Cinéfilos Eternos: Oscar 2019
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

SOBRE O FILME GREEN BOOK

Cena do filme Green Book, vencedor do Oscar 2019 Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, com Vigo Mortensen, indicado Melhor Ator e Mahershala Ali, vencedor Melhor Ator Coadjuvante.

Kareem Abdul-Jabbar:

nova-iorquino, lenda do basquete mundial



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Kareem Abdul-Jabbar: Por que as controvérsias

 de "Green Book – o guia" não importam.



À medida que os escândalos da temporada de premiações se acumulam, analisando suas inexatidões históricas ou a indicação (ou ações estúpidas passadas) de seu escritor e diretor, falta dar mais valor à um filme digno do Oscar, escreve o grande colunista da NBA e do Hollywood Reporter.



Filmes históricos nunca são sobre história. E eles nem são destinados a ser.


Filmes históricos atuais como O Primeiro Homem, A Favorita, Suprema, Vice, Bohemian Rhapsody, Infiltrado na Klan e Duas Rainhas pretendem nos contar sobre histórias e importantes pessoas e eventos, para apresentar os fatos que explicam porquê o assunto é tão relevante. No entanto, uma pesquisa no Google de cada um desses títulos produzirá uma longa lista de imprecisões factuais. E tudo bem - porque esses filmes não são sobre fatos, eles são sobre algo muito mais elusivo e importante: a verdade. Especificamente, eles são sobre como os eventos do passado iluminam as escolhas que enfrentamos no presente. É por isso que a confusão em torno da precisão histórica e perspectiva de Green Book – O Guia, um pequeno filme com um orçamento modesto ($23 milhões) e com uma história modesta que recebeu três Globos de Ouro e outros prêmios, é tão equivocada.

Parte da controvérsia gira em torno do retrato do Dr. Donald Shirley, um pianista negro de música clássica e jazz com vários doutorados e falante de oito línguas, e sua relação com Tony Vallelonga, seu motorista italiano-americano, sem instrução, durante uma turnê de oito semanas ao interior do sul dos EUA em 1962. Membros da família reclamaram que Shirley e Vallelonga não eram realmente amigos (embora no documentário de 2010, Lost Bohemia, Shirley diga diretamente que eles eram). Eles especulam que uma cena em que Tony para em uma unidade do Kentucky Fried Chicken (KFC) e convence o Dr. Shirley em tentar algo, nunca poderia ter acontecido, e sustentaram que Shirley não estava realmente afastado (o artigo usa alienado) de seu irmão. Embora essas discrepâncias possam irritar os membros da família, elas realmente não importam, porque os detalhes da trama são sobre chegar a uma verdade maior do que quaisquer que sejam os fatos mundanos.

O personagem de Shirley está distante (o artigo novamente usa alienado) de seu senso de auto-identidade como músico que quer tocar música clássica, mas é forçado a tocar música popular e como um homem negro que é educado demais para ser abraçado por alguns negros, mas ainda tratado por brancos menos que um humano. Ele também está afastado (alienado) de sua própria sexualidade. Ele tem muito a esconder do mundo exterior e criou uma personalidade aceitável para esse mundo. Mostrá-lo cortado e distante de sua família, quaisquer que sejam os fatos, é uma maneira eficaz de enfatizar a solidão e o desespero que pessoas como ele enfrentam.

A outra grande controvérsia é se o filme é negro o suficiente. Quase toda vez que um filme é lançado e que apresenta racismo, o projeto enfrenta o teste decisivo de “integridade à negritude”. Esse é um teste justo porque os filmes têm uma longa história de ser condescendente, reducionista e insultante quando representam pessoas negras ou a cultura negra, mesmo quando eles são bem intencionados. Com o Green Book – O Guia, os críticos culturais se perguntam por qual motivo ‘O livro verde do motorista negro’ - que listava lugares em todo o país onde pessoas negras poderiam comprar, comer e se hospedar com segurança - não foi apresentado com mais destaque como um ícone histórico. Resposta: O filme indica que não há lugar “seguro” para os negros, porque o país inteiro - da cozinha de Tony no Bronx a uma sala de concertos na Geórgia - está infectado pelo racismo, seja evidente, passivo ou institucional.

Alguns críticos se perguntam por qual motivo a história é contada do ponto de vista de Tony e não do Dr. Shirley. Isso não faz de Shirley apenas um artifício estereotipado, como o "negro mágico", que existe na história apenas para guiar o herói branco, Tony, através de seu arco de personagem? Resposta: Como em todos os filmes de amigos, seja Rain Man, Máquina Mortífera ou 48 Horas, ambos os homens são transformados por suas interações com o outro. Como Tony revela a Shirley, ele foi criado no mesmo bairro que seus pais e provavelmente morrerá naquele bairro. Embora certamente não na mesma medida que Shirley, Tony é aprisionado geograficamente, por falta de educação e falta de opções. A exposição a Shirley muda sua percepção. Shirley, que se forçou a ser tão cauteloso que está aprisionado em seu luxuoso apartamento, se permite sentir amizade e se engajar no mundo que manteve à distância.

