Cinéfilos Eternos: Ficção científica
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

JONATHAN





Não, aqui a culpa não é das estrelas. Lembram do Augusto Waters? Ansel Elgorts, o ator que interpretou esse personagem nasceu em Nova York. Tem descendência russa, por parte de pai, e inglesa, germânica e norueguesa por parte de mãe.
O filme Jonathan fez sua estreia no Festival de Tribeca em abril de 2018, onde arrancou elogios da crítica.
Todos os dias Jonathan acorda às 7h01 e cumpre sua rotina: mantém a casa limpa, corre, vai para o trabalho, em um escritório de arquitetura... ele é muito elogiado por sua competência e criatividade, seu supervisor só se queixa do seu pouco tempo de trabalho, precisa dele em tempo integral. Mas Jonathan diz que não pode, que precisa cuidar de uma pessoa da família. Às 19h, chega seu irmão John, ele é mais relaxado, até no modo de vestir, curte sair à noite. Mas os dois, embora de personalidades diferentes, se dão bem e procuram seguir as regras. Como eles nunca se encontram, se comunicam através de vídeos gravados. Dizem o que fizeram e o que compraram na ausência do outro. Jonathan cozinha e deixa o prato do irmão na geladeira, às vezes leva sua roupa pra lavanderia. Tudo ia mais ou menos bem, até que John arruma uma namorada, a Elena. Ela é o início da instabilidade na rotina dos gêmeos.
Em Baby Driver, o ator representa um personagem que não vive sem a música. A música silencia um zumbido que o perturba desde um acidente na infância. Jonathan e John não vivem um sem o outro também. Abandonados pela mãe, um cuida do outro. Suprimir um é deixar o outro em uma situação de profunda solidão. Baby, de Baby Driver, após conhecer a mulher dos seus sonhos, reconhece uma oportunidade de se livrar do estilo de vida questionável e recomeçar do zero. Em Jonathan, também uma mulher faz com que os irmãos queiram ter um novo recomeço, só que aqui só há espaço para um deles.
O filme nos faz refletir o quanto precisamos reprimir em nós mesmos para criar um padrão. O quanto desejamos amar e ser amados ao ponto de na solidão, criarmos um personagem de nós mesmos. O quanto é difícil desapegar, o quanto é difícil matar certos comportamentos para deixar aflorar outros. Jonathan é o certinho, o comportado, o organizado, aparentemente o bem-sucedido.
O longa dirigido pelo estreante Bill Oliver, que também assina o roteiro, está classificado como ficção científica, mas para mim trata-se de um drama de distúrbio de personalidade. Exceto por um dispositivo tipo chip que Jonathan usa no pescoço, que foi colocado por Patrícia Clarkson (Sharp Objects) , uma espécie de cientista, médica, terapeuta, que cuida dos irmãos.

IMDB: 5,8/ 10
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Jonathan.
Outros nomes: Duplicates.
País:EUA
Ano: 2018
Direção: Bill Oliver.
Roteiro: Gregory Daves, Peter Nickowitz, Bill Oliver.
Elenco: Ansel Elgort, Patricia Clarkson, Suki Waterhouse.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

CAMINO A MARTE





Emilia (Tessa Ia, de Depois de Lucia) tem uma doença terminal mas não quer acabar sua vida em um hospital. Ajudada pela sua melhor amiga, Violeta (Bad Girls), elas resolvem fazer uma viagem. Não, não é aquele filme apelativo sobre os últimos dias de uma adolescente e as lições de amor que ela deixou, esqueça isso! Um contratempo impedirá talvez as duas amigas de chegarem à Balandra, o local pretendido: um furacão de grandes proporções se aproxima. O road movie ainda contará com um ingrediente inusitado: as meninas acabam conhecendo e dando carona para um cara que se diz um alienígena e que veio com a missão de acabar com a humanidade. Violeta não quer ele perto, acha que ele pode ser um louco perigoso, mas Emilia simpatiza com ele. Elas resolvem chamá-lo de Mark, o mesmo nome da tempestade tropical que se anuncia. "Mark" diz que seu trabalho é estudar a evolução planetária, que o ser humano é uma das poucas espécies inteligentes a experimentar emoções primitivas e que, pelo bem do universo, a humanidade deve desaparecer.
Indo para Marte ou para Balandra, a verdade é que o filme vai nos fazer embarcar juntos em uma agradável aventura. Cada momento da história é marcado pelos lugares mais belos da Península de Baixa Califórnia, situada a oeste do México, graças à fotografia de Guillermo Garza.
Mark verá sua convicção sobre os humanos abalada quando se apaixona por Emilia. Essa, por sua vez, tem a oportunidade de viver um amor antes de morrer.
De qualquer forma, a viagem se tornará uma jornada de auto-conhecimento para os três personagens.
Humberto Hinojosa Ozcariz é um diretor e roteirista mexicano, conhecido pelo seu filme Oveja Negra (2009) e o mais recente Paraiso Perdido (2016). Ele também é responsável pela série Luís Miguel, que virou febre na América Latina, sobre a vida do cantor mexicano com mãe desaparecida e pai vilão.

