O filme é baseado na história de Pedrinho que comoveu o país em 2002, quando os pais biológicos dele, após 16 anos e buscas incessantes finalmente o encontraram. Pedro tinha sido sequestrado em uma maternidade em Brasília em 1986, poucas horas após o seu nascimento, por Vilma Martins Costa. Mais tarde descobriu-se que também a outra filha de Vilma era vítima de sequestro. Vilma foi presa e os filhos encaminhados às verdadeiras famílias.
Anna Muylaert mostra com o filme o desconforto da situação. É justo, claro, que os pais biológicos que tanto sofreram passem a ter a guarda dos filhos. É justo para os pais. Mas será justo para os filhos? A força do sangue que os une falará mais forte? Eu não acredito nisso. Pierre e a suposta irmã viviam bem com Aracy, agora têm que se separar, os três. Será possível para as novas famílias preencherem todas as lacunas deixadas pelo tempo em que viveram separados?
A diretora aproveita a história real para tratar de outro assunto que é sempre motivo de preocupação entre os pais: a adolescência. Se para os pais que viram os filhos crescerem, têm toda uma série de lembranças, é muito difícil lidar com eles nessa fase, imagina os que começam a conhecer um filho quando ele tem 16/ 17 anos de idade. No filme, Pierre que de repente vira Felipe, nessa difícil fase de transição de uma identidade para outra, também está enfrentando outra crise, que é a definição de sua identidade sexual. Os conflitos com a família são inevitáveis. A família com medo de perdê-lo de novo. E para Pierre/ Felipe é como se os seus pais biológicos é que o tivessem roubado da sua verdadeira família.
O ator que interpreta Pierre, Naomi Nero, é sobrinho de Alexandre Nero. Achei muito interessante ser a mesma atriz, a Dani Nefussi a representar tanto a mãe biológica quanto a mãe que o criou. Numa analogia a que todas as mães são uma só? Dizem que uma mãe de verdade sofre por todos os filhos de todas as mães.
A diretora Anna Muylaert, depois do aplaudido "Que horas ela volta", ousa contar uma história real sem ater-se somente aos fatos, mesclando ficção e focando mais no drama familiar e também no individual.
IMDB: 6,8/ 10
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Mãe Só Há Uma
Outros nomes: Don't Call Me Son
País: Brasil
Ano: 2016
Direção e roteiro: Anna Muylaert
Elenco: Naomi Nero, Dani Nefussi, Matheus Nachtergaele..
Elenco: Naomi Nero, Dani Nefussi, Matheus Nachtergaele..
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| Pedro, com a sequestradora Vilma Martins. |


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