Cinéfilos Eternos: Espanha
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terça-feira, 3 de julho de 2018

O VAZIO DO DOMINGO




Quem espera ver um filme movimentado, não veja esse. É uma história de silêncios, de lacunas, de palavras não ditas, ... de vazios, não só de domingos vazios, de olhares vazios, sem esperança, o retrato do desalento. Um silêncio ensurdecedor, que fala por ele mesmo. Que desabafa, que pergunta, ... também não espere respostas, o autor não oferece esse caminho fácil, talvez não hajam, ... será que existem mesmo respostas para tudo?
Agora prepare-se para se deslumbrar com as interpretações e com as fotografias, não só da imponente casa e do luxo do princípio do filme, mas também do vilarejo entre a Espanha e a França, para onde vai Chiara com Anabel passar uns dias.
Dez dias. É o que Chiara pede à mãe que a abandonou aos oito anos de idade. "Como você sabe que ela é mesmo a sua filha?", perguntam à Anabel. "Eu me vejo nela", responde. Só isso que ela quer da mãe: dez dias, que ela bem sabe nunca irão preencher todos os domingos que ela passou à janela de sua casa, à janela de sua alma, a esperar que a mãe voltasse.
"Por que meu nome é Chiara?" 
"Por causa de um famoso ator italiano, que não lembro o nome, que tinha uma filha com esse nome."

Algumas perguntas simples, que remetem ao passado, à intimidade.
O filme é intenso, também nós buscamos verdades, também nós queremos entender. Fomos condicionadas a não dar muita importância quando um pai vai embora. Mas uma mãe?Chiara nunca entendeu, a sensação de abandono esteve sempre presente em sua vida. Anabel também não entende o que a filha quer dela agora, depois de mais de trinta anos. Não parece ser uma aproximação. Chiara quase não fica com ela, quase não fala com ela. Os silêncios são devastadores. A raiva e a tristeza estão presentes, é fato. Será que Chiara quer justificativas? Mas ela não parece querer ouvir. E, como já disse, algumas coisas não têm explicações. Acontecem, como se tomassem um corpo próprio e sem nosso consentimento ou recusa, seguissem seu destino.
Drama pesado, desconfortável. Doloroso e tocante, ao mesmo tempo. Um rancor que precisava ser vomitado. Uma dívida de amor que precisava ser paga... um drama delicado, construído aos poucos pela visão do cineasta Ramón Salazar. Um filme que vai te deixar talvez também sem palavras...
Ramón Salazar é também diretor do filme 20 Centímetros, uma comédia musical adaptada do livro escrito por ele. O filme gerou diversas polêmicas quando o autor denunciou o Metrô municipal de ter se recusado a permitir as filmagens das cenas finais no local, alegando que um transexual jamais trabalharia nas bilheteria de lá e que a sequência causaria uma imagem errada da empresa e poderia ferir a suscetibilidade de seus trabalhadores. Só rindo, a gente vê cada coisa, em pleno século XXI.
Bárbara Lennie deslumbrou no Festival de Málaga, com sua beleza e frescor, recebendo o Prêmio Belleza Comprometida, dado no ano anterior à atriz Maribel Verdú. Adepta da beleza "de cara lavada", além de ter se tornado uma das atrizes com mais talento e mais solicitadas pela indústria cinematográfica espanhola, a naturalidade de Lennie tem chamado a atenção dos amantes do mundo da moda e da beleza. Pelo filme A Garota de Fogo, de Carlos Vermut, Bárbara Lennie recebeu o Prêmio Goya de Melhor Atriz.
Susi Sánchez é uma atriz espanhola que já participou de inúmeras produções, tanto de teatro, televisão quanto de cinema, trabalhando com os principais diretores espanhóis. Fez vários filmes com Almodóvar.
Quero deixar aqui, não tem legenda, mas para quem se interessar, até porque as imagens falam mais que os diálogos, o link do curta de Ramón Salazar, disponível no youtube, que é o prólogo de La Enfermedad del Domingo, vale a pena, também é de uma beleza...
IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Enfermedad del Domingo
Outros nomes: Sunday's Illness
País: Espanha
Ano: 2018
Direção: Ramón Salazar.
Roteiro: Ramón Salazar.
Elenco: Bárbara Lennie, Susi Sánchez,

