Cinéfilos Eternos: Coréia do Sul
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terça-feira, 12 de junho de 2018

CAMINHO PARA CASA



O filme fala sobre o choque cultural de um menino de sete anos (Sang Woo), criado na capital da Coreia do Sul, Seul, quando ele é levado pela mãe para um ambiente rural para passar um tempo com a avó. A mãe está desempregada e precisa ficar só para procurar alguma colocação. O local não é só simples, mas é de extrema pobreza. Além de não haver eletricidade, não há também água corrente, banheiro e nem móveis. E mesmo um precário comércio da região fica bem afastado. Sang Woo não teve nenhuma convivência com a avó, é a primeira vez que a vê, é como se fosse uma estranha, e além de tudo é muda. O menino é mimado e egoísta, está certo, mas vamos combinar que é muita mudança para uma criança.
A avó, pobrezinha, faz de tudo para agradar ao neto e se entristece por não conseguir. Sang Woo a trata mal, mas ela é o retrato do amor incondicional. Sua filha foi embora quando tinha dezessete anos e agora ela tem a oportunidade de ter sua família de volta e mesmo com toda a dificuldade para se comunicar, ela quer muito fazer o neto feliz.
Aos poucos, Sang Woo, privado das distrações da cidade, começa a valorizar as intenções de sua sacrificada avó e aprender um sentimento que não conhecia o verdadeiro significado: o agradecimento.
Com um estilo super realista, Jibeuro foi filmado em torno de Jeetongma, Província de Gyeongsang Norte, Coreia do Sul. Bem, para falar a verdade, não sei bem se foi tão realista, porque uma coisa que me incomodou foi que o longa conta a história de uma avó de setenta anos com seu neto de sete. Já por aí achei muita diferença de idade. A filha fugiu de casa com 17, o menino tem 7, que idade que essa avó teve a mãe de Sang Woo? Fora que ela não parece de jeito nenhum ter só setenta anos, parece que tem uns 120 anos! Será que foi maquiada para parecer mais velha? Mas para quê? No meu entender, ela deveria ser a bisavó do menino. Está certo que a vida carente e no campo envelhecem, mas achei demais. Fiz as contas aqui, a senhora que fez o papel de avó, Kim Eul-Boon tem hoje 92 anos. Se o filme é de 2002, ela tinha por volta de 76 anos na época.
Prêmios: Grand Bell Award (Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Ator Jovem). O Gram Bell Award é o equivalente sul-coreano ao Oscar.
A diretora sul coreana Lee Jeong-Hyang tem outros filmes no seu currículo: A Reason to Live (O-Neul), 2011 e Art Museum by The Zoo (Misulgwan yup dongmulwon), 1998.
A linda mensagem do filme é que amor gera amor.
IMDB: 7,8/ 10
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Jibeuro
Outros nomes: Jiburo, The Way Home.
País: Coreia do Sul
Ano: 2002
Direção: Lee Jeong-Hyang
Roteiro: Lee Jeong-Hyang
Elenco: Yoo Seung Ho, Kim Eul-Boon, Dong Hyo- Hee

domingo, 3 de junho de 2018

A GOOD RAIN KNOWS



O filme, mais que a história de Dong Ha e May, é uma viagem ao passado da China, mais especificamente à província de Sichuan, cuja capital é Chengdu. É lá que se encontra um parque de bambus, parte do que ficou das florestas de bambu da China onde vivem também os pandas que restaram. É a floresta que fornece o alimento desses animais, que são o símbolo da luta mundial pela preservação das espécies. Até que a nova floresta de bambus renasça novamente dos restos da antiga, os pandas, cerca de mil somente, vão enfrentar muitas dificuldades para sobreviver. E foi lá em Sichuan que houve também um grande terremoto em 2008, onde morreram mais de 85 mil pessoas.
É nesse parque de bambus que trabalha May como guia turístico e é lá igualmente que podemos conhecer o chalé, reconstruído em 1811 do famoso poeta chinês Du Fu, considerado, ao lado de Li Bai, o maior poeta chinês. Du Fu deixou 1.400 poemas, um dos maiores tesouros da poesia chinesa e continua, há muitos séculos, a ser lido e estudado por centenas de milhões de chineses. O seu legado faz parte da herança cultural dos povos do mundo.
Sua cabana ao lado do Rio das Cem Flores é cercada por pessegueiros, que ele apreciava muito e ele fez inúmeros poemas sobre os bambus. É dele o poema "Chuva boa numa noite de primavera", que dá nome ao filme.

Dong Ha vai para China a trabalho mas a lembrança de sua amiga da faculdade nos Estados Unidos, por quem ele esteve apaixonado, o atrai também. May o reconhece e parece ficar feliz ao vê-lo mas é bem reticente quanto à sua vida e parece surpresa quando Dong Ha lhe lembra alguns episódios do relacionamento deles.
O filme é bem delicado, assim como o tratamento que Dong Ha dá a May, se declarando aos poucos, tentando a aproximação, mas também lhe dando espaço. A trilha sonora é simplesmente encantadora e só pela cena onde as pessoas dançam na rua já vale à pena ver o filme.
O romance de Dong Ha e May é permeado pela poesia de Du Fu, tem uma cena em que eles pegam uma chuva, a chuva boa que vem abençoá-los, a chuva boa numa noite de primavera.
Tem uma passagem que ela pergunta pra ele:

"As flores florescem porque a primavera chega ou a primavera chega quando as flores florescem?"
Mas May tem um segredo, algo em sua vida que a impede de se entregar. Algo que impede as flores da primavera se abrirem em seu coração.

