Cinéfilos Eternos: Década 1961-1970
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sábado, 19 de maio de 2018

A GAROTA QUE SABIA DEMAIS



Com Leticia Román como Nora Davis, John Saxon como o Dr. Marcello Bassi e Valentina Cortese como Laura Craven, entre outros.


Hitchcock nos presenteou com O homem que sabia demais, Mario Bava o homenageia com A garota que sabia demais.

Podemos concluir que é perigoso, muito perigoso, saber demais.

Nora Davis, a garota do filme, era americana e foi passear em Roma. O que à primeira vista era encantador, tornou-se um pesadelo para ela. 


Logo que chega em Roma já houve um incidente no aeroporto. Na sua primeira noite na cidade, mal ela chega na casa da Tia Edith, esta morre. Quando ela saí apavorada pra pedir ajuda, é atacada e assaltada. Quando consegue se recuperar, acaba sem querer sendo testemunha de um crime horrível.
O que eu faria? Voltaria correndo pra casa.

Mas Nora Davis resolve ficar e provar que estava falando a verdade, pois ninguém acredita nela, já que o corpo, a prova de que houve um crime, desaparecera.

E A garota que sabia demais também era a garota que adorava livros sobre crimes, ela devorava esse tipo de literatura e já se sentia meio que conhecedora do assunto e não iria partir sem satisfazer sua curiosidade.

No melhor estilo giallo, Mario Bava nos oferece um filme que nos deixa o tempo todo com a respiração suspensa. A história serve apenas de pano de fundo pra um conjunto de imagens e sons que nos remetem a sensações horripilantes, mas também com muito senso de humor.

Conhecida também no Brasil pelo título Olhos diabólicos, é imperdível conhecer essa obra desse grande mestre.


IMDB: 7,1/ 10

Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Ragazza che Sapeva Troppo
Outros nomes: Olhos Diabólicos
País: Itália
Ano: 1963
Direção: Mario Bava
Elenco: John Saxon, Leticia Román, Valentina Cortese


sexta-feira, 18 de maio de 2018

TRILOGIA DO HOMEM SEM NOME



Quem não viu, sempre há tempo para conhecer o trabalho de um dos melhores cineastas que o mundo já conheceu: Sérgio Leone.
Em meados da década de 60 e 70, quando os faroestes andavam em baixa, os italianos lançaram um subgênero intitulado de Western Spaghetti. Fazendo grande sucesso na Itália e, posteriormente, no mundo todo. Aquela nova onda deu um gás no gênero e influenciou muita coisa que viria até muitos anos mais tarde, como Django Livre.
Mas, muito antes do Tarantino beber dessa fonte, Sergio Leone foi o grande nome desse movimento. Com influências de peso como John Ford e Kurosawa, ouso dizer que ele é um dos poucos cineastas que podemos chamar de perfeitos. Seus filmes eram estilizados, seus personagens, apesar de canastrões, eram peculiares e bem delineados, suas trilhas sonoras - compostas por ninguém menos que Ennio Morricone - eram um atrativo a parte. Resumindo, pode escolher um filme desse sujeito de olhos fechados e terá uma obra-prima nas mãos. E é sobre uma trilogia saída das mãos dele que resolvi escrever hoje.
Alguns chamam de trilogia dos dólares, outros de trilogia do homem sem nome. Independente de como a chamem, assistam essas aulas de cinema!


POR UM PUNHADO DE DÓLARES (Per un pugno di dollari, 1964)
O astro Clint Eastwood vive o tal homem sem nome pela primeira vez. Aqui o chamam de ''yankee''.
Ele é um sujeito que chega numa cidade violenta comandada por duas famílias rivais. Fazendo jogo duplo, aos poucos, ele vai eliminando ambos os lados os jogando uns contra os outros numa matança desenfreada.


POR UM PUNHADO DE DÓLARES A MAIS(Per qualche dollaro in più, 1965)
Clint Eastwood vive um caçador de recompensas que encontra um alvo que lhe renderá 10 mil dólares. O chamam de ''manco''.
O problema é que outro caçador, vivido por Lee Van Cleef, também está atrás do bandido. Outro filme recheado de cenas antológicas e muito tiroteio.


TRÊS HOMENS EM CONFLITO (Il buono, il brutto, il cattivo, 1966)
Entre os três. Este é o mais completo. Dou destaque ao título original: 'O Bom, O Mau e O Feio''. Simplesmente demais!!!
Cada frame desse filme parece ter sido extremamente estudado antes da filmagem. Clint Eastwood, aqui chamado do ''O Bom'' ou de ''loiro / loirinho'' pelo personagem ''O Feio'', é um caçador de recompensas que se envolve numa caça a uma grana enterrada. ''O Mau'' também é vivido por Lee Van Cleef e os três personagens dividem o protagonismo do filme, mesmo que o roteiro sempre puxe a sardinha para o lado do Clintão, hehehe.


Todos os filmes seguem uma espécie de padrão de qualidade à altura de um bom Western: sempre há um duelo no desfecho da história. E, ouso dizer, o duelo final no terceiro filme está entre as cenas mais fantásticas que já vi.


São todos filmes notas 10 / 10, não sei porque demorei mais de 25 anos pra conhecer essa trilogia. Simplesmente IMPERDÍVEL!!!
(Sinopse e comentários: Marcos Poli)

IMDB, Per un pugno di dollari      : 8,0/ 10
IMDB Per qualche dollaro in più   : 8,3/ 10
IMDB Il buono, il brutto, il cattivo: 8,9/ 10

Direção: Sergio Leone
País: Italia, Alemanha, Espanha.
Com Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Gian Maria Volontè. Eli Wallach



quarta-feira, 16 de maio de 2018

AS CRIATURAS




O filme provocou polêmica entre os anos de 1965-66, talvez devido ao experimentalismo que não foi compreendido na época, ocasionando um grande fracasso de bilheteria, mesmo com o elenco fabuloso. Um casal sofre um acidente e Mylène (Deneuve) fica muda. Não ficou bem explicado no filme o porquê, se era só por causa do trauma do acidente. Porque ela continua apaixonada e doce com o marido (Piccoli, que no filme é Piccoli mesmo). Eles se instalam em um forte, na Ilha de Noirmoutier. Ela também não quis mais sair de casa, de forma que as compras ficam por conta de Piccoli. Ele também não é de falar muito, o que desperta a curiosidade dos moradores locais. Entre seu trabalho como escritor, Piccoli faz longas caminhadas, sozinho, já que a esposa se nega a sair e ele é considerado esquisito.


Fatos perturbadores começam a acontecer. Piccoli descobre que mora um engenheiro no farol, que inventou uma estranha máquina, que permite que ele manipule os moradores como marionetes. Tem início um jogo entre os dois, onde real e imaginário se confundem.

Não é uma obra que agradará a todos, não há coesão, mas achei bem original, principalmente para a época. Pode ser visto como um filme de ficção, apenas como algo para divertir ou como uma série de metáforas, eu entendi assim. E volto sempre à minha pergunta: somos nós que escolhemos nossos destinos ou é o destino que nos escolhe? E mesmo quando escolhemos, haverá algum controle sobre o que optamos viver? Ou existe algum papel para nós, que é modificado, incluídos novos elementos, talvez para nos testar, pelo Roteirista e Diretor de nossas vidas?

IMDB: 6,7/ 10
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Les Créatures
País: França
Ano: 1966
Direção: Agnès Varda.
Elenco: Michel Piccoli, Catherine Deneuve, Eva Dahlbeck, Lucien Bodard.