Do premiado diretor russo, Andrei Konchalovsky, "Paraíso" é uma dura história que transcorre na maior parte em um campo de concentração alemão. O filme rendeu ao diretor o segundo Leão de Prata no Festival de Veneza após ter vencido dois anos antes por "As noites brancas do carteiro".
O drama foi escolhido para representar a Rússia na disputa por uma indicação ao Oscar 2017 de filme estrangeiro. O que foi uma surpresa. O caso é que Konchalovsky já se negou a representar a Rússia no Oscar em 2015 com "As noites brancas do carteiro". Por ter criticado duramente a 'hollywoodização' do mercado russo, as más influências do cinema comercial americano na formação dos gostos e das preferências, considerou que "lutar por receber um prêmio de Hollywood me parece simplesmente ridículo".
Produzida em preto e branco, a obra conta a história de três pessoas cujas vidas se cruzaram durante a Segunda Guerra Mundial: a emigrante russa Olga, membro do movimento de Resistência Francesa, o colaborador francês Jules e o oficial de alta patente da SS, Helmut.
Poderia ser mais um filme sobre o holocausto, mas o filme vai muito além disso. E fiquei me perguntando que se não fosse a guerra, como seriam as vidas dessas pessoas? Algumas características nossas só se revelam, até para nós mesmos, quando somos submetidos a uma situação limite. Essas características podem surpreender, para o bem e para o mal. O mesmo oficial alemão poderia ter sido um amante amoroso e sua história digna de um grande romance. O colaborador Jules poderia ter sido um ótimo pai e avô cercado de netos, com um olhar bonachão. Olga poderia nunca ter sentido a necessidade de ajudar outro ser humano, nunca ter percebido as injustiças do mundo, cercada pelos seus privilégios de princesa.
Os três protagonistas falam diante da câmera e contam sua história. Será que para quem?
O título é uma ironia com a ideia de “paraíso” da propaganda nazista de um novo homem em um novo mundo, mas tem duplo sentido.
Entre lembranças e confissões dos personagens, veremos belíssimas cenas de um verão na Itália.
Apesar da temática, o filme carrega uma certa poesia.
A atriz Yullya Vysotskaya impressiona aparecendo de cabeça raspada, mostrando mesmo assim uma beleza que vai além da estética, uma beleza que vem da força da personagem.
Inovador e instigante, mostrando as motivações por trás da guerra e certamente também trazendo uma forte reflexão sobre Deus e sua Criação.
Como seria o mundo dos seus sonhos? Um mundo só de pessoas parecidas com você ou um mundo onde pessoas diferentes se respeitassem e se amassem? Um mundo onde os pecados seriam perdoados ou onde os pecadores seriam extirpados? Afinal, como deveria ser o Paraíso?
IMDB: 7,1/ 10
Minha nota: 4,5/ 5
Minha nota: 4,5/ 5
Ficha técnica:
Nomes originais: Рай, Ray
Outros nomes: Paradise
País: Rússia/ Alemanha.
Ano: 2016
Direção: Andrey Konchalovskiy
Roteiro: Andrey Konchalovskiy, Elena Kiseleva.
Elenco: Yullya Vysotskaya, Philippe Duquesne, Christian Clauss, Jakob Diehl.
Nomes originais: Рай, Ray
Outros nomes: Paradise
País: Rússia/ Alemanha.
Ano: 2016
Direção: Andrey Konchalovskiy
Roteiro: Andrey Konchalovskiy, Elena Kiseleva.
Elenco: Yullya Vysotskaya, Philippe Duquesne, Christian Clauss, Jakob Diehl.

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