Cinéfilos Eternos: Mike Cahill
Mostrando postagens com marcador Mike Cahill. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mike Cahill. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A OUTRA TERRA



Não sei nem por onde começo, há tantas coisas a se dizer sobre esse filme...
Só a parte ficcional já é super interessante e envolve também a metafísica, que considero apaixonante. Um novo planeta é descoberto, ele estava escondido atrás do sol e finalmente pode ser visto. Acontece que ele é exatamente igual ao Planeta Terra, seria um segundo Planeta Terra, e aqui começamos a chamá-lo de Terra 2. Percebem a subjetividade? Para nós ele é o segundo planeta, mas se ele é visto aqui, também somos vistos de lá e certamente "eles" considerarão que são o planeta 1. E quem serão "eles"? Várias teorias começam a surgir, se ele tem as mesmas condições, então também há vida nele. Surge até uma teoria assustadora. Se ele é um duplo do nosso planeta, será que também tudo que há nele não é a duplicata daqui. Até mesmo as pessoas? E uma questão é colocada: você se reconheceria se confrontado com seu duplo? Uau, achei isso o máximo! Essa parte do filme me lembrou um outro, o Coherence.
Mas o filme não fica por aí. No mesmo dia que o tal planeta ficou visível, um trágico acidente entrelaça a vida de duas pessoas. Ela é Rhoda Williams, uma jovem brilhante recentemente aceita no programa de astrofísica do MIT e que pretende explorar o cosmos. Ele é John Burroughs, um compositor no auge de sua carreira e que encontra-se também na vida pessoal em uma fase muito boa, casado, sua mulher está prestes a ter o segundo filho. Rhoda perde o controle de seu carro, que colide com o de John. A partir daí, a vida dos dois vai mudar, irremediavelmente. Todos os sonhos escorrerão pelos ralos.
O que eu posso dizer é que você vai ficar com vontade de conhecer o tal planeta, mas o foco do filme é o drama que envolve a vida de Rhoda e John. Ela precisa fazer qualquer coisa por ele para se redimir, nem que seja um pouco. Ele não a conhece, mas a odeia, tentou descobrir na época quem ela era, tinha vontade de matá-la, mas como ela era menor, a lei a protegeu. Duas vidas marcadas por um sofrimento sem fim.
Que fotografia linda, que músicas encantadoras, o filme tem aquele clima melancólico que eu adoro. Conseguimos quase que apalpar a dor dos dois personagens.
Não conhecia essa atriz, muito bonita e talentosa. Ou melhor, depois lembrei dela, da séria The OA, aliás, que fim levou essa série? Ela também assina o roteiro e a produção. Brit Marling conheceu Mike Cahill, de quem também foi namorada e posteriormente fez com ele o documentário Boxers and Ballerinas, que foi quando ganhou reconhecimento pelo seu trabalho. Ela chegou a participar de audições nas quais foram oferecidos papéis em filmes de terror, mas rejeitou todos. Numa entrevista ao The Daily Beast, ela declarou que "queria ser capaz de escalar a si própria para papéis que não exigissem que ela fizesse as partes típicas oferecidas a jovens atrizes, como a namorada superficial ou uma vítima de crime". Mais tarde, se tornou uma estrela no Festival Sundance de Cinema, com os filmes Sound of My Voice (2011), Another Earth (2011) e The East (2013), tanto protagonizando quanto co-escrevendo em todos eles.
Já William Mapother é um antigo professor, graduado pela Universidade de Notre Dame. Ele lecionou em uma escola no Leste de Los Angeles por três anos antes de tornar-se ator. Ele é primo de Tom Cruise e foi assistente de produção em muitos de seus filmes, olhem que interessante!
Another Earth é um filme que vai te deixar reflexivo, só pela possibilidade de não estarmos sós no universo. Acreditamos estar observando mas e se na verdade estamos sendo observados? Todos nós cometemos erros, quem não erra, uns mais que os outros, mas se existisse uma Terra 2 realmente, isso significaria dizer que também existiria uma segunda chance, uma segunda oportunidade? Buscamos o perdão, mas se fossemos colocados frente a frente com nós mesmos,seríamos capazes de nos perdoar?
Aos 21 anos o diretor Mike Cahill teve um estranho sonho e quando acordou sentiu a necessidade de escrever a seguinte frase: “Os olhos dos mortos retornam nos recém-nascidos”. Catorze anos depois tornou-se interessado no tema da biometria através da íris. Junto com a lembrança da misteriosa frase do passado, Cahill escreveu o argumento do roteiro do filme I Origins (O Universo no Olhar). A produção independente estreou no Festival Sundance de Cinema de 2014 e ganhou o Prêmio Alfred P. Sloan Prize do festival, que reconhece os filmes que retratam ciência e tecnologia. A vitória foi a segunda de Cahill; seu filme Another Earth também ganhou o prêmio em 2011.
A Outra Terra pode ser considerado por muitos mais um filme sobre o tema do perdão e de segundas chances. Metaforicamente, as realidades paralelas existem, são espelhos de nós mesmos. Mas a direção sai do convencional, inserindo elementos que despertam a estranheza e nos seduzem. Como na lenda da sereia, o planeta 2 se aproximando cada vez mais nos deixa curiosos e perplexos, nos proporcionando uma experiência sutil e transformadora. E mostrando que Brit Marling é uma realizadora criativa e que pode nos surpreender com trabalhos futuros.

IMDB: 7/ 10
Filmow: 3,7/ 5
Minha nota: 3,9/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Another Earth
País: EUA
Ano: 2011
Direção: Mike Cahill
Roteiro: Brit Marling, Mike Cahill
Elenco: Brit Marling, William Mapother.