Cinéfilos Eternos: Policial
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

BUSCANDO






A história: desesperado com o desaparecimento da sua filha de 16 anos, um pai decide invadir o computador da jovem para procurar pistas que possam levar ao seu paradeiro.
Quando comecei a ver Searching, mesmo que já avisada, estranhei, achei que o filme não tinha aberto, porque o que eu via eram buscas em redes sociais. Pois é, o formato é bem criativo mesmo, começa mostrando as conversas entre pai e filha pelo celular e webcan e vamos aos poucos conhecendo a história daquela família através dos vídeos caseiros. Depois, acontece que Margot liga para o pai de madrugada, mas ele está dormindo e não ouve e de manhã, quando vê as ligações perdidas, não consegue o retorno. As horas vão passando e David, cada vez mais preocupado, ao mesmo tempo que contata a polícia local, invade as redes sociais da filha em busca de pistas. Daí para a frente, vamos ver mais vídeos, mais conversas entre David e a inspetora Rosemary Vick, que assumiu o caso e entre as diversas pessoas que ele tenta contatar, pelos diversos aplicativos sociais. Nenhuma conversa olho no olho, mostrando como as coisas funcionam hoje em dia.
Um pai aflito vai descobrir que nenhum dos contatos da filha é amigo de verdade dela. Todos a conhecem superficialmente e, aos poucos, ele mesmo vai percebendo que também não conhecia tão bem a filha, como imaginava. É uma corrida contra o tempo, antes que Margot desapareça definitivamente.
Está certo, esse formato cansa um pouco, mas ao mesmo tempo dá um realismo ao filme e o roteiro é tão bem amarrado, que nos sentimos buscando informações junto com David.
Quando o desaparecimento de Margot cai na mídia, as mesmas pessoas que mal a conheciam curtem, comentam, viram "melhores amigos", mostrando a hipocrisia social e a necessidade de reconhecimento.
O ator Aneesh Chaganty fez sua estréia na direção de longa-metragem com Searching, pelo qual ganhou o prêmio Alfred P. Sloan de longa-metragem no Festival de Cinema de Sundance de 2018.
A trama é simples, mas ao ser contada de uma maneira nada convencional, ao ser transformada em um suspense tecnológico, criou um clima real. Ao invadir a internet da filha, David está entrando na sua intimidade. A intenção aqui não é mostrar que a internet seja ruim ou boa, diz Aneesh, mas que ela é tudo, que pode ser tudo, depende de como você a usa. E, claro, mostra a total dependência atual da vida digital.
Para se manter fiel à história, as câmeras utilizadas foram condizentes com o que estava acontecendo na tela. Por exemplo, um iPhone 7S capturou boa parte das cenas que deveriam ser de celulares, como as chamadas de Facetime, enquanto uma GoPro gravou as cenas que seriam da webcam do computador. Nada de filmar em câmeras de alta resolução e colocar efeitos falsos ou baixar a qualidade digitalmente. A preocupação com a autenticidade era uma das prioridades para os cineastas. Por isso, tem também, claro, a evolução da tecnologia: a história da família era ainda nos tempos do Windows 95, até chegar aos dias de hoje, ao sistema operacional do MacBook.
Outra característica interessante, que fui saber só depois de ver, é que o filme inteiro tem respostas escondidas. Assim como David, você precisa aprender a procurar: se você pausar o filme e olhar para os cantos, lá estão as pistas. Legal, não é? O filme pode ser um jogo interativo.
A parte dramática é a reflexão. A detetive diz para David: nós não conhecemos nossos filhos de verdade e não temos culpa! Tem uma parte do filme que ela pede que David fique afastado das investigações, porque ele está ultrapassando os limites. Mas até onde devem ir os pais pelos filhos? Até onde você iria?


