Cinéfilos Eternos: Década 2001-2010
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terça-feira, 26 de março de 2019

QUATRO MINUTOS




QUATRO MINUTOS
Chris Kraus é um escritor e cineasta alemão, nascido em 1963. Explico aqui porque existe uma escritora e cineasta de mesmo nome, só que americana e que, inclusive, um livro seu, I Love Dick, deu origem à série de mesmo nome protagonizada por Kevin Bacon.
Eu nunca tinha visto nada desse diretor, mas esse filme me impressionou bastante. Vamos conhecer Jenny, uma jovem assassina, presa em uma penitenciária feminina. Além de ter cometido um crime bárbaro, ela não parece ter nenhum remorso e é super hostil, podendo ser bem violenta mesmo. Quando chega na penitenciária uma professora de piano de 80 anos, que tem um projeto de dar aulas para as detentas, "Traude", o oficial Mutze, que também é um grande apreciador de música, apresenta Jenny para ela. Mas a princípio Traude não a vê com bons olhos, já que ela é agressiva, mal-educada, indisciplinada, as mãos, o principal elemento para as aulas , são mal-cuidadas e feridas devido às brigas e ela diz pra Jenny que para dar aulas para ela, precisará aceitar suas regras. Que não está preocupada em torná-la uma boa pessoa, mas sim uma boa pianista.
Mas Traude irá se surpreender com o talento de Jenny e a parceria entre elas provocará conflitos e muitas revelações. Além do seu dom, a música é a única forma com a qual Jenny consegue se expressar e isso acontece de forma intensa, da mesma maneira que são intensos todos os seus pensamentos, toda sua dor, sua raiva, suas feridas, o caos que é sua vida, enfim. Traude precisa dela também para sobreviver às suas lembranças, para encontrar um motivo para ter valido a pena ter continuado viva. Pela arte. Para que a arte se imponha às dores e injustiças do mundo. Com um final impactante e inesperado. Quatro minutos de pura libertação. E aqui me lembrei de Mandela, que dizia que seu corpo podia estar preso, mas que era o capitão de sua alma. Mas Jenny não era. Até àquele momento.
IMDB: 7,4/ 10
Filmow: 4,1/ 5
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
País: Alemanha.
Nome original: Vier Minuten
Ano: 2006 Direção: Chris Kraus
Roteiro: Chris Kraus.
Elenco: Hannah Herzsprung, Monica Bleibtreu, Sven Pippig, Stefan Kurt, Jasmin Tabatabai.


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

UMA PASSAGEM PARA A VIDA



Quem seria aquele homem misterioso que desembarcou do trem naquela pacata, quase dormente cidade francesa? O que ele poderia querer de lá? Até o hotel estava fechado quando ele lá chegou. Ninguém pelas ruas... Não, de jeito nenhum aquele homem parecia um turista. Expressão cansada, sombria, ele não era de muita conversa, ... mas isso não era nenhum problema para Manesquier, um professor de poesia aposentado. Ele era capaz de falar pelos dois e Milan, assim se chamava o cavalheiro solitário, despertou imediatamente sua curiosidade. E até seus devaneios. De onde teria vindo? Por quais aventuras teria passado aquele homem? Quais mais ainda tinha a intenção de viver?
Manesquier o convida para se hospedar em sua enorme e antiga casa. Onde viveu sua vida toda, cercado de livros e lembranças... Milan não tem outra alternativa. Mesmo não sendo de muitas palavras, simpatiza com o professor, a princípio resistente, aos poucos aceita de bom grado a companhia daquele bom homem. Também ele se imagina nessa vida, tranquila e sem tropeços.
Milan pede para ficar até sábado, no sábado precisará ir embora. Manesquier pensa "o que será que ele tem para fazer no sábado?". E diz para Milan que sábado ele também terá um compromisso. O velho professor acaba desconfiando das verdadeiras e escusas intenções do seu hóspede, mas isso não o assusta. Pelo contrário, o fascina! Manesquier sonha como sua vida poderia ter sido diferente se houvesse ousado mais.
"A doçura é muito perigosa" / "por quê?"/ "porque você se acostuma a ela".
Ele se acomodou com sua vida confortável e de poucos problemas e agora pensa "o que terei perdido?". Ele viveu talvez a vida de todos os romances que leu, de todas as músicas que tocou em seu antigo piano, comeu e bebeu bem, nunca lhe faltou um teto para dormir, teve seus amores, uma boa vida, ... mas agora algumas de suas certezas estavam caindo por terra, e ele se perguntava: "o que terei perdido?".
A amizade improvável que se formou entre aqueles dois é aquele tipo de experiência que, embora fugaz, a gente leva para sempre.
Os dois atores estão sensacionais em seus papéis. Por coincidência, os dois faleceram em 2017, grande perda para o cinema. Jean Rochefort foi um premiado ator francês, com mais de cinco décadas de carreira. Esse não é o primeiro filme do diretor Patrice Leconte que ele atuou, inclusive foi indicado ao Premio César de Melhor Ator por O Marido da Cabeleireira. Em 1978, ele já tinha recebido esse prêmio por sua atuação em Le Crabe-Tambour. Ele também era o escultor famoso em O Artista e a Modelo e acho que seu último filme foi Floride, de Phillippe Le Guay, que eu também adorei! Johnny Hallyday, nome artístico de Jean-Philippe Smet foi um cantor e ator francês de origem belga por parte do pai. Foi um dos principais astros do rock'n'roll francês. Atuou em filmes de Claude Lelouch, Guillaume Canet, Godard, Costa-Gravas, entre outros. A participação da atriz francesa Édith Scob (O Que está Por Vir, Holy Motors, Horas de Verão, Os Olhos Sem Rosto) foi pequena mas bem emocionante.
Patrice Leconte, premiado diretor, dispensa apresentações.
Imperdível!

