Cinéfilos Eternos: Vincent Cassel
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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

O MUNDO A SEUS PÉS






Apresentado na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes de 2018, Le Monde Est à Toi é o segundo longa de Romain Gavras, diretor francês nascido na Grécia e filho do grande Costa Gavras.

O filme mescla comédia e ação, é uma paródia sobre filmes de gangsters. O ponto forte é a trilha sonora de alta energia (Michel Sardou, Laurent Voulzy, Daniel Balavoine). É aquele filme meio "nada a ver" mas que te faz acordar e não tirar os olhos da tela.

Karim Leklou tem aquela cara de menino carente e ele é François no filme, um comerciante que tem um sonho de ter um grande negócio e viver em uma casa com piscina com seu amor de juventude, Lamya (Oulaya Amamra, César de Melhor Atriz Revelação por Divines).

Sim, a trilha sonora é de fazer "levantar do caixão" mas quem arrebata o filme é a personagem de Isabelle Adjani: Dany, a mãe de François é uma gangster de carteirinha, não poupa nem o filho, de quem roubou todo o dinheiro que ele economizou e perdeu em jogatinas, o dinheiro com o qual ele pretendia comprar sua casa e viver uma vida diferente da que ele foi criado.
Agora ele vai precisar se arriscar em uma missão que será levar uma soma alta para trazer drogas da Espanha. Poutine, o chefe do tráfico, oferece a ele essa chance de se refazer.
Ele parte acompanhado do seu ex-sogro, Henry (Vincent Cassel), recém saído da prisão e aficionado por histórias de conspiração e dois jovens meio aloprados, que trabalham para o Poutine. Mas as coisas não saem como o previsto e François é forçado a pedir a ajuda de sua mãe.
Os acostumados a ver filmes dramáticos ou românticos com a Adjani, vão se deliciar com esse papel dela, aos 63 anos, como uma chefe de quadrilha, astuciosa e egocêntrica. Já o Cassel faz um papel menor.
Vou confessar que não entendi algumas coisas, o roteiro é meio confuso, mas mesmo assim recomendo. Eu tenho uma relação de amor com o cinema francês, que para mim, mesmo quando é ruim é bom, rsrsrsrs. Mas a qualidade da direção, do elenco, das atuações e da trilha sonora e os personagens caricatos que oferecem ótimos momentos de comédia já são argumentos mais que suficientes para você ver. Mas sei que nem todos irão gostar...




IMDB: 6,7/ 10
Filmow: 3,1/ 5
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica: 
Nome original: Le Monde Est à Toi.
País: França.
Ano: 2018
Direção Romain Gavras.
Roteiro: Romain Gavras, Karim Boukercha, Noé Debré.
Elenco: Karim Leklou, Isabelle Adjani, Vincent Cassel, Oulaya Amamra.

sábado, 30 de junho de 2018

É APENAS O FIM DO MUNDO



Para quem curte um filme bem denso, esse é uma boa pedida. Que cara talentoso esse Xavier Dolan. Consegue extrair de cada ator a dramaticidade certa.
Louis se afastou da família há doze anos.

"É assim que após uns 12 anos de ausência, e apesar do medo, eu decidi voltar a vê-los".

Existe uma gama de motivações que vêm de nós mesmos, que não se relaciona a ninguém além de nós, que nos impulsiona a sair pela vida afora, a não olhar pra trás.
Da mesma forma, existe uma variedade tão grande de motivações quanto essa que nos fazem voltar.!"
A motivação de Louis era anunciar a sua morte iminente.

"Foi assim que após todos esses anos tomei a decisão de voltar atrás, de fazer a viagem, para anunciar a minha morte."

Seria justo isso? Depois de tantos anos privando a família do seu convívio, há tanta expectativa, tantas esperanças de retomar os laços, de talvez até recuperar o tempo perdido...
Mas não é por certo isso que Louis pretende:
"Anunciá-la eu mesmo e sentir o poder de dar a mim mesmo e aos outros a ilusão de estar até esse extremo senhor de mim mesmo."

