Cinéfilos Eternos: Marion Cotillard
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domingo, 3 de fevereiro de 2019

MEU ANJO





Primeiro longa-metragem da francesa Vanessa Filho, Gueule d'Ange passou por diversos festivais e recebeu indicações ao Prêmio Um Certo Olhar.
As resenhas começam assim: "o filme acompanha a história de Marlène, que tem uma filha de oito anos a quem não dispensa muito atenção, mais interessada em bebedeiras, festas e homens". Eu começaria assim: "o filme acompanha a história de Elli, uma menina de oito anos que tem uma mãe que não lhe dispensa muita atenção, mais interessada em bebedeiras, festas e homens".
Porque mesmo a mãe, a Marlène, sendo interpretada por Marion Cotillard, o filme é mais sobre a menina, o "meu anjo" do que sobre a mãe.

Elli, que não sabe quem é o pai e quando perguntada sobre isso responde com a maior naturalidade "não sei, estava escuro", é levada a festas de adultos, onde é neglicenciada por uma mãe geralmente bêbada. Em uma delas, a mãe a coloca em um taxi e não volta pra casa por vários dias.
Marlène é carinhosa com a filha, é "meu anjo" pra cá, "meu anjo" pra lá, mas se revela totalmente despreparada para cuidar dela. Geralmente alcoolizada, perguntas tipo "já comeu" seguidas de "faça alguma coisa" ou "compre alguma coisa, você já é grande" são comuns. A história me lembrou do filme Projeto Flórida, sendo que nesse último a mãe se prostituía para o sustento dela e da filha e em Meu Anjo não é explicado de onde vem o dinheiro para o sustento de Marlène e Elli. Os papeis são tão invertidos que durante esse desaparecimento, nas poucas vezes que Marlène liga, ela diz " estou bem" em vez de perguntar se Elli está bem.
Um outro que vi recentemente e achei bem parecida a relação mãe-filha foi Amanhã e Todos os Outros Dias. Os dois estão disponíveis até o dia 18 de fevereiro no My French Film Festival 2019.
Que Marlène é uma péssima mãe fica claro, mas será que ela é uma mãe má? Ela é relapsa, mas é doce, só chama a filha de "meu anjo", a filha a acha linda e fica orgulhosa quando ela também a produz e a leva às festas. Quer dizer, rola uma admiração da filha pela mãe, ao ponto dela querer imitá-la quando dança e até começar a beber. E esse deslumbramento pode ser muito perigoso. Fica claro também que Marlène precisa de um tratamento. O fato é que existem por aí muitas Marlènes e Ellis. Falamos sobre filmes: "final previsível". Mas muitas vezes fechamos os olhos para a realidade.
A jovem atriz Ayline Aksoy-Etaix, em seu primeiro papel, não faz feio e consegue nos emocionar através de seus olhares, de seu silêncio. A adoração pela mãe transforma-se aos poucos em raiva pelo abandono.

IMDB: 6/ 10
Filmow: 3,4/ 5
Minha nota: 3,4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Gueule d'Ange
Outros nomes: Angel Face.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Vanessa Filho.
Roteiro: Vanessa Filho, Diastème.
Elenco: Marion Cotillard, Ayline Aksoy-Etaix, Alban Lenoir

(Por: Cecilia Peixoto)

sábado, 30 de junho de 2018

É APENAS O FIM DO MUNDO



Para quem curte um filme bem denso, esse é uma boa pedida. Que cara talentoso esse Xavier Dolan. Consegue extrair de cada ator a dramaticidade certa.
Louis se afastou da família há doze anos.

"É assim que após uns 12 anos de ausência, e apesar do medo, eu decidi voltar a vê-los".

Existe uma gama de motivações que vêm de nós mesmos, que não se relaciona a ninguém além de nós, que nos impulsiona a sair pela vida afora, a não olhar pra trás.
Da mesma forma, existe uma variedade tão grande de motivações quanto essa que nos fazem voltar.!"
A motivação de Louis era anunciar a sua morte iminente.

"Foi assim que após todos esses anos tomei a decisão de voltar atrás, de fazer a viagem, para anunciar a minha morte."

Seria justo isso? Depois de tantos anos privando a família do seu convívio, há tanta expectativa, tantas esperanças de retomar os laços, de talvez até recuperar o tempo perdido...
Mas não é por certo isso que Louis pretende:
"Anunciá-la eu mesmo e sentir o poder de dar a mim mesmo e aos outros a ilusão de estar até esse extremo senhor de mim mesmo."

Com um elenco fabuloso, fotografia e trilha sonora sensacionais, Dolan nunca me decepciona.
Apesar de receber o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio Ecumênico do Júri no Festival de Cannes de 2016, além de ter concorrido à Palma de Ouro, o filme foi vaiado em sua apresentação. Vai entender. Talvez por ser intimista ao extremo, nem todo mundo aprecia. Dependendo do gosto, sim, o filme pode ser exaustivo. Ele é composto o tempo todo de diálogos e nem sempre verbalizados. O personagem Louis quase não fala, balbucia e sorri. Mas é tão intenso, como não gostar?

