Cinéfilos Eternos: Gabriel Byrne
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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

OS 33



Faz pouco tempo o mundo se emocionou com o resgate de 12 meninos e de seu técnico de futebol, presos por 17 dias em uma caverna na Tailândia.
Isso me lembrou do desmoronamento de uma mina em Capiapó, Chile. onde ficaram presos 33 mineradores a mais de 700 metros abaixo do nível do mar. O fato ocorreu em 2010 e emocionou o mundo igualmente mas, acho que com o passar do tempo, ou a gente vai se esquecendo ou até não acompanhou todos os detalhes. Ainda bem que existem os filmes para nos lembrar!
Em The 33, o líder Mario Sepúlveda é interpretado pelo ator Antonio Banderas. Os 33 homens, presos em um lugar chamado refúgio, são surpreendidos, além da tragédia, com o fato de que o local não tem as escadas que deveria ter, os medicamentos são pouquíssimos e a comida armazenada mal dará para três dias. Em meio ao nervosismo, o pânico, começam a brigar e Sepúlveda toma a frente para racionar os alimentos e injetar ânimo nos colegas. Rodrigo Santoro tem uma ótima participação filme no papel do Ministro da Energia Laurence Golborne, que foi decisivo para o sucesso do resgate, que durou 69 dias. Gabriel Byrne como o engenheiro chefe faz o possível para conseguir que os mineiros sejam resgatados, enfrentando dificuldades técnicas e o próprio tempo. Juliette Binoche é Maria Segovia, irmã de um dos mineiros. Por decisão do Ministro, ela e todos os familiares são acomodados do lado de fora, com refeitório, atendimento médico e até uma escola provisória para as crianças.
Não há como não se emocionar como o filme que, no entanto, passa longe de ser piegas. Ótimas atuações e riqueza de detalhes.
Contra tudo e contra todos, eles resolveram ter esperança:
"Acredito que sairemos daqui porque escolho acreditar." (Mario Sepúlveda)

Embora sob os olhos do mundo, a negligência, movida pela ganância que quase matou 33 trabalhadores resultou em uma investigação sem culpados. Os mineradores também não foram indenizados. As condições de segurança não melhoraram. A verdade é que poucos se importam.
Para compensar os riscos e a má reputação da mina San José, os empregados recebiam salários mais altos que a média de seus colegas em outras minas. O soterramento dos 33 mineiros, ocorrido em 5 de agosto de 2010, às 14:00, é considerado o pior acidente do país nesse tipo de trabalho. O primeiro a ser resgatado foi Florencio Ávalos no dia 13 de outubro e o último foi Patricio Sepúlveda, encerrando assim, o maior resgate nesse tipo de salvamento no mundo. Os 33 mineiros resgatados são como irmãos até hoje.

IMDB; 6,9/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The 33
Outros nomes: Os 33, Los 33
País: EUA/ Chile.
Ano: 2015
Direção: Patricia Riggen.
Roteiro: José Rivera, Mikko Alanne.
Elenco: Antonio Banderas, Juliette Binoche, Rodrigo Santoro, Gabriel Byrne, Mario Casas, Lou Diamond Phillips , Bob Gunton.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

