Cinéfilos Eternos: Curta
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

FLORES






Baptiste Petit-Gats, acostumado a editar, principalmente documentários, diz que o trabalho de edição acabou ensinando-o a escrever para filme, pois não envolve somente o roteiro, mas também o trabalho com os atores, o ritmo das sequências, os intervalos, os silêncios, ... Interessante, nunca tinha pensado nisso. Também fotógrafo, ele filmou, escreveu, dirigiu e editou seu próprio curta-metragem, participando do My French Film Festival de 2019.
Des Fleurs é a comovente história de uma mãe viúva e seu filho adolescente em um chuvoso Dia de Finados.
Berenice está obcecada em encontrar as flores certas, no caso gerânios vermelhos, para colocar no túmulo do marido e para isso arrasta o seu filho adolescente Sacha nessa procura. Mas Sacha tem outros planos.
O diretor comenta que o desafio do filme é o espectador tentar entender, ou pelo menos se aproximar, da personagem Berenice.
A escolha da atriz Catherine Salée para o papel se deveu ao fato de Baptiste ter certeza que ela teria a doçura certa para acrescentar à personagem áspera, trazendo profundidade.
Berenice talvez se apegue ao ritual de oferecer a flor certa ao marido morto numa prova de fidelidade aos sentimentos por ele, mais ainda ela precisa disso para ser fiel ao seu passado, é difícil para ela seguir em frente, recomeçar. Seu filho faz parte disso tudo e ela o quer junto dela. É difícil para Berenice entender que isso é uma escolha dela, mas não dele. Talvez ele prefira oferecer flores para alguém que ainda está vivo.
*Disponível no My French Film Festival 2019.
Filmow: 3,1/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Des Fleurs.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Baptiste Petit-Gats.
Roteiro: Baptiste Petit-Gats.
Elenco: Catherine Salée, Victor Rivière.

(Por: Cecilia Peixoto)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A COLEÇÃO




Mais um curta (13 min). Achei genial!
É um filme sobre um comerciante inescrupuloso que “compra” peças artísticas de colecionadores judeus forçados a deixar Paris em meio à ocupação da França pela Alemanha nazista. Informado por um zelador, ele ouve sobre a extraordinária coleção do Sr. Klein.
O diretor e roteirista diz que a ideia veio de um dos contos favoritos dele, de autoria de Stefan Zweig, mas ele mudou o período histórico e outras coisas. Os personagens que ele criou, Mister Klein e sua filha Elise, dão o tom intrigante nessa história de subjugação e opressão. Stefan Zweig foi um escritor, romancista, poeta, dramaturgo, jornalista e biógrafo austríaco de origem judaica. A partir da década de 1920 e até sua morte foi um dos escritores mais famosos e vendidos do mundo.
Emmanuel Blanchard, nascido em Paris, estudou e depois ensinou história antes de se tornar um documentarista responsável por filmes como “Bombing War”, “Le Diable de la République” e “Après la Guerre”. Ele atualmente dirige “Notre-Dame de Paris”, um documentário animado de 90 minutos, filme de ficção parcial sobre a construção da mundialmente famosa catedral parisiense. Competindo no MyFFF, “The Collection” é seu primeiro curta de ficção.
Mr. Klein é interpretado por Jean-Claude Carrière, um premiado roteirista, escritor, diretor e ator francês. Ele foi um colaborador frequente do diretor Luis Buñuel. Para Blanchard, essa escolha foi decisiva, pois Carrière trouxe para o personagem seu brilho, seu humor requintado, seu amor pela arte, a extraordinária textura de sua voz.
La Collection fica entre um drama e um conto fantástico, com sua fotografia de claro-escuro e a textura do som.
Nossa, eu nem ligava muito para "curtas", mas agora estou vendo quantas coisas, principalmente cultura, posso tirar de tão poucos minutos.


*Disponível até o dia 18 de fevereiro no My French Film Festival 2019.

IMDB: 7,2/ 10
Filmow: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Collection.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Emmanuel Blanchard
Roteiro: Emmanuel Blanchard, Thomas Kruithof.
Elenco: Jean-Claude Carrière, Pauline Etienne, Michel Bompoil.