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A LIVRARIA



"Quando lemos uma história, nós a habitamos".
Compartilho do mesmo sentimento de Florence Green, me envolvo com os personagens, me vejo nos lugares descritos, quanto mais grosso o livro melhor, mais eu mergulho na história. Ao ponto de em alguns livros, e em alguns filmes também, muito embora a minha ansiedade me leve logo até o final, eu deseje que se estenda mais. Às vezes tenho pena de "ir embora" daquela história. Também eu, como Florence, preciso de um tempo para absorver aquilo tudo, para refletir. Muitas vezes, gosto até mais do filme ou do livro depois. Dos filmes, principalmente depois que escrevo sobre eles, porque ao escrever, percebo detalhes que ainda não tinha assimilado.Por isso detesto ver um filme atrás do outro, ou um livro. A não ser que não tenha gostado muito, também eu continuo respirando no mesmo ambiente, me sinto uma personagem. Por exemplo, eu agora estou sorrindo como Florence Green, ajeito minha trança atrás da cabeça, meu olhar divaga, vai além, e eu tento enxergar, com clareza e indulgência, do jeito dela, o que se passa com os seres humanos em geral. Ah, como eu entendo a Florence... quantas vezes tomamos uma iniciativa que só vai trazer benefícios a todos, só queremos o bem, e eu penso que um sentimento bom ou uma ideia boa transbordam naturalmente, tocam os que estão próximos, ... mas infelizmente algumas pessoas não vêem isso com bons olhos. O despeito e a hostilidade tomam conta delas, que vão fazer tudo para apontar defeitos. Eu sou uma pessoa meio metida, onde eu vou começo a dar ideias, não é para aparecer, mas é que para mim fica tão claro que existem coisas que podem ser melhoradas, ... mas sempre tive que enfrentar, assim como a nossa livreira do filme, a resistência às mudanças. "Mas sempre foi assim", já ouvi muito essa frase.
Mrs Violet Gamart, acostumada a dar grandes festas e a ser o centro das atenções será a mais ferrenha opositora ao projeto de Florence de reformar a casa velha da cidade e instalar uma livraria. A comunidade é conservadora, do tipo "pra que ler?' Na época, foi lançado um livro novo, de Vladimir Nobokov, o hoje famoso Lolita e Florence decide comprar 250 volumes. Se hoje o romance já desperta tantas polêmicas, imaginem na época! Que ousadia da nossa Florence!
Fiquei apaixonada pela construção do filme, a reconstituição da época, os figurinos, as locações, que fotografia!, tudo me envolveu. O filme é muito mais do que mostrar a importância da literatura, não só como entretenimento, mas como forma de abrir a cabeça, expandir as ideias, mas também é uma história de resistência, de luta pelos ideais. Florence era uma mulher à frente do seu tempo e essas mulheres, reais ou fictícias, sempre me fascinam. A Livraria foi filmado em língua inglesa. A história se passa em 1950, em um vilarejo inglês, onde uma viúva decide reconstruir sua vida, abrindo uma livraria, apesar da oposição da população local.
Uma mulher sozinha, acho que até hoje, também é uma ameaça às outras. Olhares piedosos ou maledicentes nunca faltam nessas horas, difícil acreditar que a pessoa possa estar bem.
"Com um livro, nunca se pode se sentir só", disse ela.
Adaptação do homônimo livro, de Penélope Fitzgerald, The Bookshop recebeu o Prêmio Goya de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. Isabel Coixet, diretora espanhola apaixonada por literatura, dedicou seus prêmios "a todos aqueles que ainda compram livros, abrem livrarias e amam cinema". Coixet está entre as minhas diretoras colecionáveis, aprecio o estilo dela e gosto demais do filme Minha Vida Sem Mim, também dirigido por ela.
Enfim, sou suspeita porque amo histórias assim e amo livros, mas o que eu tenho a dizer sobre o filme: encantador!
IMDB: 6,5/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Bookshop
Outros títulos: La Librería
País: Espanha, Alemanha, Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte.
Ano: 2017
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Isabel Coixet, Penélope Fitzgerald.
Elenco: Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Bill Nighy.
A diretora Isabel Coixet recebendo o Prêmio Goya.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

