Cinéfilos Eternos: Olivier Assayas
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sábado, 2 de junho de 2018

BASEADO EM FATOS REAIS



Pode até ser que eu esteja sendo parcial, porque realmente Polanski é um dos diretores que mais me fascinam, mas achei as opiniões que li sobre o filme muito severas.. O problema de um diretor que faz obras-primas é que a expectativa é sempre muito alta. Puxa, eles podem fazer filmes excelentes e outros apenas bons. Faz parte.
Mas vou te falar que gostei de cada minutinho do filme. Primeiro que as duas atrizes, a Seigner, como a Delphine e a Green, como a Elle, estavam fantásticas. Fiquei com a respiração suspensa o tempo todo. O trabalho cuidadoso do Polanski, com cada pormenor, os penteados iguais, os detalhes em vermelho, mostrando a paixão, as lembranças latentes, os desejos, fogo, ira, e por aí vai... tudo acompanhado pelo fundo musical composto por Alexandre Desplat, perfeito! Mais uma vez, uma trilha sen-sa-cio-nal. Penso que Polanski soube também explorar bem o psicológico das duas personagens, criando uma tensão e um clima sufocante. E imprimindo sim o seu estilo.

O roteiro, que tem a assinatura de Olivier Assayas, leva à construção das personagens, em um crescente que vai nos envolvendo e absorvendo totalmente, e depois a desconstrução, no final. Nada demais, eu sei, é a fórmula de muito filme. Mas isso não tira o mérito.


Não li ainda a obra de Delphine de Vigan, em português A Partir de Uma História Real, de forma que não posso opinar se o filme fica muito aquém do livro, mas não vamos entrar nessa velha discussão. Filme é filme, livro é livro. Talvez a minha maior crítica seja essa: Polanski não ter trabalhado com um roteiro original. Está certo que lá pelo meio, o filme ficou previsível, mas nem por isso desinteressante. A história me lembrou de outra, a do filme Mulher Solteira Procura. E de um outro que vi, recentemente, sobre um escritor que procura na vida real a matéria para o seu livro, chegando a trágicas consequências.

Gostei muito de ver no elenco Vincent Pérez. Esse ator suiço ficou marcado em mim, desde o filme Trazido pelo Mar, em que ele contracena com Raquel Weizs e também pelo A Rainha Margot.
Vamos, vejam com mais boa vontade, vão gostar. Não é o melhor filme dele, é claro. Mas é um polanski!
IMDB: 5,6- 10
Minha nota: 3,7- 5

Ficha técnica: 
Nome original: D'après une Histoire Vraie
Outros nomes: Based on a True History
País: França.
Ano: 2017
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski, Olivier Assayas, adaptado do livro escrito por Delphine
Elenco: Emmanuelle Seigner, Eva Green, Vincent Pérez, Dominique Pinon

O ator Vincent Pérez com as atrizes Emmanuelle Seigner
e Eva Green


terça-feira, 22 de maio de 2018

ACIMA DAS NUVENS



Não sei por quê eu não dava nada por esse filme, tanto que só agora o vi. Talvez a resistência fosse para ver a Binoche junto com a Kristen, a Kristen que ainda ganhou o César de atriz coadjuvante pelo longa. "Será?", devo ter pensado. Pois o filme me surpreendeu demais, que filme bom! Leva a tantas reflexões, até a essa minha. Também a Maria Enders, a atriz interpretada pela Juliette Binoche precisou rever seus conceitos.
Maria é convidada para atuar outra vez em uma peça que há vinte anos atrás a fez famosa , só que na época no papel de Sigrid, uma jovem que seduz sua chefe, Helena e que acaba levando-a ao suicídio. Mas agora ela é requisitada para interpretar a Helena, e isso vai fazê-la pensar na sua personagem anterior de uma outra forma.
A princípio resistente em aceitar o papel, Maria começa a ensaiar com sua assistente, Valentine (Kristen Stuart). Para isso, elas buscam a tranquilidade dos Alpes suiços. Acima das nuvens. Na região de Sils Maria, onde elas estão, há uma curiosa formação climática, conhecida como a Serpente de Maloja. As nuvens como que serpenteiam e, quando isso acontece, já se sabe que virão intempéries por lá. Mesmo assim, é um fenômeno belo de se ver.
Nota-se claramente que Maria está incomodada pelo fato de já estar velha para interpretar a Sigrid e, mais ainda, pelo fato de a escolhida para fazer o papel ser uma jovem e escandalosa atriz de Hollywood, que ela nunca ouvira falar. Mas Valentine diz que Jo-Ann Ellis (Chloe Grace Moretz) é a estrela do momento e até que é sua atriz favorita. O que leva a vários questionamentos. O papel de Sigrid não é tão intocável assim. Não é porque a atriz faz filmes blockbusters que não tenha nada a dizer. Sigrid não é tão diferente de Helena afinal, Helena é a Sigrid mais velha, embora Maria não queira admitir. Tanto como Maria amadureceu, a peça também. Maria quer interpretar a obra com a visão que ela tinha e guardava. O diretor já acredita que a peça tem que ser atualizada, trazida sob o olhar atual. E é nisso que consiste toda a dificuldade de Maria.
Valentine sempre dando opiniões, mostrando que as pessoas são afetadas de maneiras diferentes e que até a mesma pessoa reage de outra maneira em diferentes estágios de vida. Maria sempre retruca, como se a experiência dela fosse absoluta, o que começa a incomodar demais à Valentine.
Outra coisa interessante no filme é que enquanto Maria e Valentine estão trabalhando o texto, ficamos confusos: elas estão ensaiando ou vivenciando aquela situação? Existe uma história que se repete entre elas?
É um filme que vai crescendo, nos envolvendo e que no final deixa uma impressão forte e incômoda. A releitura da peça é também uma releitura de Maria. Ela agora entende como nunca a personagem Helena, que antes desprezava. Um filme sobre a arte e a vida. Os cenários são de tirar o fôlego. As personagens Maria e Valentine, sempre muito entrosadas, com diálogos maduros, que acabam no entanto levando a uma relação angustiante.

IMDB: 6,7/10
Minha nota: 3,8/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Clouds of Sils Maria
País: França, EUA, outros.
Ano: 2014
Direção e roteiro: Olivier Assayas
Elenco: Juliette Binoche, Kristen Stuart, Chloé Grace Moretz.

Sils Maria, Serpente de Maloja