Cinéfilos Eternos: Nico.
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A CICATRIZ INTERIOR






Vou apenas transcrever aqui as minhas pesquisas sobre o filme porque eu mesma não tenho nenhuma opinião formada ainda. Também não darei nota, porque o que pareceu para mim um filme esquisito é considerado uma obra-prima. Pelo que eu pouco entendi, é um "home movie", uma viagem em busca de si mesmo e vagueia entre o lírico e o mítico. As imagens são fantásticas realmente e te levam a uma viagem sensorial. Acredito que é um filme para ser visto a primeira vez desnudo de qualquer conhecimento sobre ele, como uma experiência e depois ser revisto, prestando atenção nas inúmeras simbologias. Um pouco de conhecimento sobre mitologia também é importante.
"Aonde está me levando?",
pergunta a mulher que estava sentada em uma pedra, no meio da vastidão do nada, da imagem desértica que se descortina logo no início do filme, ao homem errante que ali passa para resgatá-la. Quem será esse homem? Um poeta, um romântico, Deus, o Diabo? Cansado de seus lamentos, ele vai embora, mas seus passos o trazem para o mesmo lugar, onde está a mulher.
A mulher é interpretada por Nico.
Nico ficou conhecida nos anos 60 quando se tornou musa da contracultura, integrante da banda de Lou Reed, amiga de Andy Warhol e namorada de Jim Morrison e Alain Delon.
Quando cantava, Nico estava quase sempre fora do tom e às vezes soava horrível. Mas isso não importava. Ela contava uma história com suas canções. Eu olhei para suas músicas como monólogos para capturar o estado emocional de sua personalidade”,
disse a atriz dinamarquesa Trine Dyrholm, a quem coube a difícil missão de interpretar Nico no filme Nico, 1988, vencedor da mostra Horizontes do Festival de Veneza 2017. A influência de Nico é muito mais importante e duradoura do que se imagina e vai muito além dos anos com o Velvet Underground.
O homem é Philippe Garrel, também diretor e roteirista do filme. Os filmes do cineasta francês já ganharam prêmios em eventos prestigiados como o Festival de Cinema de Cannes e o Festival de Veneza. Ele teve um relacionamento de 10 anos com a cantora e atriz alemã Nico e ela participou de 7 de seus filmes entre 1972 e 1979. Ele é pai do ator e diretor Louis Garrel e da atriz Esther Garrel.
Garrel conheceu Nico em 1969, quando ela cantou a música "The Falconer" para o seu filme Le Lit de la Vierge e logo o casal estava vivendo junto.
Nico foi descoberta pelo fotógrafo Herbert Tobias em Berlim aos 16 anos. Foi ele quem a apelidou de Nico por conta de um namorado que ela teve, o cineasta Nikos Papatakis. Ela se mudou para Paris e começou a fotografar para Vogue e Elle e chegou a ser contratada pela Chanel, mas em vez de ir para o trabalho, ela voou para Nova York onde começou a fazer comerciais para televisão e a estudar atuação com Lee Strasberg.
Em 1959 ela foi convidada por Fellini para visitar o set de La Dolce Vita e acabou ganhando um pequeno papel, interpretando a si mesma. Em 61 ela estreia no filme A Man named Rocca, de Jean Paul Belmondo, e em seguida ganha o papel principal em Strip-Tease (1963), de Jacques Poitrenaud. Ela também canta uma música escrita por Serge Gainsbourg que só foi lançada em 2001 como parte da coletânea Le Cinéma de Serge Gainsbourg. Na década de 70, ela fez sete filmes com Philippe Garrel, com quem morou e por um tempo virou o centro de suas produções. Seu filme de 1991 J’entends Plus la Guitare é dedicado a ela.
Sobre La Cicatrice Intérieure:"Filme errante sobre a errância, travessia sonâmbula da noite branca: só a tautologia, esta figura retórica que designa a redundância do ser e do logos que o exprime, pode dar conta da vertiginosa celebração do invisível e do vazio a que nos convidam os "transeuntes" personagens de A Cicatriz Interior: uma Nico mais gutural e enlutada do que nunca, hierática como uma personagem elisabetana exilada contra a vastidão da Hubrys; Pierre Clémenti, entre Adão e Prometeu, fecundando um novo mundo ao entregar a tocha à criança; e um filho Peter Pan, que ora se desvanece no rastro da Mãe, ora se concentra e cristaliza no regaço dos elementos. " (Cinética, Luiz Soares Junior)


Filme produzido numa era "pós Nouvelle Vague", “La cicatrice intérieure” de Philippe Garrel nos mostra um lugar indefinido onde a memória parece persistir.
Garrel parece estar em constante procura por algo em seu filme enquanto é atormentado por seu passado. Nunca é dito ao espectador exatamente o que o perturba. O fato de ser pouco narrativo só aumenta a subjetividade e o leque de interpretações para compreender a obra.
São longas sequências que pouco, ou quase nada, se conectam entre si: um casal caminha pelo deserto. Ela parece culpá-lo pela situação e grita que não consegue respirar. Ele a ignora. Um menino observa um cavaleiro imóvel num círculo de fogo. Um arqueiro nu chega de barco numa praia e explora o território. Lá ele encontra uma mulher e um menino numa paisagem congelada. A música de Nico impregna os diferentes segmentos do filme.
Há uma sensação desoladora durante toda obra, não sabemos a origem dos personagens, não temos ideia do local onde estão. O filme é bastante aberto para o espectador. O próprio Garrel chegou a sugerir que deveria ser visto sem legendas, pois não afetaria em nada a experiência.

Ficha técnica:
Nome original: La Cicatrice Intérieure.
País: França.
Ano: 1972
Direção Philippe Garrel.
Roteiro: Philippe Garrel, Nico.

Elenco: Philippe Garrel, Nico, Pierre Cleménti, Christian Aaron Boulogne.




Nico.