Cinéfilos Eternos: Década 1991-2000
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sexta-feira, 8 de junho de 2018

AS VIRGENS SUICIDAS



Primeiro filme como Diretora, Sofia Coppola já nos mostra o seu talento e nos prova que "filha de peixe, peixinho é".
Sofia também assina aqui o roteiro adaptado do livro de mesmo nome, de autoria de Jeffrey Eugenides.

Cinco irmãs, cinco lindas irmãs, cinco louras irmãs...

Dos 13 aos 17 anos, as irmãs Lisbon povoam as fantasias de rapazes da pacata cidade em que vivem, que se perguntam como o casal pode fazer tanta filha bonita assim.

Therese, Mary, Bonnie, Lux e Cecilia...

Cecilia é a mais jovem e também será a primeira a se suicidar.
Lux, interpretada por Kirsten Dunst, é a que mais se destaca no filme e transborda de sensualidade, os hormônios explodindo pelo seu corpo.
Também é a única que se atreve a desobedecer aos pais, Mr. e Mrs Lisbon, James Woods e Kathleen Turner.
Depois da morte de Cecilia, o casal decide afrouxar um pouco a severa vigilância e permitir às meninas irem ao baile do colégio acompanhadas com os seus pares..
Trip Fontaine (Josh Hartnett) é o sonho de todas as garotas do colégio, mas fica de quatro por Lux.
Após serem eleitos o casal do baile, eles se separam do grupo e Lux não volta para casa com as irmãs.
Estranhamente, Trip, que realmente estava vidrado em Lux, após consumar sua paixão, se desinteressa e enquanto ela dorme, ele vai para casa sozinho. Lux chega de manhã de taxi em casa,
Arrependidos da liberdade que concederam às filhas, os pais, principalmente a mãe, resolvem radicalizar. O pai me parece que só concordava e vivia no mundo à parte dele. Não bastasse o castigo de Lux, que teve que destruir todos os seus discos de rock, todas ficaram proibidas de sair e até mesmo de irem ao colégio.

Será que foi isso que motivou os suicídios das outras irmãs Lisbon?

E aqui não me acusem de spoiler, porque é o título do filme.
E garanto que mesmo sabendo o que vai acontecer, você vai ficar totalmente envolvido com o filme.
Você vai ficar se perguntando o tempo todo quais as motivações delas para tais atos. Mas não há praticamente nenhum diálogo entre as irmãs que nos forneçam pistas. 
Está bem que a educação delas era muito rigorosa, mas não nos esqueçamos que eram os anos 70 e a cidade era interiorana, então nada de tão diferente de tantas outras famílias. A mãe no final da tragédia se questiona e comenta que não faltou amor e era verdade.
Então, em vez de motivação talvez a causa tenha sido a falta de motivação para viver.
Tudo o que assimilamos da história é sob a perspectiva dos quatro rapazes, que narram os acontecimentos e também imaginam mil situações ao lado delas.
Não saberemos ao certo as causas dos acontecimentos fatais.
São fornecidas algumas pistas, os santinhos que aparecem aqui e ali, os olhares de tédio das irmãs, mas vai caber a você montar o quebra-cabeça.
Paralelamente à história, vemos algumas árvores em volta da casa serem derrubadas por estarem condenadas e contaminadas, Therese, Mary, Bonnie e Lux tentam proteger a árvore que a Cecilia marcou como dela gravando sua mão, numa tentativa de salvá-la. Cecilia se preocupava também com a extinção de algumas espécies animais mas parece que ninguém dava importância. Tudo era inútil. Estariam as irmãs também contaminadas com o vírus do suicídio?
O tema é bastante forte mas a abordagem da diretora é tão delicada, principalmente no tocante às fotografias e à maravilhosa trilha original com a banda francesa Air.



IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Virgin Suicides
País: EUA
Ano: 1999
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Jeffrey Eugenides (livro), Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, A.J. Cook, Hanna Hall, Leslie Hayman, Chelse Swain, Kathleen Turner, James Woods, Josh Hartnett.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

