Cinéfilos Eternos: My French Film Festival 2019
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domingo, 10 de fevereiro de 2019

FAUVE



Curta-metragem exibido no My French Film Festival 2019, é também um dos indicados ao Oscar 2019. O filme participou de mais de 80 festivais em torno do mundo e já ganhou 40 prêmios.
Quando somos adultos, às vezes costumamos comentar (pelo menos eu) que tivemos que "matar sete leões" para sobreviver ao dia. Mas quando somos crianças, as feras podem até existir nos nossos pesadelos, mas geralmente fazem parte do nosso imaginário, como simples brincadeiras. Tudo é motivo para rir e se alegrar e achamos que a vida é isso. A vida deveria ser isso. Leve. Mas não é. Logo, logo, precisamos enfrentar os nossos medos, que irão se acumulando enquanto crescemos.No sentido inverso. Deveríamos nascer cheios de medo, porque tudo é desconhecido e à medida que fossemos crescendo, iríamos nos livrando deles. Mas não é assim que funcional. Enquanto crianças, somos inocentes e pensamos que na vida tudo é diversão, tudo é um grande sonho dourado. Inventamos jogos e não temos a noção do perigo.
Tyler e Benjamin ainda eram meninos e disputavam quem era o mais esperto, em um jogo em que um enganava o o outro.
"Quem rir primeiro, morre."
Benjamim diz que viu uma raposa, mas será que era verdade? A brincadeira vai levando-os cada vez mais longe, até chegarem a uma zona interditada e isolada, onde apenas a mãe natureza é testemunha. Mais tarde, quando Tyler encontra "a mulher", ela lhe pergunta o que ele estava fazendo sozinho e tão longe de casa.
São 17 min de pura tensão, em que cada espectador constrói no íntimo o final, talvez o mesmo imaginado pelos meninos.
O primeiro choque de realidade, a primeira fera. A inocência dá lugar à estupefação.
O autor diz que se baseou em um sonho recorrente.
*Disponível no My French Film Festival 2019 até o dia 18 de fevereiro.
IMDB: 7,6/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Fauve
País: Canadá.
Ano: 2018
Direção: Jérémy Comte.
Roteiro: Jérémy Comte.
Elenco: Félix Grenier, Alexandre Perreault, Louise Bombardier. (Por: Cecilia Peixoto)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

FLORES






Baptiste Petit-Gats, acostumado a editar, principalmente documentários, diz que o trabalho de edição acabou ensinando-o a escrever para filme, pois não envolve somente o roteiro, mas também o trabalho com os atores, o ritmo das sequências, os intervalos, os silêncios, ... Interessante, nunca tinha pensado nisso. Também fotógrafo, ele filmou, escreveu, dirigiu e editou seu próprio curta-metragem, participando do My French Film Festival de 2019.
Des Fleurs é a comovente história de uma mãe viúva e seu filho adolescente em um chuvoso Dia de Finados.
Berenice está obcecada em encontrar as flores certas, no caso gerânios vermelhos, para colocar no túmulo do marido e para isso arrasta o seu filho adolescente Sacha nessa procura. Mas Sacha tem outros planos.
O diretor comenta que o desafio do filme é o espectador tentar entender, ou pelo menos se aproximar, da personagem Berenice.
A escolha da atriz Catherine Salée para o papel se deveu ao fato de Baptiste ter certeza que ela teria a doçura certa para acrescentar à personagem áspera, trazendo profundidade.
Berenice talvez se apegue ao ritual de oferecer a flor certa ao marido morto numa prova de fidelidade aos sentimentos por ele, mais ainda ela precisa disso para ser fiel ao seu passado, é difícil para ela seguir em frente, recomeçar. Seu filho faz parte disso tudo e ela o quer junto dela. É difícil para Berenice entender que isso é uma escolha dela, mas não dele. Talvez ele prefira oferecer flores para alguém que ainda está vivo.
*Disponível no My French Film Festival 2019.
Filmow: 3,1/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Des Fleurs.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Baptiste Petit-Gats.
Roteiro: Baptiste Petit-Gats.
Elenco: Catherine Salée, Victor Rivière.