IMDB: 7,3/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: L'Homme du Train.
Outros títulos: Main on The Train.
País: França.
Ano: 2002
Direção: Patrice Leconte
Roteiro: Claude Klotz.
Elenco: Jean Rochefort, Johnny Halliday, participação Edith Scob, Isabelle Petit-Jacques.





Johnny Halliday, Patrice Leconte e Jean Rochefort, na Itália, em 2002, para apresentar L'Homme du Train na competição da Mostra de Veneza.











quarta-feira, 22 de agosto de 2018

OS AMANTES DO CAFÉ FLORE




Não tenho como não pensar como teria sido a vida de Simone de Beauvoir sem a presença de dois fatores: o primeiro, uma mãe oprimida pelo casamento (pelo menos na visão dela). A mãe (ou o pai, não lembro) chegou a dizer que "uma mulher é o que o marido faz dela". A outra coisa determinante foi a sua melhor amiga ter sido obrigada a fazer um casamento escolhido pela mãe, a perda da liberdade da amiga. Simone não teve o exemplo de um casal harmonioso em casa e tinha problemas com o pai, que a criticava o tempo todo. Ela decide que vai tomar as rédeas da sua vida, que nunca vai se casar, "lavar cuecas" e nem ter filhos. Dedica-se à sua carreira de professora e a escrever. De acordo com seu pai, era o que lhe restava, já que era feia e ninguém ia querer se casar com ela.
Quando ela e o jovem e rebelde Sartre se conhecem, forma-se um pacto aparentemente perfeito. Não, ele não a acha feia, muito pelo contrário, diz que ela é linda, a deseja. Mas, como ela, pretende uma relação baseada na realidade e na verdade. O casamento para eles é uma instituição burguesa, do que eles fogem.
Mas a proposta de Sartre é uma vida em comum onde seriam permitidos outros, outras aventuras amorosas. O importante é que eles contassem a verdade uma ao outro.
O que me parece é que Simone foi presa na própria armadilha. Ela não queria ser feita por marido nenhum! Mas ela também tencionava essa liberdade toda ou apenas a aceitou? Além disso, nem sempre houve verdades. Decepcionada, Simone desabafa com sua mãe:
"Achava que sabia de tudo e me sinto enganada, carente, rejeitada, como todas as mulheres".
A união intelectual, sim, essa era perfeita. Não sei dizer se um existiria sem o outro. Eles se desafiavam mutuamente, complementavam-se de uma maneira única.
Entendo que o filme, apesar do título, é muito mais sobre Simone do que sobre Sartre. O mundo todo conhece a lendária Simone de Beauvoir, uma das maiores intelectuais do século XX, figura de proa do feminismo e companheira de Jean-Paul Sartre. Mas o que sabemos sobre a mulher apaixonada e dividida que se escondia por trás do ícone?
Jean-Paul Sartre não foi o único amor de Simone, como ficaram eternizados. Ela conheceu o verdadeiro amor e até a plenitude sexual com o escritor americano Nelson Algren. Além da paixão arrebatadora, que durou mais de uma década, ele a inspirou a escrever diversos livros. Foi com Algren que Simone encontrou sua verdadeira identidade.
No livro “Beauvoir Apaixonada”, de Irène Frain, ela é apresentada como mulher apaixonada que, igualmente a qualquer outra, soluça e se aflige quando seu amor se despede e sobe em um avião.
Enquanto escrevia O Segundo Sexo, Beauvoir vivia um romance com o “amado homem de Chicago” através de carinhosas e perturbadoras cartas de amor. Primeiro ela nos diz que "a mulher apaixonada vive de joelhos” e "poucos crimes merecem piores punições do que a generosa culpa de se colocar inteiramente nas mãos de outrem”. Aqui nós vemos a luta contra a emoção pura que, de fato, colocou-a de joelhos. Essas cartas, de 1947 a 1964 estão reunidas no livro Cartas a Nelson Algren.

IMDB: 6,6/ 5
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Les Amants du Flore.
País: França.
Ano: 2006
Direção: Ilan Duran Cohen.
Roteiro: Chantal Derudder, Evelyne Pisier, Suna Syal.

Elenco: Anna Mouglalis, Lòrant Deutsch, Kal Weber, Robert Plagnol, Clémence Poésy, Caroline Sihol, Didier Sandre, Jennifer Decker, Julien Baumgartner, Laetitia Spigarelli.








quinta-feira, 19 de julho de 2018

RICKY





Katie é a mãe solteira de Lisa e trabalha numa fábrica, onde conhece Paco, que passa a morar com elas no apartamento de baixa renda.
Katie engravida de Paco e nasce Ricky.
O bebê transforma toda a rotina da família.
A pequena Lisa, de 6 anos, está amuada, porque não é mais o centro das atenções.
Ricky chora dia e noite, afetando o relacionamento do casal.

Até aí, nada demais, não é? Não poderia haver história mais comum.
Mas de comum não há nada em Ricky, o bebê e mais novo membro da família.
É aí que esse diretor, que está se tornando um dos meus prediletos, nos surpreende.

A loucura do filme cresce pouco a pouco e, ao mesmo tempo, qual é a diferença entre um filho normal e um filho diferente? O amor de mãe será menor ou maior?
Ou talvez uma mãe se sinta especial por ter um filho especial?