O filme é muito mais efetivo do ponto de vista de Tony, porque o público que pode ser mais alterado ao assisti-lo é o público branco. Quando os negros assistem a um filme sobre o racismo histórico como O Nascimento de uma Nação, de Nate Parker, ou 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, sabemos exatamente que tipo de crueldade horrível vamos testemunhar. Nossa percepção do racismo não será mudada porque nós a vivenciamos diariamente. Também sabemos que depois de ver o filme, alguns brancos serão autocongratulatórios e desdenhosos ao dizer: “Bem, pelo menos não é mais assim”. Mas outros serão levados a ver como esses eventos na história moldaram nossos desafios atuais. Os negros que assistem a Green Book – O Guia reconhecerão a dolorosa jornada do Dr. Shirley e não serão mais inspirados por suas realizações e não menos do que se a história tivesse sido do seu ponto de vista.

Finalmente, há a questão em se a história deveria ter sido contada por três homens brancos: o diretor e co-roteirista Peter Farrelly, Nick Vallelonga (filho de Tony) e o co-produtor Brian Currie. Artisticamente, isso não deve fazer diferença. Um bom artista deve ser capaz de recriar personagens diferentes de si. Embora esteja ciente de que os negros da indústria cinematográfica precisam de maior representação - e defendo-os com veemência -, também estou ciente de que esse foi um projeto de paixão que talvez não tenha sido realizado, se não fosse o compromisso desses homens.

Complicando a situação estão alguns atos estúpidos de dois dos cineastas. Farrelly admite que em 1998 mostrou seu pênis como uma brincadeira para a estrela de Quem Vai Ficar Com Mary, Cameron Diaz, e para o produtor executivo Tom Rothman. Vallelonga confirma que em 2015 ele tuitou o apoio à falsa alegação de Trump de que milhares de muçulmanos americanos foram vistos celebrando as tragédias do 11 de setembro. Ambos os homens se desculparam e recriminam seu comportamento passado, o que eu considero sincero. Nenhum ato afeta o mérito do filme. Na verdade, a controvérsia abraça o argumento do filme de que podemos aprender com o passado para nos colocar em um caminho mais iluminado para o futuro.

Em 1897, um jovem Stephen Crane, já famoso por seu romance sobre a Guerra Civil, O Emblema Vermelho da Coragem, estava viajando da Flórida para Cuba quando seu navio atingiu um banco de areia e afundou. Ele sobreviveu por causa de um bote salva-vidas com outros três homens, embora um deles tenha se afogado posteriormente. O relato factual de sua provação foi amplamente lido. Não satisfeito, ele recontou os acontecimentos em um conto, “O Barco Aberto”, que se tornou uma das histórias mais respeitadas da literatura norte-americana. A razão pela qual ele escreveu o conto foi que seu relato jornalístico limitou-o aos fatos, enquanto o relato ficcional permitiu que ele se aprofundasse nas verdades mais profundas. A última linha da história revela a diferença: “Quando chegou a noite, as ondas brancas andavam de um lado para o outro ao luar, e o vento trouxe o som da voz do grande mar para os homens em terra, e eles sentiram que podiam então serem intérpretes. ”

 

A menos que estejam fazendo um documentário, os cineastas são intérpretes da história, não seus cronistas. Green Book – O Guia interpreta o mar de eventos históricos para revelar uma verdade relevante para os dias de hoje: resista àqueles que lhe dizem para conhecer o seu lugar. Isso é verdade, seja sobre raça, identidade de gênero, religião, nacionalidade, tipo de corpo ou qualquer outra coisa que pessoas odiosas e irracionais usem para envergonhar ou atrapalhar os outros em sua busca pela felicidade.


Fonte: The Hollywood Reporter, 14/01/2019.


Tradução: Tom CP



Link:
https://www.hollywoodreporter.com/amp/news/kareem-abdul-jabbar-truth-green-book-controversy-1175540?__twitter_impression&fbclid=IwAR14-RBsiWABB0yt-qgGVKXqCShibvIeHSW9u2Tmp08Z8dXZ_AdYBMoyT1c

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

SE A RUA BEALE FALASSE




Adaptação do quinto romance do escritor norte-americano James Baldwin, cujo título, que é o mesmo, é uma referência à canção de 1916," Beale Street Blues ", de WC Handy, que, por sua vez, faz uma homenagem a Beale Street, no centro de Memphis, Tennessee .
Barry Jenkins, que dirigiu o filme vencedor do Oscar 2017, Moonligth - Sob a luz do luar, desbancando o favorito La La Land, escreveu e dirigiu a adaptação cinematográfica do romance Se a Rua Beale Falasse, estrelando KiKi Layne como Tish e Stephan James como Fonny, uma história de amor ambientada no Harlem no início dos anos 70.

