Cinéfilos Eternos: História
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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A PRINCESA DE MONTPENSIER




Filho do escritor e resistente nascido em Lyon, René Tavernier ( autor de escritos clandestinos sobre grandes escritores, como Aragon), Bertrand Tavernier começou sua carreira cinematográfica como assistente de Jean-Pierre Melville, realizando em seguida pequenos documentários, antes de ser encarregado das relações com a imprensa e começar seu trabalho de historiador do cinema. Essas atividades influenciaram profundamente o seu estilo. O diretor francês conta uma história de amor tendo como pano de fundo as guerras entre católicos e protestantes durante o período da Reforma do século XVI.
O filme baseia-se no romance de Madame de La Fayette. A primeira edição de La Princesse de Montpensier foi publicada anonimamente em 1662. Essa obra precede o grande best seller do século XVII escrito por Madame de La Fayette, La Princesse de Clèves, publicado em 1678. Desde que foi publicado, A princesa de Clèves jamais deixou o foco da polêmica.
Ocorrendo durante as guerras religiosas do século anterior, A Princesa de Montpensier é a história dos amores entrelaçados. Antes Marie de Mézières, bela jovem filha de um aristocrata local , a princesa se vê às voltas com um marido arranjado, o Príncipe Philippe de Montpensier, que não lhe dá muita atenção e com o Duque de Guise, um amante não muito confiável. Lutando contra seus próprios desejos para resignar-se e submeter-se ao marido, como devia uma mulher de sua época, Marie acaba despertando a paixão de outros dois homens igualmente próximos ao herdeiro de Charles IX: seu tutor e conselheiro, o Conde de Chabannes, e o também nobre Duque de Anjou, futuro Rei Henri III.
Marie vai assim tornar-se o objeto dessas paixões rivais e arrebatadas. Chabannes talvez seja o único que a conhece de verdade, já que passava muitas horas com ela, na ausência do seu marido, que o instruiu a lhe ensinar poesia e arte. Marie era viva, interessada, queria sempre ir além. Tinha capacidade argumentativa, contestava.
Conde de Chabannes: "A fé dá substância à nossa esperança e nos faz conhecer certas realidades que não podemos ver." (São Paulo, em Hebreus)
Marie de Montpensier: O mesmo poderia ser dito sobre o amor.

Porque para a princesa, o amor era muito importante. Tanto que em uma certa parte do filme ela, infeliz, diz para si própria que se o Conde de Chabannes desistiu da guerra, ela também ia desistir do amor. Quero dizer, ela colocou a satisfação dos seus sentimentos no mesmo patamar que o da guerra. Porque para ela não importava morrer se era para viver sem amor.
Acredito que o conde era o que mais a amava. Apaixonado pela princesa que não se importa com ele, ele perde-se em nome de um ideal ultrapassado. O amor, exaltado em qualquer outro lugar, aqui é descrito como um veneno que revela a hipocrisia social e conduz à tragédia: “aquele que está apaixonado é muito fraco”. E devemos ressaltar o caráter não apenas ingênuo e desprovido de culpa da princesa, porque ela de uma certa maneira é cruel com o conde, colocando-o em situações constrangedoras.
Tavernier optou por uma fotografia que faz o filme parecer pinturas da época, os costumes também foram retratados, inclusive a primeira noite de núpcias do casal sob o olhar atento da família à espera da mancha de sangue no lençol para provar que a moça era, de fato, uma virgem.O figurino de Caroline de Vivaise é impecável!.
Mas o destaque do filme fica mesmo com a atriz Mélanie Thierry, vencedora do Prêmio César de Melhor Atriz Revelação por seu papel em Um Novo Caminho (Le Dernier pour la Route). Com seus lindos olhos azuis e transparentes e os fartos seios, a ex-modelo hipnotiza não só os quatro nobres cavalheiros do filme.
Marie de Montpensier não existiu, é apenas a personagem de um romance. Talvez inspirada na Duquesa de Roquelaure, a Marie de Bourbon. Os outros personagens sim, fazem parte da história francesa, não precisamente nessa ordem. A repressão aos huguenotes, nome dado aos protestantes franceses pelos católicos e os reis eram católicos, culminou na famosa e trágica Noite de São Bartolomeu, um verdadeiro massacre dos protestantes, que aconteceu entre 23 e 24 de agosto de 1572, em Paris, no dia de São Bartolomeu.
Portanto, a linha entre a realidade e a ficção é secundária aqui. Devemos nos prender no conceito de que a personagem principal não é uma pessoa que existiu, mas que poderia ter existido. Uma síntese de possíveis tipos de pessoas que existiram e possíveis tipos de destinos - uma biografia do possível!
"A felicidade é uma perspectiva pouco provável na aventura da dura vida, para uma alma tão orgulhosa como a sua."
Marie é ao mesmo tempo vítima, amante, amada, carrasco, ... ela é a fêmea que sofre, sua grande beleza, realçada pelas suas maneiras, conquistaram muitos homens. Ela é aquela que provocou muito amor, mas sem jamais tê-lo vivido plenamente.

