Cinéfilos Eternos: Eva Green
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quarta-feira, 18 de julho de 2018

SENTIDOS DO AMOR



Como acontece a interação humana? Respondemos e agimos em decorrência de ações da natureza ou de simples situações cotidianas? Já parou para pensar que, por mais simples que seja, cada ruído, gosto ou sombra de algo são extremamente importantes para nossa vida?
Cientificamente, nosso corpo é composto por cinco sentidos: olfato, paladar, audição, visão e tato. São essas cinco capacidades que nos permitem apreciar praticamente qualquer coisa que exista. Mas o que dizer dos sentimentos? Seriam eles algo acima desse aspecto? Pois nós não precisamos sentir o gosto, ouvir o som, apreciar o cheiro ou enxergar alguma luz para amar ou odiar algo. Apenas precisamos ''sentir''. Seria o amor também um sentido humano?
'Sentidos do Amor, tradução um tanto comercial (mas se encaixa bem) para Perfect Sense (Sentido Perfeito), é um filme que faz o mesmo questionamento.
Na trama, Michael (Ewan McGregor) é chef de um restaurante ao lado do prédio onde mora a epidemiologista Susan (Eva Green). O casal se conhece casualmente e, enquanto uma espécie de doença totalmente desconhecida começa a propagar-se, os dois sentem a necessidade de estarem juntos. 
Iniciando um romance mesmo com suas diferenças, eles passam juntos pelo primeiro sintoma da doença: são tomados por uma forte depressão, lembrando de pessoas que morreram, amizades que se perderam e conflitos não resolvidos. Terminando esse ciclo, eles perdem completamente o olfato. Há um desespero inicial, as pessoas não entendem o que se passa e os médicos não sabem o que fazer. Transmite-se pelo ar? É vírus? Uma bactéria?

Os dias passam e a vida segue. As pessoas habituam-se, essa é uma qualidade humana. Aos poucos, a sociedade volta ao normal. Aliás, pra que serve o olfato? Podemos viver sem isso...
É quando o próximo sintoma vem e as pessoas perdem mais um sentido que vemos a dúvida e o desespero florescerem nos semblantes do casal. O que será daqui pra frente? Até onde essa ''doença'' irá levar a espécie humana? A partir daí, qualquer outro detalhe que eu descrever aqui poderá estragar a experiência única de assistir ao filme. Para quem viu Ensaio sobre a Cegueira (2008), trama que parte de premissa parecida, prepare-se para ver algo um pouco semelhante, porém de um ponto de vista diferente. Em Sentidos do Amor, há momentos de incrível tensão e desespero, mas a mensagem é mais otimista e até bonita, para ser sincero.
Tenho certeza que depois de assistir ao filme, você se perguntará se o amor é ou não é um Sentido Perfeito.

Texto e avaliação: Marcos Poli
IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 
Nota (Marcos Poli): 10/10

Ficha técnica:
Nome original: Perfect Sense.
País: Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte.
Ano: 2011
Direção: David Mackenzie
Roteiro: Kim Fupz Aakeson
Elenco: Ewan McGregor e Eva Green

sábado, 2 de junho de 2018

BASEADO EM FATOS REAIS



Pode até ser que eu esteja sendo parcial, porque realmente Polanski é um dos diretores que mais me fascinam, mas achei as opiniões que li sobre o filme muito severas.. O problema de um diretor que faz obras-primas é que a expectativa é sempre muito alta. Puxa, eles podem fazer filmes excelentes e outros apenas bons. Faz parte.
Mas vou te falar que gostei de cada minutinho do filme. Primeiro que as duas atrizes, a Seigner, como a Delphine e a Green, como a Elle, estavam fantásticas. Fiquei com a respiração suspensa o tempo todo. O trabalho cuidadoso do Polanski, com cada pormenor, os penteados iguais, os detalhes em vermelho, mostrando a paixão, as lembranças latentes, os desejos, fogo, ira, e por aí vai... tudo acompanhado pelo fundo musical composto por Alexandre Desplat, perfeito! Mais uma vez, uma trilha sen-sa-cio-nal. Penso que Polanski soube também explorar bem o psicológico das duas personagens, criando uma tensão e um clima sufocante. E imprimindo sim o seu estilo.

