Cinéfilos Eternos: Marielle Heller
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

PODERIA ME PERDOAR?





Quando a desbocada, antissocial e turrona escritora decadente, Lee Israel (Melissa McCarthy), é demitida por ser pega bebendo no jornal onde trabalhava, ela descobre uma forma criativa de usar seus dons e habilidades literários para manter as contas em dia: a mulher passa a falsificar cartas de personalidades famosas e falecidas, vendendo-as em seguida por um valor alto a colecionadores ou intermediários dos mesmos. 

Outrora com dificuldades para escrever, a escritora quebra o bloqueio e passa a exprimir todo o seu talento em cartas convincentes e escandalosas. Afinal, ela não não tinha que lidar com a ansiedade da crítica por seu trabalho, já que a verdadeira autora das cartas era desconhecida. Quando autenticadores e o próprio FBI começam a desconfiar das atividades ilícitas de Lee, ela decide roubar cartas reais e revendê-las.
O filme é baseado em um crime real. A verdadeira Lee Israel (Leonore Carol Israel), uma biógrafa novaiorquina, roubou, alterou ou escreveu por volta de 400 cartas de personalidades como Louise Brooks, Dorothy Parker e Ernest Hemingway e foi sentenciada a 6 meses de prisão domiciliar, mais 5 anos de liberdade condicional. Seus primeiros grandes sucessos publicados foram as biografias da atriz Tallulah Bankhead e da jornalista Dorothy Kilgallen. Seu terceiro livro, uma biografia não autorizada de Estée Lauder, infelizmente não teve o retorno esperado. Contudo, o maior sucesso de Lee aconteceu após seus crimes, com o livro em que ela narra sua própria história: "Can You Ever Forgive Me?: Memoirs of a Literary Forger" (Poderia me perdoar?: Memórias de uma falsificadora literária). A escritora morreu em 2014 e era tão talentosa que suas cartas se passavam perfeitamente como se fossem reais. Ela incorporava à maneira de escrever de cada personalidade de tal forma que o FBI revelou em 2015 para a Times que é provável que ainda existam cartas falsificadas por Lee circulando por ai.
O longa é profundo, divertido de um modo sutil e sensível (até mesmo bondoso) ao expor uma Lee mais que criminosa, humana. Não é de se admirar que o espectador se pegue torcendo para que dê certo para a personagem e ela não seja pega. Lee é ranzinza e de poucos amigos, ainda sim cativa com seu jeito peculiar e em especial através da atuação visceral de Melissa McCarthy, a qual está em um dos melhores papéis de sua carreira. Em uma cena em especial, a atriz consegue arrancar uma lágrima (ou um balde delas) da pessoa mais dura na platéia. Melissa merece sim todo o holofote e indicação a prêmios que tem recebido nessa temporada e merece ainda mais personagens mais interessantes e cheias de nuances como essa.
A história acontece em Nova York, com locações que já garantem certo charme ao longa. E a trilha sonora impecável e cheia de músicas de Jazz completam a beleza e delícia que é essa história.

IMDB: 7,4/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 4/ 5


Ficha técnica:
Nome original: Can you ever forgive me?
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Marielle Heller
Roteiro: Nicole Holofcener, Jeff Whitty.
Elenco: Melissa McCarthy, Richard E. Grant, Dolly Wells, entre outros.



(Por: Tom Carneiro)