LUA DE FEL



"Lá estava ela deitada, maravilhosa, voluptuosa. E nada significava para mim."
Com esse sentimento, transformado em atitudes e palavras, Oscar selou o seu destino e o de Mimi. 
Quando eles se conheceram, a louca atração era mútua. Ela, jovem, sexy, bonita. Ele, maduro, charmoso, culto, inteligente. 
Mas depois, ... depois, o interesse e a admiração dela por ele foram crescendo.
E quanto mais ela ficava envolvida por ele , menos ele se interessava por ela. Aqueles olhos suplicantes, aquele corpo gemendo, ansioso por amor, aquela boca já entreaberta, esperando por seus beijos, tudo foi provocando nele o efeito contrário do que ela esperava. 
E ao perceber que estava perdendo-o, mais ela se entregava. É sempre assim: com medo de perder, perdemos!
Ele começou a ter vontade de humilhá-la, talvez despertar o amor próprio dela. 
Quem sabe tenha sido isso, lhe incomodava saber que ela o amava mais do que a ela própria. 
A rejeição dele só provocava nela mais carência e desejo.
A famosa cena de Mimi dançando à luz de velas é o resumo da paixão e desespero dela. 
O amor virou um fardo para os dois. 
E lá estava ela, dançando, bela como nunca, a dança mais erótica que ele já tinha visto e, no entanto, ...já nada significava para ele!

Nigel e Fiona conheceram o casal em um cruzeiro. Com a intenção de aquecer o casamento de sete anos, eles partem para uma segunda lua de mel. Mas Nigel conhece Mimi. Difícil para ele disfarçar o interesse que sente por Mimi. Oscar, que então está preso a uma cadeira de rodas, percebe. Mas, ao contrário de se ressentir, começa a contar toda sua história com ela para Nigel. Ele não esconde nada, parece ter prazer em relatar todos os detalhes íntimos. 
Começa para Nigel e para nós espectadores uma das histórias mais sensuais de todos os tempos. 
Ousada, com certeza. Tensa! Provocante!

Fiona também começa a sentir que Nigel está estranho, distante. 
Também a relação deles irá mudar depois dessa "lua que deveria ser de mel".
Jogos de sedução e de agressão começam entre os quatro. Paixão e vingança veladas. Sado-masoquismo? Tortura psicológica? Ao mesmo tempo, "Lua de fel" é o retrato da melancolia, estampada no rosto de Mimi, o pesar por tudo que poderia ter sido, por tudo que se tornou, a resignação de saber que nunca mais teria de volta aqueles momentos de amor.

"A dança tem que vir do coração e meu coração está partido."
Além da famosa dança da Mimi, um dos pontos fortes do filme para mim, é a dança da Fiona com Mimi. Fiona estava meio que recolhida, digerindo aquilo tudo que estava acontecendo. De repente, surge no salão, com um vestido espetacular. E elas dançam. Não é apenas uma dança. É a mudança do poder dos dois homens para as duas mulheres.
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IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Bitter Moon
Outros nomes Lunes de Fiel
País: França
Ano: 1992
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski e outros
Elenco: Emmanuelle Seigner, Peter Coyote, Kristin Scott Thomas, Hugh Grant

sexta-feira, 25 de maio de 2018

AS COISAS SIMPLES DA VIDA



No dia do casamento do cunhado com a noiva já em avançado estado de gestação, porque o noivo ficou esperando o "dia da sorte" para casar, a sogra de NJ tem um derrame e entra em estado de coma. NJ está passando por dificuldades na firma em que é sócio e, tudo na mesma época, ele reencontra com uma ex-namorada, que foi o seu primeiro amor. 
Todos se revezam na casa para dar atenção à matriarca, mas isso desperta alguns sentimentos. A esposa de NJ entra em depressão quando ao resolver relatar os seus dias para a mãe, constata que eles são todos iguais e desinteressantes. A filha adolescente de NJ está tomada de culpa, porque a avó foi encontrada embaixo do prédio ao lado do lixo que ela deveria ter levado, mas não se lembra se levou, e suplica para a avó acordar se a perdoa. O filho de 8 anos de NJ diz que não tem nada pra falar com a avó, mas porque falar não é a forma dele se expressar.
NJ tem que ir a Tóquio e marca um encontro com a ex-namorada, Sherry. É uma viagem de volta ao passado que lhe traz muitas reflexões. O que ele perdeu? O que ele ganhou?
Quando eu era criança, não tinha muitas opções de lojas e nem tantas facilidades. Já me diverti muito com bem pouco dinheiro. Hoje somos engolidos pelo consumismo desenfreado. Mal compramos um celular novo e já vem outro modelo que oferece muito mais recursos. Isso gera uma insatisfação muito grande. A sociedade de consumo nos vende a imagem de que ter muitas coisas é essencial e para isso trabalhamos que nem uns loucos para podermos nos cercar de tudo aquilo que passamos a julgar importante. Aos poucos, perdemos o prazer de tomar um café sem pressa com um amigo, de apreciar o pôr do sol e sentir o toque de uma borboleta.
E o pior é que por mais que tenhamos, temos sempre a sensação recorrente de que estamos perdendo algo. Nunca houve antes tantos casos de depressão e ansiedade. 
O grande desafio atual é nos conectarmos com o que é fundamental, nos desapegarmos de tudo o que no final está nos gerando angústia.
Yang-Yang, o menino, parece ser o único no meio daquela família que presta atenção nas coisas, nas coisas simples da vida, que estão à nossa frente e não conseguimos ver. Quieto, retraído, ele não consegue muitas vezes explicar o que é óbvio para ele e é constantemente repreendido no colégio e também motivo de riso dos colegas. Ele gosta de captar as coisas fotografando e ninguém entende aquele monte de fotos de nada, mas que na verdade são de mosquitos, isto é, detalhes. Ou outras de diversas pessoas de costas. Para Yang-Yang, a verdade nunca é inteira, porque só vemos a frente delas, 50% delas. Um lindinho, um filósofo mirim. Ele representa o pensamento ainda inocente, livre dos condicionamentos, que nos farão mais tarde deixar de olhar de forma simples as coisas da vida.

