Um lago, uma mulher, um menino, ...
um lugarejo perdido, no meio de uma paisagem deslumbrante!
Mas que os olhos já cansados dos poucos habitantes que restavam pareciam nem mais perceber. A maioria já velhos, sem mais nada a esperar senão o correr dos dias, daqueles dias todos iguais. Não há colégios, não há o que se fazer, eles vivem em rudimentares casas de pedras. Não há empregos, por isso nenhuma chance de chegar gente nova. Um carteiro é a única ligação com o mundo exterior, ele busca as raras correspondências e algumas coisas que as pessoas lhe encomendam, pão, remédios e, principalmente ele busca o parco pagamento dos moradores. Enquanto o dinheiro dura, resta a alguns deles regar seus dias com vodka, fumar e contemplar o tempo perdido. Um retrato do desalento ...
O lugar cheira à morte! Um lugar onde apenas se espera os dias finais e com a partida do último habitante também a aldeia chegará ao fim.
As noites são todas iguais para Lyokha, o carteiro. Noites brancas, sem significado, ... de dia ele calça seus chinelos, faz seu chá, se veste e pega seu barco. Mas ele ainda tem seu emprego de carteiro. Talvez seja por isso que Lyokha seja um pouco diferente dos outros. Ele ainda sonha com o amor...
Um lago, uma mulher, um menino, ...Irina tem um filho, Timur. Uma criança naquele vilarejo também representa a esperança de um futuro.
Mas Irina também quer ir embora com Timur.
O filme é tipo um documentário da vida no lugar. O elenco é formado por moradores de lá mesmo. Ainda que a comunidade esteja atuando, o diretor fez questão de também filmar com câmeras escondidas, para dar mais realismo. Interessante que parece que mesmo quando sabem que estão sendo filmados, eles não parecem sentir pressão alguma, talvez porque os personagens são eles mesmos. Mesmo assim, Aleksey Tryapitsyn, o carteiro, entrega um trabalho tão marcante que, por vezes, ficamos admirados dele não ser ator.
Um povo que sobreviveu ao passado e que contempla o seu fim.
A linda fotografia de Aleksandr Simonov, combinada com a música de Eduard Artemev completam a arte desse melancólico filme, que deu a Konchalovskiy o Leão de Prata de Melhor Diretor no Festival de Veneza de 2014.
E o que será que aquele gato que só o carteiro vê representa?
IMDB: 7,1- 10
Minha nota: 3,7-5
Ficha técnica:
Nome original: Belye nochi pochtalona Alekseya Tryapitsyna
País: Rússia
Ano: 2014
Direção e roteiro: Andrey Konchalovskiy
Elenco: Aleksey Tryapitsyn, Irina Ermolova, Timur Bondarenko.

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