Cinéfilos Eternos: Emmanuelle Seigner
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

NO PORTAL DA ETERNIDADE





Vamos falar de Van Gogh? Vamos falar sobre essa interpretação maravilhosa do Willem Dafoe? Ah, fiquei encantada com esse filme, gente. Conheço a história desse grande pintor que muito admiro. Vi "Vincent e Theo", "Com Amor, Van Gogh", li algumas coisas, livros, cartas, mas o filme me trouxe algo de novo, um olhar de alguém que se admitia louco, mas que se sabia vivo, ele queria passar aquela vida para as pessoas, a vida como ele a via, o presente divino que era a natureza que ele pintava através do dom que ele acreditava ter recebido também de Deus. O seu propósito de vida! Como ele dizia, era só isso que ele sabia fazer, então nasceu para fazer isso: pintar!
"- Mas você acha que isso é uma pintura? Seus quadros são desagradáveis." 
"- Deus não me daria um dom para pintar coisas desagradáveis".

Willem Dafoe passou todo o deslumbramento do personagem quando ele sentia a luz do sol tocar seu rosto, aquecer seu corpo, o vento a afagá-lo, a carícia dos milharais por onde ele passava... e nessas horas ele se sentia bem, uma sensação de completude... muito embora talvez lhe faltasse alguém com quem dividir aquilo. Mas também por isso ele pintava, era a sua maneira de se comunicar, de se conectar com as outras pessoas, ele pretendia que elas vissem o que ele via. E enquanto pintava, ele não pensava em nada. Não pensava na sua solidão.
" Eu só quero ser um deles. Eu gostaria de me sentar
com eles pra tomar uma bebida e conversar sobre qualquer coisa. Eu gostaria que eles me dessem tabaco, uma taça de vinho ou simplesmente me perguntassem: "Como vai você hoje?" E eu responderia, e nós conversaríamos. E de vez em quando, eu faria um esboço de algum deles como presente. Talvez eles o aceitassem,e o guardassem em algum lugar. E uma mulher sorriria para mim e perguntaria: "Estás com fome? Gostaria de algo para comer?" "Um pedaço de presunto, um pouco de queijo ou talvez uma fruta?""
Ai, doeu meu coração...

Tem um diálogo muito interessante dele com o Gauguin. Esse último o critica por ele se basear na natureza para pintar, achava que ele tinha que tirar sua pintura de dentro da cabeça, que o que ele pinta pertence a ele. Que não precisava imitar nada, até porque cada pessoa tem uma maneira diferente de ver a mesma coisa. Vincent se defende, dizendo que sabe disso, que ele mesmo cada vez que olhava, via algo diferente, que ele não copiava a natureza, que apenas a libertava. (Que lindo!)
Às vezes ele tinha muita raiva, ele admitia. Eu, no lugar dele, sentiria também, as pessoas perguntavam para ele por que ele pintava, por que ele se considerava um pintor, zombavam dele. Van Gogh não sabia muita coisa, mas a única certeza que tinha era que sim, ele tinha talento, sim, ele nasceu para pintar. "- E o que você faz quando sente raiva?" "- Eu olho para o sol". Vincent adorava os quadros brilhantes, pintados à luz do sol, os girassóis, o amarelo!
Alguém achou o filme angustiante, deprimente, mas eu achei que o personagem transmitiu uma paz, uma paz que vinha da sua fé, da sua certeza. Perguntado se vivia dos seus quadros, ele responde que não, que é pobre, mas que talvez Deus o tenha feito pintar para pessoas que ainda não nasceram.
"A vida é para ser semeada, a colheita não é aqui".
Outra coisa que me surpreendeu no filme foi o elenco. Vi pelo Dafoe e torço para ele ganhar o Oscar, embora não acredite. Oscar Isaac é Gauguin. Mas de repente quem surge? Emannuele Seigner. Mais tarde, Van Gogh aparece conversando com um personagem interpretado por Niels Arestrup. E depois há um outro ótimo diálogo com um padre, que é Mads Mikkelsen! Quando ainda estou me recuperando da surpresa, quem é o ator que interpreta o Dr Paul Gachet? Mathieu Amalric. Fora que ainda tive que voltar ao filme porque nos créditos finais (não deixe de ver os créditos finais), vejo que Vincent Pérez também faz parte do elenco e me escapou. E ainda tem a voz do Louis Garrel lendo uma carta.
A trilha sonora e os belos cenários casam bem com o estilo contemplativo do filme, mas é claro que se você não conhece um pouco da história de Van Gogh e do seu irmão Theo, e de sua conflituosa amizade com Paul Gauguin e de todos aqueles personagens que aparecem ou são mencionados no filme, pode ficar um pouco confuso.
O diretor Julian Schnabel ( O Escafandro e a Borboleta, Basquiat) é também pintor. Considerado um dos mais originais da sua geração, integra-se no movimento do neo-expressionismo, e está representado em alguns dos principais museus do mundo.
"Sim, ele amava o amarelo, esse bom Vincent" 
(Paul Gauguin).

