Cinéfilos Eternos: Fantasia
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

BORDER






Baseado na história de mesmo nome de John Ajvide Lindqvist, da antologia Let the Old Dreams Die. No Festival de Cannes 2018 foi coroado com o prêmio Un Certain Regard. O filme foi selecionado como o concorrente sueco no Óscar 2019 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, no entanto foi nomeado apenas na categoria de Melhor Maquiagem e Penteados.
PREPARE-SE PARA FICAR INTRIGADO POR PRATICAMENTE OS CEM MINUTOS DO FILME!

Tina é uma guarda de fronteira com um faro especial, quase animal, para identificar contrabandistas. Ela nasceu com um problema nos cromossomos e talvez até por isso tenha essa habilidade. Mas quando Tina pede para revistarem Vore, nada é encontrado. Tina tem certeza que existe alguma coisa, mas pela primeira vez não consegue provar. Ao se aproximar mais de Vore, ela vai se confrontar com terríveis revelações sobre ela mesma.

Ao mesmo tempo que bizarra, a história é sensível , "o filme explora dicotomias entre o feio e o belo, a inocência e a experiência, o bem e o mal". E sobre o que se aproxima do significado de humano ou não.

IMDB: 7,1/ 10
Filmow: 3,5/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Gräns
Título no Brasil: Fronteira.
País: Dinamarca/ Suécia.
Ano: 2018
Direção: Ali Abbasi
Roteiro: Ali Abbasi.
Elenco: Eva Melander, Eero Milonoff, Jörgen Thorsson






Os atores Eero Milonoff e Eva Melander.








quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A CICATRIZ INTERIOR






Vou apenas transcrever aqui as minhas pesquisas sobre o filme porque eu mesma não tenho nenhuma opinião formada ainda. Também não darei nota, porque o que pareceu para mim um filme esquisito é considerado uma obra-prima. Pelo que eu pouco entendi, é um "home movie", uma viagem em busca de si mesmo e vagueia entre o lírico e o mítico. As imagens são fantásticas realmente e te levam a uma viagem sensorial. Acredito que é um filme para ser visto a primeira vez desnudo de qualquer conhecimento sobre ele, como uma experiência e depois ser revisto, prestando atenção nas inúmeras simbologias. Um pouco de conhecimento sobre mitologia também é importante.
"Aonde está me levando?",
pergunta a mulher que estava sentada em uma pedra, no meio da vastidão do nada, da imagem desértica que se descortina logo no início do filme, ao homem errante que ali passa para resgatá-la. Quem será esse homem? Um poeta, um romântico, Deus, o Diabo? Cansado de seus lamentos, ele vai embora, mas seus passos o trazem para o mesmo lugar, onde está a mulher.
A mulher é interpretada por Nico.
Nico ficou conhecida nos anos 60 quando se tornou musa da contracultura, integrante da banda de Lou Reed, amiga de Andy Warhol e namorada de Jim Morrison e Alain Delon.
Quando cantava, Nico estava quase sempre fora do tom e às vezes soava horrível. Mas isso não importava. Ela contava uma história com suas canções. Eu olhei para suas músicas como monólogos para capturar o estado emocional de sua personalidade”,
disse a atriz dinamarquesa Trine Dyrholm, a quem coube a difícil missão de interpretar Nico no filme Nico, 1988, vencedor da mostra Horizontes do Festival de Veneza 2017. A influência de Nico é muito mais importante e duradoura do que se imagina e vai muito além dos anos com o Velvet Underground.
O homem é Philippe Garrel, também diretor e roteirista do filme. Os filmes do cineasta francês já ganharam prêmios em eventos prestigiados como o Festival de Cinema de Cannes e o Festival de Veneza. Ele teve um relacionamento de 10 anos com a cantora e atriz alemã Nico e ela participou de 7 de seus filmes entre 1972 e 1979. Ele é pai do ator e diretor Louis Garrel e da atriz Esther Garrel.
Garrel conheceu Nico em 1969, quando ela cantou a música "The Falconer" para o seu filme Le Lit de la Vierge e logo o casal estava vivendo junto.
Nico foi descoberta pelo fotógrafo Herbert Tobias em Berlim aos 16 anos. Foi ele quem a apelidou de Nico por conta de um namorado que ela teve, o cineasta Nikos Papatakis. Ela se mudou para Paris e começou a fotografar para Vogue e Elle e chegou a ser contratada pela Chanel, mas em vez de ir para o trabalho, ela voou para Nova York onde começou a fazer comerciais para televisão e a estudar atuação com Lee Strasberg.
Em 1959 ela foi convidada por Fellini para visitar o set de La Dolce Vita e acabou ganhando um pequeno papel, interpretando a si mesma. Em 61 ela estreia no filme A Man named Rocca, de Jean Paul Belmondo, e em seguida ganha o papel principal em Strip-Tease (1963), de Jacques Poitrenaud. Ela também canta uma música escrita por Serge Gainsbourg que só foi lançada em 2001 como parte da coletânea Le Cinéma de Serge Gainsbourg. Na década de 70, ela fez sete filmes com Philippe Garrel, com quem morou e por um tempo virou o centro de suas produções. Seu filme de 1991 J’entends Plus la Guitare é dedicado a ela.
Sobre La Cicatrice Intérieure:"Filme errante sobre a errância, travessia sonâmbula da noite branca: só a tautologia, esta figura retórica que designa a redundância do ser e do logos que o exprime, pode dar conta da vertiginosa celebração do invisível e do vazio a que nos convidam os "transeuntes" personagens de A Cicatriz Interior: uma Nico mais gutural e enlutada do que nunca, hierática como uma personagem elisabetana exilada contra a vastidão da Hubrys; Pierre Clémenti, entre Adão e Prometeu, fecundando um novo mundo ao entregar a tocha à criança; e um filho Peter Pan, que ora se desvanece no rastro da Mãe, ora se concentra e cristaliza no regaço dos elementos. " (Cinética, Luiz Soares Junior)


