EM PEDAÇOS - Cinéfilos Eternos

quinta-feira, 17 de maio de 2018

EM PEDAÇOS



Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
...
A saudade é o pior tormento

A saudade dói latejada

É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Não há como não lembrar dessa música, não só pelo título quanto pela dor de Katia Sekerki. Sempre me perguntei como algumas pessoas conseguem sobreviver a tragédias onde perdem suas famílias. A alemã Katia vivia feliz ao lado do marido turco e do filho de 6 anos. Mas em um dia em que o filho vai para o trabalho com o pai, uma bomba mata os dois. Como viver depois disso? Essa dor é completamente visível na expressão da personagem interpretada poderosamente por Diane Kruger. Ela quase não fala, com palavras, mas o seu rosto e seu olhar mostram como ela está destroçada, em pedaços.Tem uma cena, durante um intervalo no julgamento, que uma pessoa a convida para um café um dia na sua casa. E Katia não fala nada, só o olha. De um jeito que dá para entender que ela nunca mais vai querer tomar um café na casa de ninguém. Isso é para alguém cuja vida continua. Mas a vida de Katia parou ali, com aquele crime bárbaro, que levou as duas pessoas que ela mais amava no mundo.
As pistas levam a um casal neonazista. A única coisa que ainda dá alguma razão de viver a Katia é seu desejo por justiça. Mas a Polícia alemã e a Justiça tratam o caso como se Nuri é que fosse o réu e não a vítima. Nuri já tinha sido preso por tráfico de drogas, mas, embora Katia afirmasse que isso tinha ficado no passado, que ele era um excelente pai e marido e tinha um emprego honesto, fica claro que o fato dele ser turco estava pesando no julgamento dos culpados. Só havia uma solução para Katia: ela mesma fazer a justiça! Mas isso era muito difícil e perigoso...
De família turca, Fatih Akin nasceu na Alemanha, após a imigração dos pais e conhece na pele o preconceito e a barreira cultural entre turcos e alemães. O filme tem uma força tão grande que dá vontade de conhecer os outros do mesmo diretor. Pelo seu quarto filme, Contra a Parede (que acabei vendo e vou postar essa semana), Akin recebeu em 2004, entre outros prêmios, o Urso de Ouro no Festival de Berlim e tornou-se internacionalmente conhecido. Em seus filmes, Akin trata de temas como as dificuldades do povo dele ser aceito em terra estranha, principalmente no que diz respeito à religiosidade e suas tradições familiares.
Diane Kruger recebeu o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. Para a surpresa de diversos críticos de cinema, o longa foi ignorado no Oscar, e mesmo tendo vencido o Globo de Ouro e acumulado outros prêmios, como o Critics’ Choice Award de Melhor Filme Estrangeiro, não foi indicado à estatueta de Melhor Filme Estrangeiro.
IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 4/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Aus Dem Nichts
Outros nomes: In the Fade
País: Alemanha.
Ano: 2017
Direção e roteiro: Fatih Akin
Elenco: Diane Kruger, Denis Moschito.

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