Tish e Fonny conheciam-se desde quando podiam se lembrar, cresceram juntos, já admiravam-se e amavam-se e o romance já adultos aconteceu de uma forma natural, como se eles já tivessem nascido para isso. Estavam noivos e felizes, procurando um lugar para morarem juntos, quando Fonny é injustamente acusado de um crime. O romance explora as diferentes reações dos pais e irmãos dos dois jovens adultos e o destaque é para a mãe de Tish, interpretada por Regina King, vencedora de vários prêmios pelo papel e também indicada ao Oscar 2019, que sofre junto com a filha e tenta ajudar de toda forma.
Alternando o presente com as lembranças, em câmera lenta, em uma analogia poética ao estado quase de torpor de Tish perante tanta injustiça e impotência e à necessidade de não esmorecer na luta para libertar Fonny. "Levante a cabeça, irmã".
Ótimas atuações e uma belíssima fotografia. A forte presença do Harlem se traduz na trilha sonora assinada por Nicholas Britell. O Harlem é um bairro de Manhattan na cidade de Nova Iorque, conhecido por ser um grande centro cultural e comercial dos afro-americanosNo anos 20, o estilo musical que ganhou força lá foi o Jazz. Longas noites regadas a boa música levaram com que vários moradores do Harlem Nova York virassem ícones do Jazz pelo mundo a fora
Também nós ficamos aturdidos porque aparentemente Fonny só é preso pelo fato de ser negro, em uma alusão ao racismo presente nos EUA dos anos sessenta/ setenta e que, infelizmente, vemos até hoje e aqui mesmo, no Brasil.
Três indicações ao Oscar: Melhor Atriz Coadjuvante (Regina King), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora Original.

W.C.Handy: Beale Street Blues.
https://www.youtube.com/watch?v=lIBz-HfRui8


(Por: Cecilia Peixoto)
IMDB: 7,5/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: If Beale Street Could Talk
País: EUA
Ano: 2018
Dirigido por: Barry Jenkins.
Roteiro: Barry Jenkins.
Elenco: Kiki Layne, Sthephan James, Regina King.

GUERRA FRIA






O filme que conquistou o Festival de Cannes tem três indicações ao Oscar 2019: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. O diretor Pawel Pawlikowski e o diretor de fotografia Lukasz Zal são responsáveis por algumas cenas e sequências que são uma verdadeira pintura e/ou preciosidade.
Pawlikowski, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015 com “Ida”, também transcorrido nos tempos do comunismo, nega ser nostálgico com relação à época da Guerra Fria, mas que considerou ser perfeita para situar uma história de amor impossível: "Havia muitos obstáculos na época, e o amor é, em grande parte, uma questão de superar obstáculos”.

O filme também se inspira na experiência pessoal. Pawel, hoje com 61 anos, foi para o exílio aos 14 anos, quando sua mãe bailarina fugiu com ele para o Ocidente. Os protagonistas foram batizados em homenagem aos seus falecidos pais.
“Há muitas coisas em comum entre este casal e meus pais. Eles foram um casal um tanto desastroso que se apaixonou, se separou, se apaixonou novamente, se casou com outras pessoas, se juntou novamente, mudou de país, rompeu, se juntou novamente e assim por diante”.

As belíssimas fotografias em preto e branco acompanham o romance, que vai das fazendas de camponeses da Polônia aos clubes de jazz de Paris entre os anos 1940 e 1960.
O músico Wiktor fica fascinado por Zula (Joanna Kulig) logo que a vê e ouve, no primeiro teste. Ele percebe que ela é especial. Ela lhe pergunta se o interesse dele por ela é só profissional. O romance entre o professor e a aluna não demora muito para acontecer e Zula também não decepciona, mostrando que realmente tem talento. O conflito político não é o tema central, mas o filme mostra a manipulação que o regime comunista fazia até mesmo utilizando a arte e assim o projeto feito com esmero por Wiktor e sua parceira Irena de resgatar o folclore acaba sendo sabotado.
Os protagonistas visivelmente se amam mas vivem uma relação bastante conturbada, chega a dar raiva às vezes. Que dificuldade para duas pessoas ficarem juntas. É o pós-guerra e consequente início da cortina de ferro, na Polónia, passando depois por uma Berlim dividida e uma bucólica Paris e Jugoslávia. Mas os obstáculos não vêm apenas da situação política: ele, bem mais velho que ela, não consegue lidar com o forte temperamento dela. Ele deseja viver em um país livre e acaba ficando sem recursos, ela se torna uma estrela, mas sempre atrelada aos interesses dos governantes de seu país. Ao mesmo tempo, eles fazem coisas que muitos amantes não fariam. O amor, interrompido tantas vezes pelo tempo e distância, esse amor quase platônico, persiste, intenso, não desiste...