(Por: Cecilia Peixoto)

IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: At Eternity"s Gate
País: EUA/ França.
Ano: 2018
Dirigido por: Julian Schnabel
Roteiro: Julian Schnabel, Jean-Claude Carrière.
Elenco: Willem Dafoe, Rupert Friend, Emmanuelle Seigner, Mads Mikkelsen, Mathieu Amalric, Oscar Isaac, entre outros.




Vincent e Theo van Gogh


terça-feira, 26 de junho de 2018

A PELE DE VÊNUS



A Vênus das peles, de Sacher-Masoch, foi publicado originalmente em 1870 e narra, pela primeira vez, com detalhe e clareza, a submissão sexual e existencial, ao mesmo tempo dolorosa e prazerosa, servil e libertária – pois se trata de servidão voluntária –, de um homem a uma mulher. O livro não é apenas a obra fundamental do masoquismo, é também uma das obras fundamentais da cultura contemporânea, em que a liberdade e a realização individuais se alimentam reciprocamente.
Baseada no livro, o dramaturgo norte-americano David Ives fez a peça teatral A Pele de Vênus, que Polanski, magistralmente, adaptou para o cinema.
Na sua melhor interpretação, Emmanuelle Seigner é Vanda, uma atriz que vai fazer um teste para a peça teatral de Thomas (Mathieu Amalric). Ela chega muito atrasada, encharcada de chuva e não tem mais ninguém lá, além do próprio Thomas, que está ao telefone, desabafando sobre a dificuldade para encontrar uma atriz à altura do papel principal. Esgotado, ele não quer atender á inconveniente e insistente Vanda. Ela nem de longe faz o perfil da mulher que ele procura. Mas ela chora, suplica e ele finalmente cede e aceita fazer o papel masculino, já que todos se foram. E ela o surpreende de uma forma contundente. Ela sabe todo o texto de cor e sua interpretação é tão convincente que personagens e atores se confundem, papéis se invertem, é ela, Vanda, quem está no comando em vez do diretor da peça. Vanda quer a todo o custo o papel e não aceita um não como resposta e começa a tornar-se cada vez mais dominante e provocante. Erótica, Thomas está cada vez mais submisso a ela, ao mesmo tempo que uma forte atração toma conta dele. A tensão sexual está no ar.
A trilha sonora de Alexandre Desplat é o complemento para essa mistura de teatro e cinema. São 96 minutos no mesmo local e com apenas esses dois atores. E mesmo assim, você não vai conseguir piscar.
Os dois atores já contracenaram em O Escafandro e a Borboleta e na vida real, Emmanuelle é casada com Polanski, com quem tem dois filhos.
O filme proporciona uma reflexão sobre como o poder pode mudar de mãos. Provocativo e desconcertante, o embate entre os personagens aborda temas como o sexismo, a misoginia e o machismo.
"Em nossa sociedade a mulher só possui poder através do homem. Gostaria de saber o que seria da mulher quando ela se iguala ao homem. Quando ela se torna ela mesma".
O final é sensacional. Misturando personagens mitológicos e elementos de tragédia grega.
"Ela já havia preparado tudo antes de entrar ali?"
IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Vénus à la Fourrure
País: França/ Polônia.
Ano: 2013
Direção: Roman Polanski.
Roteiro: Roman Polanski (adaptação para o cinema da peça teatral homônima)
Elenco: Emmanuelle Seigner, Mathieu Amalric.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

LUA DE FEL



"Lá estava ela deitada, maravilhosa, voluptuosa. E nada significava para mim."
Com esse sentimento, transformado em atitudes e palavras, Oscar selou o seu destino e o de Mimi. 
Quando eles se conheceram, a louca atração era mútua. Ela, jovem, sexy, bonita. Ele, maduro, charmoso, culto, inteligente. 
Mas depois, ... depois, o interesse e a admiração dela por ele foram crescendo.
E quanto mais ela ficava envolvida por ele , menos ele se interessava por ela. Aqueles olhos suplicantes, aquele corpo gemendo, ansioso por amor, aquela boca já entreaberta, esperando por seus beijos, tudo foi provocando nele o efeito contrário do que ela esperava. 
E ao perceber que estava perdendo-o, mais ela se entregava. É sempre assim: com medo de perder, perdemos!
Ele começou a ter vontade de humilhá-la, talvez despertar o amor próprio dela. 
Quem sabe tenha sido isso, lhe incomodava saber que ela o amava mais do que a ela própria. 
A rejeição dele só provocava nela mais carência e desejo.
A famosa cena de Mimi dançando à luz de velas é o resumo da paixão e desespero dela. 
O amor virou um fardo para os dois. 
E lá estava ela, dançando, bela como nunca, a dança mais erótica que ele já tinha visto e, no entanto, ...já nada significava para ele!