O foco todo do filme, na verdade, está em Lisa, que se sente em segundo plano por um irmão que chama cada vez mais atenção.
Vemos nas cenas finais, ao som da bela canção The Greatest, de Cat Power, o sorriso voltar a surgir no rosto dela.
Você precisa ver esse filme com a mente aberta e dar asas à sua imaginação.
IMDB: 5,8/ 10
Minha nota: 3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Ricky.
País: França.
Ano: 2009
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon
Elenco: Alexandra Lamy, Sergi López, Mélusine Mayance

terça-feira, 17 de julho de 2018

ESTOU AQUI




Spike Jonze é bom em criar mundos paralelos, seja na direção de filmes como “Quero Ser John Malkovich”, “Onde Vivem os Monstros” e “Ela” ou mesmo na roteirização de filmes como o insano “Jackass”. Em 2010, ele escreveu e dirigiu o curta I’m Here, no qual, tal como nos trabalhos citados, Jonze constrói um mundo ficcional onde robôs dividem o mundo com seres humanos, ilustrando a própria vida real.
Na trama, Sheldon (Andrew Garfield) é um bibliotecário de Los Angeles, que leva a vida de forma simples e tímida. Sheldon é um robô e vive todos os dias de forma repetitiva e vazia. Esse sentido que faltava é preenchido quando ele conhece Francesca (Sienna Guillory), uma robô divertida, que não se importa nem um pouco com a inferiorização dos robôs por parte dos humanos. Ela só quer se divertir e enxerga amizade em cada ser existente. Sheldon e Francesca se apaixonam e começam a namorar. A relação deles é a mais encantadora possível. Eles vão à festas, fazem passeios noturnos, passeios em parques, assistem shows musicais, como qualquer outro casal no mundo (real ou deles). Só Francesca consegue tirar o robô de sua rotina. Mas, como em todo bom romance, uma dose de drama sempre vai bem para acompanhar. Sheldon prova seu amor incondicional e infinito por sua robômorada e isso culmina em um desfecho comovente, indagando o espectador se ele seria capaz de fazer o mesmo por quem ama.
O mundo proposto por Jonze na história é a própria representação do mundo real, onde os robôs, excluídos pelos seres humanos e vistos como seres inferiores, funcionam como os excluídos da sociedade real. São os pobres, negros, homossexuais, mulheres ou quem quer que seja visto como menor e gera olhares nas ruas por serem quem eles são por direito. Francesca, em uma cena, cola cartazes escrito: I’m Here (Eu Estou Aqui) pelas ruas da cidade. O que ela está gritando para o mundo é que ela não quer só ser vista, mas enxergada também. Ela pode ser considerada excluída, no entanto ela está aqui, quer que seus direitos e deveres sejam validados como os dos seres humanos. Portanto, aquele cartaz demarca que Francesca está aqui neste planeta como qualquer outro ser. E não existem pessoas lutando para serem enxergadas todos os dias fora da tela?
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(continuação da análise com SPOILER)
Outro ponto discutido no filme é acerca do amor. Francesca é desajeitada e quebra uma parte do corpo a cada momento, o que faz Sheldon doar o seu corpo para ela por amor. Isso é lindo, mas convenhamos que passou pela sua cabeça que esse problema poderia ter sido facilmente resolvido se eles comprassem novos membros ou os achassem no ferro velho, só que isso arruinaria a discussão do filme! Além do mais, os robôs são aqui a representação dos seres humanos. As partes perdidas por Francesca são como órgãos ou membros do corpo humano, não são facilmente substituíveis, por vezes só com transplantes, como no filme. E é preciso muito amor para doar uma parte sua para alguém. Seja em vida ou não, são admiráveis os que fazem isso.
No caso do filme, o amor de Sheldon pela namorada era tamanho, que ele preferia se ver sem aquele membro a ter de viver sem ela. Isso é amor intenso, profundo e verdadeiro. E aquele desfecho, quando apenas a cabeça de Sheldon é o que restou de seu corpo, ele prova de uma vez por todas que se doou completamente por aquela relação e por sua amada. É claro que na vida real não seria possível alguém fazer o mesmo, mas a ideia ai é justamente mostrar que as pessoas precisam se doar por completo quando entram em um relacionamento. E isso é tão raro de acontecer. A maioria das pessoas têm sempre interesses pessoais, seja sexo, dinheiro, fama, … porém, não doam nem o tempo ao lado do outro, que dirá se doar por inteiro! Sheldon é, portanto, o amor verdadeiro.
Analisando a parte mais técnica do curta, Spike Jonze conquista os olhos dos espectadores com uma fotografia bela e viva. Somada a uma trilha sonora sensível e de bastante conteúdo, como as músicas There Are Many Of Us (Aska) e Hellhole Ratrace (Girls). As atuações também são ótimas, mesmo os atores escondendo os rostos debaixo das fantasias de robôs.

Texto e análise: Tom Carneiro.
Filmow: 4,2/ 5
Nota (Tom): 9/ 10

Ficha técnica:
Nome original: I'm Here
Outros nomes: Estou aqui
País: EUA
Ano: 2010
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze
Elenco: Andrew Garfield, Sienna Guillory.

FLORES PARTIDAS



Don Johnston (Bill Murray) é um bem-sucedido empresário, solteiro e mulherengo. O nome do personagem é uma alusão ao famoso personagem espanhol, tido como símbolo da sedução e da libertinagem.
O filme começa com ele sendo abandonado por Sherry (Julie Delpy), que o acusa de indiferença.