...e quem sabe simbolize também o amor eterno dos nossos personagens pela Polônia natal.

(Por: Cecilia Peixoto)

IMDB: 7,7/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Zimna Wojna
País: Polônia.
Ano: 2018
Direção: Pawel Pawlikowski
Roteiro: Pawel Pawlikowski, Janusz Glowacki.
Elenco: Joanna Kulig, Tomasz Kot.








Diretor Pawel Pawlikowski e atores Joanna Kulig e Tomasz Kot no Festival de Cannes.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

NO PORTAL DA ETERNIDADE





Vamos falar de Van Gogh? Vamos falar sobre essa interpretação maravilhosa do Willem Dafoe? Ah, fiquei encantada com esse filme, gente. Conheço a história desse grande pintor que muito admiro. Vi "Vincent e Theo", "Com Amor, Van Gogh", li algumas coisas, livros, cartas, mas o filme me trouxe algo de novo, um olhar de alguém que se admitia louco, mas que se sabia vivo, ele queria passar aquela vida para as pessoas, a vida como ele a via, o presente divino que era a natureza que ele pintava através do dom que ele acreditava ter recebido também de Deus. O seu propósito de vida! Como ele dizia, era só isso que ele sabia fazer, então nasceu para fazer isso: pintar!
"- Mas você acha que isso é uma pintura? Seus quadros são desagradáveis." 
"- Deus não me daria um dom para pintar coisas desagradáveis".

Willem Dafoe passou todo o deslumbramento do personagem quando ele sentia a luz do sol tocar seu rosto, aquecer seu corpo, o vento a afagá-lo, a carícia dos milharais por onde ele passava... e nessas horas ele se sentia bem, uma sensação de completude... muito embora talvez lhe faltasse alguém com quem dividir aquilo. Mas também por isso ele pintava, era a sua maneira de se comunicar, de se conectar com as outras pessoas, ele pretendia que elas vissem o que ele via. E enquanto pintava, ele não pensava em nada. Não pensava na sua solidão.
" Eu só quero ser um deles. Eu gostaria de me sentar
com eles pra tomar uma bebida e conversar sobre qualquer coisa. Eu gostaria que eles me dessem tabaco, uma taça de vinho ou simplesmente me perguntassem: "Como vai você hoje?" E eu responderia, e nós conversaríamos. E de vez em quando, eu faria um esboço de algum deles como presente. Talvez eles o aceitassem,e o guardassem em algum lugar. E uma mulher sorriria para mim e perguntaria: "Estás com fome? Gostaria de algo para comer?" "Um pedaço de presunto, um pouco de queijo ou talvez uma fruta?""
Ai, doeu meu coração...

Tem um diálogo muito interessante dele com o Gauguin. Esse último o critica por ele se basear na natureza para pintar, achava que ele tinha que tirar sua pintura de dentro da cabeça, que o que ele pinta pertence a ele. Que não precisava imitar nada, até porque cada pessoa tem uma maneira diferente de ver a mesma coisa. Vincent se defende, dizendo que sabe disso, que ele mesmo cada vez que olhava, via algo diferente, que ele não copiava a natureza, que apenas a libertava. (Que lindo!)
Às vezes ele tinha muita raiva, ele admitia. Eu, no lugar dele, sentiria também, as pessoas perguntavam para ele por que ele pintava, por que ele se considerava um pintor, zombavam dele. Van Gogh não sabia muita coisa, mas a única certeza que tinha era que sim, ele tinha talento, sim, ele nasceu para pintar. "- E o que você faz quando sente raiva?" "- Eu olho para o sol". Vincent adorava os quadros brilhantes, pintados à luz do sol, os girassóis, o amarelo!
Alguém achou o filme angustiante, deprimente, mas eu achei que o personagem transmitiu uma paz, uma paz que vinha da sua fé, da sua certeza. Perguntado se vivia dos seus quadros, ele responde que não, que é pobre, mas que talvez Deus o tenha feito pintar para pessoas que ainda não nasceram.
"A vida é para ser semeada, a colheita não é aqui".
Outra coisa que me surpreendeu no filme foi o elenco. Vi pelo Dafoe e torço para ele ganhar o Oscar, embora não acredite. Oscar Isaac é Gauguin. Mas de repente quem surge? Emannuele Seigner. Mais tarde, Van Gogh aparece conversando com um personagem interpretado por Niels Arestrup. E depois há um outro ótimo diálogo com um padre, que é Mads Mikkelsen! Quando ainda estou me recuperando da surpresa, quem é o ator que interpreta o Dr Paul Gachet? Mathieu Amalric. Fora que ainda tive que voltar ao filme porque nos créditos finais (não deixe de ver os créditos finais), vejo que Vincent Pérez também faz parte do elenco e me escapou. E ainda tem a voz do Louis Garrel lendo uma carta.
A trilha sonora e os belos cenários casam bem com o estilo contemplativo do filme, mas é claro que se você não conhece um pouco da história de Van Gogh e do seu irmão Theo, e de sua conflituosa amizade com Paul Gauguin e de todos aqueles personagens que aparecem ou são mencionados no filme, pode ficar um pouco confuso.
O diretor Julian Schnabel ( O Escafandro e a Borboleta, Basquiat) é também pintor. Considerado um dos mais originais da sua geração, integra-se no movimento do neo-expressionismo, e está representado em alguns dos principais museus do mundo.
"Sim, ele amava o amarelo, esse bom Vincent" 
(Paul Gauguin).

