O filme que conquistou o Festival de Cannes tem três indicações ao Oscar 2019: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. O diretor Pawel Pawlikowski e o diretor de fotografia Lukasz Zal são responsáveis por algumas cenas e sequências que são uma verdadeira pintura e/ou preciosidade.
Pawlikowski, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015 com “Ida”, também transcorrido nos tempos do comunismo, nega ser nostálgico com relação à época da Guerra Fria, mas que considerou ser perfeita para situar uma história de amor impossível: "Havia muitos obstáculos na época, e o amor é, em grande parte, uma questão de superar obstáculos”.
Pawlikowski, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015 com “Ida”, também transcorrido nos tempos do comunismo, nega ser nostálgico com relação à época da Guerra Fria, mas que considerou ser perfeita para situar uma história de amor impossível: "Havia muitos obstáculos na época, e o amor é, em grande parte, uma questão de superar obstáculos”.
O filme também se inspira na experiência pessoal. Pawel, hoje com 61 anos, foi para o exílio aos 14 anos, quando sua mãe bailarina fugiu com ele para o Ocidente. Os protagonistas foram batizados em homenagem aos seus falecidos pais.
“Há muitas coisas em comum entre este casal e meus pais. Eles foram um casal um tanto desastroso que se apaixonou, se separou, se apaixonou novamente, se casou com outras pessoas, se juntou novamente, mudou de país, rompeu, se juntou novamente e assim por diante”.
As belíssimas fotografias em preto e branco acompanham o romance, que vai das fazendas de camponeses da Polônia aos clubes de jazz de Paris entre os anos 1940 e 1960.
O músico Wiktor fica fascinado por Zula (Joanna Kulig) logo que a vê e ouve, no primeiro teste. Ele percebe que ela é especial. Ela lhe pergunta se o interesse dele por ela é só profissional. O romance entre o professor e a aluna não demora muito para acontecer e Zula também não decepciona, mostrando que realmente tem talento. O conflito político não é o tema central, mas o filme mostra a manipulação que o regime comunista fazia até mesmo utilizando a arte e assim o projeto feito com esmero por Wiktor e sua parceira Irena de resgatar o folclore acaba sendo sabotado.
Os protagonistas visivelmente se amam mas vivem uma relação bastante conturbada, chega a dar raiva às vezes. Que dificuldade para duas pessoas ficarem juntas. É o pós-guerra e consequente início da cortina de ferro, na Polónia, passando depois por uma Berlim dividida e uma bucólica Paris e Jugoslávia. Mas os obstáculos não vêm apenas da situação política: ele, bem mais velho que ela, não consegue lidar com o forte temperamento dela. Ele deseja viver em um país livre e acaba ficando sem recursos, ela se torna uma estrela, mas sempre atrelada aos interesses dos governantes de seu país. Ao mesmo tempo, eles fazem coisas que muitos amantes não fariam. O amor, interrompido tantas vezes pelo tempo e distância, esse amor quase platônico, persiste, intenso, não desiste...
...e quem sabe simbolize também o amor eterno dos nossos personagens pela Polônia natal.
...e quem sabe simbolize também o amor eterno dos nossos personagens pela Polônia natal.
(Por: Cecilia Peixoto)
IMDB: 7,7/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Zimna Wojna
País: Polônia.
Ano: 2018
Direção: Pawel Pawlikowski
Roteiro: Pawel Pawlikowski, Janusz Glowacki.
Elenco: Joanna Kulig, Tomasz Kot.
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| Diretor Pawel Pawlikowski e atores Joanna Kulig e Tomasz Kot no Festival de Cannes. |