IMDB: 7,7/ 10
Filmow: 4,1/ 5
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Searching.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Aneesh Chaganty
Roteiro: Aneesh Chaganty, Sev Ohanian
Elenco: John Cho, Debra Messing, Michelle La, Joseph Lee, Sara Sohn.


domingo, 4 de novembro de 2018

INFILTRADO NA KLAN




A extraordinária história verídica do policial negro que se infiltrou na Ku Klux Klan. 
"Em uma fria manhã de novembro de 1978, o jovem policial americano Ron Stallworth deteve seu olhar em um classificado no jornal. "Ku Klux Klan. Para sua informação", dizia o anúncio, seguido de um endereço para envio de cartas.
Ele respondeu ao anúncio, imaginando que isso poderia levá-lo a uma investigação que daria um impulso em sua carreira de detetive.
Mas havia um detalhe: Stallworth, de 25 anos, era um homem negro querendo se infiltrar no grupo mais conhecido de supremacistas brancos dos Estados Unidos, famoso por suas perseguições racistas". (Fonte: BBC News, 14/08/2018)

O premiado filme do diretor Spike Lee baseia-se no livro que Stallworth publicou em 2014, detalhando como foi a operação para sua entrada na KKK e o momento em que conheceu seu polêmico líder, David Duke. 
Ícone do cinema afro-americano, Spike sempre abordou a temática racial abrindo as portas em Hollywood para uma conscientização sobre os problemas sociais do país.

No filme, Ron Stallworth é interpretado pelo ator John David Washington. John é o filho mais velho da atriz Pauletta Washington e do conhecido ator Denzel Washington, que interpretou Malcolm X, no outro filme de Spike Lee, sobre o líder afro-americano que tem o pai assassinado pela Klu Klux Klan e sua mãe internada por insanidade. Também jogador de futebol, John, em 2015, surpreendeu o público ao interpretar Ricky Jerret, no seriado Ballers, transmitido pela HBO.
Continuando: no filme Ron consegue se infiltrar na Ku Klux Klan local, comunicando-se por telefonemas e cartas. Mas havia um detalhe: Stallworth, de 25 anos, era um homem negro e volta e meia solicitavam sua presença física. Para isso, foi montado um esquema em que um outro policial branco, interpretado por Adam Driver, ia no seu lugar e era monitorado por ele. Seu prestígio dentro da seita foi aumentando tanto que tornou-se o líder dela. Um fator que influenciou sua reputação foi o fato de saberem que ele mantinha contato com ninguém menos que David Duke, um polêmico político americano, nacionalista branco, teórico da conspiração antissemita, negador do Holocausto e ex líder da Ku Klux Klan.
Em nome de Deus, os membros da Klan não só odiavam os negros, mas também os judeus e os homossexuais. Assim como eles, existem várias pessoas que defendem os direitos "brancos" até hoje! Em 2017 houve uma manifestação na Virgínia, EUA, que terminou em um conflito, inclusive com uma morte, mas Trump argumentou que o confronto se se deu porque houve violência dos dois lados, que nem todas as pessoas que estavam ali eram supremacistas brancos e nem neonazistas, que ali no meio haviam muitas pessoas DO BEM.
David Duke continua na política: “Trump nos empoderou. Foi o esmagador voto branco que o colocou na Casa Branca, e ele deveria se lembrar disso", diz o supremacista branco em entrevista. Após anos soterrada, a direita racista volta a aflorar nos EUA. Figuras como Duke, profundamente criticado em seu feudo na Louisiana, têm saído da obscuridade.(Fonte: El País, 20/08/2017).
IMDB: 7,7/ 10
Filmow: 4,3/ 5
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: BlacKkKlansman
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Spike Lee
Roteiro: Spile Lee, outros.

Elenco: John David Washington, Adam Driver, Laura Harrier.


Ron Stallworth 




quarta-feira, 18 de julho de 2018

ENTRE SEGREDOS E MENTIRAS



Vi ontem esse filme e confesso que me incomodou, tenso praticamente o tempo todo. Fui dormir com aquele mal-estar, com aquela sensação ruim, tentando entender o que realmente aconteceu, como se fosse possível, já que a própria polícia não conseguiu provar nada.
Saber que um criminoso desse tipo continua vivo, levando uma vida normal, se é que foi ele, não é?, porque também se não foi, estamos cometendo uma grande injustiça.
O filme começa com um romance maravilhoso entre David (Ryan Gosling) e Katie (Kirsten Dunst), ele, um milionário herdeiro de um império imobiliário, embora de negócios escusos, ela, uma moça simples e sensível. 
Eles se casam e aos poucos, o que parecia ser um conto de fadas se torna um pesadelo para Katie, devido à alma doentia de David.