(Por: Cecilia Peixoto)

IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: At Eternity"s Gate
País: EUA/ França.
Ano: 2018
Dirigido por: Julian Schnabel
Roteiro: Julian Schnabel, Jean-Claude Carrière.
Elenco: Willem Dafoe, Rupert Friend, Emmanuelle Seigner, Mads Mikkelsen, Mathieu Amalric, Oscar Isaac, entre outros.




Vincent e Theo van Gogh


domingo, 10 de fevereiro de 2019

FAUVE



Curta-metragem exibido no My French Film Festival 2019, é também um dos indicados ao Oscar 2019. O filme participou de mais de 80 festivais em torno do mundo e já ganhou 40 prêmios.
Quando somos adultos, às vezes costumamos comentar (pelo menos eu) que tivemos que "matar sete leões" para sobreviver ao dia. Mas quando somos crianças, as feras podem até existir nos nossos pesadelos, mas geralmente fazem parte do nosso imaginário, como simples brincadeiras. Tudo é motivo para rir e se alegrar e achamos que a vida é isso. A vida deveria ser isso. Leve. Mas não é. Logo, logo, precisamos enfrentar os nossos medos, que irão se acumulando enquanto crescemos.No sentido inverso. Deveríamos nascer cheios de medo, porque tudo é desconhecido e à medida que fossemos crescendo, iríamos nos livrando deles. Mas não é assim que funcional. Enquanto crianças, somos inocentes e pensamos que na vida tudo é diversão, tudo é um grande sonho dourado. Inventamos jogos e não temos a noção do perigo.
Tyler e Benjamin ainda eram meninos e disputavam quem era o mais esperto, em um jogo em que um enganava o o outro.
"Quem rir primeiro, morre."
Benjamim diz que viu uma raposa, mas será que era verdade? A brincadeira vai levando-os cada vez mais longe, até chegarem a uma zona interditada e isolada, onde apenas a mãe natureza é testemunha. Mais tarde, quando Tyler encontra "a mulher", ela lhe pergunta o que ele estava fazendo sozinho e tão longe de casa.
São 17 min de pura tensão, em que cada espectador constrói no íntimo o final, talvez o mesmo imaginado pelos meninos.
O primeiro choque de realidade, a primeira fera. A inocência dá lugar à estupefação.
O autor diz que se baseou em um sonho recorrente.
*Disponível no My French Film Festival 2019 até o dia 18 de fevereiro.
IMDB: 7,6/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Fauve
País: Canadá.
Ano: 2018
Direção: Jérémy Comte.
Roteiro: Jérémy Comte.
Elenco: Félix Grenier, Alexandre Perreault, Louise Bombardier. (Por: Cecilia Peixoto)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

PODERIA ME PERDOAR?





Quando a desbocada, antissocial e turrona escritora decadente, Lee Israel (Melissa McCarthy), é demitida por ser pega bebendo no jornal onde trabalhava, ela descobre uma forma criativa de usar seus dons e habilidades literários para manter as contas em dia: a mulher passa a falsificar cartas de personalidades famosas e falecidas, vendendo-as em seguida por um valor alto a colecionadores ou intermediários dos mesmos. 

