Cinéfilos Eternos: Andrey Konchalovskiy
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sábado, 19 de maio de 2018

AS NOITES BRANCAS DO CARTEIRO



Um lago, uma mulher, um menino, ...

um lugarejo perdido, no meio de uma paisagem deslumbrante! 

Mas que os olhos já cansados dos poucos habitantes que restavam pareciam nem mais perceber. A maioria já velhos, sem mais nada a esperar senão o correr dos dias, daqueles dias todos iguais. Não há colégios, não há o que se fazer, eles vivem em rudimentares casas de pedras. Não há empregos, por isso nenhuma chance de chegar gente nova. Um carteiro é a única ligação com o mundo exterior, ele busca as raras correspondências e algumas coisas que as pessoas lhe encomendam, pão, remédios e, principalmente ele busca o parco pagamento dos moradores. Enquanto o dinheiro dura, resta a alguns deles regar seus dias com vodka, fumar e contemplar o tempo perdido. Um retrato do desalento ...


O lugar cheira à morte! Um lugar onde apenas se espera os dias finais e com a partida do último habitante também a aldeia chegará ao fim.


As noites são todas iguais para Lyokha, o carteiro. Noites brancas, sem significado, ... de dia ele calça seus chinelos, faz seu chá, se veste e pega seu barco. Mas ele ainda tem seu emprego de carteiro. Talvez seja por isso que Lyokha seja um pouco diferente dos outros. Ele ainda sonha com o amor...
Um lago, uma mulher, um menino, ...Irina tem um filho, Timur. Uma criança naquele vilarejo também representa a esperança de um futuro. 
Mas Irina também quer ir embora com Timur.


O filme é tipo um documentário da vida no lugar. O elenco é formado por moradores de lá mesmo. Ainda que a comunidade esteja atuando, o diretor fez questão de também filmar com câmeras escondidas, para dar mais realismo. Interessante que parece que mesmo quando sabem que estão sendo filmados, eles não parecem sentir pressão alguma, talvez porque os personagens são eles mesmos. Mesmo assim, Aleksey Tryapitsyn, o carteiro, entrega um trabalho tão marcante que, por vezes, ficamos admirados dele não ser ator.


Um povo que sobreviveu ao passado e que contempla o seu fim.


A linda fotografia de Aleksandr Simonov, combinada com a música de Eduard Artemev completam a arte desse melancólico filme, que deu a Konchalovskiy o Leão de Prata de Melhor Diretor no Festival de Veneza de 2014.


E o que será que aquele gato que só o carteiro vê representa?


IMDB: 7,1- 10
Minha nota: 3,7-5


Ficha técnica: 
Nome original: Belye nochi pochtalona Alekseya Tryapitsyna
País: Rússia
Ano: 2014
Direção e roteiro: Andrey Konchalovskiy
Elenco: Aleksey Tryapitsyn, Irina Ermolova, Timur Bondarenko.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

PARAÍSO




Do premiado diretor russo, Andrei Konchalovsky, "Paraíso" é uma dura história que transcorre na maior parte em um campo de concentração alemão. O filme rendeu ao diretor o segundo Leão de Prata no Festival de Veneza após ter vencido dois anos antes por "As noites brancas do carteiro".
O drama foi escolhido para representar a Rússia na disputa por uma indicação ao Oscar 2017 de filme estrangeiro. O que foi uma surpresa. O caso é que Konchalovsky já se negou a representar a Rússia no Oscar em 2015 com "As noites brancas do carteiro". Por ter criticado duramente a 'hollywoodização' do mercado russo, as más influências do cinema comercial americano na formação dos gostos e das preferências, considerou que "lutar por receber um prêmio de Hollywood me parece simplesmente ridículo".
Produzida em preto e branco, a obra conta a história de três pessoas cujas vidas se cruzaram durante a Segunda Guerra Mundial: a emigrante russa Olga, membro do movimento de Resistência Francesa, o colaborador francês Jules e o oficial de alta patente da SS, Helmut.
Poderia ser mais um filme sobre o holocausto, mas o filme vai muito além disso. E fiquei me perguntando que se não fosse a guerra, como seriam as vidas dessas pessoas? Algumas características nossas só se revelam, até para nós mesmos, quando somos submetidos a uma situação limite. Essas características podem surpreender, para o bem e para o mal. O mesmo oficial alemão poderia ter sido um amante amoroso e sua história digna de um grande romance. O colaborador Jules poderia ter sido um ótimo pai e avô cercado de netos, com um olhar bonachão. Olga poderia nunca ter sentido a necessidade de ajudar outro ser humano, nunca ter percebido as injustiças do mundo, cercada pelos seus privilégios de princesa.
Os três protagonistas falam diante da câmera e contam sua história. Será que para quem? 
O título é uma ironia com a ideia de “paraíso” da propaganda nazista de um novo homem em um novo mundo, mas tem duplo sentido. 
Entre lembranças e confissões dos personagens, veremos belíssimas cenas de um verão na Itália. 
Apesar da temática, o filme carrega uma certa poesia.

A atriz Yullya Vysotskaya impressiona aparecendo de cabeça raspada, mostrando mesmo assim uma beleza que vai além da estética, uma beleza que vem da força da personagem.
Inovador e instigante, mostrando as motivações por trás da guerra e certamente também trazendo uma forte reflexão sobre Deus e sua Criação.
Como seria o mundo dos seus sonhos? Um mundo só de pessoas parecidas com você ou um mundo onde pessoas diferentes se respeitassem e se amassem? Um mundo onde os pecados seriam perdoados ou onde os pecadores seriam extirpados? Afinal, como deveria ser o Paraíso?
IMDB: 7,1/ 10
Minha nota: 4,5/ 5
Ficha técnica:
Nomes originais: Рай, Ray
Outros nomes: Paradise
País: Rússia/ Alemanha.
Ano: 2016
Direção: Andrey Konchalovskiy
Roteiro: Andrey Konchalovskiy, Elena Kiseleva.
Elenco: Yullya Vysotskaya, Philippe Duquesne, Christian Clauss, Jakob Diehl.