(Por: Cecilia Peixoto)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A COLEÇÃO




Mais um curta (13 min). Achei genial!
É um filme sobre um comerciante inescrupuloso que “compra” peças artísticas de colecionadores judeus forçados a deixar Paris em meio à ocupação da França pela Alemanha nazista. Informado por um zelador, ele ouve sobre a extraordinária coleção do Sr. Klein.
O diretor e roteirista diz que a ideia veio de um dos contos favoritos dele, de autoria de Stefan Zweig, mas ele mudou o período histórico e outras coisas. Os personagens que ele criou, Mister Klein e sua filha Elise, dão o tom intrigante nessa história de subjugação e opressão. Stefan Zweig foi um escritor, romancista, poeta, dramaturgo, jornalista e biógrafo austríaco de origem judaica. A partir da década de 1920 e até sua morte foi um dos escritores mais famosos e vendidos do mundo.
Emmanuel Blanchard, nascido em Paris, estudou e depois ensinou história antes de se tornar um documentarista responsável por filmes como “Bombing War”, “Le Diable de la République” e “Après la Guerre”. Ele atualmente dirige “Notre-Dame de Paris”, um documentário animado de 90 minutos, filme de ficção parcial sobre a construção da mundialmente famosa catedral parisiense. Competindo no MyFFF, “The Collection” é seu primeiro curta de ficção.
Mr. Klein é interpretado por Jean-Claude Carrière, um premiado roteirista, escritor, diretor e ator francês. Ele foi um colaborador frequente do diretor Luis Buñuel. Para Blanchard, essa escolha foi decisiva, pois Carrière trouxe para o personagem seu brilho, seu humor requintado, seu amor pela arte, a extraordinária textura de sua voz.
La Collection fica entre um drama e um conto fantástico, com sua fotografia de claro-escuro e a textura do som.
Nossa, eu nem ligava muito para "curtas", mas agora estou vendo quantas coisas, principalmente cultura, posso tirar de tão poucos minutos.


*Disponível até o dia 18 de fevereiro no My French Film Festival 2019.

IMDB: 7,2/ 10
Filmow: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Collection.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Emmanuel Blanchard
Roteiro: Emmanuel Blanchard, Thomas Kruithof.
Elenco: Jean-Claude Carrière, Pauline Etienne, Michel Bompoil.


(Por: Cecilia Peixoto)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

GUY




O que dizer desse filme? Simplesmente delicioso.
Guy Jamet é uma espécie de Roberto Carlos, já velho, mas ainda encanta com seu carisma e suas românticas músicas.

Após a morte da mãe, Gauthier, um jovem jornalista, fica sabendo que é filho de Guy Jamet. Por uma carta. Mas ela também lhe pede que não revele nada. Ele resolve então fazer um documentário sobre o artista francês que, sem saber de nada, aceita.
Em uma ótima atuação, Alex Lutz, que tem apenas quarenta anos, faz o papel de Guy Jamet, bem mais velho. Cabelos brancos e rugas profundas e até manchinhas senis nas mãos e rosto, é difícil reconhecer o humorista de Estrasburgo.
Acostumado à televisão e ao teatro, Alex Lutz também atuou em cerca de vinte filmes, incluindo um ao lado de Jean Dujardin em Agente 117: Rio não responde mais, dirigido por Michel Hazanavicius.
A ideia do roteiro foi também de Lutz e desenvolvida por Anais Deban. Alex Lutz dirige o filme e ainda se revela um bom cantor. As músicas, feitas para o filme, são tão boas que viraram um CD de 43 minutos, todas cantadas por Alex.
Guy encerrou a Semana de Critica do Festival de Cannes 2018.
Gauthier acaba acompanhando Guy em tudo, em sua turnê, nos seus shows, frequenta sua casa, é até convidado um dia a cavalgar lado a lado com o pai que não sabe que ele é filho. Laços são criados, mas Gauthier precisa respeitar o pedido da mãe. Sempre atrás das câmeras. Além dessa linda história, o filme mostra a vida real de um personagem que normalmente está sob os holofotes, que tenta reviver seus momentos de glamour e ao mesmo tempo deseja ter uma vida comum.
"- De todas que já cantou, qual é a sua música preferida? "
"- Dadidou".