Outrora com dificuldades para escrever, a escritora quebra o bloqueio e passa a exprimir todo o seu talento em cartas convincentes e escandalosas. Afinal, ela não não tinha que lidar com a ansiedade da crítica por seu trabalho, já que a verdadeira autora das cartas era desconhecida. Quando autenticadores e o próprio FBI começam a desconfiar das atividades ilícitas de Lee, ela decide roubar cartas reais e revendê-las.
O filme é baseado em um crime real. A verdadeira Lee Israel (Leonore Carol Israel), uma biógrafa novaiorquina, roubou, alterou ou escreveu por volta de 400 cartas de personalidades como Louise Brooks, Dorothy Parker e Ernest Hemingway e foi sentenciada a 6 meses de prisão domiciliar, mais 5 anos de liberdade condicional. Seus primeiros grandes sucessos publicados foram as biografias da atriz Tallulah Bankhead e da jornalista Dorothy Kilgallen. Seu terceiro livro, uma biografia não autorizada de Estée Lauder, infelizmente não teve o retorno esperado. Contudo, o maior sucesso de Lee aconteceu após seus crimes, com o livro em que ela narra sua própria história: "Can You Ever Forgive Me?: Memoirs of a Literary Forger" (Poderia me perdoar?: Memórias de uma falsificadora literária). A escritora morreu em 2014 e era tão talentosa que suas cartas se passavam perfeitamente como se fossem reais. Ela incorporava à maneira de escrever de cada personalidade de tal forma que o FBI revelou em 2015 para a Times que é provável que ainda existam cartas falsificadas por Lee circulando por ai.
O longa é profundo, divertido de um modo sutil e sensível (até mesmo bondoso) ao expor uma Lee mais que criminosa, humana. Não é de se admirar que o espectador se pegue torcendo para que dê certo para a personagem e ela não seja pega. Lee é ranzinza e de poucos amigos, ainda sim cativa com seu jeito peculiar e em especial através da atuação visceral de Melissa McCarthy, a qual está em um dos melhores papéis de sua carreira. Em uma cena em especial, a atriz consegue arrancar uma lágrima (ou um balde delas) da pessoa mais dura na platéia. Melissa merece sim todo o holofote e indicação a prêmios que tem recebido nessa temporada e merece ainda mais personagens mais interessantes e cheias de nuances como essa.
A história acontece em Nova York, com locações que já garantem certo charme ao longa. E a trilha sonora impecável e cheia de músicas de Jazz completam a beleza e delícia que é essa história.

IMDB: 7,4/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 4/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Can you ever forgive me?
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Marielle Heller
Roteiro: Nicole Holofcener, Jeff Whitty.
Elenco: Melissa McCarthy, Richard E. Grant, Dolly Wells, entre outros.



(Por: Tom Carneiro)

domingo, 27 de janeiro de 2019

O PRIMEIRO HOMEM




“É um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade.”
Com essas palavras, que ficaram na história, Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar na Lua.
O filme é baseado no livro O Primeiro Homem: A Vida de Neil Armstrong, do historiador James R. Ransen, que trabalhou minuciosamente para fazer jus à importância de Neil: entrevistou mais de 120 pessoas, teve acesso a documentos privados da família Armstrong e gravou mais de 50 horas de entrevista com ele. O resultado é uma biografia rica em detalhes que apresenta a infância de Neil, os bastidores da missão especial Apolo 11, os percalços da fama e a trajetória do astronauta depois da NASA.
Em julho de 1969, mais precisamente no dia do meu aniversário (não vou dizer de quantos), o mundo parou para assistir à primeira pessoa a pisar na superfície de outro corpo celeste que não a Terra.
Protagonizado por Ryan Gosling, em uma interpretação fria e contida, pelo que deverá ser mais uma vez criticado, mas que parece que era exatamente como os amigos o descreviam, Armstrong, discreto e avesso a discussões, foi alçado ao estrelato no instante em que deu aquele primeiro passo na Lua. A mítica em torno do homem se expandia conforme o mundo inteiro acompanhava a saga que definiria a nossa história.
A adaptação do livro é dirigida por Damien Chazelle (La La Land e Whiplash). Já li comentários que o filme é chato. Com duração de 133 minutos, tenho certeza que agradará às pessoas fascinadas por história,pelo espaço e por grandes personalidades. Eu nem senti o tempo passar. Eu li até que o erro foi focar muito na vida do Armstrong. Ué, não é sobre ele o filme??? Pelo contrário, Chazelle teve que cortar várias partes do livro. A edição do livro contém ainda dois cadernos repletos de fotos de Armstrong, sua família e colegas de trabalho, cedidas pelo biografado. Interessante, não é?
Contrariando às expectativas, o filme ficou de fora das indicações às principais categorias do Oscar 2019, recebendo apenas indicações técnicas: melhores Efeitos Visuais, Edição de Som, Mixagem de Som e Direção de Arte.
Algumas cenas podem ser ficcionais, como a da pulseira da filha. Bem, dizer que algumas cenas podem ser ficcionais pode ser considerado um eufemismo para muitas pessoas. Isso porque uma grande parte não acredita nessa história que o homem foi à Lua.
"Durante os anos de corrida espacial, os EUA sempre estiveram um passo atrás da extinta União Soviética, a URSS. Foram os soviéticos os primeiros a enviar astronautas para fora da Terra, a construir estações espaciais, a lançar satélites. 
O jogo só mudaria no dia 20 de julho de 1969, quando o comandante da missão americana Apollo 11, Neil Armstrong, invadiu as televisões do mundo em uma transmissão ao vivo da primeira caminhada humana em solo lunar. 
Apesar das fotografias e pedras coletadas, há quem diga que a aventura lunar não passou de uma produção cinematográfica no deserto de Nevada (EUA), um embuste na disputa por corações, mentes e dinheiro entre os dois blocos da Guerra Fria".

