Não, aqui a culpa não é das estrelas. Lembram do Augusto Waters? Ansel Elgorts, o ator que interpretou esse personagem nasceu em Nova York. Tem descendência russa, por parte de pai, e inglesa, germânica e norueguesa por parte de mãe.
O filme Jonathan fez sua estreia no Festival de Tribeca em abril de 2018, onde arrancou elogios da crítica.
Todos os dias Jonathan acorda às 7h01 e cumpre sua rotina: mantém a casa limpa, corre, vai para o trabalho, em um escritório de arquitetura... ele é muito elogiado por sua competência e criatividade, seu supervisor só se queixa do seu pouco tempo de trabalho, precisa dele em tempo integral. Mas Jonathan diz que não pode, que precisa cuidar de uma pessoa da família. Às 19h, chega seu irmão John, ele é mais relaxado, até no modo de vestir, curte sair à noite. Mas os dois, embora de personalidades diferentes, se dão bem e procuram seguir as regras. Como eles nunca se encontram, se comunicam através de vídeos gravados. Dizem o que fizeram e o que compraram na ausência do outro. Jonathan cozinha e deixa o prato do irmão na geladeira, às vezes leva sua roupa pra lavanderia. Tudo ia mais ou menos bem, até que John arruma uma namorada, a Elena. Ela é o início da instabilidade na rotina dos gêmeos.
Em Baby Driver, o ator representa um personagem que não vive sem a música. A música silencia um zumbido que o perturba desde um acidente na infância. Jonathan e John não vivem um sem o outro também. Abandonados pela mãe, um cuida do outro. Suprimir um é deixar o outro em uma situação de profunda solidão. Baby, de Baby Driver, após conhecer a mulher dos seus sonhos, reconhece uma oportunidade de se livrar do estilo de vida questionável e recomeçar do zero. Em Jonathan, também uma mulher faz com que os irmãos queiram ter um novo recomeço, só que aqui só há espaço para um deles.
O filme nos faz refletir o quanto precisamos reprimir em nós mesmos para criar um padrão. O quanto desejamos amar e ser amados ao ponto de na solidão, criarmos um personagem de nós mesmos. O quanto é difícil desapegar, o quanto é difícil matar certos comportamentos para deixar aflorar outros. Jonathan é o certinho, o comportado, o organizado, aparentemente o bem-sucedido.
O longa dirigido pelo estreante Bill Oliver, que também assina o roteiro, está classificado como ficção científica, mas para mim trata-se de um drama de distúrbio de personalidade. Exceto por um dispositivo tipo chip que Jonathan usa no pescoço, que foi colocado por Patrícia Clarkson (Sharp Objects) , uma espécie de cientista, médica, terapeuta, que cuida dos irmãos.
IMDB: 5,8/ 10
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Jonathan.
Outros nomes: Duplicates.
País:EUA
Ano: 2018
Direção: Bill Oliver.
Roteiro: Gregory Daves, Peter Nickowitz, Bill Oliver.
Elenco: Ansel Elgort, Patricia Clarkson, Suki Waterhouse.