Filme produzido numa era "pós Nouvelle Vague", “La cicatrice intérieure” de Philippe Garrel nos mostra um lugar indefinido onde a memória parece persistir.
Garrel parece estar em constante procura por algo em seu filme enquanto é atormentado por seu passado. Nunca é dito ao espectador exatamente o que o perturba. O fato de ser pouco narrativo só aumenta a subjetividade e o leque de interpretações para compreender a obra.
São longas sequências que pouco, ou quase nada, se conectam entre si: um casal caminha pelo deserto. Ela parece culpá-lo pela situação e grita que não consegue respirar. Ele a ignora. Um menino observa um cavaleiro imóvel num círculo de fogo. Um arqueiro nu chega de barco numa praia e explora o território. Lá ele encontra uma mulher e um menino numa paisagem congelada. A música de Nico impregna os diferentes segmentos do filme.
Há uma sensação desoladora durante toda obra, não sabemos a origem dos personagens, não temos ideia do local onde estão. O filme é bastante aberto para o espectador. O próprio Garrel chegou a sugerir que deveria ser visto sem legendas, pois não afetaria em nada a experiência.

Ficha técnica:
Nome original: La Cicatrice Intérieure.
País: França.
Ano: 1972
Direção Philippe Garrel.
Roteiro: Philippe Garrel, Nico.

Elenco: Philippe Garrel, Nico, Pierre Cleménti, Christian Aaron Boulogne.




Nico.









segunda-feira, 30 de julho de 2018

AS BOAS MANEIRAS




Nossa, que filme mais louco e mais lindo, mais bizarro e poético ao mesmo tempo...
Fala sobre a solidão...
sobre a rejeição...
a solidão de viver só
a solidão de ser diferente
a solidão de um segredo inconfessável
a solidão de ser abandonado
Fala sobre como as convenções
podem ser colocadas acima dos sentimentos.
Fala sobre o medo.
Sobre o amor, um amor que pode ser tão grande
que transforma o medo em entrega
Um amor tão grande que transforma
seu maior desejo em renúncia
Um amor tão grande
que vira uma dança...

O filme conta a história de Ana que contrata uma pessoa, Clara, para cuidar do bebê que está esperando. Ana vive sozinha e Clara também é uma pessoa solitária, ela está sem emprego e devendo o aluguel do seu quartinho, então o emprego vem a calhar, já que precisa dormir no apartamento. Mesmo antes do filho de Ana nascer, a jovem grávida precisa de cuidados, principalmente de companhia e amor. Clara vai se ver envolvida numa estranha relação, que vai modificar a sua vida para sempre!
Uma espécie de fábula que vai mostrar que "as boas maneiras" passam muito longe pelas regras de etiquetas e são mais ditadas pelo coração.
E eu paro por aqui, porque o filme deve ser uma descoberta do espectador, mas infelizmente a maioria das críticas está entregando a história, o que tira muito do sabor, até o poster é um spoiler.
Os diretores conseguiram com muito talento e criatividade juntar vários gêneros de uma forma muita harmoniosa. Além da direção, ainda são responsáveis pelo roteiro. Uma grata surpresa!

IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: As Boas Maneiras.
Outros títulos: Good Manners, Les Bonnes Manières.
País: Brasil, França.
Ano: 2017
Direção: Juliana Rojas, Marco Dutra.
Roteiro: Juliana Rojas, Marco Dutra.
Elenco: Marjorie Estiano, Isabel Zuaa, Miguel Lobo, Cida Moreira.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

SETE MINUTOS DEPOIS DA MEIA-NOITE




Qual é o monstro que te assombra? Uma decisão que tem que tomar? Uma realidade que precisa aceitar? Um vazio que finge que não vê? Uma mentira que precisa esconder? Qual é o monstro que te assombra?

"Conor é muito velho para ser criança. E muito jovem para ser um homem."
E nesse período tão difícil tem que enfrentar a doença da mãe (Felicity Jones), uns colegas do colégio que o assediam, um pai que mora longe e tem outra família e uma avó (Sigourney Weaver) que quer lhe ensinar boas maneiras!
Não bastasse tudo isso, ainda tem o Monstro da Árvore (voz de Liam Neeson), que aparece todas as noites. Sempre sete minutos depois da meia-noite!
Ao longo do filme, não podemos deixar de nos comover com o drama de Conor. É muita coisa que ele precisa lidar. Não dá pra não se identificar com ele também, em algum período de nossas vidas. Qual é o monstro que te assombra?
A solidão de Conor perante às decisões que ele precisa tomar é tão grande, é muita coisa para alguém que é muito velho para ser criança mas que também é muito jovem para ser um homem!

Conor começa a ter reações inesperadas, talvez ele até deseje ser castigado pelo que faz, mas sempre lhe dizem "de que vai adiantar?" Isso só o assusta mais. Do que o protegem? Ele não quer saber! Ele não está pronto para saber! Qual é o monstro que te assombra?
Gostei demais, sabe aquele filme que te surpreende? É uma fábula com lições surpreendentes. Quase não assisti por causa do título, pensei que era um terror bobo. Mas o que posso dizer é que é um filme muito sensível e inteligente. Fiquei pensando em mim, várias vezes que precisei tomar uma decisão. A decisão, por mais difícil que seja e pelo que possa acarretar, não é a pior coisa. A pior coisa é ter que decidir.
J.A.Bayona, diretor espanhol, recebeu por "A monster calls" o Prêmio Goya de Melhor Diretor, em 2017 e em 2013, por "O impossível". Além disso, recebeu por "O orfanato" o Prêmio Goya de Melhor Diretor Revelação.


IMDB: 7,5/ 10
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: A Monster Calls
País: Espanha/ EUA/ Grã-Bretanha/ Irlanda do Norte
Ano: 2016
Direção: J. A. Bayona
Roteiro: baseado na obra de Patrick Ness
Elenco: Lewis MacDougall. Felicity Jones, Sigourney Weaver, Liam Neeson.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

AS CRIATURAS




O filme provocou polêmica entre os anos de 1965-66, talvez devido ao experimentalismo que não foi compreendido na época, ocasionando um grande fracasso de bilheteria, mesmo com o elenco fabuloso. Um casal sofre um acidente e Mylène (Deneuve) fica muda. Não ficou bem explicado no filme o porquê, se era só por causa do trauma do acidente. Porque ela continua apaixonada e doce com o marido (Piccoli, que no filme é Piccoli mesmo). Eles se instalam em um forte, na Ilha de Noirmoutier. Ela também não quis mais sair de casa, de forma que as compras ficam por conta de Piccoli. Ele também não é de falar muito, o que desperta a curiosidade dos moradores locais. Entre seu trabalho como escritor, Piccoli faz longas caminhadas, sozinho, já que a esposa se nega a sair e ele é considerado esquisito.


Fatos perturbadores começam a acontecer. Piccoli descobre que mora um engenheiro no farol, que inventou uma estranha máquina, que permite que ele manipule os moradores como marionetes. Tem início um jogo entre os dois, onde real e imaginário se confundem.

Não é uma obra que agradará a todos, não há coesão, mas achei bem original, principalmente para a época. Pode ser visto como um filme de ficção, apenas como algo para divertir ou como uma série de metáforas, eu entendi assim. E volto sempre à minha pergunta: somos nós que escolhemos nossos destinos ou é o destino que nos escolhe? E mesmo quando escolhemos, haverá algum controle sobre o que optamos viver? Ou existe algum papel para nós, que é modificado, incluídos novos elementos, talvez para nos testar, pelo Roteirista e Diretor de nossas vidas?

IMDB: 6,7/ 10
Minha nota: 3,7/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Les Créatures
País: França
Ano: 1966
Direção: Agnès Varda.
Elenco: Michel Piccoli, Catherine Deneuve, Eva Dahlbeck, Lucien Bodard.