Cinéfilos Eternos: Elle Fanning
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quinta-feira, 5 de julho de 2018

MARY SHELLEY




A história do romance entre o poeta inglês Percy Shelley e Mary Wollstonecraft Godwin, uma jovem de 17 anos, mais tarde Mary Shelley, famosa por ter escrito o romance "Frankenstein, ou o Prometeu Moderno", que deu origem ao filme.
Embora Mary tenha recebido pouca educação formal, seu pai a tutorou em vários assuntos. Frequentemente levava as crianças em viagens educacionais, e elas também tinham acesso à sua biblioteca e a muitos intelectuais que o visitavam. Mary Godwin recebeu uma educação incomum e avançada para uma garota da sua época. Seu pai a descreveu aos 15 anos como "uma mente ativa, um tanto imperativa e singularmente brilhante. Seu desejo de conhecimento é grande, e sua perseverança em tudo o que empreende é quase invencível".
O romance entre Mary e Percy começa encantando, ele faz poesias para ela:
"A luz do sol
Vem a Terra abraçar
E os raios de luar
Beijam o mar
De que vale
Esse puro laborar
Se você não vem
Me beijar?"

O amor estava no ar...
O roteiro de Emma Jensen não é totalmente fiel à história de Mary, alguns fatos foram modificados ou excluídos. Mas penso que a força e os pensamentos dela foram bem retratados. Confesso que a princípio fiquei bem decepcionada com o Percy e pensei "na fria" que a Mary se meteu. Está certo que ela não suportava a madrasta. Mary perdeu a mãe, a também escritora Mary Wollstonecraft dez dias após seu nascimento. Mas ela adorava o pai, o filósofo William Godwin, que considerou uma afronta do Percy, seu hóspede, querer ficar com a filha dele, sendo já casado e pai e não aprovou a união, cortando laços com ela.
Mary foi embora com Percy e Claire Clairmont, sua irmã "emprestada", filha de sua madrasta, a acompanhou. Percy Shelley era o típico irresponsável, gastava o que não podia, bebia além da conta e se vangloriava de ter um pensamento livre, disse mesmo à Mary que não se incomodaria se ela tivesse amantes. Assim como ele. Mary passa a olhar com desconfiança até mesmo o relacionamento dele com Claire. Como já comentei acima, fiquei bem decepcionada com Percy Shelley, mas, pensando bem, ele era muito jovem também na época. Se Mary tinha apenas dezessete anos, ele tinha somente vinte e dois. Vamos perceber no decorrer da história que ele amadurece um pouco depois.
Um amigo me indicou esse filme por se tratar de uma mulher à frente do seu tempo. Mary Shelley era realmente assim, não se importava com sua reputação, a sua mãe também não. E olha que a história se situa no final dos anos 1700 e princípio dos anos 1800. Ela não tinha como se lembrar da mãe, mas seu pai publicou um livro com as memórias dela, como um tributo sincero e apaixonado, sendo que se arrependeu um pouco, já que Mary adorava lê-lo. Isso a ajudou a se sentir mais próxima da mãe, mas também a perceber como ela, a mãe, feminista e filósofa, era vulnerável, quando se tratava de assuntos sentimentais. Mas o fato de Mary não se importar com o que falassem dela não queria dizer que ela tinha olhos para outra pessoa que não fosse o Percy. Ela era fiel aos seus sentimentos.
A situação financeira do casal mais Claire Clairmont ficou bastante ruim. Juntando a isso, Mary estava muito deprimida com a perda da filha, além de repensar sua vida, a juventude que deixou para trás e a falta de confiança no marido. Ele, por sua vez, um poeta, que precisa de inspiração para rescrever, não aguentava mais conviver com a tristeza dela. Ele escreve:
"Minha querida Mary, por onde tu tens ido,
E me deixaste neste mundo sombrio sozinho?
Tua figura está aqui de fato, encantadora
Mas tu fugiste, saíste por uma estrada sombria
Isso leva a morada mais obscura da Tristeza.
Por amor a ti mesma eu não posso seguir-te
Para que retornes a mim."

