Cinéfilos Eternos: Catherine Deneuve
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

SEMENTES PODRES





Penso que esse filme fala principalmente sobre a nossa tendência de julgar os outros. Wael (Kheiron), ajudado por Monique (Catherine Deneuve) vive de pequenos golpes. Em um deles, cometido contra Victor (André Dussolier), ele se dá mal e é pego. Convencido por Monique, Victor resolve dar uma chance para Kheiron em vez de entregá-lo à polícia, desde que ele substitua um professor em um centro de adolescentes excluídos do sistema devido a mal comportamento: as "mauvaises herbes", ou "sementes podres".
O maior trabalho dele será fazer com que os seis jovens voltem no dia seguinte. São pessoas totalmente desmotivadas, cheias de problemas e será que logo alguém como Wael, que não é lá nenhum bom exemplo vai conseguir? Contando assim, parece que é um filme piegas, mas não é. Aos poucos, vamos conhecendo a vida de todos. É como se Wael, tentando entender cada um, se confrontasse com seu próprio passado. As cenas com a turma são intercaladas com as cenas de um Wael menino (Aymane Wardane) e sua difícil vida. Monique, que de início, parecia meio avoada, vai se revelando também.
Não, não é um dramalhão, muito pelo contrário, tem cenas bem divertidas, embora algumas brutais. É justamente essa capacidade de juntar o drama com a comédia que me envolveu.
Kheiron é um comediante, ator e diretor de cinema francês. Depois do Prêmio Cesar como Melhor Primeiro Filme em 2016 por "Nous Trois ou Rien", o comediante, que construiu uma reputação no mundo da comédia de stand-up, volta a desempenhar o papel principal em Mauvaises Herbes, que ele também assina o roteiro, além da direção.
Ainda que com alguns clichês, o filme aborda questões sociais e humanas importantes, fala sobre a força da empatia e nos convida a um novo olhar, antes de virarmos as costas para alguém.

IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Mauvaises Herbes
Outros nomes: Bad Seeds
País: França.
Ano: 2018
Direção: Kheiron.
Roteiro: Kheiron.
Elenco: Kheiron, Catherine Deneuve, André Dussolier, Aymane Wardane.


segunda-feira, 21 de maio de 2018

POLA X




Baseado no romance de Herman Melville.: Pierre, Ou Les Ambiguïtés. Entenderam? P, O, L, A. Por causa dessa "gracinha" ficou parecendo título de filme pornô, o que não é verdade. E também por conter muitas cenas fortes.


Pierre (Guillaume Depardieu, filho de Gerard Depardieu) é um jovem escritor que vive com a sua mãe, Marie (Catherine Deneuve) num castelo perto do rio Sena, na Normandia. Está noivo de Lucile (Delphine Chuillote).

Nessa primeira parte do filme, parece tudo perfeito, todo mundo é lindo, rico e feliz. O castelo é maravilhoso, os dias são ensolarados, eles estão sempre com jeito de que acabaram de sair do banho, os figurinos são todos claros.

Pierre resolve ficar noivo de Lucile mas no caminho encontra uma misteriosa mulher que lhe faz uma surpreendente revelação, que mudará sua vida. Isabelle (Yekaterina Golubyova) lhe diz ser sua irmã. Pierre fica muito tocado com a história de abandono da irmã e decide abandonar a todos para se dedicar a ela. Eles fogem para um subúrbio de Paris.

A partir daí, fica tudo sombrio, a própria Isabelle é de uma beleza estranha. Vamos acompanhar o lindo Pierre cada vez mais atormentado e mal vestido. Os lugares são escuros, os figurinos também, tudo a mostrar a transformação ocorrida na vida de Pierre. 

De sombrio a bizarro, esse é um filme que pode não agradar a muitos. Ainda mais por abordar um tema bem tabu, que é uma relação incestuosa. Dizem inclusive que a tal cena de sexo não foi simulada, o que contribuiu para muitas críticas negativas sobre o filme.
O amor maldito faz de Pola X um filme perturbador e atraente ao mesmo tempo.


Apesar de ser o único filme do diretor baseado numa obra, mantém as características de Leos Carax. Por um lado o amor, motor de todas as ações, aquilo que justifica. Por outro lado o existencialismo, configurado na descida ao inferno de Pierre em busca da verdade.

Há sugestões políticas e econômicas: os idílicos castelos (burguesia e capitalismo) X os vagabundos.

O filme parece ter trazido uma maldição para os protagonistas, que faleceram ainda novos, ele em 2008, aos 37 anos e ela em 2011, aos 45 anos. Ele era Guillaume Depardieu, filho do ator Gerard Depardieu.
Ela, Yekaterina Golubyova,  atriz russa que foi casada com o diretor Leo Carax, com quem tem uma filha.



IMDB: 5,8/ 10
Minha nota: 3,5/ 5


Ficha técnica:
Nome original: POLA X
País:   França e outros
Ano:  1999
Direção: Leos Carax
Elenco: Guillaume Depardieu, Catherine Deneuve, Yekaterina Golubyova

quarta-feira, 16 de maio de 2018

AS CRIATURAS




O filme provocou polêmica entre os anos de 1965-66, talvez devido ao experimentalismo que não foi compreendido na época, ocasionando um grande fracasso de bilheteria, mesmo com o elenco fabuloso. Um casal sofre um acidente e Mylène (Deneuve) fica muda. Não ficou bem explicado no filme o porquê, se era só por causa do trauma do acidente. Porque ela continua apaixonada e doce com o marido (Piccoli, que no filme é Piccoli mesmo). Eles se instalam em um forte, na Ilha de Noirmoutier. Ela também não quis mais sair de casa, de forma que as compras ficam por conta de Piccoli. Ele também não é de falar muito, o que desperta a curiosidade dos moradores locais. Entre seu trabalho como escritor, Piccoli faz longas caminhadas, sozinho, já que a esposa se nega a sair e ele é considerado esquisito.


Fatos perturbadores começam a acontecer. Piccoli descobre que mora um engenheiro no farol, que inventou uma estranha máquina, que permite que ele manipule os moradores como marionetes. Tem início um jogo entre os dois, onde real e imaginário se confundem.

Não é uma obra que agradará a todos, não há coesão, mas achei bem original, principalmente para a época. Pode ser visto como um filme de ficção, apenas como algo para divertir ou como uma série de metáforas, eu entendi assim. E volto sempre à minha pergunta: somos nós que escolhemos nossos destinos ou é o destino que nos escolhe? E mesmo quando escolhemos, haverá algum controle sobre o que optamos viver? Ou existe algum papel para nós, que é modificado, incluídos novos elementos, talvez para nos testar, pelo Roteirista e Diretor de nossas vidas?

IMDB: 6,7/ 10
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Les Créatures
País: França
Ano: 1966
Direção: Agnès Varda.
Elenco: Michel Piccoli, Catherine Deneuve, Eva Dahlbeck, Lucien Bodard.