bem que não sei onde é o cima e onde é o baixo. Eu tenho uma mania quando estou sozinha, assim numa praia, aperto os olhos e olho para o horizonte e tento "ver" o que vem depois. Não depois daquela linha, porque é só mais água, mas fora, ... tento me ver, assim como se estivesse em um barco no meio do mar, além disso, em um planeta no meio da imensidão.
No filme Vida Selvagem, Paco diz que na natureza tudo é redondo, que quem inventou o quadrado foi o homem. Porque o quadrado é uma forma que delimita os espaços, dá controle ao homem. Mas na verdade não temos controle sobre nada. Não sabemos onde é o fim e muito menos o que representa o fim. E nem se existe o fim, não é? É a tal teoria do infinito, que eu acho muito estranha. Mas se existe um fim, o que vem depois do fim é o nada. O nada é o que há de mais assustador. Vivemos em círculos, em ciclos, preferimos nos apegar à nossa vidinha quantas vezes sem graça do que ir além.
Alguns ciclos são menores, como o dia, dormimos, acordamos, trabalhamos, comemos, e dormimos de novo. Acredito que o filme promova uma analogia com as rotinas de nossas vidas. Alguns ciclos são maiores, mais estimulantes. Quanto mais medo, menores os ciclos, maior a rotina. Inventamos monstros para não nos expandirmos, mas os monstros estão dentro de nossas cabeças. "Não olhe para eles, siga somente sua bússola e saia correndo", aconselha um personagem do filme.
Em O Culto, Justin convence seu irmão mais novo a fugirem da comunidade onde vivem. Mas de nada adiantou, a comunidade estava dentro deles, impedindo-os de viver, era o monstro deles. Depois de dez anos, eles resolvem voltar em busca de respostas.
Mas há respostas? Pelo menos não no filme, o longa não entrega respostas, só perguntas.
Justin e Aaron são interpretados pelos próprio diretores, Justin Benson e Aaron Moorhead. O filme deles, Resolution, de 2012, uma produção de baixíssimo orçamento, é considerado um desafio conceitual ao espectador. Depois desse, eles fizeram Spring, em 2015, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto.
The Endless é um filme que pode ser perturbador, mas não considero que seu gênero seja terror, mas que transita por ele. Porque o fato de não sabermos o tempo todo o que é real ou não nos deixa bastante desconfortáveis. Por exemplo, na tal comunidade pode-se ver três luas. Que para mim simbolizam o passado, o presente e o futuro. Uma lua só representa que tudo é uma coisa só. Já que o filme também brinca com o tempo. O fato é que está fazendo sucesso em diversos festivais do mundo e ganhando seu espaço.
Afinal, o que acontece naquele lugar? É um portal? São aliens? Talvez algum local amaldiçoado? O que significam todos aqueles símbolos tribais? E aquele monte de fitas e fotos? Ou será que tudo não faz parte da imaginação dos assustados Justin e Aaron? Quando eu era criança, eu tinha muito medo de cachorros. Alguém me ensinou que eu tinha que disfarçar quando passava perto de um, porque o cheiro do medo os atraía. Será que o medo é como um espelho, projeta fora de nós o que tememos?
Em busca de respostas, eu fui ver o Resolution, que é anterior. The Endless é uma continuação de Resolution. O que posso dizer é que não esclareceu nada, apenas eliminou um ou duas possibilidades. Pode ser que tenha um terceiro filme, não é?
E a pergunta que fica é: você voltaria a um local de onde fugiu há dez anos atrás, de um lugar onde acredita que acontecem coisas bizarras? Ou: você enfrentaria os seus monstros?
IMDB: 6,7/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Endless
País: EUA
Ano: 2017
Direção: Aaron Moorhead, Justin Benson 
Roteiro: Justin Benson.
Elenco: Aaron Moorhead, Justin Benson, Tate Ellington, Callie Hernandez.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