O filme é baseado em fatos reais e é isso que impressiona mais! Eles se conheceram em 1971 e em 1982 Katie desapareceu e nunca mais foi encontrada. Não é spoiler, gente, é um filme sobre um acontecimento real.
Jarecki fez mais de 100 horas de entrevistas com pessoas próximas ao empresário, que na vida real se chama Robert Durst, para fazer o filme.
A fotografia é cheia de contrastes, porque embora de cores frias a maior parte do tempo, nos presenteia com a beleza do lago onde eles têm uma casa para o fim-de-semana.
Entre Segredos e Mentiras é baseado em fatos reais, mas vai além deles, ao exibir a sua versão sobre essa poderosa família nova-iorquina.
O resultado é um filme intenso, com poderosas atuações e uma bela trilha sonora.
Mas que, como disse no início, incomoda.


IMDB: 6,3/ 10
Filmow: 3,3/ 5
Minha nota: 3,4/ 5


Ficha técnica:
Nome original: All Good Things
País: EUA
Ano: 2011 
Direção: Andrew Jarecki
Roteiro: Marc Smerling, Marcus HincheyElenco: Ryan Gosling, Kirsten Dunst, Frank Langella

Robert Durst e Kathleen Durst





quarta-feira, 6 de junho de 2018

NEVE NEGRA



Conhecemos primeiro Marcos (Leonardo Sbaraglia), onde parecem cair todos os problemas da família. Tem que se dividir entre sua esposa Laura (Laia Costa), que está grávida e os cuidados e despesas com sua irmã Sabrina, que está internada com problemas psiquiátricos. Seu pai faleceu recentemente e lhe deixou com o encargo de enterrar suas cinzas junto aos restos mortais do outro filho, Juan. 
E lá partem ele e Laura ao encontro de Salvador (Ricardo Darin), que, após a morte de Juan e de ter sido acusado de matá-lo, isso há trinta anos, se isolou na antiga cabana da família. 
Marcos precisa da ajuda de Salvador, porque não lembra onde o irmão mais novo foi enterrado. Mas também deseja convencer o irmão a vender a propriedade herdada por eles. E que por sinal, não se sabe por quê, vale muito mais do que se imaginava. Mas Salvador tornou-se uma pessoa de difícil trato e o dinheiro não lhe interessa. Alega também que não pode sair dali e deixar o irmão enterrado sozinho. Culpa talvez? Mas tudo indica que foi somente um acidente de caça.

O clima é claustrofóbico, o personagem de Darin é um homem envelhecido e amargurado, o cenário são as colinas geladas da Patagônia.
Segunda produção do argentino Martín Hodara para os cinemas. A parceria com Darin teve sua participação como diretor no primeiro filme, "O sinal" e agora como ator, em "Nieve negra".
Quase não vi porque li tantas críticas negativas. "Pretensioso", disse o critico da Folha de São Paulo, por exemplo. Pretensioso é ele , que não poupou adjetivos negativos ao filme e o pior, a quem quer que goste, que ele chamou de "público com síndrome de inferioridade". O filme é bom sim, nada de extraordinário, como acredito que nem era a intenção. E, ao contrário de ser pretensioso, achei que é um filme honesto. Elenco forte, um roteiro instigante e conduzido com habilidade, alternando o reencontro constrangedor entre os dois irmãos com inevitáveis lembranças do passado.
IMDB: 6,2/10
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Nieve negra
País: Argentina
Ano: 2017
Direção: Martin Hodara
Roteiro: Martin Hodara/ Leonel D'Agostino
Elenco: Ricardo Darin, Leonardo Sbaraglia, Laia Costa, Federico Luppi.