HEREDITÁRIO



Do mesmo estúdio de A Bruxa (2015) e Ao Cair da Noite (2017), A24 já é referência em terror psicológico de qualidade. Sua mais nova produção, Hereditário, é uma adição a esta lista primorosa e criativa da produtora. Assim como O Babadook (2014), essa leva de horror é um cinema com menos foco no explícito e mais no imaginário. Esses são filmes que levam o espectador a pensar de forma mais crítica e profunda, propiciando uma discussão no final. Infelizmente o material de divulgação não tem ajudado quando sugere convencionalidade e faz comparações desmedidas e desnecessárias. A indicação é tentar evitar os trailers ou não se deixar enganar por eles.
Hereditário é do diretor novaiorquino Ari Aster. Em seu trabalho de estreia com longa, o americano, o qual também assina o roteiro, fincou seu nome em Hollywood com um filme que já é considerado um clássico. Contudo, o êxito de Aster não reside apenas no roteiro conciso e inteligente, mas na sua habilidade em orquestrar todo o projeto, com a fotografia enigmática, trilha sonora de dar calafrios e sua mão em guiar os excelentes atores por esse caminho aterrorizante em que trilham em tela. É revigorante ver o cinema dando chance a sangue novo e fiquem de olho nos trabalhos futuros desse diretor.
A história inicia-se com Annie (Toni Collette) e sua família no funeral de sua mãe. A mulher não tinha uma boa relação com sua genitora. Por conta de alguns atritos com a mãe, as duas se mantiveram afastadas até que a senhora ficou doente e foi mantida aos cuidados da filha. E como uma doença hereditária, esse atrito entre mãe e filha se estende para Annie e seus dois filhos, o adolescente Peter (Alex Wolff) e a distante Charlie (Milly Shapiro). Um incidente terrível leva as duas partes migrarem para polos opostos de convivência e afeto dentro da própria casa.
No regresso do funeral, exceto por Charlie, ninguém mais da família parecia estar muito abalado pela recente morte. Mas aos poucos, eventos inesperados fazem com que um a um vá perdendo sua sanidade naquela família, deixando o único ainda são, o marido de Annie (Steve - Gabriel Byrne), tentando manter todos unidos e bem. E o desfecho ambíguo, que pode ser explicado por um viés psicológico ou espiritual, é de dar calafrios com cenas aterrorizantes.

Se você ficou em dúvida, daqui em diante eu irei explicar o que eu entendi e o que o próprio diretor quis transmitir com o filme. Portanto não continue lendo, pois vai ter bastante SPOILER.
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Segundo Ari Aster o que aconteceu ali não tem nada de psicológico. O capiroto estava mesmo rondando a família de Annie e no final um de seus servos possuiu Peter. Mas como chegamos até esse final macabro?
Bom, desde a cena do funeral, fica evidente a presença do culto satânico rondando a família. Todas aquelas pessoas na cerimônia de despedida eram desconhecidas de Annie, sendo portanto membros do culto.
O servo de lúcifer, que queria encarnar em um homem vivo, só poderia ser encarnado em um homem. A mãe de Annie provavelmente cedeu a própria família para trazer o demônio à terra, mas Peter foi impedido de conviver com a avó e somente Charlie teve contato com ela desde pequena. Só que a menina não servia para ser a hospedeira do demônio. Ela foi inclusive a primeira a notar que o demônio rondava a casa, lembram da luz azul? Talvez por ser criança, ela era meio sensitiva. Ou a própria avó pode ter feito algo para que ela se tornasse mais perceptível, já que elas tiveram mais contato.

Aster revelou que fez uma pesquisa profunda sobre material de magia negra, portanto tudo o que vocês viram no filme relativo a isso é material com fundamento real.
O culto planejou tudo, inclusive a morte de Charlie. Dá para notar um dos símbolos no poste onde a menina morreu em uma das cenas. Então o grupo tinha a intenção de desestabilizar a família para tornar mais fácil a concepção do plano maligno final deles. A Joan (a odiada Tia Lydia de The Handmaid's Tale, interpretada pela talentosa Ann Dowd) representa um papel fundamental nos planos do culto. Talvez ela tenha levado junto do culto o corpo da avó para dentro do sótão da família ou talvez tenha sido a própria Annie num dos seus episódios de sonambulismo. Mas Joan é sem dúvida a responsável por desestabilizar ainda mais Annie, abrindo espaço para o mal que estava por vir.
Por fim, Steve era tão irrelevante ali que foi queimado, talvez como referência ao que Annie tentou fazer para salvar os filhos da possessão, porque ela guardou esse fato sobre sua mãe tão bem, que somente sua versão sonâmbula conseguia acesso a isso. Mas a morte em fogo de Steve também pode ser uma crítica às bruxas que eram queimadas no passado.
Sem Steve no caminho, com a Annie desestabilizada e talvez até possuída por aquele ritual que ela foi levada a fazer por Joan, Peter estava livre para ser possuído finalmente. E quando ele chega no sótão cheio de membros do culto pelados, sua mãe se decapitando no teto, ele acaba se jogando da janela e morre, cedendo involuntariamente seu corpo ao demônio que perseguia a família. Nessa cena dá para ver o espirito de Peter saindo e o demônio com sua luz azul entrando.