A NOITE QUE MINHA MÃE MATOU MEU PAI




Uma família moderna, onde os ex convivem com os atuais numa boa. Angel é casado com Isabel e eles têm uma filha. Mas Angel também tem uma filha com sua ex e Isabel um filho com seu ex.
Angel é diretor de cinema e Susana, mesmo sendo sua ex, ainda dá seus pitacos. Bem, na verdade tudo o que Angel escreve passa por ela, que modifica várias coisas e faz parte da direção dos filmes. Isso não incomoda em nada a Isabel, que é atriz. Tudo o que Isabel quer é ser a protagonista do filme, mas seu marido e sua ex parecem não confiar muito nela para o papel. Eles querem muito convencer o ator argentino Diego Peretti, interpretado pelo próprio, a aceitar o papel de ator principal. Para isso eles resolvem oferecer um jantar para ele. Tudo transcorria bem entre os quatro, Isabel, Angel, Susana e Diego, até que o ex de Isabel, Carlos, aparece sem ser convidado. Acompanhado de uma jovem, Alex, que não cabe em si quando vê o ator Diego.
Bem, embora, Angel tivesse pedido à anfitriã Isabel que desse um jeito de despachar o ex e a eufórica namorada, não teve jeito, eles acabaram se juntando ao grupo e a conversa tão importante não ia pra frente.
Tudo seria só um contratempo desagradável se Carlos não tivesse passado mal de repente e morrido. Aí a coisa degringolou de vez.
Segredos acabaram sendo revelados, suspeitas surgiram, a coisa foi se complicando de uma maneira...
... que só vocês vendo!
O filme da diretora Inés París (Miguel y William) promete situações inusitadas e umas boas risadas.
La Noche que Mi Madre Mató a Mi Padre participou da 19ª Edição do Festival de Málaga.
IMDB: 6,3/ 10
Minha nota: 3,4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Noche que Mi Madre Mató a Mi Padre.
Outros nomes: The Night My Mother Killed My Father
País: Espanha
Ano: 2016
Direção: Inés París.
Roteiro: Inés París.
Elenco: Belén Rueda, Eduard Fernández. Diego Peretti, Maria Pujalte, Patricia Montero, Fele Martinez.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

DE SUA JANELA À MINHA



Três mulheres, três épocas e lugares diferentes. Mas o mesmo sonho: viver um grande amor.
O longa espanhol teve três indicações ao Prêmio Goya: Melhor Nova Direção, Melhor Atriz (Maribel Verdú) e Melhor Canção Original ( Debajo del Limón). Participou também da 56ª edição da Semana Internacional de Cine de Valladolid, onde obteve o Prêmio Pilar Miró de Melhor Novo Diretor.

Violeta, Inês e Luisa são mulheres que não puderam escolher seu caminho e tiveram que viver uma vida sonhada, olhando pela janela. Recordando ou imaginando... vendo pelas janelas de suas almas, se alimentando do que poderia ter sido. A beleza das lembranças ou dos sonhos é o que lhes resta. Para quem as olhava, pareciam estar em silêncio. Mas um mundo de desejos e paixões ocupavam sus pensamentos, habitavam em cada milímetro de suas mentes.
As chrysalis são larvas que se transformam em borboletas. Criam asas, beleza, simbolizam a liberdade e a leveza, inspiram poetas e amores. Quando vemos uma borboleta em nossos sonhos ou mesmo na vida real, imediatamente associamos a um bom presságio. Algumas pessoas acreditam até que são anjos se comunicando, nos enviando algum sinal.
Violeta pergunta ao seu tio: "mas e o contrário, também pode acontecer? A borboleta virar larva?"
As borboletas parecem etéreas e frágeis, como fadas dançando no ar...
Um sonho de amor pode durar quanto tempo? Pode um sonho virar um casulo, fechado em si mesmo, em suas lembranças apenas, sem poder ser vivido?
As histórias contadas por Paula Ortiz podem ser baseadas em narrações que ela tenha escutado. O filme é carregado de elementos simbólicos, como as flores, as mariposas, os espelhos, as metamorfoses, as cartas, ... criando um ambiente poético que vai ficar também em sua memória. Difícil terminar de ver o filme e não se sentir impregnado pelo perfume dele, pelas locações e figurinos harmoniosos, pelas músicas que fazem doer o coração.
São dramas profundos, histórias de mulheres contadas por uma mulher. O rosto de Inês simboliza a resistência a um mundo hostil; Violeta, como as flores que seu tio cultiva, é bela, suave e delicada. Já Luisa é uma mulher que deixou a vida passar, como uma flor que murchou e esqueceu de guardar seu perfume. O vermelho do sangue é visto aqui e ali, em um corte de um dedo, no novelo de lã que liga talvez as histórias de todas mulheres. O vermelho simbolizando, quem sabe, a vulnerabilidade das coisas...
De Sua Janela à Minha, apesar de melancólico, é um canto à beleza. Porque mesmo das histórias mais tristes podem sobreviver belas lembranças.

IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: De Tu Ventana a La Mía.
Outros nomes: Chrysalis.
País: Espanha
Ano: 2011
Direção e roteiro: Paula Ortiz.
Elenco: Maribel Verdú, Letícia Dolera, Luisa Gavasa, Roberto Álamo, Carlos Álvarez-Novoa.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

FAROL DAS ORCAS



Beto é um biólogo solitário que mora na Patagônia e tem como "família" as orcas e os lobos marinhos. Ele esconde um segredo.
O lugar é paradisíaco, as fotografias são de tirar o fôlego, dando uma paz sem fim.
Sua solidão é quebrada com a chegada de Lola, uma espanhola, e seu filho autista de 11 anos.
Lola veio atrás de uma esperança. Seu filho não reage a nada, mas ao ver um documentário sobre Beto e as orcas mostrou pela primeira vez interesse.

A princípio, Beto não os recebe bem, acostumado que estava à sua rotina. Mas aos poucos os três vão se apegando.

Muito se tem falado sobre terapia com os golfinhos e os seus benefícios. Encontros com golfinhos evocam uma profunda resposta emocional e suscitam a libertação de emoções e sentimentos.
Beto, de início relutante, aceita trabalhar com as orcas e o menino. Mais que isso, começa a se criar um tipo de relação pai-filho, de que os dois são carentes.

Lola (Maribel Verdú, de "E sua mãe também") também parece pertencer àquela zona de conforto onde já se acostumou com a solidão e prefere-se não mexer com ela para não sofrer de novo.

O filme é muito lindo e envolvente, mas o final me deixou bem na dúvida, tive que fazer diversas pesquisas sobre o verdadeiro Beto e também foi motivo de diversos debates. Embora eu depois tenha chegado a uma conclusão, já que o filme é baseado em uma história real. Mas se não fosse, digamos que o final não me convenceu muito.
Joaquin Furriel, Maribel Verdúm e Beto Bubas,
durante as filmagens de El Faro de Las Orcas.
IMDB: 6,9/ 10
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: El Faro de Las Orcas)
Outros nomes: The Lighthouse of The Whales
País:  Argentina/ Espanha
Ano: 2016
Direção: Gerardo Olivares
Elenco: Joaquin Furriel, Maribel Verdú, Quinchu Rapalini.


O verdadeiro Beto Bubas,:
"Com vinte anos e um sonho em mente, decidi estudar Biologia Marinha".









TRUMAN



"O que você aprendeu comigo?"
Essa parte do filme me emocionou muito, quando o Julián (Ricardo Darin) faz essa pergunta para Tomás (Javier Câmara).

Ele mesmo, o Julián, já havia dito que do Tomás admirava a generosidade, esse dar sem esperar nada em troca. Tomás então lhe responde que admirava a valentia dele, a capacidade de enfrentar as situações. Completa: "como essa que você está enfrentando agora".
É que Julian está enfrentando um câncer terminal.

Nessa altura você deve estar se perguntando quem é Truman. Não é nenhum dos dois, realmente.
Truman é o cachorro de Julián, seu fiel companheiro. E agora Tomás precisa ajudar Julián a encontrar um lar adotivo para ele.