Deixo aqui o lindo vídeo:
O filme é dedicado "aos nossos pais".

*Disponível no My French Film Festival 2019.
IMDB: 6,7/ 10
Filmow: 2,9/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Guy.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Alex Lutz.
Roteiro: Anais Deban, Alex Lutz.
Elenco: Alex Lutz, Tom Dingler.
Por: Cecilia Peixoto.

Alex Lutz






domingo, 3 de fevereiro de 2019

MEU ANJO





Primeiro longa-metragem da francesa Vanessa Filho, Gueule d'Ange passou por diversos festivais e recebeu indicações ao Prêmio Um Certo Olhar.
As resenhas começam assim: "o filme acompanha a história de Marlène, que tem uma filha de oito anos a quem não dispensa muito atenção, mais interessada em bebedeiras, festas e homens". Eu começaria assim: "o filme acompanha a história de Elli, uma menina de oito anos que tem uma mãe que não lhe dispensa muita atenção, mais interessada em bebedeiras, festas e homens".
Porque mesmo a mãe, a Marlène, sendo interpretada por Marion Cotillard, o filme é mais sobre a menina, o "meu anjo" do que sobre a mãe.

Elli, que não sabe quem é o pai e quando perguntada sobre isso responde com a maior naturalidade "não sei, estava escuro", é levada a festas de adultos, onde é neglicenciada por uma mãe geralmente bêbada. Em uma delas, a mãe a coloca em um taxi e não volta pra casa por vários dias.
Marlène é carinhosa com a filha, é "meu anjo" pra cá, "meu anjo" pra lá, mas se revela totalmente despreparada para cuidar dela. Geralmente alcoolizada, perguntas tipo "já comeu" seguidas de "faça alguma coisa" ou "compre alguma coisa, você já é grande" são comuns. A história me lembrou do filme Projeto Flórida, sendo que nesse último a mãe se prostituía para o sustento dela e da filha e em Meu Anjo não é explicado de onde vem o dinheiro para o sustento de Marlène e Elli. Os papeis são tão invertidos que durante esse desaparecimento, nas poucas vezes que Marlène liga, ela diz " estou bem" em vez de perguntar se Elli está bem.
Um outro que vi recentemente e achei bem parecida a relação mãe-filha foi Amanhã e Todos os Outros Dias. Os dois estão disponíveis até o dia 18 de fevereiro no My French Film Festival 2019.
Que Marlène é uma péssima mãe fica claro, mas será que ela é uma mãe má? Ela é relapsa, mas é doce, só chama a filha de "meu anjo", a filha a acha linda e fica orgulhosa quando ela também a produz e a leva às festas. Quer dizer, rola uma admiração da filha pela mãe, ao ponto dela querer imitá-la quando dança e até começar a beber. E esse deslumbramento pode ser muito perigoso. Fica claro também que Marlène precisa de um tratamento. O fato é que existem por aí muitas Marlènes e Ellis. Falamos sobre filmes: "final previsível". Mas muitas vezes fechamos os olhos para a realidade.
A jovem atriz Ayline Aksoy-Etaix, em seu primeiro papel, não faz feio e consegue nos emocionar através de seus olhares, de seu silêncio. A adoração pela mãe transforma-se aos poucos em raiva pelo abandono.

IMDB: 6/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Gueule d'Ange
Outros nomes: Angel Face.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Vanessa Filho.
Roteiro: Vanessa Filho, Diastème.
Elenco: Marion Cotillard, Ayline Aksoy-Etaix, Alban Lenoir