O SINAL




Quando o diretor argentino Martin Hodara fez o seu segundo longa,foi taxado por alguns de pretensioso,por ter colocado no elenco dois atores de peso, um deles o Ricardo Darin. Lembro que comentei ser normal, já que os dois, Darin e Hodara já tinham um tipo de parceria, quando dez anos antes se juntaram na direção do filme La Señal.
Inicialmente O Sinal seria dirigido por Eduardo Mignogna, que também é o autor do romance adaptado para o filme. Mas ele faleceu faltando um mês apenas para o início das gravações. Darin já vinha recebendo propostas de vários produtores argentinos e espanhóis, interessados em que ele dirigisse os próprios filmes, mas vinha resistindo. Quando resolveu assumir a direção desse, estreando na função, foi como uma forma de prestar uma homenagem ao amigo falecido. A filmagem foi adiada por alguns meses e ele ainda recorreu a outro amigo, o diretor de curtas Martin Hodara, com quem compartilha a realização de O Sinal.

Ontem tive a oportunidade de ver. No filme, Corvalán (Ricardo Darin) e Santana (Diego Peretti) têm um escritório de investigação que, na verdade, não dá nenhuma satisfação pessoal a eles, porque só pegam casos medíocres, o que os deixa bastante frustrados. Quando surge a sedutora Gloria (Julieta Diaz) e entrega a Corvalán um caso que desde o início se mostra instigante, ele não consegue deixar de se sentir atraído pelo caso e principalmente por ela. Apesar das advertências de seu sócio Santana e da própria consciência lhe indicar que está entrando num jogo perigoso, Corválan não consegue recuar e se envolve cada vez mais com Gloria.
Exibido na mostra Première Latina, no Festival do Rio 2007 e grande sucesso nas bilheterias argentinas, o filme arrisca no estilo noir e nos presenteia com uma linda fotografia, de uma Argentina em tons melancólicos. Ambientado em 1952, quando o país está paralisado, aguardando a qualquer momento a morte de sua grande dama, Eva Perón, consumida pelo câncer. O povo reza e agoniza com ela, pois se vai junto o sonho de uma política social, de igualdade e justiça. Essa parte, intercalada com a restante, funciona para dar realismo ao filme.
La Señal não traz nenhuma surpresa no desfecho já que cumpre a função de todo filme noir e, por isso, é uma história de traição. A trama policial tem toques de suspense e romance, com direito a muita fumaça e cigarros acesos no escuro. O longa conta ainda com uma bela coleção de carros antigos desfilando pelas ruas, aparecem todo o tempo e em diversos modelos e cores. Não é um filme espetacular mas, além da sempre boa atuação de Darin, cumpre seu papel, com um bom enquadramento, e uma excelente direção de arte, com os figurinos e a música dando veracidade aos ambientes.

IMDB: 6/ 10
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: La Señal
País: Argentina.
Ano: 2007
Direção: Martin Hodara, Ricardo Darin.
Roteiro: Beatriz De Benedetto e outros.
Elenco: Ricardo Darin, Julieta Diaz, Diego Peretti.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

A LOUVA-A-DEUS



Os louva-a-deus ou cavalinho-de-deus são insetos da ordem Mantodea. São predadores agressivos, caçam em geral de emboscada, facilitada por suas capacidades de camuflagem.
Jeanne Deber é uma serial killer, apelidada de A Louva-a-Deus. Depois de 25 anos, crimes idênticos aos cometidos por ela começam a acontecer, só que ela está presa. Ela se oferece a ajudar a polícia a descobrir quem é o "imitador", mas impõe uma condição: que a investigação seja comandada pelo seu filho policial, Damien.

A série policial francesa promete bons momentos e alguns sustos, tem algumas cenas bem fortes. O melhor de tudo é que são só seis episódios, então dá para ver a série toda em uma tarde, ou uma noite.
Uma complicada relação vem à tona. Damien é forçado ao confronto com uma mãe que não vê desde os dez anos de idade, ele não a aceita, não só pelos bárbaros crimes mas também por ela não ter hesitado por uma vida que o excluía. Além de tudo, Damien está em uma situação desconfortável, já que ninguém da sua equipe, além dos seus superiores, sabem que ele é filho da Louva-a-Deus. Nem mesmo a sua bela esposa, Lucie. para quem ele disse que a mãe era morta. Lucie quer muito ter um filho, mas Damien teme transmitir seus genes.
Damien se vê a cada vez mais envolvido em uma história que gostaria de esquecer, mas ao mesmo tempo não consegue evitar um interesse em descobrir os motivos de Jeanne, A mãe, ajudando, tem a oportunidade de rever o filho e uma leve esperança de obter o seu perdão. Ou não. Quem sabe talvez se tudo não é habilmente arquitetado por ela e por motivos não tão nobres? Afinal, ela nunca demonstrou arrependimento.
Quer saber? Vai ter que ver, prepare-se para não querer desgrudar os olhos da série.
IMDB: 7,5- 10
Minha nota: 3,7- 5