O roteiro, que tem a assinatura de Olivier Assayas, leva à construção das personagens, em um crescente que vai nos envolvendo e absorvendo totalmente, e depois a desconstrução, no final. Nada demais, eu sei, é a fórmula de muito filme. Mas isso não tira o mérito.


Não li ainda a obra de Delphine de Vigan, em português A Partir de Uma História Real, de forma que não posso opinar se o filme fica muito aquém do livro, mas não vamos entrar nessa velha discussão. Filme é filme, livro é livro. Talvez a minha maior crítica seja essa: Polanski não ter trabalhado com um roteiro original. Está certo que lá pelo meio, o filme ficou previsível, mas nem por isso desinteressante. A história me lembrou de outra, a do filme Mulher Solteira Procura. E de um outro que vi, recentemente, sobre um escritor que procura na vida real a matéria para o seu livro, chegando a trágicas consequências.

Gostei muito de ver no elenco Vincent Pérez. Esse ator suiço ficou marcado em mim, desde o filme Trazido pelo Mar, em que ele contracena com Raquel Weizs e também pelo A Rainha Margot.
Vamos, vejam com mais boa vontade, vão gostar. Não é o melhor filme dele, é claro. Mas é um polanski!
IMDB: 5,6- 10
Minha nota: 3,7- 5

Ficha técnica: 
Nome original: D'après une Histoire Vraie
Outros nomes: Based on a True History
País: França.
Ano: 2017
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski, Olivier Assayas, adaptado do livro escrito por Delphine
Elenco: Emmanuelle Seigner, Eva Green, Vincent Pérez, Dominique Pinon

O ator Vincent Pérez com as atrizes Emmanuelle Seigner
e Eva Green


sábado, 19 de maio de 2018

OS SONHADORES



Bem, ousadia não foi certamente o que faltou ao filme, ainda mais para um diretor já polemizado por uma das cenas mais marcantes de sexo no cinema, do seu filme Último tango em Paris.
Este também se passa na Cidade Luz. Parece que Paris desperta a libido de nosso diretor.

Mesclando sexo, política e arte com maestria, Bertolucci consegue, ao mesmo tempo que oferecer cenas de puro erotismo, nos deliciar com uma homenagem ao cinema, tudo isso tendo como pano de fundo a situação política da França nos anos 60, a greve geral e as passeatas pedindo por mudanças sociais.


"É proibido proibir!", era o clamor de 1968.


Matthew (Michael Pitt) é um estudante americano e apaixonado por cinema e conhece os gêmeos Isabelle (Eva Green) e Théo (Louis Garrel),


Convidado a sair do hotel e se hospedar na casa deles, cujos pais vão viajar, Matthew passará por experiências com certeza inesquecíveis.


Logo de início ele perceberá que a relação entre os irmãos está longe de ser convencional. A simbiose entre eles é tão grande que, segundo o próprio Théo, eles são como gêmeos siameses.


Cenas de nudez sem pudor marcam todo o filme, muito embora Os sonhadores seja mais uma obra sobre o amadurecimento. O tempo todo vemos os três discutindo sobre política, cultura e comportamento. Chaplin ou Keaton?, debatem eles e o que percebemos aqui não é a preferência por um ou por outro, mas pelos princípios passados e aqui Bertolucci nos deixa a mensagem de como o Cinema pode ser um elemento de transformação.


Aliás, já li em algum lugar que qualquer trabalho, para ser considerado arte, tem que fazer refletir e mudar opiniões.


Embora Théo critique o modo de pensar do pai, ele mesmo não faz nada para mudar as coisas, enquanto os estudantes estão lá fora protestando, ele e Isabelle não assistem nem ao menos a televisão, com a desculpa de serem puristas.


Os irmãos sonhadores são duas pessoas que pensam que podem se refugiar da realidade vivendo suas fantasias e recriando a vida através das imagens que vêem nos cinemas.


Matthew é o elemento estranho que os vai fazer pensar sobre a necessidade deles de crescerem. É a praticidade americana versus a necessidade francesa de intelectualizar os acontecimentos.


Com uma linda fotografia e uma excelente trilha sonora, que homenageia as músicas da década.


IMDB: 7,2- 10
Minha nota: 4- 5

Ficha técnica:
Nome original: The Dreamers
País: Itália, França, outros
Ano: 2003
Direção: Bernardo Bertolucci.
Roteiro: Gilbert Altair
Elenco: Eva Green, Louis Garrel, Michael Pitt.