Cinéfilos Eternos: Patricia Clarkson
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

JONATHAN





Não, aqui a culpa não é das estrelas. Lembram do Augusto Waters? Ansel Elgorts, o ator que interpretou esse personagem nasceu em Nova York. Tem descendência russa, por parte de pai, e inglesa, germânica e norueguesa por parte de mãe.
O filme Jonathan fez sua estreia no Festival de Tribeca em abril de 2018, onde arrancou elogios da crítica.
Todos os dias Jonathan acorda às 7h01 e cumpre sua rotina: mantém a casa limpa, corre, vai para o trabalho, em um escritório de arquitetura... ele é muito elogiado por sua competência e criatividade, seu supervisor só se queixa do seu pouco tempo de trabalho, precisa dele em tempo integral. Mas Jonathan diz que não pode, que precisa cuidar de uma pessoa da família. Às 19h, chega seu irmão John, ele é mais relaxado, até no modo de vestir, curte sair à noite. Mas os dois, embora de personalidades diferentes, se dão bem e procuram seguir as regras. Como eles nunca se encontram, se comunicam através de vídeos gravados. Dizem o que fizeram e o que compraram na ausência do outro. Jonathan cozinha e deixa o prato do irmão na geladeira, às vezes leva sua roupa pra lavanderia. Tudo ia mais ou menos bem, até que John arruma uma namorada, a Elena. Ela é o início da instabilidade na rotina dos gêmeos.
Em Baby Driver, o ator representa um personagem que não vive sem a música. A música silencia um zumbido que o perturba desde um acidente na infância. Jonathan e John não vivem um sem o outro também. Abandonados pela mãe, um cuida do outro. Suprimir um é deixar o outro em uma situação de profunda solidão. Baby, de Baby Driver, após conhecer a mulher dos seus sonhos, reconhece uma oportunidade de se livrar do estilo de vida questionável e recomeçar do zero. Em Jonathan, também uma mulher faz com que os irmãos queiram ter um novo recomeço, só que aqui só há espaço para um deles.
O filme nos faz refletir o quanto precisamos reprimir em nós mesmos para criar um padrão. O quanto desejamos amar e ser amados ao ponto de na solidão, criarmos um personagem de nós mesmos. O quanto é difícil desapegar, o quanto é difícil matar certos comportamentos para deixar aflorar outros. Jonathan é o certinho, o comportado, o organizado, aparentemente o bem-sucedido.
O longa dirigido pelo estreante Bill Oliver, que também assina o roteiro, está classificado como ficção científica, mas para mim trata-se de um drama de distúrbio de personalidade. Exceto por um dispositivo tipo chip que Jonathan usa no pescoço, que foi colocado por Patrícia Clarkson (Sharp Objects) , uma espécie de cientista, médica, terapeuta, que cuida dos irmãos.

IMDB: 5,8/ 10
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Jonathan.
Outros nomes: Duplicates.
País:EUA
Ano: 2018
Direção: Bill Oliver.
Roteiro: Gregory Daves, Peter Nickowitz, Bill Oliver.
Elenco: Ansel Elgort, Patricia Clarkson, Suki Waterhouse.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A LIVRARIA



"Quando lemos uma história, nós a habitamos".
Compartilho do mesmo sentimento de Florence Green, me envolvo com os personagens, me vejo nos lugares descritos, quanto mais grosso o livro melhor, mais eu mergulho na história. Ao ponto de em alguns livros, e em alguns filmes também, muito embora a minha ansiedade me leve logo até o final, eu deseje que se estenda mais. Às vezes tenho pena de "ir embora" daquela história. Também eu, como Florence, preciso de um tempo para absorver aquilo tudo, para refletir. Muitas vezes, gosto até mais do filme ou do livro depois. Dos filmes, principalmente depois que escrevo sobre eles, porque ao escrever, percebo detalhes que ainda não tinha assimilado.Por isso detesto ver um filme atrás do outro, ou um livro. A não ser que não tenha gostado muito, também eu continuo respirando no mesmo ambiente, me sinto uma personagem. Por exemplo, eu agora estou sorrindo como Florence Green, ajeito minha trança atrás da cabeça, meu olhar divaga, vai além, e eu tento enxergar, com clareza e indulgência, do jeito dela, o que se passa com os seres humanos em geral. Ah, como eu entendo a Florence... quantas vezes tomamos uma iniciativa que só vai trazer benefícios a todos, só queremos o bem, e eu penso que um sentimento bom ou uma ideia boa transbordam naturalmente, tocam os que estão próximos, ... mas infelizmente algumas pessoas não vêem isso com bons olhos. O despeito e a hostilidade tomam conta delas, que vão fazer tudo para apontar defeitos. Eu sou uma pessoa meio metida, onde eu vou começo a dar ideias, não é para aparecer, mas é que para mim fica tão claro que existem coisas que podem ser melhoradas, ... mas sempre tive que enfrentar, assim como a nossa livreira do filme, a resistência às mudanças. "Mas sempre foi assim", já ouvi muito essa frase.
Mrs Violet Gamart, acostumada a dar grandes festas e a ser o centro das atenções será a mais ferrenha opositora ao projeto de Florence de reformar a casa velha da cidade e instalar uma livraria. A comunidade é conservadora, do tipo "pra que ler?' Na época, foi lançado um livro novo, de Vladimir Nobokov, o hoje famoso Lolita e Florence decide comprar 250 volumes. Se hoje o romance já desperta tantas polêmicas, imaginem na época! Que ousadia da nossa Florence!
Fiquei apaixonada pela construção do filme, a reconstituição da época, os figurinos, as locações, que fotografia!, tudo me envolveu. O filme é muito mais do que mostrar a importância da literatura, não só como entretenimento, mas como forma de abrir a cabeça, expandir as ideias, mas também é uma história de resistência, de luta pelos ideais. Florence era uma mulher à frente do seu tempo e essas mulheres, reais ou fictícias, sempre me fascinam. A Livraria foi filmado em língua inglesa. A história se passa em 1950, em um vilarejo inglês, onde uma viúva decide reconstruir sua vida, abrindo uma livraria, apesar da oposição da população local.
Uma mulher sozinha, acho que até hoje, também é uma ameaça às outras. Olhares piedosos ou maledicentes nunca faltam nessas horas, difícil acreditar que a pessoa possa estar bem.
"Com um livro, nunca se pode se sentir só", disse ela.
Adaptação do homônimo livro, de Penélope Fitzgerald, The Bookshop recebeu o Prêmio Goya de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. Isabel Coixet, diretora espanhola apaixonada por literatura, dedicou seus prêmios "a todos aqueles que ainda compram livros, abrem livrarias e amam cinema". Coixet está entre as minhas diretoras colecionáveis, aprecio o estilo dela e gosto demais do filme Minha Vida Sem Mim, também dirigido por ela.
Enfim, sou suspeita porque amo histórias assim e amo livros, mas o que eu tenho a dizer sobre o filme: encantador!
IMDB: 6,5/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Bookshop
Outros títulos: La Librería
País: Espanha, Alemanha, Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte.
Ano: 2017
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Isabel Coixet, Penélope Fitzgerald.
Elenco: Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Bill Nighy.
A diretora Isabel Coixet recebendo o Prêmio Goya.