Acredito que Edward Yang, que morreu em 2007 aos sessenta anos de idade e que recebeu por "Yi Yi" o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes quis antes de tudo, usando uma típica família de classe média, refletir a sociedade onde vive, de mostrar o outro lado, as costas, a outra parte da verdade.

Mas não penso que "Yi Yi" pretenda ensinar a adquirir sabedoria. É mais sobre mostrar que errar é humano, que é inevitável errar, não existe nenhum tratado que se adapte a todas as pessoas, isso é bom, isso é ruim. Somos diferentes, únicos e o que precisamos fazer apenas é aprender com os erros que se repetem, é prestar atenção.

IMDB: 8,1- 10
Minha nota: 4,2- 5


Ficha técnica:
Nome original: Yi Yi


País: Taiwan.
Ano: 2000
Direção: Edward Yang.
Roteiro: Edward Yang, Wei-han Yang.
Elenco: Wu Nien-Jen, Kelly Lee van, Jonathan Chang, Gilst, Adriene Lin, Elaine Jin, Hsi-Sheng Chen, Issei Ogata, Su-Yun Ko, Ru-Yun Tang e participação de Edward Yang.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

FESTA DE FAMÍLIA


***CONTÉM SPOILER***


Nossa, que filme forte! 

Junte uma família grande numa festa e sempre haverá algum tipo de confusão, uma alfinetada aqui, uma risada mal interpretada ali, normal. Acontece nas melhores famílias, porque embora os laços consanguíneos, os temperamentos são muito variados e a convivência entre pessoas parecidas já é difícil.

Mas na família Klingenfeldt, na comemoração dos sessenta anos do patriarca (Henning Moritzen) a coisa extrapolou de vez.

Além do pai e da mãe e de vários familiares e convidados, Christian (Ulrich Thomsen) vai encontrar seu irmão Michael (Thomas Bo Larsen) e sua irmã Helene (Paprika Steen). A sua irmã gêmea foi enterrada recentemente, encontrada morta em sua banheira.
O clima é de alto luxo, suítes espetaculares, o jantar de gala com uma alta equipe de cozinheiros e serventes.
É então que Christian pede a palavra e oferece ao pai a alternativa de escolher entre dois discursos, cada um num papel de cor diferente. 
Ninguém sabe mas esse ato foi uma alusão ao que o pai fazia com ele e com sua irmã gêmea, um sorteio para praticar um ato bárbaro.
Não só a família e os convidados ficam desconfortáveis com o discurso do filho mais velho, nós como espectadores também.

Acho que o que mais me incomodou na história não foi a revelação do Christian mas a maneira como todos se comportaram, tentando abafar o caso, tentando fingir que não acreditavam, tentando salvar a qualquer custo a festa e a família.
Tipo, aconteça o que acontecer, a família precisa ser preservada.
Eu sempre fui contra pessoas que sentem culpa por odiar o pai ou a mãe, alguns pais e mãe merecem ser odiados mesmo, essa coisa de laços de sangue, de amor incondicional são convenções. A gente tem que amar a quem merece ser amado.

Logo após o discurso, Christian meio que recua, porém o Chef de cuisine que o conhece desde a infância bola um plano e ajudado pela equipe escondem todas as chaves dos carros, ninguém pode sair e o confronto será inevitável.
No final, o irmão babaca Michael, que já tinha brigado com o namorado da irmã por ser negro e tratava a esposa super mal. é que se mostrou melhor que todo mundo, no meio de tanta gente hipócrita ele surpreendeu.