IMDB: 6,5/ 10
Filmow: 2,9/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Princesse de Montpensier.
País: França.
Ano: 2011
Direção: Bertrand Tavernier.
Roteiro: Bertrand Tavernier, François-Olivier Rousseau, Jean Cosmos.
Elenco: Mélanie Thierry, Gaspard Ulliel, Lambert Wilson, Grégoire Leprince-Ringuet, Raphael Personnaz







A primeira edição do romance foi publicada
anonimamente em 1662.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

MARIA ANTONIETA



Com Kirsten Dunst como Marie Antoinette no original, pela segunda vez a atriz em um filme dirigido por Sofia.

Maria Antonieta foi uma princesa austríaca que se casou com o príncipe Luiz XVI, no filme interpretado por Jason Schwartzman, como parte de um acordo entre países. 

Sofia Coppola se aprofundou na biografia de Maria Antonieta através da historiadora francesa Evelyne Lever, que trabalhou como consultora técnica do filme, de forma a evitar erros sobre sua história.
O governo francês concedeu à equipe de filmagens uma permissão especial para que rodasse cenas no Palácio de Versailles.

Maria Antonieta passou para a história como uma mulher fútil, frívola, organizadora de bailes e orgias, despreparada para reinar, gastadeira e responsável pela crise econômica que abalou a França às vésperas da Queda da Bastilha.

Sofia Coppola, mesmo criticada por muitos historiadores, procurou passar uma imagem mais humana da controvertida rainha, que afinal era apenas uma adolescente de 14 anos quando se casou, tendo que assumir responsabilidades e sofrer pressões para as quais não tinha maturidade suficiente.
O requinte da corte de Versalhes fascinou e ao mesmo tempo assustou a jovem austríaca. Maria Antonieta sofreu para se enquadrar nas rígidas regras e etiquetas do palácio, onde a vida privada da esposa do herdeiro do trono era tratada como um assunto de Estado. Essa crise, da passagem da adolescência à vida adulta da jovem que se tornou rainha da França aos 19 anos, é o grande mote do filme de Coppola. Com belo figurino e rica reconstituição de época, a trama se desenvolve em torno dessa garota, amante da música, do teatro, dos jogos e bailes, que fazia de tudo para afastar o tédio e a solidão que a assolavam na pomposa corte.


IMDB: 6,4/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Marie Antoinette
País: EUA
Ano: 2006
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, ason Schwartzman