Na última cena, vemos Peter, já possuído, entrando na casa da árvore, cheia de membros do culto novamente, e a própria Joan organizando tudo. Há também três corpos sem cabeça: Annie, sua mãe e a pequena Charlie, o que indica a trindade santa, contudo essa em reverência ao mestre do demônio servo que possuiu Peter: Lúcifer. As cabeças cortadas eram pagamento ou tributo ao demônio.
Bom, eu gosto bastante dessa ideia de de possessão demoníaca, mas também acho interessante quem defende que na verdade tudo ali não passou de um delírio de Annie, tão abalada pela morte da mãe. Inclusive a hereditariedade do título cabe bem nessa explicação, já que na família de Annie muitos tinham problemas psicológicos. Então porque essa história louca também não pode ser explicada por uma possível esquizofrenia de Annie?
Apesar do diretor já ter esclarecido tudo, um filme sempre depende da percepção do espectador.


IMDB: 7,7/ 10
Nota: 4,5/ 5

(Sinopse e Comentários: Tom Carneiro)


Ficha técnica:
Nome original: Hereditary
País: EUA
Ano: 2018 
Direção: Ari Aster
Roteiro: Ari Aster
Elenco: Toni Collette, Milly Shapiro, Gabriel Byrne

Sinopse: Depois que a matriarca da família falece, a família de luto é assombrada por ocorrências trágicas e perturbadoras, começando a desvendar segredos sombrios.
• Duração: 127 minutos

terça-feira, 29 de maio de 2018

NINGUÉM DESEJA A NOITE





Com base em uma história real, o filme protagonizado por Juliette Binoche abriu o Festival de Berlim em 2015,
Esposa de Robert Peary, explorador norte-americano a quem se credita o título de primeiro homem a atingir o Polo Norte, Josephine decide seguir o mesmo caminho em busca do marido, a quem não via há dois anos. 
Gabriel Byrne é Bram Trevor, o seu guia.

É uma jornada de vida ou morte, através da neve e de condições climáticas praticamente impossíveis de suportar. Mas Josephine está disposta a tudo, ela pensa que pode ser talvez a última vez que veja Robert.
Dona de fortes convicções sobre a vida e o seu trabalho, Josephine terá que lidar com uma vida selvagem e descobre que, frente ao desafio de sobreviver, os seus conceitos sobre o ser humano não valem muita coisa. Por exemplo, não se imaginava capaz de desenvolver uma relação tão forte de afeto com a esquimó Allaka (Rinko Kikuchi).


A diretora disse ter se inspirado para compor as paisagens árticas e o comportamento dos esquimós no documentário clássico de Robert Flaherty., “Nanook do norte” (1922). O filme, porém, teve poucas sequências rodadas nas paisagens geladas da Noruega. O restante das filmagens aconteceu em estúdios na cidade espanhola de Tenerife e na Bulgária. Aí é que entram realmente a imaginação e o talento dos atores, pois todo aquele gelo e neve foram criados em estúdio e na verdade estava o maior calor em Tenerife, revela Binoche.
Como pode, não é? E eu achando as paisagens deslumbrantes!

IMDB: 6,3/ 10
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Nadie Quiere la Noche
Outros nomes: Nobory Wants the Night, Endless Night
País: Espanha, França, Bulgária
Ano: 2015
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Miguel Barros.
Elenco: Juliette Binoche, Gabriel Byrne, Rinko Kikuchi.

O explorador Robert Peary, que conquistou pela primeira vez
o Polo Norte.

Josephine Peary