Cinéfilos Eternos: Ulrich Thomsen
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quinta-feira, 28 de junho de 2018

SIMPLESMENTE MARTHA



Bella Martha, nome original do filme da diretora Sandra Nettelbeck, é uma produção alemã, lançada em 2001, que conta a história de Martha Klein, a obstinada e perfeccionista chef de cozinha de um refinado restaurante de Hamburgo.
Prepare seus sentidos. A fotografia inspirada de Michael Berthl nos coloca no clima de uma cozinha de primeira linha, com os ingredientes sendo cortados e preparados com enorme capricho. Dá quase para sentir o cheirinho das deliciosas iguarias preparadas por Martha e por seus auxiliares.
"Não se pode pensar direito, amar direito, dormir direito, se não se jantar direito", observou uma vez a escritora Virginia Woolf.
Ao longo do filme, a relação entre saborear a vida e os alimentos vai se tornando cada vez mais clara. Martha se agarra no concreto das receitas, no sensorial dos gostos e cheiros, da limpeza e ordem externa. Quem sabe se para não olhar para sua vida pessoal, que é sem graça e solitária. Séria e compenetrada, ela cobra de sua equipe a mesma dedicação e, consciente do seu trabalho, não admite nenhuma crítica por parte dos clientes. O que causa alguns problemas para a dona do restaurante, que faz um acordo com ela: se ela quiser manter o emprego, tem que concordar em fazer terapia.
Mas Martha não se desliga de suas receitas e combinações nem durante suas sessões com o terapeuta:
"As trufas são perfeitas com qualquer prato com pombo, pois o delicado sabor da ave…"
Ele lhe pergunta o que a levou lá, ela responde que foi sua patroa que mandou. "E por quê ela te mandou fazer terapia?", pergunta ele. "Não faço a menor ideia", responde ela. A nossa Chef acaba ensinando receitas para ele. Ao provar um doce que ele fez, ela diz que está diferente e lhe explica que ela fica atenta ao ingrediente que ele não usou. O que seria uma boa dica para esse terapeuta, não é? Que tal ele prestar mais atenção ao que ela não fala?
Quando um acidente leva sua irmã, Martha se vê com a difícil tarefa de cuidar de sua sobrinha de oito anos. Não vai ser nada fácil, porque além dela ser totalmente envolvida com o trabalho, ela não sabe lidar com Lina. A única coisa que ela sabe fazer é cozinhar e a sobrinha se recusa a comer.
A entrada de Mario (Sergio Castellito) na história e na cozinha de Martha, já que a dona do restaurante está preocupada com o andamento das coisas vai trazer desconfiança por parte de Martha e descontração para a equipe. O Sou Chef é um extrovertido cozinheiro italiano, que coloca músicas e faz todo mundo dançar.
O filme consegue dosar drama e comédia na medida certa e é obrigatório para os amantes de "food movies". Está bem que é meio clichê, mas isso não tira o seu "sabor". Conquistou 14 prêmios e outras cinco nomeações e teve um remake americano, o filme Sem Reservas, com Catherina Zeta-Jones e Aaron Eckart.
IMDB: 7,3/ 10
Minha nota: 3,5/ 5.

Ficha técnica:
Nome original: Bella Martha.
Outros nomes: Mostly Martha.
País: Alemanha/ Itália.
Ano: 2001
Direção: Sandra Nettelbeck
Roteiro: Sandra Nettelbeck, Bettina Helmi, Michael Berti,
Elenco: Martina Gedeck, Sergio Castellito, Maxine Foerste, Ulrich Thomsen, August Zirner, Diego Ribon. Participação de Sandra Nettelbeck.

Cena do filme Sem Reservas,
com Catherina Zeta-Jones e Aaron Eckart.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

FESTA DE FAMÍLIA


***CONTÉM SPOILER***


Nossa, que filme forte! 