A conquista profissional e as diversas conquistas amorosas não parecem fazer dele uma pessoa realizada, ou ainda, é como se ele chegasse ao fim da linha e não encontrasse nada lá. A sua falência existencial é visível.
Seu vizinho Winston (Jeffrey Wright) é o seu oposto, com uma família estruturada, mulher e cinco filhos, está sempre ocupado, se dividindo entre eles, seus empregos e sua paixão por jogos e romances policiais.
Quando Don recebe uma carta anônima em papel cor-de-rosa, dizendo que ele tem um filho de 19 anos, Winston o convence a ir em busca das mulheres com quem teve um relacionamento no passado para investigar. 
O amigo lhe dá todo o apoio logístico para a empreitada, até mesmo a trilha sonora, incluindo jazz etíope, que o acompanha.
A apatia de Don não se altera, mas embora ele se recuse, acaba seguindo todas as instruções do Winston.

Inicia-se assim um "road movie", mas em direção ao passado. Como se Don tentasse ainda uma última cartada, a de encontrar algum significado ou familiaridade com o mundo à sua volta.
Ele vai em busca então das possíveis mães (Sharon Stone, Frances Conroy, Tilda Swinton, Jessica Lange) do seu possível filho, sempre com um ramos de rosas cor-de-rosa, conforme a recomendação do amigo-detetive.
Sim, o elenco é estupendo, mas a participação é passageira.
Como passageiros foram os seus romances.
Ele procura no passado algo que dê sentido ao seu presente.
Mas em vão...
Seus encontros são como flores partidas, sem encanto.

Coincidência ou não, há sempre um rapaz com idade aproximada daquele que poderia ser seu filho, nos lugares onde ele vai.
Também com o espectador a relação do protagonista é passageira, o filme termina nos deixando com a vontade de ver mais, de conhecermos mais cada história.
Mas o desenlace se parte, como as flores do título.
E não nos resta outro recurso que chegarmos às nossas próprias conclusões.
Recomendo.


IMDB: 7,2/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Broken Flowers
País: EUA
Ano: 2005
Direção: Jim Jarmusch.
Roteiro: Bill Raden, Sara Driver, Jim Jarmusch.
Elenco: Bill Murray, Jessica Lange, Sharon Stone, Julie Delpy, Tilda Swinton, Frances Conroy, Jeffrey Wright.

OS NOMES DO AMOR



Le Nom des Gens é um filme leve e ao mesmo tempo profundo.
Porque é sobre as coisas não ditas e também sobre as coisas que se faz para tentar mudar a vida.

Não poderia haver um casal que combinasse menos!

Ele, Arthur Martin (Jacques Gamblin), filho de mãe judia, conservador, contido, desde cedo aprendeu a evitar as palavras, o confronto. 
Ela, Bahia Benmahmoud (Sara Forestier), é uma extrovertida filha de pai argelino, com uns incríveis olhos azuis, comprometida com os seus ideais políticos e, ao contrário de Arthur, não tem limites para conseguir o que quer, até mesmo usar os seus encantos físicos e sexuais para converter os homens às suas idéias.

À primeira vista é uma comédia romântica típica, onde os opostos se atraem.
Tem umas cenas improváveis, digamos, até bobas, mas o filme vai crescendo.
As pitadas de humor servem para conduzir com suavidade temas importantes como o holocausto, como o abuso infantil e as marcas que deixam.
E sobre a escolha de se aceitar a vida como ela é ou tentar transformá-la.

As figuras do passado se confrontam de uma maneira inteligente e bem humorada com as figuras do presente desse casal , ele, meio-judeu e ela, meio-muçulmana.
Linda a cena na praia, tanto pela fotografia quanto pelo gesto de Bahia, salvando os caranguejos e pela admiração que ela acaba por despertar em Arthur, com o seu desprendimento e espontaneidade.
Os Nomes do Amor é um filme sobre a intolerância que rege o mundo, sobre o preconceito, sobre os falsos rótulos que se colocam nas pessoas, gerando tanto sofrimento desnecessário.
É lindo também quando Bahia diz que os mestiços são o futuro da humanidade.

Prêmios: César de Melhor Atriz (Sara Forestier) e César de Melhor Roteiro.

IMDB: 7,2/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Le Nom des Gens
Outros títulos: The Names of Love
País: Bélgica
Ano: 2010
Direção: Michel Leclerc.
Roteiro: Baya Kasmi, Michel Leclerc.
Elenco: Sara Forestier, Jacques Gambli.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

CALLAS FOREVER



A maravilhosa Fanny Ardant interpreta aqui Maria Callas aos 53 anos, uma mulher deprimida e que vive do passado já que perdeu sua voz e também o grande amor de sua vida: Onassis.
Larry Kelly (Jeremy Irons), seu grande amigo e antigo produtor, vai tentar convencê-la que ela é para sempre uma grande artista e ele quer que ela interprete uma de suas grandes peças de novo. Com os novos recursos, Callas pode dublar ela mesma, dando oportunidade ao público jovem de conhecer o seu trabalho. Após muita insistência de Larry, Callas aceita interpretar Carmen e surpreende ao trocar todo o seu abatimento por uma grande energia.
É realmente encantador ver Fanny Ardant interpretando Maria Callas que interpreta Carmen.

Maria Kalogeropoulou, americana de origem grega, tornou-se Maria Callas e é considerada a maior celebridade da ópera do séc XX e a maior cantora de todos os tempos. Era saudada como La Divina. Morreu em Paris aos 53 anos.