(Por: Cecilia Peixoto)

sábado, 2 de fevereiro de 2019

AMANHÃ E TODOS OS OUTROS DIAS



Amanhã e todos os outros dias, Mathilde (Luce Rodriguez) precisa lidar com a sua mãe. O problema? É que Mathilde tem apenas nove anos e sua mãe é totalmente fora dos padrões. Mathilde precisou amadurecer mais cedo que o normal. Não sabemos exatamente o que tem a mãe dela, é muito amorosa, delicada, mas tem uns esquecimentos. Às vezes sai e não volta, deixando a filha aflita, olhando para o relógio, contando os minutos. Seu pai (Mathieu Amalric) que não mora com elas, procura participar, pergunta se ela está em casa, sente que Mathilde esconde a verdade para proteger a mãe. "Se ela não chegar ate às 21h30, me avise", diz ele. É o horário combinado com a mãe. Às vezes Mathilde força os olhos sobre os ponteiros do relógio para forçá-los a chegar rápido na hora limite e com ela sua mãe chegar também. De vez em quando sua mãe sai e não lembra pra onde tem que voltar. Não são só esquecimentos, ela tem um comportamento estranho também, totalmente inadequado. Vive em uma espécie de fantasia, no "mundo da lua". Quando está bem, pede desculpas à filha. Mathide nunca sabe como vai encontrar a mãe. Como será amanhã e como serão todos os outros dias. Por enquanto, ela segue protegendo-a, numa inversão de papéis, porque ela teme que tirem sua mãe dela ou que a tirem da mãe. E elas têm uma relação muito estreita.
Noémie Lvovsky estudou e se formou em Literatura, e logo em seguida juntou-se ao grupo Les Fémis, em 1988. Lá começou a trabalhar em roteiros de curtas com Emmanuelle Devos e Valeria Bruni Tedeschi, atrizes e cineastas com quem Lvovsky iria firmar parceria em muitos trabalhos no futuro. Juntas, passaram por conceituados festivais de curtas-metragens na Europa antes de começarem a fazer longas. Em 1990, Noémie se formou em especialização em roteiro, área em que se manteve trabalhando no começo da carreira, escrevendo e dirigindo seus projetos.
De fato, foi apenas nos anos 2000 que começou a se aventurar como atriz, estreando nas telonas com Ma Femme Est Une Actrice (2001). Imediatamente foi reconhecida como intérprete e passou a ser recorrentemente indicada ao César, o mais importante prêmio de cinema da França. Enquanto isso, seu filme La Vie ne me Fait pas Peur (1999), premiado no Festival de Cannes, ganhou prestígio e se tornou obrigatório nos currículos das escolas francesas de artes audiovisuais. Hoje Lvovsky já tem passagem e troféus de inúmeros festivais pelo mundo e é especialmente lembrada por Camille Outra Vez (2012), que dirigiu, escreveu e estrelou.
Também nesse, Noémie Lvovsky é diretora, roteirista e atriz. Ela é a mãe de Mathilde. Ela conta que Demain et Tous les Autres Jours é um pouco de sua própria história. Nos créditos finais ela dedica o filme a Geneviève Lvovsky. Pelo pouco que pude descobrir, sua mãe era bem frágil e teve que ser internada em um hospital psiquiátrico quando Noémie tinha apenas nove anos. A diretora prefere dizer que é um filme pessoal e não autobiográfico. Ela se reconhece em Mathilde, mas diz que deixou de contar muitas cenas de sua infância. Como Mathilde, Noémie diz que sentia-se muito preocupada e o mundo lhe parecia muito perigoso.
O filme, contado do ponto de vista da criança, é uma história de amor entre mãe e filha. O primeiro amor da filha é o amor da mãe. Muitas vezes é também o primeiro ódio, mostrando laços que podem ser problemáticos entre mulheres que se conectam de uma forma tão primordial.
"Je ne suis pas une bonne mère" (eu não sou uma boa mãe), diz ela para a psicóloga da escola da filha, quando ela vai encontrá-la, mas não se lembra pra quê.
Um dia sua mãe lhe dá uma coruja de presente. Para proteger essa mãe instável, Mathilde prepara suas refeições, mente para seu pai e precisa usar da imaginação e da fábula para poder lidar com ela. Faz tudo para essa mãe que ama e também é amada infinitamente por ela. Vai bem na escola, mas não é de fazer amigos. A vida que leva a impede de ser como as outras crianças. No seu universo infantil e na sua solidão de não poder desabafar com ninguém, Mathilde passa a conversar com a coruja.
"Sua mãe é um pouco louca", diz a coruja. 
É um drama extremamente comovente e poético. É com imensa doçura que a mãe de Mathilde lhe promete "Amanhã vou começar com o pé direito". Tanta ternura nos leva a perguntar se o filme não é uma declaração de amor de Noémie para a mãe.

