“É um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade.”
Com essas palavras, que ficaram na história, Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar na Lua.
O filme é baseado no livro O Primeiro Homem: A Vida de Neil Armstrong, do historiador James R. Ransen, que trabalhou minuciosamente para fazer jus à importância de Neil: entrevistou mais de 120 pessoas, teve acesso a documentos privados da família Armstrong e gravou mais de 50 horas de entrevista com ele. O resultado é uma biografia rica em detalhes que apresenta a infância de Neil, os bastidores da missão especial Apolo 11, os percalços da fama e a trajetória do astronauta depois da NASA.
Em julho de 1969, mais precisamente no dia do meu aniversário (não vou dizer de quantos), o mundo parou para assistir à primeira pessoa a pisar na superfície de outro corpo celeste que não a Terra.
Protagonizado por Ryan Gosling, em uma interpretação fria e contida, pelo que deverá ser mais uma vez criticado, mas que parece que era exatamente como os amigos o descreviam, Armstrong, discreto e avesso a discussões, foi alçado ao estrelato no instante em que deu aquele primeiro passo na Lua. A mítica em torno do homem se expandia conforme o mundo inteiro acompanhava a saga que definiria a nossa história.
A adaptação do livro é dirigida por Damien Chazelle (La La Land e Whiplash). Já li comentários que o filme é chato. Com duração de 133 minutos, tenho certeza que agradará às pessoas fascinadas por história,pelo espaço e por grandes personalidades. Eu nem senti o tempo passar. Eu li até que o erro foi focar muito na vida do Armstrong. Ué, não é sobre ele o filme??? Pelo contrário, Chazelle teve que cortar várias partes do livro. A edição do livro contém ainda dois cadernos repletos de fotos de Armstrong, sua família e colegas de trabalho, cedidas pelo biografado. Interessante, não é?
Contrariando às expectativas, o filme ficou de fora das indicações às principais categorias do Oscar 2019, recebendo apenas indicações técnicas: melhores Efeitos Visuais, Edição de Som, Mixagem de Som e Direção de Arte.
Algumas cenas podem ser ficcionais, como a da pulseira da filha. Bem, dizer que algumas cenas podem ser ficcionais pode ser considerado um eufemismo para muitas pessoas. Isso porque uma grande parte não acredita nessa história que o homem foi à Lua.
"Durante os anos de corrida espacial, os EUA sempre estiveram um passo atrás da extinta União Soviética, a URSS. Foram os soviéticos os primeiros a enviar astronautas para fora da Terra, a construir estações espaciais, a lançar satélites.
O jogo só mudaria no dia 20 de julho de 1969, quando o comandante da missão americana Apollo 11, Neil Armstrong, invadiu as televisões do mundo em uma transmissão ao vivo da primeira caminhada humana em solo lunar.
Apesar das fotografias e pedras coletadas, há quem diga que a aventura lunar não passou de uma produção cinematográfica no deserto de Nevada (EUA), um embuste na disputa por corações, mentes e dinheiro entre os dois blocos da Guerra Fria".
Bem, a intenção do filme não é dar razão nem aos céticos e nem aos que acreditam, mas sim mostrar os fatos relatados. Damien não toma nenhuma posição, apesar que achei que foi bem enfatizado o fato dos americanos estarem cobrando na época os milhões e milhões gastos no projeto em vez de serem usados para matarem a fome. A pressão que eles estavam sofrendo e a obrigação de mostrar resultados. Pessoas morreram também. Era preciso mostrar a importância do sacrifício dessas pessoas.
As teorias mais paranoicas inclusive apontam para a presença de Stanley Kubrick, que, um ano antes da chegada da Apollo 11 à Lua, havia filmado o épico 2001 – Uma Odisseia no Espaço. A lenda urbana do envolvimento de Kubrick com os filmes da Apollo 11 entreteve o diretor ainda em vida – a ponto de ele vestir o personagem Danny, em O Iluminado, com um suéter em referência à mais memorável missão espacial norte-americana. Hahahaha.
Mas então, o foco no filme é contar a história pessoal de Armstrong, até porque todo mundo já sabe como a história da corrida para ir à Lua termina. First Man é também uma verdadeira experiência sonora e visual. Chazelle consegue criar uma tensão até mesmo nas cenas que já sabemos que serão bem sucedidas. Issó é um grande mérito. O diretor também consegue passar a tensão da decisão do astronauta por fazer uma viagem que tinha uma grande chance de não ter volta, a tensão da despedida dele da família e apesar de tudo, da coragem de sua esposa, Karen, interpretada pela atriz Claire Foy.
O Presidente dos EUA, na época o Nixon, tinha discurso preparado, caso houvesse um desastre com a Apollo 11:
"— O destino quis que os homens que foram explorar a Lua em missão de paz descansem em paz. Que cada ser humano que olhe para a Lua afora ou nas noites que virão saiba que existe um canto de outro mundo que será sempre da humanidade." A agenda do presidente norte-americano também incluía telefonemas para as viúvas com as condolências do governante dos Estados Unidos. Após as despedidas, seria dada a ordem ao controle da missão para cortar as comunicações. O cerimonial da agência espacial norte-americana ainda previa um enterro no mar para os dois astronautas.
E você, faz parte dos que acreditam ou não que Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar na Lua?
IMDB: 7,5/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: First Man.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Josh Singer, Nicole Perlman.
Elenco: Ryan Gosling, Claire Foy, Corey Stoll, Jason Clark, Kyle Chandler, Brady Smith, Brian d'Arcy James.
(Por: Cecilia Peixoto)
(Por: Cecilia Peixoto)