Junte uma família grande numa festa e sempre haverá algum tipo de confusão, uma alfinetada aqui, uma risada mal interpretada ali, normal. Acontece nas melhores famílias, porque embora os laços consanguíneos, os temperamentos são muito variados e a convivência entre pessoas parecidas já é difícil.

Mas na família Klingenfeldt, na comemoração dos sessenta anos do patriarca (Henning Moritzen) a coisa extrapolou de vez.

Além do pai e da mãe e de vários familiares e convidados, Christian (Ulrich Thomsen) vai encontrar seu irmão Michael (Thomas Bo Larsen) e sua irmã Helene (Paprika Steen). A sua irmã gêmea foi enterrada recentemente, encontrada morta em sua banheira.
O clima é de alto luxo, suítes espetaculares, o jantar de gala com uma alta equipe de cozinheiros e serventes.
É então que Christian pede a palavra e oferece ao pai a alternativa de escolher entre dois discursos, cada um num papel de cor diferente. 
Ninguém sabe mas esse ato foi uma alusão ao que o pai fazia com ele e com sua irmã gêmea, um sorteio para praticar um ato bárbaro.
Não só a família e os convidados ficam desconfortáveis com o discurso do filho mais velho, nós como espectadores também.

Acho que o que mais me incomodou na história não foi a revelação do Christian mas a maneira como todos se comportaram, tentando abafar o caso, tentando fingir que não acreditavam, tentando salvar a qualquer custo a festa e a família.
Tipo, aconteça o que acontecer, a família precisa ser preservada.
Eu sempre fui contra pessoas que sentem culpa por odiar o pai ou a mãe, alguns pais e mãe merecem ser odiados mesmo, essa coisa de laços de sangue, de amor incondicional são convenções. A gente tem que amar a quem merece ser amado.

Logo após o discurso, Christian meio que recua, porém o Chef de cuisine que o conhece desde a infância bola um plano e ajudado pela equipe escondem todas as chaves dos carros, ninguém pode sair e o confronto será inevitável.
No final, o irmão babaca Michael, que já tinha brigado com o namorado da irmã por ser negro e tratava a esposa super mal. é que se mostrou melhor que todo mundo, no meio de tanta gente hipócrita ele surpreendeu.


Thomas Vinterberg (A caça) assina esse primoroso trabalho de direção, esse retrato nu e cru da hipocrisia social e familiar, que defende alguns valores acima da dignidade humana. As interpretações são impecáveis e a fotografia desbotada e desagradável, com certeza propositalmente, em contraste com aquela família aparentemente bonita e bem sucedida.
Festen foi o primeiro trabalho do movimento Dogma 95, criado por Vintrberg e Lars Von Tryer, que estabelece um conjunto de dez regras para a realização cinematográfica, em parte em protesto contra as obras hollywoodianas. O filme recebeu inúmeros prêmios.

Em 2015, o cinema nórdico ganhou sua devida atenção na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Uma das mais talentosas regiões da Europa, sua história cinematográfica é um primor. Os países nórdicos constituem uma região da Europa setentrional e do Atlântico Norte, composta pela Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, e as regiões autónomas das Ilhas Faroé, arquipélago da Åland e Groenlândia.

O termo "Escandinávia" é por vezes utilizado como sinônimo para os países nórdicos, embora dentro desses países os termos sejam considerados distintos. Os países escandinavos são a Noruega, a Suécia e a Dinamarca. Os países nórdicos são os países escandinavos e a Finlândia e a Islândia. 

Dentro desse conceito, o filme Fasten pode ser considerado tanto como Cinema Nórdico quanto como Cinema Escandinavo.

IMDB: 8,1/ 10
Minha nota: 4,3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Festen
Outros Nomes:  Das Fest, The Celebration
País: Dinamarca/ Suécia
Ano:  1998
Direção: Thomas Vinterberg
Roteiro: Thomas Vinterberg, Mogens Rukov
Elenco: