Cinéfilos Eternos: Louis Garrel
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sexta-feira, 29 de junho de 2018

AMORES IMAGINÁRIOS



Não pude deixar de comparar o Nicolas (Niels Schneider) com o Tadzio, personagem do filme Morte em Veneza, de Luchino Visconti. Achei-os inclusive parecidos fisicamente, aquele jeito de anjo louro sedutor. Em Morte em Veneza, Gustav é um compositor austríaco que vai para Veneza, buscando repouso, porém não encontra a paz desejada porque desenvolve uma paixão doentia pelo jovem Tadzio, que incorpora o ideal de beleza que ele sempre imaginou.
Em Amores imaginários, Francis (Xavier Dolan) e Marie (Monia Chokri) são amigos inseparáveis e conhecem ao mesmo tempo Nicolas, que acaba de se mudar para Montreal. 
Nicolas passa a representar tudo o que eles imaginaram numa pessoa e eles ficam obsessivamente apaixonados por ele, ao ponto da disputa abalar a antiga amizade.
De uma certa forma, Nicolas alimenta a paixão dos dois, se mostrando sempre encantador e atencioso e deixando dúvidas sobre se é hétero ou homossexual.
O duelo entre os amigos é sugerido pela canção Bang bang quando eles se preparam para ir a um café para encontrarem Nicolas.
Francis e Marie estão sempre tentando se encontrar a sós com o objeto de desejo deles, mas Nicolas acaba sempre convidando os dois, formando-se assim um triângulo amoroso, que embora platônico, é coberto de emoções.

O que podemos dizer do tema do filme? Amores imaginários? Mas não serão todos os amores entre um casal imaginários? Na minha opinião, quando nos interessamos por alguém, vemos nessa pessoa as qualidades que procuramos para amá-la. Eu penso que amamos o amor, não a pessoa. Amamos o que imaginamos. A partir daí, também nos esforçaremos em ser ou fingir ser aquilo que vai agradar à pessoa amada. Porque não queremos decepcioná-la. Mais pra frente, os véus vão caindo e começa a desilusão.
O filme é entremeado de depoimentos de pessoas que sofreram ou estão sofrendo decepções amorosas.
Novamente a temática amor nos filmes do Dolan. 


IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Les Amours Imaginaires.
Outros nomes: Hearbeats
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Elenco: Xavier Dolan, Monia Chokri, Niels Schneider, participação especial no final de Louis Garrel..

segunda-feira, 21 de maio de 2018

O FORMIDÁVEL



Baseado nas memórias da atriz Anne Wiazemsky, que é interpretada lindamente pela atriz Stacy Martin. Anne foi casada com Godard por 12 anos, de 1967 a 1979. Eles se conheceram quando ela era ainda menor de idade, tinha apenas 17 anos e ele já estava com 37 anos. Em sua autobiografia, Anne, que faleceu em outubro do ano passado, conta a história do seu relacionamento amoroso com ele.
Em 1968, Jean-Luc Godard entrou, como denominou Anne, na sua "fase revolucionária". Eu diria que já um pouco antes, com o lançamento do seu filme A Chinesa, estrelado por Anne. A trama se passa em 1967 e aborda diversos temas importantes como o capitalismo, o maoísmo, o imperialismo, o liberalismo e o sistema escolar. Na época de seu lançamento, foi considerado um filme profundamente irrealista. Entretanto, visto em retrospecto, acabou antecipando os acontecimentos do ano seguinte, o famoso Maio de 68.quando a juventude francesa veio a protagonizar os conhecidos episódios de desobediência civil naquele país.
Jean-Luc Godard é reconhecido por um cinema vanguardista e polêmico, que tomou como temas e assumiu como forma, de maneira ágil, original e quase sempre provocadora, os dilemas e perplexidades do século XX.
Mas quem é o homem Jean-Luc Godard? Sua primeira mulher e musa, Anne conta no seu livro Un an aprés (Um ano depois) como foi sua relação com o cineasta. Hazanavicius leu o livro e viu que esse período da vida dele era muito interessante e intenso para um roteiro. "A história de um cara que mudou radicalmente. E a maneira como ele mudou é impressionante”, diz ele.
Louis Garrel representa o cineasta de forma inevitavelmente cômica, mostrando a rabugice e a pretensão desse diretor que é tachado, em igual medida, como genial e difícil. Realmente, Michel Hazanavicius faz um retrato nada simpático de Godard. Um dos nomes mais venerados do cinema francês é mostrado no filme como um um homem inseguro e arrogante. Garrel faz isso de forma excelente, ele que mesmo antes de interpretar o diretor já era famoso por imitá-lo. Perfeito para o papel! Para se entrar no mundo formidável de Godard, era preciso aceitar o pacote todo, como ele mesmo dizia. Criticado, vaiado muitas vezes, ele continuava a indagar: "E se sou eu que estou certo?"
Anne reconhecia as qualidades formidáveis dele e ia ficando, até que não aguentou mais e o largou. Até porque foi uma forma também de sair da sombra dele e conquistar sua independência.

Hazanavicius foi muito corajoso ao ousar (como acusado por muitos) a fazer um filme sobre um ícone da "Nouvelle Vague" . Mas o consegue e de uma forma deliciosa, inclusive utilizando-se de recursos da metalinguagem, para justificar questões relativas à arte cinematográfica em geral.
IMDB: 6,8/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Le Redoutable
Outros nomes: Godard, Mon Amour
País: França.
Ano: 2017
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius/ Anne Wiazemsky.
Elenco: Louis Garrel, Stacy Martin, Bérenice Bejo,


sábado, 19 de maio de 2018

OS SONHADORES



Bem, ousadia não foi certamente o que faltou ao filme, ainda mais para um diretor já polemizado por uma das cenas mais marcantes de sexo no cinema, do seu filme Último tango em Paris.
Este também se passa na Cidade Luz. Parece que Paris desperta a libido de nosso diretor.