Ficha técnica:
Nome original: La Mante.
País: França.
Ano: 2017
Direção: Laurent Alexandre.
Elenco: Carole Bouquet, Fred Testot, Pascal Demolon, Manon Azem,

quinta-feira, 24 de maio de 2018

THE ALIENIST



Se o mundo investigativo e viceral de Mindhunter colidisse com a sombria e misteriosa névoa de Sherlock Holmes, o resultado seria algo próximo da nova série do canal TNT "The Alienist". Mas não se engane, caro Watson, a nova produção não é uma reportagem de crimes repetida. A adaptação americana do romance de mesmo nome, escrito por Caleb Carr, tem seu charme e seus pontos originais, mesmo considerando que ainda é cedo para fazer qualquer julgamento.


Como o título sugere, alienista nada mais é do que o termo usado no passado para denominar psiquiatras. O médico em questão é o Dr. Laszlo Kreizler (Daniel Brühl), que após o assassinato brutal de um jovem garoto prostituto na Nova York de 1896, passa a investigar o crime junto do jornalista e desenhista John Moore (Luke Evans), o qual fez os desenhos do corpo da vítima. Contrariando a crença da polícia, Laszlo acredita que havia ligação daquele assassinato com um antigo caso de seus pacientes. Só que o xerife o impede de prosseguir com suas investigações. É aí que entra Sara Howard (Dakota Fanning), um dos tiros certeiros da série, pois a personagem é uma secretaria de polícia, título bastante incomum (talvez até impossível) para a época. Sara é uma peça fundamental para ajudar os dois homens a investigarem o caso e não é de se duvidar que ela vai se juntar a eles nessa jornada perigosa e intrigante nos próximos episódios.


O roteiro é bem construído, envolto em um mistério que prende o espectador e em momento algum se torna pedante. As atuações são todas excelentes e convincentes, bem como a recriação de Nova York, dos figurinos, automóveis e utensílios. O ótimo tom de mistério da trilha contribui para mergulhar o espectador nessa trama sombria como um convite a esse imperdível jogo de caça a um assassino macabro que vale cada segundo.


(Comentários: Tom Carneiro)


IMDB: 7,8/ 10
Nota ( Tom Carneiro): 8,0/ 10

(Comentários: Tom Carneiro)

Ficha técnica: 
Nome original: The Alienist
País: EUA
1ª Temporada
Ano: 2018
Direção: Jakob Verbruggen
Elenco: Dakota Fanning, Daniel Bruhl, Luke Evans


terça-feira, 22 de maio de 2018

EM RITMO DE FUGA



Não é meu gênero de filme, mas quando aparece um bom, eu gosto de ver.

"O jovem Baby (Ansel Elgort) tem uma mania curiosa: precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Excelente motorista, ele é o piloto de fuga oficial dos assaltos de Doc (Kevin Spacey), mas não vê a hora de deixar o cargo, principalmente depois que se vê apaixonado pela garçonete Debora (Lily James)."


Com trilha sonora eletrizante, com músicas como "Bellbottoms", do The Jon Spencer Blues Explosion, "Baby driver" ou "Em ritmo de fuga" (2017) vai te tirar o fôlego, ao mesmo tempo que consegue ser um filme muito charmoso e, no mínimo, bastante divertido!


Adorei!

IMDB: 7,7/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Baby Driver
País: EUA
Ano: 2017
Direção e roteiro: Edgar Wright

Elenco: Ansel Elgort, Kevin Spacey, Lily James

DOIS CARAS LEGAIS



Quem imaginava ver o antipático Russell Crowe e o lindo Ryan Gosling, que sempre faz uns papéis bem densos, juntos, em um filme policial ao estilo "pastelâo"?
Pois é...