Bem, a intenção do filme não é dar razão nem aos céticos e nem aos que acreditam, mas sim mostrar os fatos relatados. Damien não toma nenhuma posição, apesar que achei que foi bem enfatizado o fato dos americanos estarem cobrando na época os milhões e milhões gastos no projeto em vez de serem usados para matarem a fome. A pressão que eles estavam sofrendo e a obrigação de mostrar resultados. Pessoas morreram também. Era preciso mostrar a importância do sacrifício dessas pessoas.
As teorias mais paranoicas inclusive apontam para a presença de Stanley Kubrick, que, um ano antes da chegada da Apollo 11 à Lua, havia filmado o épico 2001 – Uma Odisseia no Espaço. A lenda urbana do envolvimento de Kubrick com os filmes da Apollo 11 entreteve o diretor ainda em vida – a ponto de ele vestir o personagem Danny, em O Iluminado, com um suéter em referência à mais memorável missão espacial norte-americana. Hahahaha.
Mas então, o foco no filme é contar a história pessoal de Armstrong, até porque todo mundo já sabe como a história da corrida para ir à Lua termina. First Man é também uma verdadeira experiência sonora e visual. Chazelle consegue criar uma tensão até mesmo nas cenas que já sabemos que serão bem sucedidas. Issó é um grande mérito. O diretor também consegue passar a tensão da decisão do astronauta por fazer uma viagem que tinha uma grande chance de não ter volta, a tensão da despedida dele da família e apesar de tudo, da coragem de sua esposa, Karen, interpretada pela atriz Claire Foy.
O Presidente dos EUA, na época o Nixon, tinha discurso preparado, caso houvesse um desastre com a Apollo 11:
"— O destino quis que os homens que foram explorar a Lua em missão de paz descansem em paz. Que cada ser humano que olhe para a Lua afora ou nas noites que virão saiba que existe um canto de outro mundo que será sempre da humanidade." A agenda do presidente norte-americano também incluía telefonemas para as viúvas com as condolências do governante dos Estados Unidos. Após as despedidas, seria dada a ordem ao controle da missão para cortar as comunicações. O cerimonial da agência espacial norte-americana ainda previa um enterro no mar para os dois astronautas.

E você, faz parte dos que acreditam ou não que Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar na Lua?
IMDB: 7,5/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: First Man.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Josh Singer, Nicole Perlman. 
Elenco: Ryan Gosling, Claire Foy, Corey Stoll, Jason Clark, Kyle Chandler, Brady Smith, Brian d'Arcy James.


(Por: Cecilia Peixoto)


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

NASCE UMA ESTRELA




Afinal, qual o melhor?
Bem, devo dizer que assisti a todos entre o final de 2018 e início de 2019. Assistir a um filme de 1937 agora é uma experiência de tentar ver com os olhos daquela época, o que é difícil, porque (juro!) eu não era nem nascida. Mas vi os quatro em ordem cronológica, então foi o primeiro, o roteiro original premiado com o Oscar, que me apresentou a história de uma mulher que realizou o sonho de ser famosa e de encontrar o amor. Esther Blodgett (Janet Gaynor) abandonou a pequena cidade onde morava, Dakota do Norte, para tentar a vida como atriz, na Califórnia. Já desanimada, ela conhece um astro famoso, Norman Maine (Fedric March), que, além de se apaixonar perdidamente por ela, acredita nela como atriz. Foi então esse que me surpreendeu, que me tirou as primeiras lágrimas, que me tirou risos também, que me fez torcer e, mesmo tendo visto só recentemente, já se tornou um dos meus inesquecíveis.