domingo, 3 de junho de 2018

A GOOD RAIN KNOWS



O filme, mais que a história de Dong Ha e May, é uma viagem ao passado da China, mais especificamente à província de Sichuan, cuja capital é Chengdu. É lá que se encontra um parque de bambus, parte do que ficou das florestas de bambu da China onde vivem também os pandas que restaram. É a floresta que fornece o alimento desses animais, que são o símbolo da luta mundial pela preservação das espécies. Até que a nova floresta de bambus renasça novamente dos restos da antiga, os pandas, cerca de mil somente, vão enfrentar muitas dificuldades para sobreviver. E foi lá em Sichuan que houve também um grande terremoto em 2008, onde morreram mais de 85 mil pessoas.
É nesse parque de bambus que trabalha May como guia turístico e é lá igualmente que podemos conhecer o chalé, reconstruído em 1811 do famoso poeta chinês Du Fu, considerado, ao lado de Li Bai, o maior poeta chinês. Du Fu deixou 1.400 poemas, um dos maiores tesouros da poesia chinesa e continua, há muitos séculos, a ser lido e estudado por centenas de milhões de chineses. O seu legado faz parte da herança cultural dos povos do mundo.
Sua cabana ao lado do Rio das Cem Flores é cercada por pessegueiros, que ele apreciava muito e ele fez inúmeros poemas sobre os bambus. É dele o poema "Chuva boa numa noite de primavera", que dá nome ao filme.

Dong Ha vai para China a trabalho mas a lembrança de sua amiga da faculdade nos Estados Unidos, por quem ele esteve apaixonado, o atrai também. May o reconhece e parece ficar feliz ao vê-lo mas é bem reticente quanto à sua vida e parece surpresa quando Dong Ha lhe lembra alguns episódios do relacionamento deles.
O filme é bem delicado, assim como o tratamento que Dong Ha dá a May, se declarando aos poucos, tentando a aproximação, mas também lhe dando espaço. A trilha sonora é simplesmente encantadora e só pela cena onde as pessoas dançam na rua já vale à pena ver o filme.
O romance de Dong Ha e May é permeado pela poesia de Du Fu, tem uma cena em que eles pegam uma chuva, a chuva boa que vem abençoá-los, a chuva boa numa noite de primavera.
Tem uma passagem que ela pergunta pra ele:

"As flores florescem porque a primavera chega ou a primavera chega quando as flores florescem?"
Mas May tem um segredo, algo em sua vida que a impede de se entregar. Algo que impede as flores da primavera se abrirem em seu coração.

Deixo aqui o link da trilha sonora, composta por Jae-Jin Lee, muito linda!


IMDB: 6,5- 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Ho Woo Shi Jul (Howoosijeol)
Outros nomes: Season of Good Rain, 호우시절 
País: China/ Coréia do Sul
Ano:  2009
Direção: Jin-ho Hur.

Roteiro: Han-yeol Lee, Jin-ho Hur

Elenco: Jung Woo-sung. Yuanyuan Gao, Kim Sang Ho.

SILÊNCIO



A história se passa no século XVII. O Padre Ferreira (Liam Neeson) vai para o Japão catequizar e nunca mais dá notícias. Há rumores que ele tornou-se um apóstata, isto é, que renunciou à sua fé.


Os padres jesuítas Rodrigues e Garupe resolvem ir procurá-lo. Eles o têm em grande conceito e custam a crer nessa história e se for verdade, pensam que é mais um motivo para encontrá-lo e salvarem sua alma.

Em um Japão de paisagens deslumbrantes e grandiosas, vamos presenciar quase o filme todo o sofrimento dos cristãos e ficamos na expectativa, assim como os dois jesuítas, de encontrarmos o Padre Ferreira.

Baseado na principal obra do escritor japonês Shusaku Endo, que por sua vez é baseada em fatos reais, o filme com um orçamento de quase 50 milhões de dólares tem quase três horas de duração, onde são questionadas profundamente a fé e a vida. O Padre Rodrigues é o personagem principal e é a expressão da luta interior. Como saber até onde deve ir sua missão ou até mesmo qual é ela de verdade?

Para ajudá-los a entender o seu papel, os atores, principalmente Andrew Garfield, trabalharam durante meses os chamados ‘Exercícios Espirituais’, uma prática de oração criada por Santo Inácio de Loiola, o fundador da Companhia de Jesus.

O filme, do grande diretor Martin Scorsese está concorrendo ao Oscar na categoria Melhor Fotografia e Andrew Garfield como Melhor Ator.

IMDB: 7,2- 10
Minha nota: 4/ 5



Ficha técnica:

Nome original: Silence
País:  EUA, Japão, outros
Ano: 2016
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Martin Scorsese, Jay Cocks, Shusaku Endo
Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Issei Ogata, Kubozuka Yosuke. E Liam Neeson.