Com um elenco fabuloso, fotografia e trilha sonora sensacionais, Dolan nunca me decepciona.
Apesar de receber o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio Ecumênico do Júri no Festival de Cannes de 2016, além de ter concorrido à Palma de Ouro, o filme foi vaiado em sua apresentação. Vai entender. Talvez por ser intimista ao extremo, nem todo mundo aprecia. Dependendo do gosto, sim, o filme pode ser exaustivo. Ele é composto o tempo todo de diálogos e nem sempre verbalizados. O personagem Louis quase não fala, balbucia e sorri. Mas é tão intenso, como não gostar?

Nathalie Baye, a mãe, que atriz! A princípio, parecia tão frívola, que fiquei em dúvida se era a mãe ou madrasta. Mas entendo ela, sou assim às vezes, entendo quando continuou terminando de pintar as unhas quando ele chegou. Sei como é, enquanto isso estava se preparando para o momento. E aquela cena em que ela passa perfume e chega perto dele e pede pra ele sentir o perfume, dizer se gosta? E então os dois se desarmam, se entregam naquele abraço que parecia não ter mais fim. E ela lhe diz: "Você pensa que eu não te entendo e não te amo. Eu não te entendo mesmo! Mas te amo muito!"
Léa Seidoux interpreta a irmã que quase não conviveu com o irmão, já que quando ele partiu ela ainda era pequena. Mas é tão carente dele, tão carente das coisas que poderia ter vivido com ele, das coisas que ele teve coragem de enfrentar e ela não tem.
Já Antoine (Vincent Cassel) é aquele babaca invejoso que disfarça sua frustração com ironias malvadas. Terá ele um pouco de razão? Sempre ficou ao lado da família mas parece que todas as atenções voltam-se para Louis. Também, Louis é um escritor, mora na cidade grande, ... Talvez Antoine seja o mais lúcido, aquele que percebe que Louis não voltou por ninguém, só por ele mesmo.
Catherine (Marion Cotillard) é a cunhada, de uma doçura, com aqueles olhos sempre ávidos de perceber a essência das coisas, das pessoas e ela mais que ninguém parece saber que Antoine sofre com isso tudo por trás de toda sua grosseria. Tem também aquele momento lindo em que ela e Louis se olham infinitamente e ela lhe diz com o olhar: "eu te entendo, também não pertenço a nada disso".

Adaptação de uma peça de teatro de mesmo nome, de Jean-Luc Lagarce, é o primeiro filme de Dolan com um elenco totalmente francês.
"Juste la fin du Monde" é daqueles filmes que você pensa: "preciso ver mais uma vez", há uma riqueza de detalhes que você quer rever, refletir, ou talvez haja tanta coisa que você deixou passar, é preciso voltar lá. É como se através do filme você pudesse talvez repassar sua própria vida. Quem sabe? Existem coisas sobre as quais pensamos poder ter controle. Mas não temos. Nem Louis.

IMDB: 
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Juste La Fin du Monde
Outros nomes: It's Only The End of The World
País: Canadá/ França
Ano: 2016
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan

Elenco: 
Gaspard Ulliel, Nathalie Baye, Léa Seydoux, Marion Cotillard e Vincent Cassel
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quarta-feira, 6 de junho de 2018

O FILME DA MINHA VIDA


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Adaptação do livro "Um pai de Cinema", do chileno Antonio Skármeta, o qual assina o roteiro junto de Selton Mello, "O Filme da Minha Vida" é um delicioso escape em tempos tão difíceis para o país. E sua importância não para aí, o longa é uma verdadeira homenagem à sétima arte e sua construção rara no cinema nacional foge do ensolarado cinema sudeste-nordeste já bem recorrente. O Brasil de Selton Mello nesta sensível adaptação é tão Brasil quanto o emocionante "Central do Brasil" e o cativante "Auto da Compadecida" e lembra a indústria de que o cinema verde amarelo precisa traçar viagens corajosas por outros cantos ricos, porém desconhecidos deste país, pois existem muitas histórias a serem contadas ainda.
A trama trata acima de tudo sobre o tempo. Logo no início, o personagem principal Tony Terranova (Johnny Massaro), narra o seguinte trecho: "Antes, eu só via o início e o fim dos filmes. O início, para conhecer a história; e o fim, gostava de assistir porque o fim é sempre bonito", indo na contramão com uma belíssima cena metafórica em um trem, quando o maquinista explica que se alguém quiser adiantar o rumo das coisas o trem fatalmente sai dos trilhos. 
Faz-se necessário então assistir o começo e depois o meio, para então chegar até o desfecho de um filme. Tudo em seu tempo certo, sem atropelos, pois só assim é possível compreender o porquê dos finais. E mais que isso, os meios também devem ser aproveitados.