Jackson Healy (Crowe) é um investigador particular decadente e violento. Holland March (Ryan) é um detetive particular medroso e atrapalhado.
Uma atriz pornô é assassinada. Uma outra atriz que participou do mesmo filme que ela, Amelia (Margaret Qualley) , filha de uma importante funcionária da Justiça (Kim Basinger) desapareceu.
O namorado dela também morreu e também o produtor do filme.
Healy é contratado para protegê-la. Holland para encontrá-la, o que coloca em risco a vida dela.

Os dois têm em comum a investigação sobre Amelia e apesar de serem dois péssimos exemplos de pessoa, um brigão, outro alcóolatra, eles são capazes de tudo para agradar a filha de 13 anos de Holland, Holly, que também decide ir a fundo na investigação desse crime.


A dupla improvável promete tirar boas risadas do espectador, por incrível que pareça. 
O toque de ternura fica por conta de Holly.

Afinal, eles são uns caras legais? É o que se pergunta ela o tempo todo.


IMDB: 7,4/ 10
Minha nota: 3,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: The Nice Guys
País: EUA
Ano: 2016
Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black, Anthony Bagarozzi
Com: Russell Crowe, Ryan Gosling, Angourie Rice, Margaret Qualley, Kim Basinger.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O TERCEIRO ASSASSINATO



Koreeda, ou Kore-eda, é um dos mais representativos realizadores do cinema japonês atual. Seus filmes possuem um estilo contemplativo e exploram a sensibilidade do espectador. Diretor do premiado Pais e Filhos, do aclamado Depois da Tempestade, do excelente Nossa Irmã Mais Nova, do Seguindo em Frente, que foi baseado em sua própria família, Koreeda é comparado a Ozu, mas deixa indiscutivelmente sua própria marca. Ele gosta de analisar e a sociedade japonesa e, em suas próprias palavras, acredita ser mais comparável a Mikio Naruse e Ken Loach.
Sua inclinação para filmes com um argumento muito delicado e emocional, nos faz pensar por quê agora um filme sobre assassinato. É um filme policial? Não deixa de ser. Um advogado de elite, Shigemori, é encarregado de defender um caso de assassinato. Mikuma já cumpriu pena de trinta anos por um homicídio duplo. Na época, o juiz, pai de Shigemori, o livrou da pena de morte. Mas, com pouco tempo de liberdade, Mikuma confessa ser o responsável por esse que vem a ser o seu terceiro assassinato. O crime, aparentemente por um motivo fútil, porque ele rouba a carteira do morto, tem ainda detalhes sórdidos, porque o corpo é também incendiado. Um caso difícil para o filho do juiz que hoje arrepende-se de não ter aplicado a pena máxima.
Mas Mikuma não tem o perfil de assassino: não é violento aparentemente, é educado, parece respeitar as regras, gosta de pássaros e suas explicações sobre sua motivação para cometer o crime deixa falhas algumas vezes. Shigemori começa a ter dúvidas sobre a autoria do assassinato e quer, pelo menos, encontrar um motivo menos abjeto que o dinheiro.
É nesse contexto que entra o estilo de Koreeda. Não é apenas um filme que visa a confirmação ou não da culpa do réu e desvendar todos os detalhes. O diretor, mais uma vez, pretende nos sensibilizar e nos fazer questionar a culpa. Quem decide quem é o culpado? Quem decide quem morre? Um ser superior, Deus, diante de qual passamos como em uma fila e somos selecionados "esse morre, esse não morre"? O juiz? O julgamento das pessoas que estão ao nosso redor? Quem decide qual é a nossa culpa? Porque muitas vezes somos condenados por uma quando na verdade já nos condenamos por outra, ou por outras.
Shigemori precisa mais como pessoa do que como advogado provar que aquele homem não é culpado, ele precisa acreditar que um ser humano não pode ser tão vazio ao ponto de cometer um crime grave por um motivo banal.
Afinal, quem fala a verdade? E o que é a verdade? "Aqui ninguém diz a verdade."

IMDB: 6,7/10
Minha nota: 4,2/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Sandome no Satsujin
Outros nomes: The Third Murder
País: Japão
Ano: 2017
Direção e roteiro: Hirokazu Koreeda.
Elenco: Masaharu Fukuyama, Koji Yakusho, Suzu Hirose.