Franco Zeffirelli herdou o amor por Shakespeare e pela ópera de uma tia que o criou. Mais tarde teve a oportunidade de trabalhar como assistente de Luchino Visconti, um dos maiores diretores de filmes, óperas e teatro do século, o que o impulsionou em suas escolhas artísticas, sempre salientadas com uma constante devoção aos clássicos e que ele constantemente transpôs ao cinema.

IMDB: 6,6/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Callas Forever
País: Itália
Ano: 2002
Direção: Franco Zeffirelli
Roteiro: Franco Zeffirelli e outros.


Elenco: Fanny Ardant, Jeremy Irons.


Maria Callas.





sexta-feira, 29 de junho de 2018

AMORES IMAGINÁRIOS



Não pude deixar de comparar o Nicolas (Niels Schneider) com o Tadzio, personagem do filme Morte em Veneza, de Luchino Visconti. Achei-os inclusive parecidos fisicamente, aquele jeito de anjo louro sedutor. Em Morte em Veneza, Gustav é um compositor austríaco que vai para Veneza, buscando repouso, porém não encontra a paz desejada porque desenvolve uma paixão doentia pelo jovem Tadzio, que incorpora o ideal de beleza que ele sempre imaginou.
Em Amores imaginários, Francis (Xavier Dolan) e Marie (Monia Chokri) são amigos inseparáveis e conhecem ao mesmo tempo Nicolas, que acaba de se mudar para Montreal. 
Nicolas passa a representar tudo o que eles imaginaram numa pessoa e eles ficam obsessivamente apaixonados por ele, ao ponto da disputa abalar a antiga amizade.
De uma certa forma, Nicolas alimenta a paixão dos dois, se mostrando sempre encantador e atencioso e deixando dúvidas sobre se é hétero ou homossexual.
O duelo entre os amigos é sugerido pela canção Bang bang quando eles se preparam para ir a um café para encontrarem Nicolas.
Francis e Marie estão sempre tentando se encontrar a sós com o objeto de desejo deles, mas Nicolas acaba sempre convidando os dois, formando-se assim um triângulo amoroso, que embora platônico, é coberto de emoções.

O que podemos dizer do tema do filme? Amores imaginários? Mas não serão todos os amores entre um casal imaginários? Na minha opinião, quando nos interessamos por alguém, vemos nessa pessoa as qualidades que procuramos para amá-la. Eu penso que amamos o amor, não a pessoa. Amamos o que imaginamos. A partir daí, também nos esforçaremos em ser ou fingir ser aquilo que vai agradar à pessoa amada. Porque não queremos decepcioná-la. Mais pra frente, os véus vão caindo e começa a desilusão.
O filme é entremeado de depoimentos de pessoas que sofreram ou estão sofrendo decepções amorosas.
Novamente a temática amor nos filmes do Dolan. 


IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Les Amours Imaginaires.
Outros nomes: Hearbeats
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Elenco: Xavier Dolan, Monia Chokri, Niels Schneider, participação especial no final de Louis Garrel..

EU MATEI MINHA MÃE



Nossa, dirigir um filme deve ser fácil demais. Não? Então como esse rapaz com apenas 19 anos conseguiu fazer essa beleza de trabalho já no seu primeiro longa?
Além da direção, Xavier é o produtor e ainda assina o roteiro, que escreveu aos 16 anos e é semi autobiográfico.
Ele também é o protagonista, Hubert Minel, um adolescente em conflito, por achar que odeia a mãe.

Chantale (Anne Dorval), como muitas mães que criam o filho sozinhas, precisa se dividir entre o trabalho que dá o sustento à família e os serviços de casa, além de dar atenção a Hubert.
Que além de tudo só sabe criticá-la ou então nem conversa com ela. Onde terá ido parar aquele menino com quem tinha tantas afinidades, com quem dividiu tantas coisas, tantos sonhos?

Hubert também sente falta daquela época, mas atualmente a mãe só o irrita, o constrange. Ele tem vontade de matá-la às vezes.

Uma história normal, mas é contada de uma maneira tão intensa, tão visceral. 
Me identifiquei diversas vezes com Chantale ao mesmo tempo que me coloquei no lugar de Hubert e entendi a raiva dele. O amor, principalmente o familiar, é complexo, porque envolve culpa. 
E no caso dos adolescentes, cada frustração, cada não recebido da mãe, é entendido como uma grande maldade, tudo vira um drama colossal.

A história de Hubert se complica porque ele é homossexual e a mãe do seu namorado Antonin (François Arnaud) é totalmente liberal, o que o faz inevitavelmente comparar a mãe com ela.

Não se preocupe com o título, "Eu matei minha mãe" não é literal, na verdade é uma declaração de amor entre mãe e filho.

Há muita coisa envolvida, Chantale tem medo de errar na disciplina com Hubert, ela também se ressente com ele, nem sempre tem paciência, talvez a vida a tenha endurecido, talvez não esteja sabendo mais demonstrar pra ele o quanto o ama.
Talvez nem soubesse mais o quanto o ama.
Tanto que quando ele revoltado lhe pergunta "Se eu morresse hoje, o que você faria?", ela para pra pensar e o ônibus vem e ele vai embora sem escutar a resposta dela: "Eu morreria amanhã".

A história é simples, mas é contada com grande eloquência, é um filme intimista e envolvente. Eu diria ainda genial!