Claire se envolve com Lord Byron, outro poeta daquela época e engravida dele. O convite para passarem uns tempos na residência do Lord parece oportuno para Percy, em todos os sentidos: poder fugir dos credores, um pouco de conforto sem despesas e diversão.
Byron e Percy se portam o tempo todo como duas pessoas sem caráter, vaidosos e fúteis. Goethe descreveu Byron como o maior gênio do século 19 e tornou-se o protótipo de poeta romântico, mas os seus escândalos íntimos eram numerosos. Claire sofre também com o desprezo de Byron. Cada vez mais Mary se sente deslocada naquilo tudo. O único com quem Mary consegue conversar, que parece ter bom senso, é John Polidori, médico de Byron (mas que também fornecia, sorrateiramente, fármacos de outras naturezas a ele).
Chove há dias, o tédio toma conta dos cinco companheiros, que resolvem ler histórias alemãs de fantasmas, sentados em torno de uma fogueira na Villa de Byron. Lord Byron sugere então que cada um escreva o seu próprio conto sobrenatural. 
John Polidori começa a rascunhar aquela que viria a ser uma das primeiras obras a tratarem de vampiros na ficção literária, intitulada “The Vampyre”. 
Pouco depois, em uma inspiração, Mary Godwin concebeu a ideia de Frankenstein. Mary, que já queria escrever uma história que despertasse arrepios de terror, porém não achava sua própria voz, começa a dar asas à sua imaginação, ajudada por uma noite insone em que teve pesadelos terríveis. O relato dela foi eleito o melhor entre os quatro, Claire não escreveu.

A tensão cresce na casa, Polidori chega a dizer para Mary: 
"Nós criamos monstros, mas não deixemos que eles nos devorem."

Os Shelley mais uma Claire grávida e abandonada partem daquela casa, a situação financeira melhora. Mary tenta publicar seu romance, mas encontra o preconceito da época, um editor chega a sugerir que o romance é de Percy. Por fim, ela cede e aceita publicar anonimamente e com um prefácio de Percy Shelley, o que garante a ele os créditos da autoria. Problema semelhante passa John Polidori com seu romance Vampiro, todos pensam que é de Lord Byron.
Criadora e criatura, o monstro de Mary Wollstonecraft Shelley é um pouco ela, representa todo o abandono que ela sente. O monstro de Mary Shelley é uma criatura quase humana que deseja ser um de nós, ser amado, mas só encontra medo, ódio e morte pelo caminho.
Apesar de tudo, Mary perdoa Percy, reconhece suas próprias responsabilidades e que não teria conseguido encontrar a verdadeira escritora dentro dela, se não tivesse passado por tudo aquilo:
"Minhas escolhas fizeram de mim o que eu sou. E não me arrependo de nada."
E se reconcilia com ele. Eles ficam casados até a morte dele, em um acidente com um barco em 1822.
"Você logo foi impelido 
pelas ondas,
perdendo-se 
na escuridão profunda."

A história é bem ambientada e a personagem principal, Mary Wollstonecraft Shelley, é extraordinária.
Frankenstein, 200 anos depois, é considerada uma das maiores e mais fascinantes histórias de terror de todos os tempos. A obra de Mary Shelley quebrou paradigmas e lançou vários aspectos importantes para a literatura de ficção Até hoje reverberam os trovões da “noite pavorosa de novembro”, quando Prometeu — ou melhor, Victor conclui seu trabalho e insufla a vida na remendada criatura que tem diante de si.
Ela nunca mais se casou. Conheceu o ator norte-americano, John Howard Payne, que a pediu em casamento, o que ela recusou, dizendo que depois de ter sido casada com um gênio, ela só poderia casar-se com outro (isso não está no filme).
IMDB: 6,3/ 10
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Mary Shelley.
País: EUA
Ano: 2017
Direção: Haifaa Al-Mansour.
Roteiro: Emma Jensen.
Elenco: Elle Fanning, Douglas Booth, Bel Powley, Tom Sturridge, Stephen Dillane.



