Cinéfilos Eternos: Clémence Poésy
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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

OS AMANTES DO CAFÉ FLORE




Não tenho como não pensar como teria sido a vida de Simone de Beauvoir sem a presença de dois fatores: o primeiro, uma mãe oprimida pelo casamento (pelo menos na visão dela). A mãe (ou o pai, não lembro) chegou a dizer que "uma mulher é o que o marido faz dela". A outra coisa determinante foi a sua melhor amiga ter sido obrigada a fazer um casamento escolhido pela mãe, a perda da liberdade da amiga. Simone não teve o exemplo de um casal harmonioso em casa e tinha problemas com o pai, que a criticava o tempo todo. Ela decide que vai tomar as rédeas da sua vida, que nunca vai se casar, "lavar cuecas" e nem ter filhos. Dedica-se à sua carreira de professora e a escrever. De acordo com seu pai, era o que lhe restava, já que era feia e ninguém ia querer se casar com ela.
Quando ela e o jovem e rebelde Sartre se conhecem, forma-se um pacto aparentemente perfeito. Não, ele não a acha feia, muito pelo contrário, diz que ela é linda, a deseja. Mas, como ela, pretende uma relação baseada na realidade e na verdade. O casamento para eles é uma instituição burguesa, do que eles fogem.
Mas a proposta de Sartre é uma vida em comum onde seriam permitidos outros, outras aventuras amorosas. O importante é que eles contassem a verdade uma ao outro.
O que me parece é que Simone foi presa na própria armadilha. Ela não queria ser feita por marido nenhum! Mas ela também tencionava essa liberdade toda ou apenas a aceitou? Além disso, nem sempre houve verdades. Decepcionada, Simone desabafa com sua mãe:
"Achava que sabia de tudo e me sinto enganada, carente, rejeitada, como todas as mulheres".
A união intelectual, sim, essa era perfeita. Não sei dizer se um existiria sem o outro. Eles se desafiavam mutuamente, complementavam-se de uma maneira única.
Entendo que o filme, apesar do título, é muito mais sobre Simone do que sobre Sartre. O mundo todo conhece a lendária Simone de Beauvoir, uma das maiores intelectuais do século XX, figura de proa do feminismo e companheira de Jean-Paul Sartre. Mas o que sabemos sobre a mulher apaixonada e dividida que se escondia por trás do ícone?
Jean-Paul Sartre não foi o único amor de Simone, como ficaram eternizados. Ela conheceu o verdadeiro amor e até a plenitude sexual com o escritor americano Nelson Algren. Além da paixão arrebatadora, que durou mais de uma década, ele a inspirou a escrever diversos livros. Foi com Algren que Simone encontrou sua verdadeira identidade.
No livro “Beauvoir Apaixonada”, de Irène Frain, ela é apresentada como mulher apaixonada que, igualmente a qualquer outra, soluça e se aflige quando seu amor se despede e sobe em um avião.
Enquanto escrevia O Segundo Sexo, Beauvoir vivia um romance com o “amado homem de Chicago” através de carinhosas e perturbadoras cartas de amor. Primeiro ela nos diz que "a mulher apaixonada vive de joelhos” e "poucos crimes merecem piores punições do que a generosa culpa de se colocar inteiramente nas mãos de outrem”. Aqui nós vemos a luta contra a emoção pura que, de fato, colocou-a de joelhos. Essas cartas, de 1947 a 1964 estão reunidas no livro Cartas a Nelson Algren.

IMDB: 6,6/ 5
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Les Amants du Flore.
País: França.
Ano: 2006
Direção: Ilan Duran Cohen.
Roteiro: Chantal Derudder, Evelyne Pisier, Suna Syal.

Elenco: Anna Mouglalis, Lòrant Deutsch, Kal Weber, Robert Plagnol, Clémence Poésy, Caroline Sihol, Didier Sandre, Jennifer Decker, Julien Baumgartner, Laetitia Spigarelli.