Baseado nas memórias da atriz Anne Wiazemsky, que é interpretada lindamente pela atriz Stacy Martin. Anne foi casada com Godard por 12 anos, de 1967 a 1979. Eles se conheceram quando ela era ainda menor de idade, tinha apenas 17 anos e ele já estava com 37 anos. Em sua autobiografia, Anne, que faleceu em outubro do ano passado, conta a história do seu relacionamento amoroso com ele.
Em 1968, Jean-Luc Godard entrou, como denominou Anne, na sua "fase revolucionária". Eu diria que já um pouco antes, com o lançamento do seu filme A Chinesa, estrelado por Anne. A trama se passa em 1967 e aborda diversos temas importantes como o capitalismo, o maoísmo, o imperialismo, o liberalismo e o sistema escolar. Na época de seu lançamento, foi considerado um filme profundamente irrealista. Entretanto, visto em retrospecto, acabou antecipando os acontecimentos do ano seguinte, o famoso Maio de 68.quando a juventude francesa veio a protagonizar os conhecidos episódios de desobediência civil naquele país.
Jean-Luc Godard é reconhecido por um cinema vanguardista e polêmico, que tomou como temas e assumiu como forma, de maneira ágil, original e quase sempre provocadora, os dilemas e perplexidades do século XX.
Mas quem é o homem Jean-Luc Godard? Sua primeira mulher e musa, Anne conta no seu livro Un an aprés (Um ano depois) como foi sua relação com o cineasta. Hazanavicius leu o livro e viu que esse período da vida dele era muito interessante e intenso para um roteiro. "A história de um cara que mudou radicalmente. E a maneira como ele mudou é impressionante”, diz ele.
Louis Garrel representa o cineasta de forma inevitavelmente cômica, mostrando a rabugice e a pretensão desse diretor que é tachado, em igual medida, como genial e difícil. Realmente, Michel Hazanavicius faz um retrato nada simpático de Godard. Um dos nomes mais venerados do cinema francês é mostrado no filme como um um homem inseguro e arrogante. Garrel faz isso de forma excelente, ele que mesmo antes de interpretar o diretor já era famoso por imitá-lo. Perfeito para o papel! Para se entrar no mundo formidável de Godard, era preciso aceitar o pacote todo, como ele mesmo dizia. Criticado, vaiado muitas vezes, ele continuava a indagar: "E se sou eu que estou certo?"
Anne reconhecia as qualidades formidáveis dele e ia ficando, até que não aguentou mais e o largou. Até porque foi uma forma também de sair da sombra dele e conquistar sua independência.
Hazanavicius foi muito corajoso ao ousar (como acusado por muitos) a fazer um filme sobre um ícone da "Nouvelle Vague" . Mas o consegue e de uma forma deliciosa, inclusive utilizando-se de recursos da metalinguagem, para justificar questões relativas à arte cinematográfica em geral.
IMDB: 6,8/ 10
Minha nota: 3,8/ 5
Ficha técnica:
Nome original: Le Redoutable
Outros nomes: Godard, Mon Amour
País: França.
Ano: 2017
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius/ Anne Wiazemsky.
Elenco: Louis Garrel, Stacy Martin, Bérenice Bejo,

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