(Por: Cecilia Peixoto)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

HOTEL JUDITH





Nem sempre os curtas recebem destaque em alguns festivais. Eu mesma acabo não vendo. Assim como gosto de livros grossos, onde eu acabe me envolvendo com os personagens, também gosto de filmes que me façam sentir uma espécie de imersão. É claro que um curta não tem nem tempo de produzir isso. Mas pensem em quanto pode ser criativo e difícil contar uma história inteira em poucos minutos! Postei outro dia um que não tinha nem 7 minutos. O My French Film Festival 2019 selecionou diversos curtas e dessa vez estou aproveitando para ver todos e me surpreendendo. Principalmente quando já está quase na hora que eu preciso dormir e não dá tempo de ver um longa, nada melhor que um rapidinho, não é?

O Judith Hotel é super badalado, dificílimo conseguir uma vaga. Antes de se alojar, a pessoa precisa responder um questionário sobre suas preferências, tipo que horas deseja jantar, o que deseja jantar e outras perguntas que a princípio o espectador não entende. Por que será que é tão procurado aquele hotel? Os hóspedes são bizarros, aliás você vai ver que o filme é bem bizarro também. Rémi, o personagem principal, foi para lá porque não consegue dormir, coitado. Oito anos sem dormir. Mas o Judith Hotel garante que tem uma solução para o caso dele.

"Seus problemas acabaram!"

*Disponível no My French Film Festival até o dia 18 de fevereiro.


IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Judith Hotel.
País: França.
Ano 2018
Direção: Charlotte Le Bon.
Roteiro: Charlotte Le Bon, Timothée Hochet .
Elenco: Sarah Calcine, Guillaume Kerbusch, Suzanne Rault-Balet.

(Por: Cecilia Peixoto)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

WILD LOVE





Hum, pra quem gosta do gênero,...

Acho que esse é curta mais curtinho do festival, mas são 7 minutos de puro horror, mesmo sendo uma animação.
Coitados de Alan e Beverly, que em um encontro tão romântico, sem querer, provocam um acidente fatal. Mas esse crime não ficará impune...
Divertidamente macabro.

Filmow: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Wild Love.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Paul Autric e outros.
Animação, curta.

* Disponível no My French Film Festival 2019, até o dia 18 de fevereiro.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

CÃO AZUL






Emile tem medo do mundo. Ele não sai mais de sua casa e pinta tudo de azul.

Bem, não vou falar muito sobre o filme, porque é um curta, senão conto tudo em poucas palavras.

Mas como sempre gosto de pesquisar e é isso que é interessante, como vou, através dos filmes que vejo, estendendo minha curiosidade e aprendendo sobre tantos assuntos, descobri que existe uma patologia que se chama Cromofobia. Quem tem medo de cores, tem o que se chama de Cromofobia. Uma aversão a cores, um medo mórbido de ser corrompido ou contaminado pelas cores. Esse medo irracional pode provocar reações hormonais e psicológicas.

A personagem Marnie, do filme de Hitchcock, tem aversão à cor vermelha, provocada por um trauma que teve durante a infância.
No curta dirigido por Fanny Llatard, Emile só sente-se seguro com a cor azul. Sabemos que essa cor transmite tranquilidade, serenidade e harmonia. Simboliza a água, o céu e o infinito.
Mas a cor azul também está associada à frieza, monotonia e depressão. Principalmente para Yoan, filho de Emile, que fica desolado ao chegar em casa e encontrar o pai "preso" no azul.

Um filme que, em poucos minutos, passa muita sensibilidade.


IMDB: 6,8/10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Chien Bleu.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Fanny Llatard.
Elenco: Michel Pichon, Rod Paradot, Mariam Makalou

