Cinéfilos Eternos: Golshifteh Farahani
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quinta-feira, 26 de julho de 2018

A NOITE DEVOROU O MUNDO



Quem diria que eu ia ver um filme com zumbis. Pesquisando, descobri que os zumbis não são completamente míticos, olha que assustador! Há rituais necromânticos, em particular ligados à religião do vodu haitiano, com a intenção de invocar os zumbis. Zumbis também são bem reais entre outras espécies animais, cujos comportamentos dos espécimes infectados podem ser drasticamente modificados e controlados por patógenos hospedeiros. A figura dos zumbis humanos ganhou destaque no gênero de filme de terror principalmente graças ao filme de 1968 "Night of the Living Dead", de George A. Romero.
Sam vai até o apartamento de sua ex para reaver umas fitas- cassetes que está precisando, o que ele não sabia é que tinha uma festa lá, com muita bebida. Ela diz pra ele onde está a caixa com as fitas e pede que ele a aguarde lá, mas Sam acaba dormindo. Quando ele acorda e sai do quarto, ele encontra um apartamento vazio, todo quebrado e com sangue por toda parte. Ainda confuso, ele descobre um terrível acontecimento: a cidade de Paris está tomada por zumbis famintos. Ele vai se trancar no prédio e começar a criar estratégias para se proteger. Toda a ação desse filme se passa nesse prédio, de onde se vê a Torre Eiffel.
A Noite Devorou o Mundo, embora com o clima de terror, é um filme sobre solidão e escolhas. Será Sam o único sobrevivente dos humanos? E terá sido sorte ele ter um lugar para se proteger, mas somente para isso? A sua vida dessa maneira valerá realmente a pena? Sam descobre que no prédio também ficou um zumbi, ele está preso no elevador, não oferece perigo, mas mesmo assim Sam deveria matá-lo. Mas a solidão é tão grande que ele decide mantê-lo "vivo". Alfred, o zumbi também solitário, todos o abandonaram ali, é interpretado pelo genial ator Denis Lavant. Alfred é diferente dos outros zumbis, ele ainda mantém resquícios de civilidade. 
Essa parte me lembrou de um outro filme, macabro por sinal, que vi há muitos anos, tenho quase certeza que é com o ator Sam Neill, mas não encontro mais: uma mulher vai a uma festa e lá pelas tantas, já alcoolizada, sai com um homem que conheceu, que a leva para a sua casa, bem no meio de uma ilha deserta. Ele a mantém refém e ela acaba matando o tal homem e o escondendo em um freezer. Mas ela não sabe sair dali e a solidão começa a consumi-la de tal maneira que faz com que ela veja no desconhecido congelado uma companhia. Lembrei também de Gravidade, já pensou ficar perdida no espaço?

Destaque também para a parte comovente do filme, que tem a participação da iraniana Golshifteh Farahan.
O filme será considerado talvez parado para os que esperam perseguições e cenas sangrentas assustadoras o tempo todo. Mas o foco é o psicológico do protagonista. Até quanto tempo Sam aguentará aquela situação sem enlouquecer? E o quanto ele realmente está seguro ali? 
Sam terá que fazer a escolha de ficar ali, onde se sente protegido, catando as comidas que restam dos outros apartamentos, colocando diversas vasilhas no terraço do prédio à espera da água das chuvas, verificando e reforçando as portas e janelas o tempo todo, na mais profunda solidão, ou procurar uma saída, tentar achar um lugar onde talvez não hajam zumbis, mas correndo o risco de vida. É uma alegoria, acredito, à vida de todos nós. Sempre digo que muitas pessoas para não morrerem, deixam de viver. Porque se Sam optar por ficar ali na sua ilusória segurança, ele também não estará praticamente se tornando um zumbi?

Dominique Rocher, que também assina o roteiro, dirige com muita criatividade e sensibilidade esse seu primeiro longa, que é baseado em um livro de mesmo nome e que fez muito sucesso no Festival Varilux 2018.
IMDB: 6/10
Filmow: 3,2/ 5
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Nuit a Dévoré le Monde.
Outros títulos: The Night Eats the World.
País: França.
Ano: 2018
Direção: Dominique Rocher
Roteiro: Dominique Rocher
Elenco: Anders Danielsen Lie, Golshifteh Farahani, participação especial de Denis Lavant.