IMDB: 7,5/ 10
Minha nota: 3,9 / 5

Ficha técnica:
Nome original: J'ai Tué Ma Mère
Outros nomes: I Killed My Mother
País: Canadá
Ano: 2009
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Elenco: Xavier Dolan, Anne Dorval.


quinta-feira, 28 de junho de 2018

SIMPLESMENTE MARTHA



Bella Martha, nome original do filme da diretora Sandra Nettelbeck, é uma produção alemã, lançada em 2001, que conta a história de Martha Klein, a obstinada e perfeccionista chef de cozinha de um refinado restaurante de Hamburgo.
Prepare seus sentidos. A fotografia inspirada de Michael Berthl nos coloca no clima de uma cozinha de primeira linha, com os ingredientes sendo cortados e preparados com enorme capricho. Dá quase para sentir o cheirinho das deliciosas iguarias preparadas por Martha e por seus auxiliares.
"Não se pode pensar direito, amar direito, dormir direito, se não se jantar direito", observou uma vez a escritora Virginia Woolf.
Ao longo do filme, a relação entre saborear a vida e os alimentos vai se tornando cada vez mais clara. Martha se agarra no concreto das receitas, no sensorial dos gostos e cheiros, da limpeza e ordem externa. Quem sabe se para não olhar para sua vida pessoal, que é sem graça e solitária. Séria e compenetrada, ela cobra de sua equipe a mesma dedicação e, consciente do seu trabalho, não admite nenhuma crítica por parte dos clientes. O que causa alguns problemas para a dona do restaurante, que faz um acordo com ela: se ela quiser manter o emprego, tem que concordar em fazer terapia.
Mas Martha não se desliga de suas receitas e combinações nem durante suas sessões com o terapeuta:
"As trufas são perfeitas com qualquer prato com pombo, pois o delicado sabor da ave…"
Ele lhe pergunta o que a levou lá, ela responde que foi sua patroa que mandou. "E por quê ela te mandou fazer terapia?", pergunta ele. "Não faço a menor ideia", responde ela. A nossa Chef acaba ensinando receitas para ele. Ao provar um doce que ele fez, ela diz que está diferente e lhe explica que ela fica atenta ao ingrediente que ele não usou. O que seria uma boa dica para esse terapeuta, não é? Que tal ele prestar mais atenção ao que ela não fala?
Quando um acidente leva sua irmã, Martha se vê com a difícil tarefa de cuidar de sua sobrinha de oito anos. Não vai ser nada fácil, porque além dela ser totalmente envolvida com o trabalho, ela não sabe lidar com Lina. A única coisa que ela sabe fazer é cozinhar e a sobrinha se recusa a comer.
A entrada de Mario (Sergio Castellito) na história e na cozinha de Martha, já que a dona do restaurante está preocupada com o andamento das coisas vai trazer desconfiança por parte de Martha e descontração para a equipe. O Sou Chef é um extrovertido cozinheiro italiano, que coloca músicas e faz todo mundo dançar.
O filme consegue dosar drama e comédia na medida certa e é obrigatório para os amantes de "food movies". Está bem que é meio clichê, mas isso não tira o seu "sabor". Conquistou 14 prêmios e outras cinco nomeações e teve um remake americano, o filme Sem Reservas, com Catherina Zeta-Jones e Aaron Eckart.
IMDB: 7,3/ 10
Minha nota: 3,5/ 5.

Ficha técnica:
Nome original: Bella Martha.
Outros nomes: Mostly Martha.
País: Alemanha/ Itália.
Ano: 2001
Direção: Sandra Nettelbeck
Roteiro: Sandra Nettelbeck, Bettina Helmi, Michael Berti,
Elenco: Martina Gedeck, Sergio Castellito, Maxine Foerste, Ulrich Thomsen, August Zirner, Diego Ribon. Participação de Sandra Nettelbeck.

Cena do filme Sem Reservas,
com Catherina Zeta-Jones e Aaron Eckart.

terça-feira, 12 de junho de 2018

CAMINHO PARA CASA



O filme fala sobre o choque cultural de um menino de sete anos (Sang Woo), criado na capital da Coreia do Sul, Seul, quando ele é levado pela mãe para um ambiente rural para passar um tempo com a avó. A mãe está desempregada e precisa ficar só para procurar alguma colocação. O local não é só simples, mas é de extrema pobreza. Além de não haver eletricidade, não há também água corrente, banheiro e nem móveis. E mesmo um precário comércio da região fica bem afastado. Sang Woo não teve nenhuma convivência com a avó, é a primeira vez que a vê, é como se fosse uma estranha, e além de tudo é muda. O menino é mimado e egoísta, está certo, mas vamos combinar que é muita mudança para uma criança.
A avó, pobrezinha, faz de tudo para agradar ao neto e se entristece por não conseguir. Sang Woo a trata mal, mas ela é o retrato do amor incondicional. Sua filha foi embora quando tinha dezessete anos e agora ela tem a oportunidade de ter sua família de volta e mesmo com toda a dificuldade para se comunicar, ela quer muito fazer o neto feliz.
Aos poucos, Sang Woo, privado das distrações da cidade, começa a valorizar as intenções de sua sacrificada avó e aprender um sentimento que não conhecia o verdadeiro significado: o agradecimento.
Com um estilo super realista, Jibeuro foi filmado em torno de Jeetongma, Província de Gyeongsang Norte, Coreia do Sul. Bem, para falar a verdade, não sei bem se foi tão realista, porque uma coisa que me incomodou foi que o longa conta a história de uma avó de setenta anos com seu neto de sete. Já por aí achei muita diferença de idade. A filha fugiu de casa com 17, o menino tem 7, que idade que essa avó teve a mãe de Sang Woo? Fora que ela não parece de jeito nenhum ter só setenta anos, parece que tem uns 120 anos! Será que foi maquiada para parecer mais velha? Mas para quê? No meu entender, ela deveria ser a bisavó do menino. Está certo que a vida carente e no campo envelhecem, mas achei demais. Fiz as contas aqui, a senhora que fez o papel de avó, Kim Eul-Boon tem hoje 92 anos. Se o filme é de 2002, ela tinha por volta de 76 anos na época.
Prêmios: Grand Bell Award (Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Ator Jovem). O Gram Bell Award é o equivalente sul-coreano ao Oscar.
A diretora sul coreana Lee Jeong-Hyang tem outros filmes no seu currículo: A Reason to Live (O-Neul), 2011 e Art Museum by The Zoo (Misulgwan yup dongmulwon), 1998.
A linda mensagem do filme é que amor gera amor.
IMDB: 7,8/ 10
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Jibeuro
Outros nomes: Jiburo, The Way Home.
País: Coreia do Sul
Ano: 2002
Direção: Lee Jeong-Hyang
Roteiro: Lee Jeong-Hyang
Elenco: Yoo Seung Ho, Kim Eul-Boon, Dong Hyo- Hee