*Disponível no My French Film Festival 2019.
(Por: Cecilia Peixoto)

terça-feira, 17 de julho de 2018

ESTOU AQUI




Spike Jonze é bom em criar mundos paralelos, seja na direção de filmes como “Quero Ser John Malkovich”, “Onde Vivem os Monstros” e “Ela” ou mesmo na roteirização de filmes como o insano “Jackass”. Em 2010, ele escreveu e dirigiu o curta I’m Here, no qual, tal como nos trabalhos citados, Jonze constrói um mundo ficcional onde robôs dividem o mundo com seres humanos, ilustrando a própria vida real.
Na trama, Sheldon (Andrew Garfield) é um bibliotecário de Los Angeles, que leva a vida de forma simples e tímida. Sheldon é um robô e vive todos os dias de forma repetitiva e vazia. Esse sentido que faltava é preenchido quando ele conhece Francesca (Sienna Guillory), uma robô divertida, que não se importa nem um pouco com a inferiorização dos robôs por parte dos humanos. Ela só quer se divertir e enxerga amizade em cada ser existente. Sheldon e Francesca se apaixonam e começam a namorar. A relação deles é a mais encantadora possível. Eles vão à festas, fazem passeios noturnos, passeios em parques, assistem shows musicais, como qualquer outro casal no mundo (real ou deles). Só Francesca consegue tirar o robô de sua rotina. Mas, como em todo bom romance, uma dose de drama sempre vai bem para acompanhar. Sheldon prova seu amor incondicional e infinito por sua robômorada e isso culmina em um desfecho comovente, indagando o espectador se ele seria capaz de fazer o mesmo por quem ama.
O mundo proposto por Jonze na história é a própria representação do mundo real, onde os robôs, excluídos pelos seres humanos e vistos como seres inferiores, funcionam como os excluídos da sociedade real. São os pobres, negros, homossexuais, mulheres ou quem quer que seja visto como menor e gera olhares nas ruas por serem quem eles são por direito. Francesca, em uma cena, cola cartazes escrito: I’m Here (Eu Estou Aqui) pelas ruas da cidade. O que ela está gritando para o mundo é que ela não quer só ser vista, mas enxergada também. Ela pode ser considerada excluída, no entanto ela está aqui, quer que seus direitos e deveres sejam validados como os dos seres humanos. Portanto, aquele cartaz demarca que Francesca está aqui neste planeta como qualquer outro ser. E não existem pessoas lutando para serem enxergadas todos os dias fora da tela?
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(continuação da análise com SPOILER)
Outro ponto discutido no filme é acerca do amor. Francesca é desajeitada e quebra uma parte do corpo a cada momento, o que faz Sheldon doar o seu corpo para ela por amor. Isso é lindo, mas convenhamos que passou pela sua cabeça que esse problema poderia ter sido facilmente resolvido se eles comprassem novos membros ou os achassem no ferro velho, só que isso arruinaria a discussão do filme! Além do mais, os robôs são aqui a representação dos seres humanos. As partes perdidas por Francesca são como órgãos ou membros do corpo humano, não são facilmente substituíveis, por vezes só com transplantes, como no filme. E é preciso muito amor para doar uma parte sua para alguém. Seja em vida ou não, são admiráveis os que fazem isso.
No caso do filme, o amor de Sheldon pela namorada era tamanho, que ele preferia se ver sem aquele membro a ter de viver sem ela. Isso é amor intenso, profundo e verdadeiro. E aquele desfecho, quando apenas a cabeça de Sheldon é o que restou de seu corpo, ele prova de uma vez por todas que se doou completamente por aquela relação e por sua amada. É claro que na vida real não seria possível alguém fazer o mesmo, mas a ideia ai é justamente mostrar que as pessoas precisam se doar por completo quando entram em um relacionamento. E isso é tão raro de acontecer. A maioria das pessoas têm sempre interesses pessoais, seja sexo, dinheiro, fama, … porém, não doam nem o tempo ao lado do outro, que dirá se doar por inteiro! Sheldon é, portanto, o amor verdadeiro.
Analisando a parte mais técnica do curta, Spike Jonze conquista os olhos dos espectadores com uma fotografia bela e viva. Somada a uma trilha sonora sensível e de bastante conteúdo, como as músicas There Are Many Of Us (Aska) e Hellhole Ratrace (Girls). As atuações também são ótimas, mesmo os atores escondendo os rostos debaixo das fantasias de robôs.

Texto e análise: Tom Carneiro.
Filmow: 4,2/ 5
Nota (Tom): 9/ 10

Ficha técnica:
Nome original: I'm Here
Outros nomes: Estou aqui
País: EUA
Ano: 2010
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze
Elenco: Andrew Garfield, Sienna Guillory.