Afinal, qual o melhor?
Bem, devo dizer que assisti a todos entre o final de 2018 e início de 2019. Assistir a um filme de 1937 agora é uma experiência de tentar ver com os olhos daquela época, o que é difícil, porque (juro!) eu não era nem nascida. Mas vi os quatro em ordem cronológica, então foi o primeiro, o roteiro original premiado com o Oscar, que me apresentou a história de uma mulher que realizou o sonho de ser famosa e de encontrar o amor. Esther Blodgett (Janet Gaynor) abandonou a pequena cidade onde morava, Dakota do Norte, para tentar a vida como atriz, na Califórnia. Já desanimada, ela conhece um astro famoso, Norman Maine (Fedric March), que, além de se apaixonar perdidamente por ela, acredita nela como atriz. Foi então esse que me surpreendeu, que me tirou as primeiras lágrimas, que me tirou risos também, que me fez torcer e, mesmo tendo visto só recentemente, já se tornou um dos meus inesquecíveis.
A adaptação de 1954, com Judy Garland e James Mason quase me fez desistir de assistir, porque são mais de duas horas e meia de filme, vi ém três partes. Começo a ver tarde e morro de sono. Não por causa do filme, mas pelo cansaço mesmo. O roteiro aqui é bem fiel ao original, mas a Esther, ou Vicki Lester, é uma cantora, então nessa temos vários números de música. Embora longo, é bem emocionante e quando acaba, dá vontade de ver tudo de novo. E chorar tudo de novo. A gente lembra de cada diálogo, as várias falas repetidas do primeiro. E choramos e rimos em dobro, lembrando também do primeiro filme.
No terceiro filme, de 1976, temos o casal formado por Barbra Streisand e Kris Kristofferson. Ambos os atores levaram os Globos de Ouro de Comédia e Musical, em suas respectivas categorias. É o primeiro remake a fazer algumas alterações consideráveis no roteiro, ainda que a essência da história permaneça lá. Mas mesmo assim, eu já fiel à história dos dois primeiros, fiquei meio que frustrada. Eu acho que por a Barbra ser uma cantora maravilhosa, eles focaram muito nos números musicais e menos na intensidade do romance. Posso estar errada, mas foi isso que senti. O que posso dizer é que foi o que eu menos gostei.
Agora o último, gente, é difícil não se apaixonar, porque é com Bradley Cooper e ele está lindo como o músico Jackson Maine e o olhar dele para a Ally Campana (Lady Gaga), a ternura que ele transmite, é de derreter qualquer coração. Os números musicais também são demais. A quarta versão marca a estreia de Cooper na direção de uma maneira que merece muitos aplausos e reconhecimento, porque atenta, competente, grandiosa, vibrante! Também foi muito feliz e acertada a escolha de Lady Gaga para o papel da protagonista.
Alcoólatra e dependente de drogas, o casal se apaixona e é uma exigência dela que ele pare com os vícios. A princípio, o relacionamento ajuda Maine a se segurar um pouco, afinal ele está tão feliz com o amor e com a parceria nas músicas, nos shows, muito contente por apresentá-la ao público, mostrar que ela tem valor, que ele soube ver isso, é quase como se fosse uma criação dele, ele se orgulha muito e também se alegra por ela. Mas a vida meio que lhe dá uma rasteira e a carreira de Ally cresce o tempo todo, enquanto a sua não vai tão bem, a frustração o leva a se entregar aos vícios de novo, principalmente ao álcool e aí vira um círculo vicioso: quanto mais bebe, mais decai, quanto mais é esquecido e rejeitado pelos produtores que agora só tem olhos para Ally, mais bebe.
Bradley não faz feio de jeito nenhum, nem como diretor e nem como ator e ainda: nem como cantor! Imagine a responsabilidade de ainda cantar ao lado de Lady Gaga! Ela, que já tinha feito um trabalho em American Horror History, pelo qual recebeu inclusive um Globo de Ouro como Melhor Atriz em Minissérie, disputado com atrizes experientes (Kirsten Dunst, Felicity Huffman e Queen Latifah), prova que tem outro talento além de cantar. "Sempre quis ser atriz, mas a música aconteceu primeiro", diz, em discurso.
Uma outra boa escolha para o elenco foi a do veterano Sam Elliott, conhecido por sua voz forte e pelo bigode característico.
O filme é forte candidato em várias categorias, teve várias indicações mas, por enquanto não levou tantos prêmios assim. Recebeu o Globo de Ouro o o prêmio do Critic's Choice Awards de Melhor Música com Shallow. Vamos ver no Oscar.
Caretice minha, mas senti falta de algumas falas marcantes do filme original. A versão de 2019 focou mais do declínio do astro Jackson Maine que na ascensão da estrela. Também não ficou claro para mim que o ato final de Maine foi pensando nela ou nele.
O fato de eu já conhecer a história tirou um pouco do impacto, mas sim, é um filme maravilhoso, como eu já disse: vibrante. Que merece ser visto e revisto. Parabéns, Bradley, todo o meu respeito e admiração pelo seu trabalho.
Ah, afinal, qual eu gostei mais? Pergunta difícil. Já disse que o que eu gostei menos foi a versão de 1976, com a Barbra. Quase empatado com o de 2018, mas acho que gostei mais da versão de 1954, com Judy Garland e James Mason.
E não, não consigo tirar a música da minha cabeça:
https://www.youtube.com/watch?v=bo_efYhYU2A
A tradução:
SUPERFÍCIE.
E não, não consigo tirar a música da minha cabeça:
https://www.youtube.com/watch?v=bo_efYhYU2A
A tradução:
SUPERFÍCIE.
Me diga uma coisa, garota
Você está feliz neste mundo moderno?
Ou você precisa de mais?
Existe algo mais que você está procurando?
Estou caindo
Em todos os bons momentos
Eu me vejo almejando uma mudança
E nos momentos ruins, eu tenho medo de mim mesmo
Me diga uma coisa, garoto
Você não está cansado de tentar preencher esse vazio?
Ou você precisa de mais?
Não é difícil manter toda essa energia?
Estou caindo
Em todos os bons momentos
Eu me vejo almejando uma mudança
E nos momentos ruins, eu tenho medo de mim mesma
Eu estou à beira do precipício, assista enquanto mergulho
Eu nunca vou tocar o chão
Caio através da água
Onde eles não podem nos machucar
Estamos longe da superfície agora
Na superfície, superfície
Na superfície, superfície
Na superfície, superfície
Estamos longe da superfície agora
Eu estou à beira do precipício, assista enquanto mergulho
Eu nunca vou tocar o chão
Caio através da água
Onde eles não podem nos machucar
Estamos longe da superfície agora
Na superfície, superfície
Na superfície, superfície
Na superfície, superfície
Estamos longe da superfície agora
Ficha técnica:
Nome original: A Star is Born.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Bradley Cooper.
Roteiro: Bradley Cooper e outros
Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliott.
IMDB: 8,1/ 10
Filmow: 4,2/ 5
Minha nota: 4,3/ 5