HEREDITÁRIO



Do mesmo estúdio de A Bruxa (2015) e Ao Cair da Noite (2017), A24 já é referência em terror psicológico de qualidade. Sua mais nova produção, Hereditário, é uma adição a esta lista primorosa e criativa da produtora. Assim como O Babadook (2014), essa leva de horror é um cinema com menos foco no explícito e mais no imaginário. Esses são filmes que levam o espectador a pensar de forma mais crítica e profunda, propiciando uma discussão no final. Infelizmente o material de divulgação não tem ajudado quando sugere convencionalidade e faz comparações desmedidas e desnecessárias. A indicação é tentar evitar os trailers ou não se deixar enganar por eles.
Hereditário é do diretor novaiorquino Ari Aster. Em seu trabalho de estreia com longa, o americano, o qual também assina o roteiro, fincou seu nome em Hollywood com um filme que já é considerado um clássico. Contudo, o êxito de Aster não reside apenas no roteiro conciso e inteligente, mas na sua habilidade em orquestrar todo o projeto, com a fotografia enigmática, trilha sonora de dar calafrios e sua mão em guiar os excelentes atores por esse caminho aterrorizante em que trilham em tela. É revigorante ver o cinema dando chance a sangue novo e fiquem de olho nos trabalhos futuros desse diretor.
A história inicia-se com Annie (Toni Collette) e sua família no funeral de sua mãe. A mulher não tinha uma boa relação com sua genitora. Por conta de alguns atritos com a mãe, as duas se mantiveram afastadas até que a senhora ficou doente e foi mantida aos cuidados da filha. E como uma doença hereditária, esse atrito entre mãe e filha se estende para Annie e seus dois filhos, o adolescente Peter (Alex Wolff) e a distante Charlie (Milly Shapiro). Um incidente terrível leva as duas partes migrarem para polos opostos de convivência e afeto dentro da própria casa.
No regresso do funeral, exceto por Charlie, ninguém mais da família parecia estar muito abalado pela recente morte. Mas aos poucos, eventos inesperados fazem com que um a um vá perdendo sua sanidade naquela família, deixando o único ainda são, o marido de Annie (Steve - Gabriel Byrne), tentando manter todos unidos e bem. E o desfecho ambíguo, que pode ser explicado por um viés psicológico ou espiritual, é de dar calafrios com cenas aterrorizantes.

Se você ficou em dúvida, daqui em diante eu irei explicar o que eu entendi e o que o próprio diretor quis transmitir com o filme. Portanto não continue lendo, pois vai ter bastante SPOILER.
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Segundo Ari Aster o que aconteceu ali não tem nada de psicológico. O capiroto estava mesmo rondando a família de Annie e no final um de seus servos possuiu Peter. Mas como chegamos até esse final macabro?
Bom, desde a cena do funeral, fica evidente a presença do culto satânico rondando a família. Todas aquelas pessoas na cerimônia de despedida eram desconhecidas de Annie, sendo portanto membros do culto.
O servo de lúcifer, que queria encarnar em um homem vivo, só poderia ser encarnado em um homem. A mãe de Annie provavelmente cedeu a própria família para trazer o demônio à terra, mas Peter foi impedido de conviver com a avó e somente Charlie teve contato com ela desde pequena. Só que a menina não servia para ser a hospedeira do demônio. Ela foi inclusive a primeira a notar que o demônio rondava a casa, lembram da luz azul? Talvez por ser criança, ela era meio sensitiva. Ou a própria avó pode ter feito algo para que ela se tornasse mais perceptível, já que elas tiveram mais contato.

Aster revelou que fez uma pesquisa profunda sobre material de magia negra, portanto tudo o que vocês viram no filme relativo a isso é material com fundamento real.
O culto planejou tudo, inclusive a morte de Charlie. Dá para notar um dos símbolos no poste onde a menina morreu em uma das cenas. Então o grupo tinha a intenção de desestabilizar a família para tornar mais fácil a concepção do plano maligno final deles. A Joan (a odiada Tia Lydia de The Handmaid's Tale, interpretada pela talentosa Ann Dowd) representa um papel fundamental nos planos do culto. Talvez ela tenha levado junto do culto o corpo da avó para dentro do sótão da família ou talvez tenha sido a própria Annie num dos seus episódios de sonambulismo. Mas Joan é sem dúvida a responsável por desestabilizar ainda mais Annie, abrindo espaço para o mal que estava por vir.
Por fim, Steve era tão irrelevante ali que foi queimado, talvez como referência ao que Annie tentou fazer para salvar os filhos da possessão, porque ela guardou esse fato sobre sua mãe tão bem, que somente sua versão sonâmbula conseguia acesso a isso. Mas a morte em fogo de Steve também pode ser uma crítica às bruxas que eram queimadas no passado.
Sem Steve no caminho, com a Annie desestabilizada e talvez até possuída por aquele ritual que ela foi levada a fazer por Joan, Peter estava livre para ser possuído finalmente. E quando ele chega no sótão cheio de membros do culto pelados, sua mãe se decapitando no teto, ele acaba se jogando da janela e morre, cedendo involuntariamente seu corpo ao demônio que perseguia a família. Nessa cena dá para ver o espirito de Peter saindo e o demônio com sua luz azul entrando.

