FESTA DE FAMÍLIA - Cinéfilos Eternos

quarta-feira, 23 de maio de 2018

FESTA DE FAMÍLIA


***CONTÉM SPOILER***


Nossa, que filme forte! 

Junte uma família grande numa festa e sempre haverá algum tipo de confusão, uma alfinetada aqui, uma risada mal interpretada ali, normal. Acontece nas melhores famílias, porque embora os laços consanguíneos, os temperamentos são muito variados e a convivência entre pessoas parecidas já é difícil.

Mas na família Klingenfeldt, na comemoração dos sessenta anos do patriarca (Henning Moritzen) a coisa extrapolou de vez.

Além do pai e da mãe e de vários familiares e convidados, Christian (Ulrich Thomsen) vai encontrar seu irmão Michael (Thomas Bo Larsen) e sua irmã Helene (Paprika Steen). A sua irmã gêmea foi enterrada recentemente, encontrada morta em sua banheira.
O clima é de alto luxo, suítes espetaculares, o jantar de gala com uma alta equipe de cozinheiros e serventes.
É então que Christian pede a palavra e oferece ao pai a alternativa de escolher entre dois discursos, cada um num papel de cor diferente. 
Ninguém sabe mas esse ato foi uma alusão ao que o pai fazia com ele e com sua irmã gêmea, um sorteio para praticar um ato bárbaro.
Não só a família e os convidados ficam desconfortáveis com o discurso do filho mais velho, nós como espectadores também.

Acho que o que mais me incomodou na história não foi a revelação do Christian mas a maneira como todos se comportaram, tentando abafar o caso, tentando fingir que não acreditavam, tentando salvar a qualquer custo a festa e a família.
Tipo, aconteça o que acontecer, a família precisa ser preservada.
Eu sempre fui contra pessoas que sentem culpa por odiar o pai ou a mãe, alguns pais e mãe merecem ser odiados mesmo, essa coisa de laços de sangue, de amor incondicional são convenções. A gente tem que amar a quem merece ser amado.

Logo após o discurso, Christian meio que recua, porém o Chef de cuisine que o conhece desde a infância bola um plano e ajudado pela equipe escondem todas as chaves dos carros, ninguém pode sair e o confronto será inevitável.
No final, o irmão babaca Michael, que já tinha brigado com o namorado da irmã por ser negro e tratava a esposa super mal. é que se mostrou melhor que todo mundo, no meio de tanta gente hipócrita ele surpreendeu.


Thomas Vinterberg (A caça) assina esse primoroso trabalho de direção, esse retrato nu e cru da hipocrisia social e familiar, que defende alguns valores acima da dignidade humana. As interpretações são impecáveis e a fotografia desbotada e desagradável, com certeza propositalmente, em contraste com aquela família aparentemente bonita e bem sucedida.
Festen foi o primeiro trabalho do movimento Dogma 95, criado por Vintrberg e Lars Von Tryer, que estabelece um conjunto de dez regras para a realização cinematográfica, em parte em protesto contra as obras hollywoodianas. O filme recebeu inúmeros prêmios.

Em 2015, o cinema nórdico ganhou sua devida atenção na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Uma das mais talentosas regiões da Europa, sua história cinematográfica é um primor. Os países nórdicos constituem uma região da Europa setentrional e do Atlântico Norte, composta pela Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, e as regiões autónomas das Ilhas Faroé, arquipélago da Åland e Groenlândia.

O termo "Escandinávia" é por vezes utilizado como sinônimo para os países nórdicos, embora dentro desses países os termos sejam considerados distintos. Os países escandinavos são a Noruega, a Suécia e a Dinamarca. Os países nórdicos são os países escandinavos e a Finlândia e a Islândia. 

Dentro desse conceito, o filme Fasten pode ser considerado tanto como Cinema Nórdico quanto como Cinema Escandinavo.

IMDB: 8,1/ 10
Minha nota: 4,3/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Festen
Outros Nomes:  Das Fest, The Celebration
País: Dinamarca/ Suécia
Ano:  1998
Direção: Thomas Vinterberg
Roteiro: Thomas Vinterberg, Mogens Rukov
Elenco:  

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