São mais de duas horas e meia de duração. Mas que nem de longe são cansativas.Tecnicamente impecável, com fotografia e direção de arte magníficas, brincando com o tema noir, músicas de Alexandre Desplat, a trama é tensa e angustiante e prende a atenção do início ao desfecho final. A história é ambientada na China ocupada pelo Japão nos anos 40 e deu a Ang Lee o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2007.
Adaptação da obra literária de Eileen Chang, uma escritora muito popular na comunidade sino-americana. A autora do livro levou mais de 30 anos para finalizar a obra, ela começou a escrever nos anos 50. Eileen tem muito em comum com a obra, já que viveu na China ocupada pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, foi casada com um colaborador do governo japonês, sofreu com a infidelidade do marido e interrompeu seus estudos na Universidade de Hong Kong para voltar a Xangai, temas vistos em seu livro.
Um grupo de artistas, estudantes universitários, em meio às efervescências políticas, resolvem usar a arte como forma de protesto e conscientização. É nesse contexto que entra a jovem Wong Chia Chi (Wei Tang). Wong nunca tinha participado de teatro e sua estreia é um sucesso, provocando uma onda de nacionalismo na plateia. O grupo é tomado pela euforia de poder transformar na realidade a situação em que vivem e resolvem usar os seus dons artísticos para revolucionar de verdade. A jovem Wong infiltra-se com outro nome na família do perigoso Sr Yee (Tony Leung Chiu Wai), chefe da polícia de Xangai, tornando-se amiga da esposa dele, com o objetivo de atraí-lo para que seja eliminado. Retraída e simples, ela tem que interpretar uma mulher casada com um empresário, sedutora e confiante. Os riscos são enormes, qualquer desconfiança e ela pode morrer.
Por que terá Wong aceito participar desse perigoso jogo? Órfã de mãe, com a guerra seu pai vai para a Inglaterra e leva com ele o seu irmão. Relegada a segundo plano por sua condição feminina, Wong vê finalmente uma chance de participar da história de seu país e não vai poupar esforços para isso. Ela sabe que pode ter que ser amante do Sr. Yee mas o seu ideal vai além da preocupação com o próprio corpo.
Tem início um jogo de política e paixão pontuado com cenas de sexo e violência.
As polêmicas cenas de sexo custaram à atriz Tang Way o banimento da China por protagonizá-las. Filmadas em 11 dias em um set fechado, somente com a presença do cinegrafista e da equipe de som, as cenas são descritas por Ang Lee como “apenas gráficas, e não pornográficas”. Já Tang Wei comenta que as tomadas foram delicadamente ensaiadas antes das gravações. Quando lhe perguntaram pelo erotismo do filme, Lee respondeu de modo significativo: “Quis falar não tanto de sexo, mas da ambivalência fundamental do ser humano.”
As cenas não são gratuitas. O caráter do desejo é fundamental para o encadeamento da história. Desejos incontroláveis e transformadores. A jovem Wong representa não só a China submetida como todas as mulheres. Mas ela também usa seu poder. Dominação e submissão se alternam, entre Yee e Wong, entre Japão e China.
Criticado muitas vezes por "americanizar" seus filmes, o que posso dizer é que achei "Desejo e Perigo" fantástico. Perturbador e ao mesmo tempo encantador. Daqueles inesquecíveis. Lembra a fábula de "O Escorpião e o Sapo", mas de maneira contrária. Quem conhece, vai entender.
IMDB: 7,6- 10
Minha nota: 4,2- 5
Filcha técnica:
Nome original: Se, Jie
Outros nomes: Lust, Caution
País: China, EUA, Taiwan
Ano: 2007
Direção: Ang Lee
Roteiro: Eileen Chang, Hui-Ling Wang, James Schamus.
Elenco: Wei Tang, Tony Leung.

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