Mary Shelley e sua criatura

sexta-feira, 8 de junho de 2018

O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS




Baseados em livro homônimo (The Beguiled), de Thomas Cullinan, de 1966. Uma escola para meninas no sul dos Estados Unidos, em plena guerra civil americana. Um soldado inimigo, temporariamente incapacitado, é acolhido pelo grupo, formado por meninas adolescentes e algumas mulheres maduras.
Em mais uma parceria de Don Siegel com Clint Eastwood, a adaptação de 1971 é uma história perversa, encharcada de humor negro e de truculência psicológica, sobre os jogos de poder que um soldado nortista institui na escola de mulheres em que vai se abrigar, no Sul da Guerra Civil de 1861-1865. Esse filme com certeza é bem mais forte que a nova versão.
Já o filme da Coppola explora um lado ausente na narrativa do autor e também do filme de Don Siegel, de 1971. Isso porque a diretora, conhecida por seu ativismo em suas narrativas, optou por contar a história do ponto de vista das mulheres da casa e não do soldado ferido, interpretado por Colin Farrell.
A casa na qual se passa o filme de 2017 é a mesma usada por Beyoncé em vários de seus clipes. Quem sugeriu o espaço como cenário foi a produtora de set Anne Ross, que instigou Sofia a tocar o projeto de O Estranho que Nós Amamos.
Sofia Coppola é conhecida por sua paleta de cor doce e pela fotografia mais lavada. A figurinista Stacey Battat, também amiga de Sofia, criou as peças em tons pastel, com estampas florais e muita cintura marcada. Mas encontrou uma forma de marcar a personalidade de cada uma das sete mulheres do filme. Embora sejam todas afetadas pelo contexto, elas são muito diferentes e individuais. Para a trilha sonora, Sofia optou pela banda francesa Phoenix, cujo vocalista é seu marido. A produção toda é muito bem cuidada, os planos, tanto os abertos quanto os fechados, são belíssimos, tudo de muito bom gosto.
O soldado John McBurney interpretado pelo Clint é bem mais sedutor que o interpretado pelo Colin Farrel, embora esse ator seja muito interessante, "in my opinion".
O tempo todo na história, Martha, a administradora do internato, afirma que vai entregar o nortista como prisioneiro às forças sulistas. Mas ao estilo "Ata-me", do Almodóvar, nem ela nem suas protegidas querem se privar dessa inesperada presença masculina.
Ao mesmo tempo, essa disputa pela atenção vai despertar o que há de pior na personalidade do Cabo John. O círculo feminino parece vacilar, atemorizar-se e enfraquecer-se – mas, afinal, fecha-se, procurando alguma maneira de expelir de seu meio o corpo estranho.

IMDB - filme de 1971: 7,2/ 10
IMDB - filme de 2017: 6,4/ 10

Minhas notas: 3,8/ 5 para os dois

Ficha técnica:
Nome original: The Beguiled
País: EUA
Ano: 1971
Direção: Don Siegel
Elenco: Clint Eastwood, Geraldine Page


Ficha técnica:
Nome original: The Beguiled
País: EUA
Ano: 2017 
Direção: Sofia Coppola
Elenco: Colin Farrel, Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Elle Fanning.

UM LUGAR QUALQUER




"Quem é Johnny Marco?"

pergunta um jornalista a ele. 

Stephen Darff interpreta Johnny Marco, um bem sucedido ator de filmes de ação. Mas quem Johnny Marco interpreta? Ele sabe responder à pergunta do jornalista?

Marco vive no mundo ilusório das celebridades, pensa que tem tudo que precisa pra ser feliz, mulheres tantas e a hora que quer, mora no charmoso hotel Chateau Marmont, em Hollywood, bebe o tempo todo, passa os dias em festas ou dirigindo sua Ferrari.

Volta e meia o ator é incomodado com mensagens em seu celular enviadas por pessoa(s) não identificadas lhe perguntando "Por que você é assim?" , "Por que você é tão babaca?". É como se fosse sua própria consciência.

Sua rotina, ou sua falta de rotina, é interrompida pela chegada de sua filha Cleo (Elle Fanning), com quem ele não tinha um relacionamento regular. 

A diretora Sofia Coppola relembra com Cleo como é a vida de uma menina no mundo de adultos, como acontecia com ela em sua infância, quando acompanhava o pai.
Com uma direção sutil e delicada como sempre, além de competente, ela nos faz compartilhar com os personagens toda sua dor, suas angústias.

O quarto filme da diretora recebeu o Leão de ouro no Festival de Veneza.

A convivência com a filha, que também o acompanha à Italia, o faz reavaliar valores.
Johnny percebe que estava girando em círculos, sem chegar a lugar algum.
Relacionamentos líquidos não mais o satisfazem. 

Além disso, Sofia pretende nos mostrar que por trás de ser rico e famoso também existe a necessidade de ser amado como ser humano, não pelo fato de ser celebridade.

Mais que isso, Johnny Marco percebe que tinha perdido a capacidade de amar.

Quando a filha lhe diz que ele nunca estava por perto, é como se tivesse recebido um soco e acordasse.
Se torna necessário procurar um novo rumo... um lugar qualquer!



IMDB: 6,3/ 10
Nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Somewhere
País: EUA
Ano: 2010
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Stephen Dorff, Elle Fanning.