Demain et Tous les Autres Jours abriu o Festival de Locarno e foi criticado pela fantasia, mas é justamente ela que permeia a empatia que temos, principalmente com a doença mental da mãe de Mathilde. O filme de Noémie Lvovsky retrata a solidão de seus personagens com gestos e ações que se revelam como tantas carícias gentis e doces. Como uma história para dormir, significa manter as sombras afastadas e dar as boas-vindas à noite vindoura enquanto espera com confiança pelo amanhã. E  pelo depois de amanhã, e por todos os dias seguintes, ...

IMDB: 5,9/ 10
Filmow: 3,8/ 5
Minha nota: 3,8/ 5

*Disponível no My French Film Festival até o dia 18 de fevereiro.

Ficha técnica:
Nome original: Demain et Tous les Autres Jours
Outros títulos: Tomorrow and Thereafter.
País: França.
Ano: 2017
Direção: Noémie Lvovsky
Roteiro: Noémie Lvovsky, Florence Seyvos.
Elenco: Luce Rodriguez, Noémie Lvovsky, Mathieu Amalric, Anais Demostieur.

(Por: Cecilia Peixoto)


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

HOTEL JUDITH





Nem sempre os curtas recebem destaque em alguns festivais. Eu mesma acabo não vendo. Assim como gosto de livros grossos, onde eu acabe me envolvendo com os personagens, também gosto de filmes que me façam sentir uma espécie de imersão. É claro que um curta não tem nem tempo de produzir isso. Mas pensem em quanto pode ser criativo e difícil contar uma história inteira em poucos minutos! Postei outro dia um que não tinha nem 7 minutos. O My French Film Festival 2019 selecionou diversos curtas e dessa vez estou aproveitando para ver todos e me surpreendendo. Principalmente quando já está quase na hora que eu preciso dormir e não dá tempo de ver um longa, nada melhor que um rapidinho, não é?

O Judith Hotel é super badalado, dificílimo conseguir uma vaga. Antes de se alojar, a pessoa precisa responder um questionário sobre suas preferências, tipo que horas deseja jantar, o que deseja jantar e outras perguntas que a princípio o espectador não entende. Por que será que é tão procurado aquele hotel? Os hóspedes são bizarros, aliás você vai ver que o filme é bem bizarro também. Rémi, o personagem principal, foi para lá porque não consegue dormir, coitado. Oito anos sem dormir. Mas o Judith Hotel garante que tem uma solução para o caso dele.

"Seus problemas acabaram!"

*Disponível no My French Film Festival até o dia 18 de fevereiro.


IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Judith Hotel.
País: França.
Ano 2018
Direção: Charlotte Le Bon.
Roteiro: Charlotte Le Bon, Timothée Hochet .
Elenco: Sarah Calcine, Guillaume Kerbusch, Suzanne Rault-Balet.

(Por: Cecilia Peixoto)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O PODER DE DIANE





O filme trata de uma maneira bem-humorada e agradável um assunto importante: ser barriga de aluguel.
Na trama, é Diane (Clotilde Hesme) quem decidiu oferecer seu corpo para abrigar o filho do seu grande amigo Thomas com seu parceiro. Aparentemente, Diane é uma mulher muito bem resolvida na vida, leve, alegre, descomplicada. Diane acredita no seu poder de decidir sobre seu corpo. sobre não precisar dar satisfações a ninguém. Ela resolve se mudar, durante a gestação, para uma casa de campo que era dos seus avós. Tudo ia bem, até que ela conhece Fabrizio. Acostumada a relacionamentos não duradouros, Diane acreditava que era feliz assim. Mas aos poucos vai se envolvendo com Fabrizio e sua maneira desprendida de ver as coisas vai se modificando.