Tomás mora atualmente no Canadá e Julián na Espanha. O filme é sobre os 4 dias que Tomás tira para visitar o amigo. Apesar do tema forte, o filme não apela para o melodrama. Eles saem juntos, bebem juntos, recordam-se dos velhos tempos...mas não dá para ver e não se imaginar na mesma situação. Do Julián ou do Tomás.
Muito bom! O filme conta ainda com o carisma do Darin, mas o Javier também é ótimo, já vi vários filmes com ele.

“Truman” foi o grande vencedor do prêmio Goya 2016, o Oscar espanhol. Indicado em seis categorias, o filme levou cinco prêmios: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Ator e Coadjuvante.

E aqui deixo uma pergunta: o que você aprendeu com seu melhor amigo?

IMDB: 7,3/10
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Truman.
País:  Argentina/ Espanha
Ano:  2015
Direção: Cesc Gay.

Roteiro: Cesc Gay, Tomàs Aragay
Elenco: Ricardo Darin, Javier Câmara, Dolores Fonzi.

terça-feira, 5 de junho de 2018

PERFEITOS DESCONHECIDOS


Versão espanhola do italiano Perfetti Sconosciuti, de 2016, 
dirigido por Paolo Genovese.

O filme me lembrou muito Coherence, onde oito amigos se encontram para um jantar, em uma noite onde há rumores sobre a passagem de um cometa que pode afetar o comportamento das pessoas. Em Perfectos Desconocidos, um eclipse, ou uma lua vermelha, ou lua de sangue, vai estar acompanhando o jantar de sete amigos.
Nos dois filmes, o que menos importa são os fenômenos físicos, eles apenas são o palco para a 'lavação de muita roupa suja", ou seja, não é que haja mudanças comportamentais, mas é que cada pessoa tem seus segredos, sua vida íntima, que, quando expostos, podem gerar muita, mas muita confusão. Ainda mais se o que você esconde afeta diretamente o seu amigo, hein!
No filme do diretor Álex de Iglesia, já conhecido por O Dia da Besta (1995), pelo qual recebeu o Prêmio Goya de Melhor Diretor, Crime Perfeito (2003), Balada de Amor e do Ódio (2010), pelo qual recebeu o Leão de Prata de Melhor Diretor e o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza e pelo seu mais recente O Bar (2017), também disponível na Netflix, em um certo momento, em que os amigos estavam se vangloriando de não terem nada a esconder, um deles propõe então que todos coloquem os seus celulares em cima da mesa. A brincadeira será que qualquer ligação ou mensagem recebida deverá ser compartilhada com todos. Vixe, chegou a me passar um frio na espinha. Você teria coragem? Hahaha.
A coisa vai se complicar no decorrer da noite, a tensão e o constrangimento tomam conta de todos.
No elenco, a atriz espanhola Bélen Rueda, de El Cuerpo, Los Ojos de Julia, Orfanato, ...
E a pergunta é: o quanto você conhece seu companheiro, companheira, ou amigos de longa data?
IMDB: 7/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Perfectos Desconocidos
Outros nomes: Perfect Strangers
País: Espanha
Ano: 2017
Direção: Álex de la Iglesia.
Roteiro: Álex de la Iglesia, Jorge Guerricachevarria.
Elenco: Belén Rueda, Dafne Fernandez, Eduard Fernández, Eduardo Noriega, Ernesto Alterio, Juana Acosta, Pepón Nieto.
O elenco do filme com o diretor
Álex de Iglesia.



terça-feira, 29 de maio de 2018

NINGUÉM DESEJA A NOITE





Com base em uma história real, o filme protagonizado por Juliette Binoche abriu o Festival de Berlim em 2015,
Esposa de Robert Peary, explorador norte-americano a quem se credita o título de primeiro homem a atingir o Polo Norte, Josephine decide seguir o mesmo caminho em busca do marido, a quem não via há dois anos. 
Gabriel Byrne é Bram Trevor, o seu guia.

É uma jornada de vida ou morte, através da neve e de condições climáticas praticamente impossíveis de suportar. Mas Josephine está disposta a tudo, ela pensa que pode ser talvez a última vez que veja Robert.
Dona de fortes convicções sobre a vida e o seu trabalho, Josephine terá que lidar com uma vida selvagem e descobre que, frente ao desafio de sobreviver, os seus conceitos sobre o ser humano não valem muita coisa. Por exemplo, não se imaginava capaz de desenvolver uma relação tão forte de afeto com a esquimó Allaka (Rinko Kikuchi).


