A Vênus das peles, de Sacher-Masoch, foi publicado originalmente em 1870 e narra, pela primeira vez, com detalhe e clareza, a submissão sexual e existencial, ao mesmo tempo dolorosa e prazerosa, servil e libertária – pois se trata de servidão voluntária –, de um homem a uma mulher. O livro não é apenas a obra fundamental do masoquismo, é também uma das obras fundamentais da cultura contemporânea, em que a liberdade e a realização individuais se alimentam reciprocamente.
Baseada no livro, o dramaturgo norte-americano David Ives fez a peça teatral A Pele de Vênus, que Polanski, magistralmente, adaptou para o cinema.
Na sua melhor interpretação, Emmanuelle Seigner é Vanda, uma atriz que vai fazer um teste para a peça teatral de Thomas (Mathieu Amalric). Ela chega muito atrasada, encharcada de chuva e não tem mais ninguém lá, além do próprio Thomas, que está ao telefone, desabafando sobre a dificuldade para encontrar uma atriz à altura do papel principal. Esgotado, ele não quer atender á inconveniente e insistente Vanda. Ela nem de longe faz o perfil da mulher que ele procura. Mas ela chora, suplica e ele finalmente cede e aceita fazer o papel masculino, já que todos se foram. E ela o surpreende de uma forma contundente. Ela sabe todo o texto de cor e sua interpretação é tão convincente que personagens e atores se confundem, papéis se invertem, é ela, Vanda, quem está no comando em vez do diretor da peça. Vanda quer a todo o custo o papel e não aceita um não como resposta e começa a tornar-se cada vez mais dominante e provocante. Erótica, Thomas está cada vez mais submisso a ela, ao mesmo tempo que uma forte atração toma conta dele. A tensão sexual está no ar.
A trilha sonora de Alexandre Desplat é o complemento para essa mistura de teatro e cinema. São 96 minutos no mesmo local e com apenas esses dois atores. E mesmo assim, você não vai conseguir piscar.
Os dois atores já contracenaram em O Escafandro e a Borboleta e na vida real, Emmanuelle é casada com Polanski, com quem tem dois filhos.
O filme proporciona uma reflexão sobre como o poder pode mudar de mãos. Provocativo e desconcertante, o embate entre os personagens aborda temas como o sexismo, a misoginia e o machismo.
"Em nossa sociedade a mulher só possui poder através do homem. Gostaria de saber o que seria da mulher quando ela se iguala ao homem. Quando ela se torna ela mesma".
O final é sensacional. Misturando personagens mitológicos e elementos de tragédia grega.
"Ela já havia preparado tudo antes de entrar ali?"
IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: La Vénus à la Fourrure
País: França/ Polônia.
Ano: 2013
Direção: Roman Polanski.
Roteiro: Roman Polanski (adaptação para o cinema da peça teatral homônima)
Elenco: Emmanuelle Seigner, Mathieu Amalric.

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