Clotilde Hesme é uma atriz francesa conhecida por protagonizar os filmes Les amants réguliers, de Philippe Garrel e Les Chansons d'amour de Christophe Honoré. Fabien Gorgeart é roteirista e diretor dos curtas-metragens Un homme à la mer (2009), Le sens de l´orientation (2012) e Le diable est dans les détails (2016). Diane a les épaules é seu primeiro longa-metragem.
"Sem tentar ser moralista ou proselitista, o diretor usa o pretexto da barriga de aluguel para falar dos novos códigos de casais e da ruptura dos modelos familiares. Picante, emocionante, sexy, irritante, a brilhante Clotilde Hesme tem força para encenar todas essas emoções".
Barbara Théate, Le Journal du Dimanche.

O diretor consegue imprimir bastante naturalismo ao filme, é quase como se Diane. Fabrizio, Thomas e Jacques fossem também nossos amigos. Clotilde tem grande responsabilidade nessa sensação de familiaridade que o filme passa com a sua convincente interpretação. A questão que se propõe é até onde uma barriga pode ser considerada somente de aluguel? Dá para separar todos os sentimentos e sensações de ter um bebê, um ser humaninho, crescendo dentro de você, sem criar nenhum elo? E para a criança? Será que a criança sente a separação depois que nasce, depois que sai da "casinha"?
Curiosidade: Gorgeart aproveitou a gravidez real de Clotilde para os momentos em que ela exibe seu barrigão. Nada mais perfeito!
Diane a Les Épaules foi uma das atrações do Festival de Varilux 2018.
*Disponível no My French Film Festival 2019 até o dia 18/02.

IMDB: 6/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,2 / 5

Ficha técnica:
Nome original: Diane a Les Épaules.
Outros nomes: Diane Has The Right Shape.
País: França.
Ano: 2017
Direção: Fabien Gorgeart
Roteiro: Fabien Gorgeart.
Elenco: Clotilde Hesme, Fabrizio Rongione, Thomas Suire, Grégory Montel.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

WILD LOVE





Hum, pra quem gosta do gênero,...

Acho que esse é curta mais curtinho do festival, mas são 7 minutos de puro horror, mesmo sendo uma animação.
Coitados de Alan e Beverly, que em um encontro tão romântico, sem querer, provocam um acidente fatal. Mas esse crime não ficará impune...
Divertidamente macabro.

Filmow: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Wild Love.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Paul Autric e outros.
Animação, curta.

* Disponível no My French Film Festival 2019, até o dia 18 de fevereiro.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

CÃO AZUL






Emile tem medo do mundo. Ele não sai mais de sua casa e pinta tudo de azul.

Bem, não vou falar muito sobre o filme, porque é um curta, senão conto tudo em poucas palavras.

Mas como sempre gosto de pesquisar e é isso que é interessante, como vou, através dos filmes que vejo, estendendo minha curiosidade e aprendendo sobre tantos assuntos, descobri que existe uma patologia que se chama Cromofobia. Quem tem medo de cores, tem o que se chama de Cromofobia. Uma aversão a cores, um medo mórbido de ser corrompido ou contaminado pelas cores. Esse medo irracional pode provocar reações hormonais e psicológicas.

A personagem Marnie, do filme de Hitchcock, tem aversão à cor vermelha, provocada por um trauma que teve durante a infância.
No curta dirigido por Fanny Llatard, Emile só sente-se seguro com a cor azul. Sabemos que essa cor transmite tranquilidade, serenidade e harmonia. Simboliza a água, o céu e o infinito.
Mas a cor azul também está associada à frieza, monotonia e depressão. Principalmente para Yoan, filho de Emile, que fica desolado ao chegar em casa e encontrar o pai "preso" no azul.

Um filme que, em poucos minutos, passa muita sensibilidade.