IMDB: 5,5/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Camino a Marte.
País: México.
Ano: 2017
Direção: Humberto Hinojosa Ozcariz
Roteiro: Anton Goenechea, Humberto Hinojosa Ozcariz.
Elenco: Tessa Ia, Camila Sodi, Luis Gerardo Méndez.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A OUTRA TERRA



Não sei nem por onde começo, há tantas coisas a se dizer sobre esse filme...
Só a parte ficcional já é super interessante e envolve também a metafísica, que considero apaixonante. Um novo planeta é descoberto, ele estava escondido atrás do sol e finalmente pode ser visto. Acontece que ele é exatamente igual ao Planeta Terra, seria um segundo Planeta Terra, e aqui começamos a chamá-lo de Terra 2. Percebem a subjetividade? Para nós ele é o segundo planeta, mas se ele é visto aqui, também somos vistos de lá e certamente "eles" considerarão que são o planeta 1. E quem serão "eles"? Várias teorias começam a surgir, se ele tem as mesmas condições, então também há vida nele. Surge até uma teoria assustadora. Se ele é um duplo do nosso planeta, será que também tudo que há nele não é a duplicata daqui. Até mesmo as pessoas? E uma questão é colocada: você se reconheceria se confrontado com seu duplo? Uau, achei isso o máximo! Essa parte do filme me lembrou um outro, o Coherence.
Mas o filme não fica por aí. No mesmo dia que o tal planeta ficou visível, um trágico acidente entrelaça a vida de duas pessoas. Ela é Rhoda Williams, uma jovem brilhante recentemente aceita no programa de astrofísica do MIT e que pretende explorar o cosmos. Ele é John Burroughs, um compositor no auge de sua carreira e que encontra-se também na vida pessoal em uma fase muito boa, casado, sua mulher está prestes a ter o segundo filho. Rhoda perde o controle de seu carro, que colide com o de John. A partir daí, a vida dos dois vai mudar, irremediavelmente. Todos os sonhos escorrerão pelos ralos.
O que eu posso dizer é que você vai ficar com vontade de conhecer o tal planeta, mas o foco do filme é o drama que envolve a vida de Rhoda e John. Ela precisa fazer qualquer coisa por ele para se redimir, nem que seja um pouco. Ele não a conhece, mas a odeia, tentou descobrir na época quem ela era, tinha vontade de matá-la, mas como ela era menor, a lei a protegeu. Duas vidas marcadas por um sofrimento sem fim.
Que fotografia linda, que músicas encantadoras, o filme tem aquele clima melancólico que eu adoro. Conseguimos quase que apalpar a dor dos dois personagens.
Não conhecia essa atriz, muito bonita e talentosa. Ou melhor, depois lembrei dela, da séria The OA, aliás, que fim levou essa série? Ela também assina o roteiro e a produção. Brit Marling conheceu Mike Cahill, de quem também foi namorada e posteriormente fez com ele o documentário Boxers and Ballerinas, que foi quando ganhou reconhecimento pelo seu trabalho. Ela chegou a participar de audições nas quais foram oferecidos papéis em filmes de terror, mas rejeitou todos. Numa entrevista ao The Daily Beast, ela declarou que "queria ser capaz de escalar a si própria para papéis que não exigissem que ela fizesse as partes típicas oferecidas a jovens atrizes, como a namorada superficial ou uma vítima de crime". Mais tarde, se tornou uma estrela no Festival Sundance de Cinema, com os filmes Sound of My Voice (2011), Another Earth (2011) e The East (2013), tanto protagonizando quanto co-escrevendo em todos eles.
Já William Mapother é um antigo professor, graduado pela Universidade de Notre Dame. Ele lecionou em uma escola no Leste de Los Angeles por três anos antes de tornar-se ator. Ele é primo de Tom Cruise e foi assistente de produção em muitos de seus filmes, olhem que interessante!
Another Earth é um filme que vai te deixar reflexivo, só pela possibilidade de não estarmos sós no universo. Acreditamos estar observando mas e se na verdade estamos sendo observados? Todos nós cometemos erros, quem não erra, uns mais que os outros, mas se existisse uma Terra 2 realmente, isso significaria dizer que também existiria uma segunda chance, uma segunda oportunidade? Buscamos o perdão, mas se fossemos colocados frente a frente com nós mesmos,seríamos capazes de nos perdoar?
Aos 21 anos o diretor Mike Cahill teve um estranho sonho e quando acordou sentiu a necessidade de escrever a seguinte frase: “Os olhos dos mortos retornam nos recém-nascidos”. Catorze anos depois tornou-se interessado no tema da biometria através da íris. Junto com a lembrança da misteriosa frase do passado, Cahill escreveu o argumento do roteiro do filme I Origins (O Universo no Olhar). A produção independente estreou no Festival Sundance de Cinema de 2014 e ganhou o Prêmio Alfred P. Sloan Prize do festival, que reconhece os filmes que retratam ciência e tecnologia. A vitória foi a segunda de Cahill; seu filme Another Earth também ganhou o prêmio em 2011.
A Outra Terra pode ser considerado por muitos mais um filme sobre o tema do perdão e de segundas chances. Metaforicamente, as realidades paralelas existem, são espelhos de nós mesmos. Mas a direção sai do convencional, inserindo elementos que despertam a estranheza e nos seduzem. Como na lenda da sereia, o planeta 2 se aproximando cada vez mais nos deixa curiosos e perplexos, nos proporcionando uma experiência sutil e transformadora. E mostrando que Brit Marling é uma realizadora criativa e que pode nos surpreender com trabalhos futuros.

IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Another Earth
País: EUA
Ano: 2011
Direção: Mike Cahill
Roteiro: Brit Marling, Mike Cahill
Elenco: Brit Marling, William Mapother.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

SENTIDOS DO AMOR



Como acontece a interação humana? Respondemos e agimos em decorrência de ações da natureza ou de simples situações cotidianas? Já parou para pensar que, por mais simples que seja, cada ruído, gosto ou sombra de algo são extremamente importantes para nossa vida?
Cientificamente, nosso corpo é composto por cinco sentidos: olfato, paladar, audição, visão e tato. São essas cinco capacidades que nos permitem apreciar praticamente qualquer coisa que exista. Mas o que dizer dos sentimentos? Seriam eles algo acima desse aspecto? Pois nós não precisamos sentir o gosto, ouvir o som, apreciar o cheiro ou enxergar alguma luz para amar ou odiar algo. Apenas precisamos ''sentir''. Seria o amor também um sentido humano?
'Sentidos do Amor, tradução um tanto comercial (mas se encaixa bem) para Perfect Sense (Sentido Perfeito), é um filme que faz o mesmo questionamento.
Na trama, Michael (Ewan McGregor) é chef de um restaurante ao lado do prédio onde mora a epidemiologista Susan (Eva Green). O casal se conhece casualmente e, enquanto uma espécie de doença totalmente desconhecida começa a propagar-se, os dois sentem a necessidade de estarem juntos. 
Iniciando um romance mesmo com suas diferenças, eles passam juntos pelo primeiro sintoma da doença: são tomados por uma forte depressão, lembrando de pessoas que morreram, amizades que se perderam e conflitos não resolvidos. Terminando esse ciclo, eles perdem completamente o olfato. Há um desespero inicial, as pessoas não entendem o que se passa e os médicos não sabem o que fazer. Transmite-se pelo ar? É vírus? Uma bactéria?

Os dias passam e a vida segue. As pessoas habituam-se, essa é uma qualidade humana. Aos poucos, a sociedade volta ao normal. Aliás, pra que serve o olfato? Podemos viver sem isso...
É quando o próximo sintoma vem e as pessoas perdem mais um sentido que vemos a dúvida e o desespero florescerem nos semblantes do casal. O que será daqui pra frente? Até onde essa ''doença'' irá levar a espécie humana? A partir daí, qualquer outro detalhe que eu descrever aqui poderá estragar a experiência única de assistir ao filme. Para quem viu Ensaio sobre a Cegueira (2008), trama que parte de premissa parecida, prepare-se para ver algo um pouco semelhante, porém de um ponto de vista diferente. Em Sentidos do Amor, há momentos de incrível tensão e desespero, mas a mensagem é mais otimista e até bonita, para ser sincero.
Tenho certeza que depois de assistir ao filme, você se perguntará se o amor é ou não é um Sentido Perfeito.