Nathalie Baye, a mãe, que atriz! A princípio, parecia tão frívola, que fiquei em dúvida se era a mãe ou madrasta. Mas entendo ela, sou assim às vezes, entendo quando continuou terminando de pintar as unhas quando ele chegou. Sei como é, enquanto isso estava se preparando para o momento. E aquela cena em que ela passa perfume e chega perto dele e pede pra ele sentir o perfume, dizer se gosta? E então os dois se desarmam, se entregam naquele abraço que parecia não ter mais fim. E ela lhe diz: "Você pensa que eu não te entendo e não te amo. Eu não te entendo mesmo! Mas te amo muito!"
Léa Seidoux interpreta a irmã que quase não conviveu com o irmão, já que quando ele partiu ela ainda era pequena. Mas é tão carente dele, tão carente das coisas que poderia ter vivido com ele, das coisas que ele teve coragem de enfrentar e ela não tem.
Já Antoine (Vincent Cassel) é aquele babaca invejoso que disfarça sua frustração com ironias malvadas. Terá ele um pouco de razão? Sempre ficou ao lado da família mas parece que todas as atenções voltam-se para Louis. Também, Louis é um escritor, mora na cidade grande, ... Talvez Antoine seja o mais lúcido, aquele que percebe que Louis não voltou por ninguém, só por ele mesmo.
Catherine (Marion Cotillard) é a cunhada, de uma doçura, com aqueles olhos sempre ávidos de perceber a essência das coisas, das pessoas e ela mais que ninguém parece saber que Antoine sofre com isso tudo por trás de toda sua grosseria. Tem também aquele momento lindo em que ela e Louis se olham infinitamente e ela lhe diz com o olhar: "eu te entendo, também não pertenço a nada disso".

Adaptação de uma peça de teatro de mesmo nome, de Jean-Luc Lagarce, é o primeiro filme de Dolan com um elenco totalmente francês.
"Juste la fin du Monde" é daqueles filmes que você pensa: "preciso ver mais uma vez", há uma riqueza de detalhes que você quer rever, refletir, ou talvez haja tanta coisa que você deixou passar, é preciso voltar lá. É como se através do filme você pudesse talvez repassar sua própria vida. Quem sabe? Existem coisas sobre as quais pensamos poder ter controle. Mas não temos. Nem Louis.

IMDB: 
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Juste La Fin du Monde
Outros nomes: It's Only The End of The World
País: Canadá/ França
Ano: 2016
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan

Elenco: 
Gaspard Ulliel, Nathalie Baye, Léa Seydoux, Marion Cotillard e Vincent Cassel
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quarta-feira, 16 de maio de 2018

OS FANTASMAS DE ISMAEL



O filme tem outro filme dentro, já que Ismael é cineasta. No filme que ele dirige e está escrevendo, Louis Garrel é o ator principal. Interpreta Ivan, irmão de Ismael, um de seus fantasmas, que talvez ele queira exorcizar com a história, Ou apenas contar do modo dele a história real. Da maneira que ele vê. Ou da maneira que ele quer que vejam. Da maneira que ele precisa que vejam!
Seu outro fantasma é sua ex-mulher, Carlotta (Marion Cotillard). Ela desapareceu depois de três anos de casamento e Ismael vive há mais de vinte anos um luto sem corpo. Ele e o pai de Carlotta, por quem adquiriu um grande afeto. Procura nele o conforto da ausência dela.
No decorrer do filme, veremos que há outros fantasmas assombrando, Ismael, os fantasmas de seu passado.
Finalmente Ismael conhece uma outra mulher e uma nova chance de amar. Ela é diferente das inúmeros casos sem importância que teve até agora. Sylvia (Charlotte Gaisnburg) é tímida, adora ler e ele adora implicar com os livros dela e os dois estão se dando muito bem. Até que Carlotta resolve voltar. Sim, Carlotta não morreu e resolve voltar para Ismael, sem a menor cerimônia. Para constrangimento de todos.
"Você pode viver sem ele. Mas eu não", diz Carlotta para Sylvia.
A primeira parte do filme é sensacional, instigante, queremos descobrir o que aconteceu com Carlotta, o porquê dela ter ido embora, o porquê dela voltar, os diálogos são maravilhosos. Assim como Ismael, ficamos divididos entre Carlotta e Sylvia.
Mas achei que Desplechin se estendeu demais na segunda parte e o filme ficou confuso, cansativo. O Ismael, "extremamente ridículo, extremamente violento, extremamente melodramático, extremamente sentimental, extremamente púdico…", nas próprias palavras do diretor, ficou parecido com outro personagem do Mathieu, de outro filme dele. O ator já fez vários filmes de Desplechin, não sei se ele teve a intenção de também correlacionar o personagem com o de um filme anterior. Ainda não captei! Ah, estou lendo aqui, que foi uma maneira de revisitar todos os personagens que fizeram juntos, Mathieu, dirigido por Arnaud. Interessante.
"Les Fantômes d'Ismael" tem pontos altos e baixos. Vale pela fotografia de Irina Lubtchansky, pelos diálogos da primeira parte, como já comentei, um elenco fabuloso, embora (aviso aos fãs) Garrel tenha pouca representação no filme, tem o belo e eloquente olhar da Cotillard, o talento da Gainsbourg, ... mas confesso que esperava mais.
O filme abriu a edição de 2017 do Festival de Cinema de Cannes.
O novo Desplechin teve recepção fria na abertura do
Festival de Cannes 2017
IMDB: 5,7/ 10
Pelo conjunto do filme, minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Les Fantomes d’Ismaël
País: França.
Ano: 2017
Direção: Arnaud Desplechin
Roteiro: Vincent Maraval.
Elenco: Mathieu Amalric, Charlotte Gainsburg, Marion Cotillard, Louis Garrel.