Cinéfilos Eternos: John Cho
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

BUSCANDO






A história: desesperado com o desaparecimento da sua filha de 16 anos, um pai decide invadir o computador da jovem para procurar pistas que possam levar ao seu paradeiro.
Quando comecei a ver Searching, mesmo que já avisada, estranhei, achei que o filme não tinha aberto, porque o que eu via eram buscas em redes sociais. Pois é, o formato é bem criativo mesmo, começa mostrando as conversas entre pai e filha pelo celular e webcan e vamos aos poucos conhecendo a história daquela família através dos vídeos caseiros. Depois, acontece que Margot liga para o pai de madrugada, mas ele está dormindo e não ouve e de manhã, quando vê as ligações perdidas, não consegue o retorno. As horas vão passando e David, cada vez mais preocupado, ao mesmo tempo que contata a polícia local, invade as redes sociais da filha em busca de pistas. Daí para a frente, vamos ver mais vídeos, mais conversas entre David e a inspetora Rosemary Vick, que assumiu o caso e entre as diversas pessoas que ele tenta contatar, pelos diversos aplicativos sociais. Nenhuma conversa olho no olho, mostrando como as coisas funcionam hoje em dia.
Um pai aflito vai descobrir que nenhum dos contatos da filha é amigo de verdade dela. Todos a conhecem superficialmente e, aos poucos, ele mesmo vai percebendo que também não conhecia tão bem a filha, como imaginava. É uma corrida contra o tempo, antes que Margot desapareça definitivamente.
Está certo, esse formato cansa um pouco, mas ao mesmo tempo dá um realismo ao filme e o roteiro é tão bem amarrado, que nos sentimos buscando informações junto com David.
Quando o desaparecimento de Margot cai na mídia, as mesmas pessoas que mal a conheciam curtem, comentam, viram "melhores amigos", mostrando a hipocrisia social e a necessidade de reconhecimento.
O ator Aneesh Chaganty fez sua estréia na direção de longa-metragem com Searching, pelo qual ganhou o prêmio Alfred P. Sloan de longa-metragem no Festival de Cinema de Sundance de 2018.
A trama é simples, mas ao ser contada de uma maneira nada convencional, ao ser transformada em um suspense tecnológico, criou um clima real. Ao invadir a internet da filha, David está entrando na sua intimidade. A intenção aqui não é mostrar que a internet seja ruim ou boa, diz Aneesh, mas que ela é tudo, que pode ser tudo, depende de como você a usa. E, claro, mostra a total dependência atual da vida digital.
Para se manter fiel à história, as câmeras utilizadas foram condizentes com o que estava acontecendo na tela. Por exemplo, um iPhone 7S capturou boa parte das cenas que deveriam ser de celulares, como as chamadas de Facetime, enquanto uma GoPro gravou as cenas que seriam da webcam do computador. Nada de filmar em câmeras de alta resolução e colocar efeitos falsos ou baixar a qualidade digitalmente. A preocupação com a autenticidade era uma das prioridades para os cineastas. Por isso, tem também, claro, a evolução da tecnologia: a história da família era ainda nos tempos do Windows 95, até chegar aos dias de hoje, ao sistema operacional do MacBook.
Outra característica interessante, que fui saber só depois de ver, é que o filme inteiro tem respostas escondidas. Assim como David, você precisa aprender a procurar: se você pausar o filme e olhar para os cantos, lá estão as pistas. Legal, não é? O filme pode ser um jogo interativo.
A parte dramática é a reflexão. A detetive diz para David: nós não conhecemos nossos filhos de verdade e não temos culpa! Tem uma parte do filme que ela pede que David fique afastado das investigações, porque ele está ultrapassando os limites. Mas até onde devem ir os pais pelos filhos? Até onde você iria?


IMDB: 7,7/ 10
Filmow: 4,1/ 5
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Searching.
País: EUA
Ano: 2018
Direção: Aneesh Chaganty
Roteiro: Aneesh Chaganty, Sev Ohanian
Elenco: John Cho, Debra Messing, Michelle La, Joseph Lee, Sara Sohn.