Mesclando sexo, política e arte com maestria, Bertolucci consegue, ao mesmo tempo que oferecer cenas de puro erotismo, nos deliciar com uma homenagem ao cinema, tudo isso tendo como pano de fundo a situação política da França nos anos 60, a greve geral e as passeatas pedindo por mudanças sociais.


"É proibido proibir!", era o clamor de 1968.


Matthew (Michael Pitt) é um estudante americano e apaixonado por cinema e conhece os gêmeos Isabelle (Eva Green) e Théo (Louis Garrel),


Convidado a sair do hotel e se hospedar na casa deles, cujos pais vão viajar, Matthew passará por experiências com certeza inesquecíveis.


Logo de início ele perceberá que a relação entre os irmãos está longe de ser convencional. A simbiose entre eles é tão grande que, segundo o próprio Théo, eles são como gêmeos siameses.


Cenas de nudez sem pudor marcam todo o filme, muito embora Os sonhadores seja mais uma obra sobre o amadurecimento. O tempo todo vemos os três discutindo sobre política, cultura e comportamento. Chaplin ou Keaton?, debatem eles e o que percebemos aqui não é a preferência por um ou por outro, mas pelos princípios passados e aqui Bertolucci nos deixa a mensagem de como o Cinema pode ser um elemento de transformação.


Aliás, já li em algum lugar que qualquer trabalho, para ser considerado arte, tem que fazer refletir e mudar opiniões.


Embora Théo critique o modo de pensar do pai, ele mesmo não faz nada para mudar as coisas, enquanto os estudantes estão lá fora protestando, ele e Isabelle não assistem nem ao menos a televisão, com a desculpa de serem puristas.


Os irmãos sonhadores são duas pessoas que pensam que podem se refugiar da realidade vivendo suas fantasias e recriando a vida através das imagens que vêem nos cinemas.


Matthew é o elemento estranho que os vai fazer pensar sobre a necessidade deles de crescerem. É a praticidade americana versus a necessidade francesa de intelectualizar os acontecimentos.


Com uma linda fotografia e uma excelente trilha sonora, que homenageia as músicas da década.


IMDB: 7,2- 10
Minha nota: 4- 5

Ficha técnica:
Nome original: The Dreamers
País: Itália, França, outros
Ano: 2003
Direção: Bernardo Bertolucci.
Roteiro: Gilbert Altair
Elenco: Eva Green, Louis Garrel, Michael Pitt.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

OS FANTASMAS DE ISMAEL



O filme tem outro filme dentro, já que Ismael é cineasta. No filme que ele dirige e está escrevendo, Louis Garrel é o ator principal. Interpreta Ivan, irmão de Ismael, um de seus fantasmas, que talvez ele queira exorcizar com a história, Ou apenas contar do modo dele a história real. Da maneira que ele vê. Ou da maneira que ele quer que vejam. Da maneira que ele precisa que vejam!
Seu outro fantasma é sua ex-mulher, Carlotta (Marion Cotillard). Ela desapareceu depois de três anos de casamento e Ismael vive há mais de vinte anos um luto sem corpo. Ele e o pai de Carlotta, por quem adquiriu um grande afeto. Procura nele o conforto da ausência dela.
No decorrer do filme, veremos que há outros fantasmas assombrando, Ismael, os fantasmas de seu passado.
Finalmente Ismael conhece uma outra mulher e uma nova chance de amar. Ela é diferente das inúmeros casos sem importância que teve até agora. Sylvia (Charlotte Gaisnburg) é tímida, adora ler e ele adora implicar com os livros dela e os dois estão se dando muito bem. Até que Carlotta resolve voltar. Sim, Carlotta não morreu e resolve voltar para Ismael, sem a menor cerimônia. Para constrangimento de todos.
"Você pode viver sem ele. Mas eu não", diz Carlotta para Sylvia.
A primeira parte do filme é sensacional, instigante, queremos descobrir o que aconteceu com Carlotta, o porquê dela ter ido embora, o porquê dela voltar, os diálogos são maravilhosos. Assim como Ismael, ficamos divididos entre Carlotta e Sylvia.
Mas achei que Desplechin se estendeu demais na segunda parte e o filme ficou confuso, cansativo. O Ismael, "extremamente ridículo, extremamente violento, extremamente melodramático, extremamente sentimental, extremamente púdico…", nas próprias palavras do diretor, ficou parecido com outro personagem do Mathieu, de outro filme dele. O ator já fez vários filmes de Desplechin, não sei se ele teve a intenção de também correlacionar o personagem com o de um filme anterior. Ainda não captei! Ah, estou lendo aqui, que foi uma maneira de revisitar todos os personagens que fizeram juntos, Mathieu, dirigido por Arnaud. Interessante.
"Les Fantômes d'Ismael" tem pontos altos e baixos. Vale pela fotografia de Irina Lubtchansky, pelos diálogos da primeira parte, como já comentei, um elenco fabuloso, embora (aviso aos fãs) Garrel tenha pouca representação no filme, tem o belo e eloquente olhar da Cotillard, o talento da Gainsbourg, ... mas confesso que esperava mais.
O filme abriu a edição de 2017 do Festival de Cinema de Cannes.
O novo Desplechin teve recepção fria na abertura do
Festival de Cannes 2017
IMDB: 5,7/ 10
Pelo conjunto do filme, minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Les Fantomes d’Ismaël
País: França.
Ano: 2017
Direção: Arnaud Desplechin
Roteiro: Vincent Maraval.
Elenco: Mathieu Amalric, Charlotte Gainsburg, Marion Cotillard, Louis Garrel.