A diretora disse ter se inspirado para compor as paisagens árticas e o comportamento dos esquimós no documentário clássico de Robert Flaherty., “Nanook do norte” (1922). O filme, porém, teve poucas sequências rodadas nas paisagens geladas da Noruega. O restante das filmagens aconteceu em estúdios na cidade espanhola de Tenerife e na Bulgária. Aí é que entram realmente a imaginação e o talento dos atores, pois todo aquele gelo e neve foram criados em estúdio e na verdade estava o maior calor em Tenerife, revela Binoche.
Como pode, não é? E eu achando as paisagens deslumbrantes!

IMDB: 6,3/ 10
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Nadie Quiere la Noche
Outros nomes: Nobory Wants the Night, Endless Night
País: Espanha, França, Bulgária
Ano: 2015
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Miguel Barros.
Elenco: Juliette Binoche, Gabriel Byrne, Rinko Kikuchi.

O explorador Robert Peary, que conquistou pela primeira vez
o Polo Norte.

Josephine Peary

segunda-feira, 28 de maio de 2018

THI MAI



Carmen (Carmen Machi) acaba de receber a notícia de que sua filha morreu em um acidente. Depois de algum tempo, ela fica sabendo que o maior desejo de Maria, que era adotar uma menina vietnamita, acaba de ser aprovado. Carmen decide esconder da agência a morte da filha e partir para o Vietnã em busca de Thi Mai. Para isso ela não conta com o apoio do marido, mas em compensação suas duas amigas, Elvira e Rosa, embarcam nessa aventura inusitada para Hanói, elas que nunca haviam saído da Espanha. Chegando lá, elas conhecem Andrés (Dani Rovira) e os destinos dos quatro dará, com certeza, uma reviravolta!
Carmen Machi e Dani Rovira já atuaram juntos nas comédias espanholas Ocho Apellidos Vascos e Ocho Apellidos Catalanes. Carmen também atuou em Os Amantes Passageiros e Abraços Partidos, do diretor Almodóvar e também vi um drama ótimo com ela, A Porta Aberta, pelo qual ela foi indicada ao Prêmio Goya. Já o engraçado Dani Rovira, o primeiro filme que vi com ele e que fiquei fã, foi a comédia também espanhola Agora ou Nunca, de Maria Ripoli. Muito engraçada!
Thi Mai pode-se dizer que é um drama, já que trata sobre perda, sobre a tentativa de encontrar uma motivação para sobreviver após a perda. Mas a história é contada de uma maneira muito leve e gostosa, com boas tiradas, que nos levam a dar boas risadas, das três amigas e suas dificuldades em uma cidade com uma cultura totalmente diferente. Também é muito bom passearmos pela bela Hanói e suas paisagens deslumbrantes. A canção original do filme El Camino dá mais um toque agradável. A menina, Thi Mai, é um encanto e nos faz ter vontade de adotar uma criança vietnamita.
Um filme sensível e adorável. Uma história simples, mas um passatempo divertido, mesclando perfeitamente o drama com a comédia.
IMDB: 6,1/ 10
Minha nota: 3,4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Thi Mai, Rumbo a Vietnam
País: Espanha
Ano: 2017
Direção: Patricia Ferreira.
Roteiro: Martha Sánchez.
Elenco: Carmen Machi, Dani Rovira, Adriana Ozores, Aitana Sánchez-Gijón.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

JULIETA




A Julieta de Almodóvar é interpretada por duas atrizes diferentes: Adriana Ugarte na primeira fase e Emma Suárez na segunda. Não é à toa, claro. As "duas" Julietas têm comportamentos distintos, uma precisou nascer pra deixar sobreviver a outra.

Uma Julieta já mais madura e seu companheiro Lorenzo (Dario Grandinetti) planejam ir à Portugal mas às vésperas de sua viagem o encontro dela com Bea (Michelle Jenner), uma antiga amiga de sua filha, faz com que ela não queira mais sair de Madrid. Ela se muda para o antigo prédio onde morava e começa a escrever uma carta para Antía, sua filha. A partir dessa carta, vamos desvendando todo o passado de Julieta, não só seu passado, mas sua alma, tudo o que ela sentiu por todos os anos, desde um pouco antes de nascer Antía. 

