Cinéfilos Eternos: Peter Coyote
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quinta-feira, 7 de junho de 2018

LUA DE FEL



"Lá estava ela deitada, maravilhosa, voluptuosa. E nada significava para mim."
Com esse sentimento, transformado em atitudes e palavras, Oscar selou o seu destino e o de Mimi. 
Quando eles se conheceram, a louca atração era mútua. Ela, jovem, sexy, bonita. Ele, maduro, charmoso, culto, inteligente. 
Mas depois, ... depois, o interesse e a admiração dela por ele foram crescendo.
E quanto mais ela ficava envolvida por ele , menos ele se interessava por ela. Aqueles olhos suplicantes, aquele corpo gemendo, ansioso por amor, aquela boca já entreaberta, esperando por seus beijos, tudo foi provocando nele o efeito contrário do que ela esperava. 
E ao perceber que estava perdendo-o, mais ela se entregava. É sempre assim: com medo de perder, perdemos!
Ele começou a ter vontade de humilhá-la, talvez despertar o amor próprio dela. 
Quem sabe tenha sido isso, lhe incomodava saber que ela o amava mais do que a ela própria. 
A rejeição dele só provocava nela mais carência e desejo.
A famosa cena de Mimi dançando à luz de velas é o resumo da paixão e desespero dela. 
O amor virou um fardo para os dois. 
E lá estava ela, dançando, bela como nunca, a dança mais erótica que ele já tinha visto e, no entanto, ...já nada significava para ele!

Nigel e Fiona conheceram o casal em um cruzeiro. Com a intenção de aquecer o casamento de sete anos, eles partem para uma segunda lua de mel. Mas Nigel conhece Mimi. Difícil para ele disfarçar o interesse que sente por Mimi. Oscar, que então está preso a uma cadeira de rodas, percebe. Mas, ao contrário de se ressentir, começa a contar toda sua história com ela para Nigel. Ele não esconde nada, parece ter prazer em relatar todos os detalhes íntimos. 
Começa para Nigel e para nós espectadores uma das histórias mais sensuais de todos os tempos. 
Ousada, com certeza. Tensa! Provocante!

Fiona também começa a sentir que Nigel está estranho, distante. 
Também a relação deles irá mudar depois dessa "lua que deveria ser de mel".
Jogos de sedução e de agressão começam entre os quatro. Paixão e vingança veladas. Sado-masoquismo? Tortura psicológica? Ao mesmo tempo, "Lua de fel" é o retrato da melancolia, estampada no rosto de Mimi, o pesar por tudo que poderia ter sido, por tudo que se tornou, a resignação de saber que nunca mais teria de volta aqueles momentos de amor.

"A dança tem que vir do coração e meu coração está partido."
Além da famosa dança da Mimi, um dos pontos fortes do filme para mim, é a dança da Fiona com Mimi. Fiona estava meio que recolhida, digerindo aquilo tudo que estava acontecendo. De repente, surge no salão, com um vestido espetacular. E elas dançam. Não é apenas uma dança. É a mudança do poder dos dois homens para as duas mulheres.
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IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Bitter Moon
Outros nomes Lunes de Fiel
País: França
Ano: 1992
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski e outros
Elenco: Emmanuelle Seigner, Peter Coyote, Kristin Scott Thomas, Hugh Grant