sexta-feira, 8 de junho de 2018

UM LUGAR QUALQUER




"Quem é Johnny Marco?"

pergunta um jornalista a ele. 

Stephen Darff interpreta Johnny Marco, um bem sucedido ator de filmes de ação. Mas quem Johnny Marco interpreta? Ele sabe responder à pergunta do jornalista?

Marco vive no mundo ilusório das celebridades, pensa que tem tudo que precisa pra ser feliz, mulheres tantas e a hora que quer, mora no charmoso hotel Chateau Marmont, em Hollywood, bebe o tempo todo, passa os dias em festas ou dirigindo sua Ferrari.

Volta e meia o ator é incomodado com mensagens em seu celular enviadas por pessoa(s) não identificadas lhe perguntando "Por que você é assim?" , "Por que você é tão babaca?". É como se fosse sua própria consciência.

Sua rotina, ou sua falta de rotina, é interrompida pela chegada de sua filha Cleo (Elle Fanning), com quem ele não tinha um relacionamento regular. 

A diretora Sofia Coppola relembra com Cleo como é a vida de uma menina no mundo de adultos, como acontecia com ela em sua infância, quando acompanhava o pai.
Com uma direção sutil e delicada como sempre, além de competente, ela nos faz compartilhar com os personagens toda sua dor, suas angústias.

O quarto filme da diretora recebeu o Leão de ouro no Festival de Veneza.

A convivência com a filha, que também o acompanha à Italia, o faz reavaliar valores.
Johnny percebe que estava girando em círculos, sem chegar a lugar algum.
Relacionamentos líquidos não mais o satisfazem. 

Além disso, Sofia pretende nos mostrar que por trás de ser rico e famoso também existe a necessidade de ser amado como ser humano, não pelo fato de ser celebridade.

Mais que isso, Johnny Marco percebe que tinha perdido a capacidade de amar.

Quando a filha lhe diz que ele nunca estava por perto, é como se tivesse recebido um soco e acordasse.
Se torna necessário procurar um novo rumo... um lugar qualquer!



IMDB: 6,3/ 10
Nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Somewhere
País: EUA
Ano: 2010
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Stephen Dorff, Elle Fanning.

ENCONTROS E DESENCONTROS



Segundo filme da carreira da diretora que também é responsável pelo roteiro.
O filme, só pelas interpretações maravilhosas, já merece ser visto. Bill Murray está magnífico no papel de Bob Harris, um ator de meia idade que se encontra em Tóquio para gravar um comercial de whisky. É o que resta para um ator que não é mais chamado para fazer filmes e nem peças de teatro. Também em casa, após 25 anos de casado, a família não parece precisar muito dele.

Scarlett também está ótima no papel de Charlotte, uma americana que  se encontra na cidade, aliás, no mesmo hotel que Bob, acompanhando o seu marido, um fotógrafo, que também parece ter mais tempo para o trabalho do que pra ela.

Dos desencontros da vida, nasce um encontro entre os dois, apesar da grande diferença de idade, e que se tornará uma grande amizade.

Tóquio é mostrada no filme de uma maneira panorâmica, pelos olhos dos dois protagonistas, de um modo a caracterizar a grande distância que há entre eles e aquela cidade de língua e costumes tão diferentes. E também a solidão deles. Percebemos que o problema não é por eles estarem perdidos naquela cidade enorme. Eles estão perdidos nas suas próprias vidas, sem entenderem bem quais os papeis estão protagonizando.
É um encontro de almas esse de Bob e Charlotte, 

E ouso dizer que também me encontrei nesse filme. É um dos meus favoritos, não só entre os filmes da Sofia, mas entre todos os outros também.

O filme foi indicado ao Oscar 2004 como Melhor Filme e Melhor Direção e Melhor Ator e venceu na categoria Melhor Roteiro Original e recebeu várias outras indicações e prêmios. Um filme que prova que não é preciso um investimento milionário e nem grandes estrelismos para se tornar uma grande obra. Apenas o olhar competente de uma diretora em escolher a história certa e os atores certos para interpretá-la.

A trilha sonora, para variar, porque Sofia tem muito bom gosto, foi muito bem escolhida, uma das melhores que tenho visto, composta em sua maior parte de música pop francesa, shoegaze e música eletrônica ambiente, e em grande parte do filme falavam pelos personagens.

As cenas de karaokê que caracterizam Tóquio daquela época são muito legais também.

O que eu posso dizer mais? Que gostei de tudo desse filme.

Recomendadíssimo!

IMDB: 7,8/ 10
Minha nota: 4,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Lost in Translation
País: EUA
Ano: 2003
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Bill Murray, Scarlett Johannson.