Em conformidade com o que prega, a história se transcorre. Tony retorna de Porto Alegre, onde cursou faculdade, mas no dia em que ele desceu do trem, seu pai, Nicolas (Vincent Cassel), subiu no mesmo vagão e desapareceu, deixando pra trás o filho e a esposa em uma pequena e charmosa cidade do interior gaúcho. Tony segue inconformado com a atitude do pai e se torna professor de francês na escola local. Ele vive na esperança do retorno ou ao menos de uma resposta do homem por quem ele tinha grande admiração. A mãe, em contrapartida, prefere não falar mais sobre o assunto e se ocupa com o serviço em uma empresa de telefonia e o árduo trabalho de casa. Seguir em frente quando há um assunto inacabado é mais difícil que diante de uma tragédia declarada. Aquele silêncio irremediável fazia de Tony um rapaz melancólico e que se arrastava pela cidade querendo pular o meio e ir direto para o desfecho, quando ele desvendava o maior mistério de sua vida. E assim, ele vivia seus dias, pela metade e sem aproveitar seus meios. Contudo, uma reviravolta estava prestes a acontecer em seu filme.
O roteiro cheio de metáforas, peca um pouco ao entrega-las de forma muito direta ao espectador. Sem dar muita chance a interpretação e a dúvida. Já o grande mistério da história talvez tenha ficado previsível nas atitudes de um personagem. Ainda sim, não é nada que estrague a experiência deliciosa que esse filme proporciona e que em grande parte é mérito do diretor de fotografia Walter Carvalho, o qual com seus planos abertos vislumbrastes, capturou bem a região sul e construiu essa atmosfera triste e bucólica, fazendo o espectador se apaixonar a cada quadro dessa obra de arte. Inclusive um vagão do Trem de Vinho e a própria estação, ambos em Garibaldi (RS), foram restaurados para voltarem ao tempo em que a história acontece. As cenas ali são ainda mais belas pelas mãos de Walter. 
Já a direção competente de Selton Mello, atesta seu crescimento e maturidade por trás das câmeras. Ele, que também atua na fita como um gaúcho machão, certamente está no caminho certo para se tornar um grande diretor brasileiro contemporâneo, a julgar pelos três filmes que Selton dirigiu até agora. Já as músicas foram escolhidas a dedo e dão ainda mais vida e cor a cada quadro.

Em uma nostálgica cena do belo "De Onde Eu Te Vejo", o personagem de Juca de Oliveira relembra com gosto como tudo era mágico na saída de um cinema de rua. Isso é retratado aqui de forma tão inesquecível como nas saudosas falas de Juca. Após se maravilhar com o filme de John Wayne, Rio Vermelho, Tony deixa o cinema flutuando e, de acordo com a precisa descrição do outro filme, o personagem sai da sessão, mas tudo ainda parece ter trilha sonora. Foi exatamente como me senti após essa sessão, que por coincidência foi em um cinema de rua.

Sinopse e análise: Tom Carneiro.

IMDB: 7,5/ 10
Nota de Tom Carneiro: 8,5 / 10,0

Ficha técnica:
Nome original: O Filme da Minha Vida
Outros nomes: The Movie of My Life
Paía: Brasil
Ano:  2017
Dirigido por: Selton Mello
Roteiro: Selton Mello, Antonio Skármeta, Marcelo Vindicato
Elenco: Vincent Cassel, Selton Mello, Bia Arantes, entre outros.