Uma agradável surpresa esse filme. Gaspard conhece Laura e, a caminho do casamento de seu pai, propõe a ela que o acompanhe fingindo que é a namorada dele. O que parecia ser apenas uma comédia romântica, não que eu não goste, nos faz fazer algumas reflexões. Primeiro, a família excêntrica de Gaspard. Aliada com muito amor entre eles, nos faz questionar que a nossa "normalidade" também possa ser estranha para eles.
Gaspard e os dois irmãos cresceram em um ambiente pitoresco: um zoológico. Daí já podemos considerar que o ambiente em que eles viveram já lhes proporcionou uma "normalidade" diferente da nossa. A mãe morreu cedo e Gaspard e a irmã caçula tinham uma ligação muito forte. Ele é tipo um ídolo para Coline.Tanto que ela fica enciumada com a presença de Laura e vai demonstrar isso, implicando com ela.
A Excêntrica Família de Gaspard ou, no original, Gaspard Va Au Mariage, foi visto no Varillux 2018 e é o terceiro filme do diretor Antony Cordier. Seu primeiro longa-metragem, À Flor da Pele (2005), foi indicado ao César (o Oscar francês) de Melhor Primeiro Filme.
Cordier (que também assina o roteiro) disse que teve a ideia de fazer o filme inspirado num livro que ele tinha quando criança. A publicação contava a história de um homem que criou um zoológico na década de 1950. Uma das coisas que lhe chamou a atenção foram as fotos do livro, que mostravam ele e sua família convivendo com animais.
O patriarca da família, Max, é interpretado por Johan Heldenbergh e é um mulherengo inveterado, mas está realmente interessado em casar com Peggy (Marina Fois).
Entre os personagens exóticos do filme, quem mais se destaca é Coline, interpretada por Christa Théret, já que ela anda pelo zoológico com uma pele de urso. Cordier disse que se inspirou, para criar o personagem, em um conto italiano do século XV, e que também deu origem a Pele de Asno, filme de 1970 estrelado por Catherine Deneuve. Laura diz para Gaspard que será difícil enganar Coline, porque ela tem uma sensibilidade de um animal.
O outro irmão de Gaspard, Virgile, parece ser o mais sensato da família. Gaspard estava afastado de casa há bastante tempo. Percebe-se que ele não está muito à vontade de volta. Com o afastamento do irmão, Virgile precisou assumir a gerência dos negócios e preocupa-se com a situação financeira do zoológico. Afinal, e essa é outra questão do filme, quase ninguém hoje em dia quer ver mais animais enjaulados.
Para Cordier, os zoológicos estão obrigados a se reinventar. "Quando era criança, a gente ia ao zoológico e achava normal ver animais em gaiolas. Mas agora o público questiona isso. Os zoológicos têm que assumir uma nova função de preservar as espécies". Mais uma reflexão para a "normalidade", ela pode depender do contexto ou da época.
Gaspard (Félix Moati) tem um jeito doce e apaixonante. Foi, desde criança, o inventor da família. Sua invenção nº 1 era uma rolha de champanhe em que abria um paraquedas, quando impulsionada. Inúltil? Talvez, mas lindo. É a parte poética do filme.
O local agradável rende boas cenas e mesmo a família nos cativa, ainda mais quando vamos conhecendo a história deles na infância. A crítica ao filme (não minha) é ter escolhido a leveza em vez de se aprofundar nas discussões, em vez de ousar mais. Não vejo assim, acredito que não era a intenção de Cardier. O diretor já admitiu que se interessa mais por comédia do que por outros gêneros cinematográficos.
Há momentos muito bons, com toques dramáticos e românticos. O quanto a perda precoce da mãe fez os irmãos se apegarem ao lugar que lembrava a infância e, consequentemente, dela? O quanto a forte ligação entre eles também se originou dessa perda e o quanto tudo isso estava impedindo a todos de terem uma vida? Uma vida talvez "normal"?
Muita nudez, mas nenhuma cena sexual forte. Sempre a preferência pela leveza e o humor.
Disponível no My French Film Festival 2019 até o dia 18 de fevereiro.
IMDB: 6,2/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,5/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Gaspard Va Au Mariage.
País: França.
Ano: 2017
Direção: Antony Cordier.
Roteiro: Antony Cordier.
Elenco: Félix Moati, Laetitia Dosch, Christa Théret, Marina Fois, Johan Heldenbergh, Guillaume Gouix.
(Por: Cecilia Peixoto)
(Por: Cecilia Peixoto)

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