Na última cena, vemos Peter, já possuído, entrando na casa da árvore, cheia de membros do culto novamente, e a própria Joan organizando tudo. Há também três corpos sem cabeça: Annie, sua mãe e a pequena Charlie, o que indica a trindade santa, contudo essa em reverência ao mestre do demônio servo que possuiu Peter: Lúcifer. As cabeças cortadas eram pagamento ou tributo ao demônio.
Bom, eu gosto bastante dessa ideia de de possessão demoníaca, mas também acho interessante quem defende que na verdade tudo ali não passou de um delírio de Annie, tão abalada pela morte da mãe. Inclusive a hereditariedade do título cabe bem nessa explicação, já que na família de Annie muitos tinham problemas psicológicos. Então porque essa história louca também não pode ser explicada por uma possível esquizofrenia de Annie?
Apesar do diretor já ter esclarecido tudo, um filme sempre depende da percepção do espectador.


IMDB: 7,7/ 10
Nota: 4,5/ 5

(Sinopse e Comentários: Tom Carneiro)


Ficha técnica:
Nome original: Hereditary
País: EUA
Ano: 2018 
Direção: Ari Aster
Roteiro: Ari Aster
Elenco: Toni Collette, Milly Shapiro, Gabriel Byrne

Sinopse: Depois que a matriarca da família falece, a família de luto é assombrada por ocorrências trágicas e perturbadoras, começando a desvendar segredos sombrios.
• Duração: 127 minutos

sábado, 19 de maio de 2018

A GAROTA QUE SABIA DEMAIS



Com Leticia Román como Nora Davis, John Saxon como o Dr. Marcello Bassi e Valentina Cortese como Laura Craven, entre outros.


Hitchcock nos presenteou com O homem que sabia demais, Mario Bava o homenageia com A garota que sabia demais.

Podemos concluir que é perigoso, muito perigoso, saber demais.

Nora Davis, a garota do filme, era americana e foi passear em Roma. O que à primeira vista era encantador, tornou-se um pesadelo para ela. 


Logo que chega em Roma já houve um incidente no aeroporto. Na sua primeira noite na cidade, mal ela chega na casa da Tia Edith, esta morre. Quando ela saí apavorada pra pedir ajuda, é atacada e assaltada. Quando consegue se recuperar, acaba sem querer sendo testemunha de um crime horrível.
O que eu faria? Voltaria correndo pra casa.

Mas Nora Davis resolve ficar e provar que estava falando a verdade, pois ninguém acredita nela, já que o corpo, a prova de que houve um crime, desaparecera.

E A garota que sabia demais também era a garota que adorava livros sobre crimes, ela devorava esse tipo de literatura e já se sentia meio que conhecedora do assunto e não iria partir sem satisfazer sua curiosidade.

No melhor estilo giallo, Mario Bava nos oferece um filme que nos deixa o tempo todo com a respiração suspensa. A história serve apenas de pano de fundo pra um conjunto de imagens e sons que nos remetem a sensações horripilantes, mas também com muito senso de humor.

Conhecida também no Brasil pelo título Olhos diabólicos, é imperdível conhecer essa obra desse grande mestre.


IMDB: 7,1/ 10

Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Ragazza che Sapeva Troppo
Outros nomes: Olhos Diabólicos
País: Itália
Ano: 1963
Direção: Mario Bava
Elenco: John Saxon, Leticia Román, Valentina Cortese