Texto e avaliação: Marcos Poli
IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 
Nota (Marcos Poli): 10/10

Ficha técnica:
Nome original: Perfect Sense.
País: Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte.
Ano: 2011
Direção: David Mackenzie
Roteiro: Kim Fupz Aakeson
Elenco: Ewan McGregor e Eva Green

quarta-feira, 16 de maio de 2018

ANTES QUE TUDO DESAPAREÇA



Kiyoshi Kurosawa é um diretor, roteirista, crítico e professor na Universidade de Artes de Tóquio de Cinema. Por mais que ele tenha trabalhado em vários gêneros, Kurosawa é mais conhecido pelas suas contribuições ao gênero terror japonês.
Antes que Tudo Desapareça está mais para mistério e ficção científica, mas o cineasta inicia o filme com uma cena bem sangrenta, com jeito de filme de terror. Foi aí que eu quase desisti de ver o filme.
As histórias de três pessoas se entrelaçam. Uma é a da adolescente Akira Tachibana, cuja família é brutalmente assassinada e ela é recolhida confusa, andando no meio da estrada. Um jornalista, Sakurai, vai ao local para cobrir a matéria e lá conhece Amano, um outro adolescente, que está à procura de Akira e pede a Sakurai que seja o seu guia. Shinji Kase era um marido infiel e estava desaparecido. Ele é encontrado totalmente diferente, agora é gentil e terno, mas muito confuso. Ele pede à esposa, Narumi Kase, que seja a sua guia.
O que essas três pessoas, Akira, Shinji e Amano, têm em comum? Eles dizem que a Terra será invadida e que toda a humanidade desaparecerá. O que eles sabem? Quem serão eles?
Narumi nem consegue mais se concentrar no trabalho, tendo que ficar às voltas com aquele marido com comportamento esquisito, ao mesmo tempo que começa a desejar que ele não mude mais...
O filme envereda por vários gêneros e coloca a questão de que talvez a raça humana esteja realmente perdendo alguns conceitos essenciais, ao mesmo tempo que se apega a outros que a aprisiona. Talvez o nosso planeta precise mesmo ser renovado. No fundo, é um filme leve e até divertido.
IMDB: 6/ 10
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Sanpo suru shin'ryakusha
Outros nomes: Before We Vanish
País: Japão
Ano: 2017
Direção: Kiyoshi Kurosawa
Elenco: Masami Nagasawa, Ryuhei Matsuda, Hiroki Hasegawa, Tsunematsu Yuri, Takasugi Mahiro.

terça-feira, 15 de maio de 2018

ANIQUILAÇÃO



O filme é uma adaptação de um dos volumes da Trilogia Southern Reach, de Jeff VanderMeer: Annihilation, Authority e Acceptance. Uma aventura de exploração ao melhor estilo da literatura "new weird" contemporânea, misturando ficção científica, horror lovecraftiano, mistérios estilo Lost e bizarrices de explodir o cérebro!




Annihilation trata sobre uma bolha enigmática que toma conta da costa estadunidense – a chamada Área X. Lena (Natalie Portman), é bióloga e acadêmica e não recebe notícias de seu marido, o militar Kane (Oscar Isaac). Interessada em resolver o mistério que envolve seu marido, ela decide entrar na tal área junto com a Drª Ventress (Jennifer Jason Leigh), chefe da missão e mais outras três profissionais, mesmo sabendo das remotas possibilidades de retorno.

O longa atravessou polêmicas antes mesmo de sua estreia. Alguns leitores da obra homônima em que se baseia a história reclamaram da troca de etnia das personagens interpretadas por Portman e Jennifer Jason Leigh. Além disso, a Paramount optou por vender os direitos de distribuição internacional da obra para a Netflix, escolha que irritou o diretor por impossibilitar a experiência de assistir nos cinemas um filme claramente feito para as telonas, vide algumas cenas com um nível de detalhes primoroso e com efeitos especiais ousados.O mundo de VanderMeer aos olhos de Garland é ao mesmo tempo assustador e deslumbrante, provoca nossa imaginação e, me arrisco a dizer, questões filosóficas sobre a vida, a morte e, principalmente, a transformação. Garland mostrou habilidade para deixar indagações e motivos para que torçamos para que a franquia continue.


IMDB: 7/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Annihilation
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Alex Garland.
Roteiro: Jeff VanderMeer, Alex Garlamd.
Elenco: Natalie Portman, Jennifer Jason Leigh, Oscar Isaac,