O filme trata da eterna complexidade do relacionamento entre mães e filhas. Mas, além de tudo, é um filme sobre culpas. Quem não as tem?As mães já são seres culpados por natureza. Nos culpamos se nossos filhos não são felizes, nos culpamos dos momentos em que não estamos com eles, como se roubássemos um tempo que é deles... De uma maneira geral, uma palavra dita em um momento errado, pra qualquer pessoa, mesmo para um estranho, ou uma não dita...a falta de um olhar mais detalhado para uma determinada situação...e pronto, lá vem a culpa!

Baseado em três contos do livro Fugitiva, da vencedora do Prêmio Nobel Alice Munro, Julieta é um filme delicado e envolvente. As cores do filme como sempre são o toque de Almodóvar para descrever os sentimentos e as passagens das vidas dos personagens. 

"Julieta" é um filme introspectivo, nem Lorenzo sabe o porquê dela não querer mais sair de Madrid, ele entende que existe algo que ela não quer contar e respeita. Almodóvar dirige com tanta sensibilidade e maestria que nós espectadores chegamos a nos sentir desconfortáveis, a mim me pareceu estar andando nas pontas dos pés e falando baixinho para não interromper ou incomodar Julieta na sua intimidade, na sua dor.


IMDB: 7,1/ 10
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Julieta
País: Espanha
Ano:  2016
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar, Alice Munro
Elenco: Adriana Ugarte, Emma Suárez, Daniel Grao, Michelle Jenner, Rossy de Palma, Inma Cuesta, Dario Grandinetti, Blanca Parés.

terça-feira, 22 de maio de 2018

OS AMANTES PASSAGEIROS



Não esperem ver um filme muito cabeça senão vão se decepcionar.
Mas se quiserem diversão, podem ver esse filme do grande Almodóvar.
Também não embarquem na ilusão de que é um filme com o Antonio Banderas e a Penélope Cruz. Propaganda enganosa. Acho que eles não atuam nem por cinco minutos.
Aliás, não embarquem na ilusão, mas se embarcarem na viagem do filme, nesse avião que não consegue aterrissar e onde rola de tudo, você vai dar pelo menos boas risadas ao se deparar com vários personagens caricatos.
E ao mesmo tempo que a gente pensa, “ai que bobagem”, não consegue esquecê-los. Desde os divertidos comissários de bordo gays (Javier Cámara, Carlos Areces e Raul Arévalo) à vidente que está louca pra perder a virgindade ( Lola Dueñas) , desde o casal de noivos ( atenção: o noivo é o ator latino de Sense8) à personagem de Cecilia Roth, uma dominatrix que diz ter vídeos de seus clientes famosos, inclusive do Rei da Espanha.

Tudo isso ao som de I’m so excited. A cena em que os comissários de bordo fazem uma coreografia é hilária.

A possibilidade de não sobreviverem àquele vôo e o confinamento fazem com que todos acabem confessando suas fraquezas e segredos e resolvam se despedir por telefone das pessoas com quem se sentem em débito, como é o caso do pai, um banqueiro desonesto que estava fugindo do país, que liga para a filha com quem não falava e do ator, que resolve ligar para uma ex ( Paz Vega) no exato momento que ela tentava se jogar de um viaduto.
Todos os que estão acordados, porque a maioria dos passageiros está dormindo, sob o efeito de remédios que a tripulação deu para que não houvesse pânico.
Todas as situações do filme, a classe dominante dopada, o avião que não chega a lugar nenhum, os pilotos que escondem dos passageiros a verdadeira situação, são uma metáfora à crise da Espanha.

Mas a mensagem de Almodóvar para o povo é que todos sobreviverão.



IMDB: 5,3/ 10
Filmow: 3,1/ 5

Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Los Amantes Pasajeros
Outros nomes: I'm so Excited
País: Espanha
Ano: 2013
Direção e roteiro: Pedro Almodóvar
Elenco: , Antonio Banderas, Penélope Cruz.