IMDB: 6,8/10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Chien Bleu.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Fanny Llatard.
Elenco: Michel Pichon, Rod Paradot, Mariam Makalou

*Disponível no My French Film Festival 2019.
(Por: Cecilia Peixoto)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A EXCÊNTRICA FAMÍLIA DE GASPARD




Uma agradável surpresa esse filme. Gaspard conhece Laura e, a caminho do casamento de seu pai, propõe a ela que o acompanhe fingindo que é a namorada dele. O que parecia ser apenas uma comédia romântica, não que eu não goste, nos faz fazer algumas reflexões. Primeiro, a família excêntrica de Gaspard. Aliada com muito amor entre eles, nos faz questionar que a nossa "normalidade" também possa ser estranha para eles.
Gaspard e os dois irmãos cresceram em um ambiente pitoresco: um zoológico. Daí já podemos considerar que o ambiente em que eles viveram já lhes proporcionou uma "normalidade" diferente da nossa. A mãe morreu cedo e Gaspard e a irmã caçula tinham uma ligação muito forte. Ele é tipo um ídolo para Coline.Tanto que ela fica enciumada com a presença de Laura e vai demonstrar isso, implicando com ela.
A Excêntrica Família de Gaspard ou, no original, Gaspard Va Au Mariage, foi visto no Varillux 2018 e é o terceiro filme do diretor Antony Cordier. Seu primeiro longa-metragem, À Flor da Pele (2005), foi indicado ao César (o Oscar francês) de Melhor Primeiro Filme.
Cordier (que também assina o roteiro) disse que teve a ideia de fazer o filme inspirado num livro que ele tinha quando criança. A publicação contava a história de um homem que criou um zoológico na década de 1950. Uma das coisas que lhe chamou a atenção foram as fotos do livro, que mostravam ele e sua família convivendo com animais.
O patriarca da família, Max, é interpretado por Johan Heldenbergh e é um mulherengo inveterado, mas está realmente interessado em casar com Peggy (Marina Fois).
Entre os personagens exóticos do filme, quem mais se destaca é Coline, interpretada por Christa Théret, já que ela anda pelo zoológico com uma pele de urso. Cordier disse que se inspirou, para criar o personagem, em um conto italiano do século XV, e que também deu origem a Pele de Asno, filme de 1970 estrelado por Catherine Deneuve. Laura diz para Gaspard que será difícil enganar Coline, porque ela tem uma sensibilidade de um animal.
O outro irmão de Gaspard, Virgile, parece ser o mais sensato da família. Gaspard estava afastado de casa há bastante tempo. Percebe-se que ele não está muito à vontade de volta. Com o afastamento do irmão, Virgile precisou assumir a gerência dos negócios e preocupa-se com a situação financeira do zoológico. Afinal, e essa é outra questão do filme, quase ninguém hoje em dia quer ver mais animais enjaulados.
Para Cordier, os zoológicos estão obrigados a se reinventar. "Quando era criança, a gente ia ao zoológico e achava normal ver animais em gaiolas. Mas agora o público questiona isso. Os zoológicos têm que assumir uma nova função de preservar as espécies". Mais uma reflexão para a "normalidade", ela pode depender do contexto ou da época.
Gaspard (Félix Moati) tem um jeito doce e apaixonante. Foi, desde criança, o inventor da família. Sua invenção nº 1 era uma rolha de champanhe em que abria um paraquedas, quando impulsionada. Inúltil? Talvez, mas lindo. É a parte poética do filme.
O local agradável rende boas cenas e mesmo a família nos cativa, ainda mais quando vamos conhecendo a história deles na infância. A crítica ao filme (não minha) é ter escolhido a leveza em vez de se aprofundar nas discussões, em vez de ousar mais. Não vejo assim, acredito que não era a intenção de Cardier. O diretor já admitiu que se interessa mais por comédia do que por outros gêneros cinematográficos.
Há momentos muito bons, com toques dramáticos e românticos. O quanto a perda precoce da mãe fez os irmãos se apegarem ao lugar que lembrava a infância e, consequentemente, dela? O quanto a forte ligação entre eles também se originou dessa perda e o quanto tudo isso estava impedindo a todos de terem uma vida? Uma vida talvez "normal"?
Muita nudez, mas nenhuma cena sexual forte. Sempre a preferência pela leveza e o humor.
Disponível no My French Film Festival 2019 até o dia 18 de fevereiro.
IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Gaspard Va Au Mariage.
País: França.
Ano: 2017
Direção: Antony Cordier.
Roteiro: Antony Cordier.
Elenco: Félix Moati, Laetitia Dosch, Christa Théret, Marina Fois, Johan Heldenbergh, Guillaume Gouix.


(Por: Cecilia Peixoto)