Cinéfilos Eternos: Alexandre Desplat
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terça-feira, 26 de junho de 2018

A PELE DE VÊNUS



A Vênus das peles, de Sacher-Masoch, foi publicado originalmente em 1870 e narra, pela primeira vez, com detalhe e clareza, a submissão sexual e existencial, ao mesmo tempo dolorosa e prazerosa, servil e libertária – pois se trata de servidão voluntária –, de um homem a uma mulher. O livro não é apenas a obra fundamental do masoquismo, é também uma das obras fundamentais da cultura contemporânea, em que a liberdade e a realização individuais se alimentam reciprocamente.
Baseada no livro, o dramaturgo norte-americano David Ives fez a peça teatral A Pele de Vênus, que Polanski, magistralmente, adaptou para o cinema.
Na sua melhor interpretação, Emmanuelle Seigner é Vanda, uma atriz que vai fazer um teste para a peça teatral de Thomas (Mathieu Amalric). Ela chega muito atrasada, encharcada de chuva e não tem mais ninguém lá, além do próprio Thomas, que está ao telefone, desabafando sobre a dificuldade para encontrar uma atriz à altura do papel principal. Esgotado, ele não quer atender á inconveniente e insistente Vanda. Ela nem de longe faz o perfil da mulher que ele procura. Mas ela chora, suplica e ele finalmente cede e aceita fazer o papel masculino, já que todos se foram. E ela o surpreende de uma forma contundente. Ela sabe todo o texto de cor e sua interpretação é tão convincente que personagens e atores se confundem, papéis se invertem, é ela, Vanda, quem está no comando em vez do diretor da peça. Vanda quer a todo o custo o papel e não aceita um não como resposta e começa a tornar-se cada vez mais dominante e provocante. Erótica, Thomas está cada vez mais submisso a ela, ao mesmo tempo que uma forte atração toma conta dele. A tensão sexual está no ar.
A trilha sonora de Alexandre Desplat é o complemento para essa mistura de teatro e cinema. São 96 minutos no mesmo local e com apenas esses dois atores. E mesmo assim, você não vai conseguir piscar.
Os dois atores já contracenaram em O Escafandro e a Borboleta e na vida real, Emmanuelle é casada com Polanski, com quem tem dois filhos.
O filme proporciona uma reflexão sobre como o poder pode mudar de mãos. Provocativo e desconcertante, o embate entre os personagens aborda temas como o sexismo, a misoginia e o machismo.
"Em nossa sociedade a mulher só possui poder através do homem. Gostaria de saber o que seria da mulher quando ela se iguala ao homem. Quando ela se torna ela mesma".
O final é sensacional. Misturando personagens mitológicos e elementos de tragédia grega.
"Ela já havia preparado tudo antes de entrar ali?"
IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Vénus à la Fourrure
País: França/ Polônia.
Ano: 2013
Direção: Roman Polanski.
Roteiro: Roman Polanski (adaptação para o cinema da peça teatral homônima)
Elenco: Emmanuelle Seigner, Mathieu Amalric.

sábado, 2 de junho de 2018

BASEADO EM FATOS REAIS



Pode até ser que eu esteja sendo parcial, porque realmente Polanski é um dos diretores que mais me fascinam, mas achei as opiniões que li sobre o filme muito severas.. O problema de um diretor que faz obras-primas é que a expectativa é sempre muito alta. Puxa, eles podem fazer filmes excelentes e outros apenas bons. Faz parte.
Mas vou te falar que gostei de cada minutinho do filme. Primeiro que as duas atrizes, a Seigner, como a Delphine e a Green, como a Elle, estavam fantásticas. Fiquei com a respiração suspensa o tempo todo. O trabalho cuidadoso do Polanski, com cada pormenor, os penteados iguais, os detalhes em vermelho, mostrando a paixão, as lembranças latentes, os desejos, fogo, ira, e por aí vai... tudo acompanhado pelo fundo musical composto por Alexandre Desplat, perfeito! Mais uma vez, uma trilha sen-sa-cio-nal. Penso que Polanski soube também explorar bem o psicológico das duas personagens, criando uma tensão e um clima sufocante. E imprimindo sim o seu estilo.

O roteiro, que tem a assinatura de Olivier Assayas, leva à construção das personagens, em um crescente que vai nos envolvendo e absorvendo totalmente, e depois a desconstrução, no final. Nada demais, eu sei, é a fórmula de muito filme. Mas isso não tira o mérito.


Não li ainda a obra de Delphine de Vigan, em português A Partir de Uma História Real, de forma que não posso opinar se o filme fica muito aquém do livro, mas não vamos entrar nessa velha discussão. Filme é filme, livro é livro. Talvez a minha maior crítica seja essa: Polanski não ter trabalhado com um roteiro original. Está certo que lá pelo meio, o filme ficou previsível, mas nem por isso desinteressante. A história me lembrou de outra, a do filme Mulher Solteira Procura. E de um outro que vi, recentemente, sobre um escritor que procura na vida real a matéria para o seu livro, chegando a trágicas consequências.

Gostei muito de ver no elenco Vincent Pérez. Esse ator suiço ficou marcado em mim, desde o filme Trazido pelo Mar, em que ele contracena com Raquel Weizs e também pelo A Rainha Margot.
Vamos, vejam com mais boa vontade, vão gostar. Não é o melhor filme dele, é claro. Mas é um polanski!
IMDB: 5,6- 10
Minha nota: 3,7- 5

Ficha técnica: 
Nome original: D'après une Histoire Vraie
Outros nomes: Based on a True History
País: França.
Ano: 2017
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski, Olivier Assayas, adaptado do livro escrito por Delphine
Elenco: Emmanuelle Seigner, Eva Green, Vincent Pérez, Dominique Pinon

O ator Vincent Pérez com as atrizes Emmanuelle Seigner
e Eva Green