MARIA ANTONIETA



Com Kirsten Dunst como Marie Antoinette no original, pela segunda vez a atriz em um filme dirigido por Sofia.

Maria Antonieta foi uma princesa austríaca que se casou com o príncipe Luiz XVI, no filme interpretado por Jason Schwartzman, como parte de um acordo entre países. 

Sofia Coppola se aprofundou na biografia de Maria Antonieta através da historiadora francesa Evelyne Lever, que trabalhou como consultora técnica do filme, de forma a evitar erros sobre sua história.
O governo francês concedeu à equipe de filmagens uma permissão especial para que rodasse cenas no Palácio de Versailles.

Maria Antonieta passou para a história como uma mulher fútil, frívola, organizadora de bailes e orgias, despreparada para reinar, gastadeira e responsável pela crise econômica que abalou a França às vésperas da Queda da Bastilha.

Sofia Coppola, mesmo criticada por muitos historiadores, procurou passar uma imagem mais humana da controvertida rainha, que afinal era apenas uma adolescente de 14 anos quando se casou, tendo que assumir responsabilidades e sofrer pressões para as quais não tinha maturidade suficiente.
O requinte da corte de Versalhes fascinou e ao mesmo tempo assustou a jovem austríaca. Maria Antonieta sofreu para se enquadrar nas rígidas regras e etiquetas do palácio, onde a vida privada da esposa do herdeiro do trono era tratada como um assunto de Estado. Essa crise, da passagem da adolescência à vida adulta da jovem que se tornou rainha da França aos 19 anos, é o grande mote do filme de Coppola. Com belo figurino e rica reconstituição de época, a trama se desenvolve em torno dessa garota, amante da música, do teatro, dos jogos e bailes, que fazia de tudo para afastar o tédio e a solidão que a assolavam na pomposa corte.


IMDB: 6,4/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Marie Antoinette
País: EUA
Ano: 2006
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, ason Schwartzman

quarta-feira, 6 de junho de 2018

LEONERA



O filme começa com Julia (Martina Gusman) acordando toda machucada e ensanguentada em um apartamento revirado.
Ela toma banho e vai para o seu trabalho. Não tenho certeza mas acho que era um pedacinho de sangue coagulado que cai de seu cabelo e que começa a despertar lembranças nela. No caminho de volta, começa a perceber com horror os hematomas no seu pescoço.
A sensação de pânico chega ao clímax ao voltar ao apartamento e perceber que tem dois homens caídos e muito sangue por tudo quanto é lado.


Julia liga para alguém apavorada relatando os acontecimentos enquanto a polícia arromba a porta.
Um dos homens está morto: Nahuel. O outro, Ramiro, interpretado por Rodrigo Santoro, ainda tem vida e é levado para o hospital enquanto Julia é presa e enviada a uma penitenciária.



Chegando lá, como está grávida, é encaminhada para uma ala específica para mães e grávidas.
Lá, as celas individuais não são trancadas, há uma área em comum e os filhos ficam com as mães até os 4 anos de idade.
Por isso o nome do filme - Leoneras - que, em espanhol significa o lugar onde se mantem os leões, no caso as leoas, as mães leoas.



Este é o 2º filme em que o diretor Pablo Trapero e a atriz Martina Gusman, que é a esposa dele na vida real, trabalham juntos. O anterior foi Nascido e Criado (2006).
Leonera foi rodado em uma verdadeira prisão e muitos figurantes eram detentos do local.
Walter Salles é um dos co-produtores deste Leonera.



A princípio, Julia rejeita o filho, quando ele nasce também se mostra totalmente despreparada para cuidar dele.
Mas, ajudada por Marta (Laura Garcia), aos poucos começa a se adaptar e, muito mais que isso, o pequeno Tomás se torna a fonte de transformação e sustentação para Julia, que se torna uma mãe forte e corajosa, capaz de tudo para ter o filho com ela.



Rodrigo Santoro faz o principal papel masculino do filme argentino, mas não é um papel de destaque. O filme é sobre mulheres e sobre o presídio feminino.
Depois que sai do hospital, ele também é preso, ele e Julia são suspeitos da morte de Nahuel.
Qual a relação dos três? Por que Julia estava ferida? Qual dos dois matou Nahuel? Por que motivo? Nem Julia e nem Ramiro se lembram de nada. Por que não lembram? Tomás é filho de quem?



Se você está interessado nessas respostas, não veja Leonera.



O filme não é sobre o crime, é sobre Julia, é tão real que é quase como se víssemos o mundo através dela. É a jornada de uma mulher frágil, confusa, que passou a ver sentido na vida e se transformou numa leoa para ficar com o filho.



Leonera foi muito elogiado pela crítica. Participou da mostra competitiva de Cannes, foi o representante da Argentina para a indicação do Oscar de melhor filme estrangeiro.
Recebeu o Prêmio Ariel de Melhor Filme Ibero-Americano.



Esqueci de falar que o filme me lembrou um pouco O quarto de Jack, o Tomás nascido e criado naquele ambiente claustrofóbico, a sobrevivência da mãe dependendo do amor que ela tinha por ele. A questão levantada se ela seria mais mãe se tivesse aberto mão dele. Sendo que aqui a visão é a da mãe e não a do filho, como em Room.



IMDB: 7,1/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Leonera
Outros nomes: Lion's Den
País: Argentina 
Ano:2008 
Direção: Pablo Trapero.
Roteiro: Alejandro Fadel, Martin Mauregui, Santiago Mitre, Pablo Trapero.
Elenco: Martina Gusman, Rodrigo Santoro,