Thomas Vinterberg (A caça) assina esse primoroso trabalho de direção, esse retrato nu e cru da hipocrisia social e familiar, que defende alguns valores acima da dignidade humana. As interpretações são impecáveis e a fotografia desbotada e desagradável, com certeza propositalmente, em contraste com aquela família aparentemente bonita e bem sucedida.
Festen foi o primeiro trabalho do movimento Dogma 95, criado por Vintrberg e Lars Von Tryer, que estabelece um conjunto de dez regras para a realização cinematográfica, em parte em protesto contra as obras hollywoodianas. O filme recebeu inúmeros prêmios.

Em 2015, o cinema nórdico ganhou sua devida atenção na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Uma das mais talentosas regiões da Europa, sua história cinematográfica é um primor. Os países nórdicos constituem uma região da Europa setentrional e do Atlântico Norte, composta pela Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, e as regiões autónomas das Ilhas Faroé, arquipélago da Åland e Groenlândia.

O termo "Escandinávia" é por vezes utilizado como sinônimo para os países nórdicos, embora dentro desses países os termos sejam considerados distintos. Os países escandinavos são a Noruega, a Suécia e a Dinamarca. Os países nórdicos são os países escandinavos e a Finlândia e a Islândia. 

Dentro desse conceito, o filme Fasten pode ser considerado tanto como Cinema Nórdico quanto como Cinema Escandinavo.

IMDB: 8,1/ 10
Minha nota: 4,3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Festen
Outros Nomes:  Das Fest, The Celebration
País: Dinamarca/ Suécia
Ano:  1998
Direção: Thomas Vinterberg
Roteiro: Thomas Vinterberg, Mogens Rukov
Elenco:  

segunda-feira, 21 de maio de 2018

POLA X




Baseado no romance de Herman Melville.: Pierre, Ou Les Ambiguïtés. Entenderam? P, O, L, A. Por causa dessa "gracinha" ficou parecendo título de filme pornô, o que não é verdade. E também por conter muitas cenas fortes.


Pierre (Guillaume Depardieu, filho de Gerard Depardieu) é um jovem escritor que vive com a sua mãe, Marie (Catherine Deneuve) num castelo perto do rio Sena, na Normandia. Está noivo de Lucile (Delphine Chuillote).

Nessa primeira parte do filme, parece tudo perfeito, todo mundo é lindo, rico e feliz. O castelo é maravilhoso, os dias são ensolarados, eles estão sempre com jeito de que acabaram de sair do banho, os figurinos são todos claros.

Pierre resolve ficar noivo de Lucile mas no caminho encontra uma misteriosa mulher que lhe faz uma surpreendente revelação, que mudará sua vida. Isabelle (Yekaterina Golubyova) lhe diz ser sua irmã. Pierre fica muito tocado com a história de abandono da irmã e decide abandonar a todos para se dedicar a ela. Eles fogem para um subúrbio de Paris.

A partir daí, fica tudo sombrio, a própria Isabelle é de uma beleza estranha. Vamos acompanhar o lindo Pierre cada vez mais atormentado e mal vestido. Os lugares são escuros, os figurinos também, tudo a mostrar a transformação ocorrida na vida de Pierre. 

De sombrio a bizarro, esse é um filme que pode não agradar a muitos. Ainda mais por abordar um tema bem tabu, que é uma relação incestuosa. Dizem inclusive que a tal cena de sexo não foi simulada, o que contribuiu para muitas críticas negativas sobre o filme.
O amor maldito faz de Pola X um filme perturbador e atraente ao mesmo tempo.


Apesar de ser o único filme do diretor baseado numa obra, mantém as características de Leos Carax. Por um lado o amor, motor de todas as ações, aquilo que justifica. Por outro lado o existencialismo, configurado na descida ao inferno de Pierre em busca da verdade.

Há sugestões políticas e econômicas: os idílicos castelos (burguesia e capitalismo) X os vagabundos.

O filme parece ter trazido uma maldição para os protagonistas, que faleceram ainda novos, ele em 2008, aos 37 anos e ela em 2011, aos 45 anos. Ele era Guillaume Depardieu, filho do ator Gerard Depardieu.
Ela, Yekaterina Golubyova,  atriz russa que foi casada com o diretor Leo Carax, com quem tem uma filha.



IMDB: 5,8/ 10
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: POLA X
País:   França e outros
Ano:  1999
Direção: Leos Carax
Elenco: Guillaume Depardieu, Catherine Deneuve, Yekaterina Golubyova