Cinéfilos Eternos: Isabel Coixet
Mostrando postagens com marcador Isabel Coixet. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Isabel Coixet. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A LIVRARIA



"Quando lemos uma história, nós a habitamos".
Compartilho do mesmo sentimento de Florence Green, me envolvo com os personagens, me vejo nos lugares descritos, quanto mais grosso o livro melhor, mais eu mergulho na história. Ao ponto de em alguns livros, e em alguns filmes também, muito embora a minha ansiedade me leve logo até o final, eu deseje que se estenda mais. Às vezes tenho pena de "ir embora" daquela história. Também eu, como Florence, preciso de um tempo para absorver aquilo tudo, para refletir. Muitas vezes, gosto até mais do filme ou do livro depois. Dos filmes, principalmente depois que escrevo sobre eles, porque ao escrever, percebo detalhes que ainda não tinha assimilado.Por isso detesto ver um filme atrás do outro, ou um livro. A não ser que não tenha gostado muito, também eu continuo respirando no mesmo ambiente, me sinto uma personagem. Por exemplo, eu agora estou sorrindo como Florence Green, ajeito minha trança atrás da cabeça, meu olhar divaga, vai além, e eu tento enxergar, com clareza e indulgência, do jeito dela, o que se passa com os seres humanos em geral. Ah, como eu entendo a Florence... quantas vezes tomamos uma iniciativa que só vai trazer benefícios a todos, só queremos o bem, e eu penso que um sentimento bom ou uma ideia boa transbordam naturalmente, tocam os que estão próximos, ... mas infelizmente algumas pessoas não vêem isso com bons olhos. O despeito e a hostilidade tomam conta delas, que vão fazer tudo para apontar defeitos. Eu sou uma pessoa meio metida, onde eu vou começo a dar ideias, não é para aparecer, mas é que para mim fica tão claro que existem coisas que podem ser melhoradas, ... mas sempre tive que enfrentar, assim como a nossa livreira do filme, a resistência às mudanças. "Mas sempre foi assim", já ouvi muito essa frase.
Mrs Violet Gamart, acostumada a dar grandes festas e a ser o centro das atenções será a mais ferrenha opositora ao projeto de Florence de reformar a casa velha da cidade e instalar uma livraria. A comunidade é conservadora, do tipo "pra que ler?' Na época, foi lançado um livro novo, de Vladimir Nobokov, o hoje famoso Lolita e Florence decide comprar 250 volumes. Se hoje o romance já desperta tantas polêmicas, imaginem na época! Que ousadia da nossa Florence!
Fiquei apaixonada pela construção do filme, a reconstituição da época, os figurinos, as locações, que fotografia!, tudo me envolveu. O filme é muito mais do que mostrar a importância da literatura, não só como entretenimento, mas como forma de abrir a cabeça, expandir as ideias, mas também é uma história de resistência, de luta pelos ideais. Florence era uma mulher à frente do seu tempo e essas mulheres, reais ou fictícias, sempre me fascinam. A Livraria foi filmado em língua inglesa. A história se passa em 1950, em um vilarejo inglês, onde uma viúva decide reconstruir sua vida, abrindo uma livraria, apesar da oposição da população local.
Uma mulher sozinha, acho que até hoje, também é uma ameaça às outras. Olhares piedosos ou maledicentes nunca faltam nessas horas, difícil acreditar que a pessoa possa estar bem.
"Com um livro, nunca se pode se sentir só", disse ela.
Adaptação do homônimo livro, de Penélope Fitzgerald, The Bookshop recebeu o Prêmio Goya de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. Isabel Coixet, diretora espanhola apaixonada por literatura, dedicou seus prêmios "a todos aqueles que ainda compram livros, abrem livrarias e amam cinema". Coixet está entre as minhas diretoras colecionáveis, aprecio o estilo dela e gosto demais do filme Minha Vida Sem Mim, também dirigido por ela.
Enfim, sou suspeita porque amo histórias assim e amo livros, mas o que eu tenho a dizer sobre o filme: encantador!
IMDB: 6,5/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Bookshop
Outros títulos: La Librería
País: Espanha, Alemanha, Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte.
Ano: 2017
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Isabel Coixet, Penélope Fitzgerald.
Elenco: Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Bill Nighy.
A diretora Isabel Coixet recebendo o Prêmio Goya.

terça-feira, 29 de maio de 2018

NINGUÉM DESEJA A NOITE





Com base em uma história real, o filme protagonizado por Juliette Binoche abriu o Festival de Berlim em 2015,
Esposa de Robert Peary, explorador norte-americano a quem se credita o título de primeiro homem a atingir o Polo Norte, Josephine decide seguir o mesmo caminho em busca do marido, a quem não via há dois anos. 
Gabriel Byrne é Bram Trevor, o seu guia.

É uma jornada de vida ou morte, através da neve e de condições climáticas praticamente impossíveis de suportar. Mas Josephine está disposta a tudo, ela pensa que pode ser talvez a última vez que veja Robert.
Dona de fortes convicções sobre a vida e o seu trabalho, Josephine terá que lidar com uma vida selvagem e descobre que, frente ao desafio de sobreviver, os seus conceitos sobre o ser humano não valem muita coisa. Por exemplo, não se imaginava capaz de desenvolver uma relação tão forte de afeto com a esquimó Allaka (Rinko Kikuchi).


A diretora disse ter se inspirado para compor as paisagens árticas e o comportamento dos esquimós no documentário clássico de Robert Flaherty., “Nanook do norte” (1922). O filme, porém, teve poucas sequências rodadas nas paisagens geladas da Noruega. O restante das filmagens aconteceu em estúdios na cidade espanhola de Tenerife e na Bulgária. Aí é que entram realmente a imaginação e o talento dos atores, pois todo aquele gelo e neve foram criados em estúdio e na verdade estava o maior calor em Tenerife, revela Binoche.
Como pode, não é? E eu achando as paisagens deslumbrantes!

IMDB: 6,3/ 10
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Nadie Quiere la Noche
Outros nomes: Nobory Wants the Night, Endless Night
País: Espanha, França, Bulgária
Ano: 2015
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Miguel Barros.
Elenco: Juliette Binoche, Gabriel Byrne, Rinko Kikuchi.

O explorador Robert Peary, que conquistou pela primeira vez
o Polo Norte.

Josephine Peary