A adaptação de 1954, com Judy Garland e James Mason quase me fez desistir de assistir, porque são mais de duas horas e meia de filme, vi ém três partes. Começo a ver tarde e morro de sono. Não por causa do filme, mas pelo cansaço mesmo. O roteiro aqui é bem fiel ao original, mas a Esther, ou Vicki Lester, é uma cantora, então nessa temos vários números de música. Embora longo, é bem emocionante e quando acaba, dá vontade de ver tudo de novo. E chorar tudo de novo. A gente lembra de cada diálogo, as várias falas repetidas do primeiro. E choramos e rimos em dobro, lembrando também do primeiro filme.
No terceiro filme, de 1976, temos o casal formado por Barbra Streisand e Kris Kristofferson. Ambos os atores levaram os Globos de Ouro de Comédia e Musical, em suas respectivas categorias. É o primeiro remake a fazer algumas alterações consideráveis no roteiro, ainda que a essência da história permaneça lá. Mas mesmo assim, eu já fiel à história dos dois primeiros, fiquei meio que frustrada. Eu acho que por a Barbra ser uma cantora maravilhosa, eles focaram muito nos números musicais e menos na intensidade do romance. Posso estar errada, mas foi isso que senti. O que posso dizer é que foi o que eu menos gostei.
Agora o último, gente, é difícil não se apaixonar, porque é com Bradley Cooper e ele está lindo como o músico Jackson Maine e o olhar dele para a Ally Campana (Lady Gaga), a ternura que ele transmite, é de derreter qualquer coração. Os números musicais também são demais. A quarta versão marca a estreia de Cooper na direção de uma maneira que merece muitos aplausos e reconhecimento, porque atenta, competente, grandiosa, vibrante! Também foi muito feliz e acertada a escolha de Lady Gaga para o papel da protagonista.
Alcoólatra e dependente de drogas, o casal se apaixona e é uma exigência dela que ele pare com os vícios. A princípio, o relacionamento ajuda Maine a se segurar um pouco, afinal ele está tão feliz com o amor e com a parceria nas músicas, nos shows, muito contente por apresentá-la ao público, mostrar que ela tem valor, que ele soube ver isso, é quase como se fosse uma criação dele, ele se orgulha muito e também se alegra por ela. Mas a vida meio que lhe dá uma rasteira e a carreira de Ally cresce o tempo todo, enquanto a sua não vai tão bem, a frustração o leva a se entregar aos vícios de novo, principalmente ao álcool e aí vira um círculo vicioso: quanto mais bebe, mais decai, quanto mais é esquecido e rejeitado pelos produtores que agora só tem olhos para Ally, mais bebe.
Bradley não faz feio de jeito nenhum, nem como diretor e nem como ator e ainda: nem como cantor! Imagine a responsabilidade de ainda cantar ao lado de Lady Gaga! Ela, que já tinha feito um trabalho em American Horror History, pelo qual recebeu inclusive um Globo de Ouro como Melhor Atriz em Minissérie, disputado com atrizes experientes (Kirsten Dunst, Felicity Huffman e Queen Latifah), prova que tem outro talento além de cantar. "Sempre quis ser atriz, mas a música aconteceu primeiro", diz, em discurso.
Uma outra boa escolha para o elenco foi a do veterano Sam Elliott, conhecido por sua voz forte e pelo bigode característico.
O filme é forte candidato em várias categorias, teve várias indicações mas, por enquanto não levou tantos prêmios assim. Recebeu o Globo de Ouro o o prêmio do Critic's Choice Awards de Melhor Música com Shallow. Vamos ver no Oscar.
Caretice minha, mas senti falta de algumas falas marcantes do filme original. A versão de 2019 focou mais do declínio do astro Jackson Maine que na ascensão da estrela. Também não ficou claro para mim que o ato final de Maine foi pensando nela ou nele. 
O fato de eu já conhecer a história tirou um pouco do impacto, mas sim, é um filme maravilhoso, como eu já disse: vibrante. Que merece ser visto e revisto. Parabéns, Bradley, todo o meu respeito e admiração pelo seu trabalho.

Ah, afinal, qual eu gostei mais? Pergunta difícil. Já disse que o que eu gostei menos foi a versão de 1976, com a Barbra. Quase empatado com o de 2018, mas acho que gostei mais da versão de 1954, com Judy Garland e James Mason.

E não, não consigo tirar a música da minha cabeça:
https://www.youtube.com/watch?v=bo_efYhYU2A

A tradução:

SUPERFÍCIE.
Me diga uma coisa, garota
Você está feliz neste mundo moderno?
Ou você precisa de mais?
Existe algo mais que você está procurando?

Estou caindo
Em todos os bons momentos
Eu me vejo almejando uma mudança
E nos momentos ruins, eu tenho medo de mim mesmo

Me diga uma coisa, garoto
Você não está cansado de tentar preencher esse vazio?
Ou você precisa de mais?
Não é difícil manter toda essa energia?

Estou caindo
Em todos os bons momentos
Eu me vejo almejando uma mudança
E nos momentos ruins, eu tenho medo de mim mesma

Eu estou à beira do precipício, assista enquanto mergulho
Eu nunca vou tocar o chão
Caio através da água
Onde eles não podem nos machucar
Estamos longe da superfície agora

Na superfície, superfície
Na superfície, superfície
Na superfície, superfície
Estamos longe da superfície agora

Eu estou à beira do precipício, assista enquanto mergulho
Eu nunca vou tocar o chão
Caio através da água
Onde eles não podem nos machucar
Estamos longe da superfície agora

Na superfície, superfície
Na superfície, superfície
Na superfície, superfície
Estamos longe da superfície agora



Ficha técnica:
Nome original: A Star is Born.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Bradley Cooper.
Roteiro: Bradley Cooper e outros
Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliott.

IMDB: 8,1/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Minha nota: 4,3/ 5