Nigel e Fiona conheceram o casal em um cruzeiro. Com a intenção de aquecer o casamento de sete anos, eles partem para uma segunda lua de mel. Mas Nigel conhece Mimi. Difícil para ele disfarçar o interesse que sente por Mimi. Oscar, que então está preso a uma cadeira de rodas, percebe. Mas, ao contrário de se ressentir, começa a contar toda sua história com ela para Nigel. Ele não esconde nada, parece ter prazer em relatar todos os detalhes íntimos. 
Começa para Nigel e para nós espectadores uma das histórias mais sensuais de todos os tempos. 
Ousada, com certeza. Tensa! Provocante!

Fiona também começa a sentir que Nigel está estranho, distante. 
Também a relação deles irá mudar depois dessa "lua que deveria ser de mel".
Jogos de sedução e de agressão começam entre os quatro. Paixão e vingança veladas. Sado-masoquismo? Tortura psicológica? Ao mesmo tempo, "Lua de fel" é o retrato da melancolia, estampada no rosto de Mimi, o pesar por tudo que poderia ter sido, por tudo que se tornou, a resignação de saber que nunca mais teria de volta aqueles momentos de amor.

"A dança tem que vir do coração e meu coração está partido."
Além da famosa dança da Mimi, um dos pontos fortes do filme para mim, é a dança da Fiona com Mimi. Fiona estava meio que recolhida, digerindo aquilo tudo que estava acontecendo. De repente, surge no salão, com um vestido espetacular. E elas dançam. Não é apenas uma dança. É a mudança do poder dos dois homens para as duas mulheres.
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IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Bitter Moon
Outros nomes Lunes de Fiel
País: França
Ano: 1992
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski e outros
Elenco: Emmanuelle Seigner, Peter Coyote, Kristin Scott Thomas, Hugh Grant

sábado, 2 de junho de 2018

BASEADO EM FATOS REAIS



Pode até ser que eu esteja sendo parcial, porque realmente Polanski é um dos diretores que mais me fascinam, mas achei as opiniões que li sobre o filme muito severas.. O problema de um diretor que faz obras-primas é que a expectativa é sempre muito alta. Puxa, eles podem fazer filmes excelentes e outros apenas bons. Faz parte.
Mas vou te falar que gostei de cada minutinho do filme. Primeiro que as duas atrizes, a Seigner, como a Delphine e a Green, como a Elle, estavam fantásticas. Fiquei com a respiração suspensa o tempo todo. O trabalho cuidadoso do Polanski, com cada pormenor, os penteados iguais, os detalhes em vermelho, mostrando a paixão, as lembranças latentes, os desejos, fogo, ira, e por aí vai... tudo acompanhado pelo fundo musical composto por Alexandre Desplat, perfeito! Mais uma vez, uma trilha sen-sa-cio-nal. Penso que Polanski soube também explorar bem o psicológico das duas personagens, criando uma tensão e um clima sufocante. E imprimindo sim o seu estilo.

O roteiro, que tem a assinatura de Olivier Assayas, leva à construção das personagens, em um crescente que vai nos envolvendo e absorvendo totalmente, e depois a desconstrução, no final. Nada demais, eu sei, é a fórmula de muito filme. Mas isso não tira o mérito.


Não li ainda a obra de Delphine de Vigan, em português A Partir de Uma História Real, de forma que não posso opinar se o filme fica muito aquém do livro, mas não vamos entrar nessa velha discussão. Filme é filme, livro é livro. Talvez a minha maior crítica seja essa: Polanski não ter trabalhado com um roteiro original. Está certo que lá pelo meio, o filme ficou previsível, mas nem por isso desinteressante. A história me lembrou de outra, a do filme Mulher Solteira Procura. E de um outro que vi, recentemente, sobre um escritor que procura na vida real a matéria para o seu livro, chegando a trágicas consequências.

Gostei muito de ver no elenco Vincent Pérez. Esse ator suiço ficou marcado em mim, desde o filme Trazido pelo Mar, em que ele contracena com Raquel Weizs e também pelo A Rainha Margot.
Vamos, vejam com mais boa vontade, vão gostar. Não é o melhor filme dele, é claro. Mas é um polanski!
IMDB: 5,6- 10
Minha nota: 3,7- 5

Ficha técnica: 
Nome original: D'après une Histoire Vraie
Outros nomes: Based on a True History
País: França.
Ano: 2017
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski, Olivier Assayas, adaptado do livro escrito por Delphine
Elenco: Emmanuelle Seigner, Eva Green, Vincent Pérez, Dominique Pinon

O ator Vincent Pérez com as atrizes Emmanuelle Seigner
e Eva Green