Deixo aqui o link da trilha sonora, composta por Jae-Jin Lee, muito linda!


IMDB: 6,5- 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Ho Woo Shi Jul (Howoosijeol)
Outros nomes: Season of Good Rain, 호우시절 
País: China/ Coréia do Sul
Ano:  2009
Direção: Jin-ho Hur.

Roteiro: Han-yeol Lee, Jin-ho Hur

Elenco: Jung Woo-sung. Yuanyuan Gao, Kim Sang Ho.

A CRIADA



Só vendo o filme para entender tanto alvoroço em torno dele. 
O filme mescla fotografias de tirar o fôlego com atrizes de beleza estontante, figurinos e cenários espetaculares, além de um roteiro que surpreende o tempo todo, tudo isso aliado a um erotismo como há muito tempo eu não via. Cenas de sexo explicitas mas misturadas com uma delicadeza sem igual.

A história de Hideko, uma jovem herdeira nipônica, promete com certeza te emocionar e te surpreender. Orfã, a mãe morreu logo depois que ela nasceu, foi criada pelos tios, mas a tia se suicidou e o tio pretende casar com ela por causa de sua fortuna.
É nesse contexto que entra em cena "a criada", uma jovem contratada para trabalhar direto com ela, mas que (coitada da Hideko) também não tem boas intenções, porque na verdade está ali para convencê-la a se apaixonar pelo Conde Fujiwara e fugir com ele, escapando assim do tio, só que o conde é outro vigarista que só quer seu dinheiro também.

O que o diretor da Trilogia da Vingança (Senhor Vingança, Oldboy, Lady Vingança) pretende na verdade com essa obra onde não sabemos quem manipula quem? Talvez nos manipular também?

Vencedor do Prêmio do Público de melhor filme internacional na 40ª Mostra de SP, The Handmaiden é um filme sobre a arte das simulações. Estreou no Festival de Cannes 2016, onde foi muito bem recebido pela crítica e chegou a receber um prémio de Melhor Direção Artística. 
Baseado no livro “Fingersmith”, um suspense e romance de Sarah Waters.

IMDB: 8,1 - 10
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Ah-ga-ssi
Outros nomes: The Handmaiden
País: Coréia do Sul
Ano: 2016
Direção: Park Chan-wook
Roteiro: Park Chan-wook, Sarah Waters
Com: Kim Min Hee, Kim Tae-ri, Jung-woo Ha.


quarta-feira, 16 de maio de 2018

A REDE



O paralelo 38 é uma linha imaginária que marca a divisão entre os territórios comunistas e capitalistas da Coreia: Coreia do Norte e Coreia do Sul. Apesar de os dois países terem uma história e cultura comuns e da assinatura do Tratado de Pan-munjom, eles são, hoje, inimigos em constante ameaça de conflito.
Chul-Woo é norte-coreano. Casado e com uma filha pequena, ele é pescador e leva uma vida simples, mas feliz. Levava, na verdade, até a manhã que sua rede se enroscou no motor do seu barco e ele não conseguiu voltar. Acaba passando a tal linha proibida e pego por guardas da fronteira da Coreia do Sul. Tudo que Chul-Woo, interpretado magistralmente por Seung-beom Ryu, deseja é consertar seu motor e poder voltar para sua família. Mas o serviço secreto o toma por um espião e tem início a visão do inferno na sua vida, com ameaças e torturas. Se ele não é um espião, o sistema pode salvá-lo do regime de onde ele vive, promessas de um emprego, de uma casa e de todas as regalias que o capitalismo pode lhe oferecer. Jin-Woo, um agente secreto encarregado de proteger a integridade física do suposto espião acredita nele, mas não tem o poder de mandá-lo de volta.
Após a separação, enquanto a Coreia do Sul modernizou sua indústria e virou um dos principais países exportadores da Ásia, a Coreia do Norte manteve o sistema comunista de governo, com rígido controle sobre os meios da produção.
A rede de desconfiança é jogada sobre Chul-Woo, querem que ele confesse ser o que não é. E agora como voltar para a sua terra, mesmo que deixem? Porque também o outro lado talvez não acredite na sua lealdade.
O filme mostra os dois lados da Coreia, sem tomar partido. Quando o pescador conhece uma prostituta sendo maltratada na rua , ele pergunta a Jin-Woo: "se aqui tem oportunidade para todos, porque ela está passando por isso? Eu a ouvi falando com a família dela, ela é uma pessoa boa". O protetor dele responde: "Quando a luz é boa, a sombra cresce mais. A liberdade não é garantia de felicidade." Chul-Woo não tinha muita coisa, mas não sentia falta de nada. A busca incessante por maiores remunerações, incentivando o competitivismo e o consumo desenfreado seria realmente a garantia de uma vida melhor?
Por outro lado, o direito de migrar deveria ser respeitado, cada um deveria poder sair e morar onde quisesse.
A paz não é alcançada por causa da ignorância e ganância de alguns. E um povo inteiro sofre.
"Quando o peixe é pego na rede, a vida acaba para ele". Chul-Woo sabia disso, como pescador. E agora ele tinha caído na rede, será que ele conseguirá sair com vida?
Reflexivo, tocante, doloroso, como a maioria dos filmes de Kim Ki-duk. O diretor coloca sempre em seus filmes assuntos da atualidade.
IMDB: 7,3/ 10
Minha nota: 4,2/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Geumul
Outros nomes: Ag, The Net.
País: Coreia do Sul
Ano: 2016
Direção: Kim Ki-duk
Elenco: Lee Won Geum, Seung-beom Ryu,