Cinéfilos Eternos: Argentina
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

PASAJE DE VIDA




Uma boa surpresa esse filme. Escrito e dirigido por Diego Corsini, é baseado nas histórias que seus pais contavam sobre a luta armada na Argentina, na época da ditadura militar.
Miguel está perdendo o que tem de mais precioso: sua memória. Mario, seu filho, não sabia que ele estava tão mal assim. Miguel tem alta no hospital e Mario o leva para sua casa, em um povoado no interior da Espanha. Mario não lembra de sua mãe, existe apenas uma foto, mas seu pai sempre se negou a falar dela e nunca o levou para conhecer a avó materna. Agora, doente, Miguel mal reconhece o filho, passagens de sua vida quando era jovem vem e vão e ele não consegue separar o passado do presente. Algumas coisas que ele diz fazem Mario ter mais vontade de descobrir o que aconteceu com sua mãe. Seus pais eram argentinos. O que os fez virem para a Espanha? Seu pai o chama de nomes que ele nunca ouviu falar. Quem são essas pessoas? Quem principalmente é Diana, que o pai menciona com aflição e diz que precisa encontrá-la. Essa obsessão impulsiona Mario a investigar a misteriosa e complexa história de seu pai.
O Miguel jovem ( Chino Darin) "viveu em um dos períodos mais obscuros da Argentina, que ocorreu na década de 70, denominado Processo de Reorganização Nacional, ou seja, a Ditadura Militar que pôs fim ao governo de Isabelita Perón, através de um golpe de estado.
Como no Brasil, o governo torturava e assassinava opositores, seja de esquerda ou de direita. O protagonista pertencia a uma organização de esquerda, mas não fica claro que tipo de estado ela pretendia implementar." (trecho copiado)

Através de recortes do passado, também nós vamos aos poucos conhecendo a vida de Miguel. Mario precisa ir fundo dessa vez, sua vida é incompleta, ele não tem a memória da mãe, precisa pelo menos saber a história dela.
Diana era de uma abastada família burguesa mas escolheu como propósito de vida defender as classes menos favorecidas. Ela trabalha em uma fábrica, onde tem oportunidade de ver de perto as precárias condições com que são tratados os operários. Para termos uma ideia, morria-se por dia 20 pessoas em acidentes de trabalho em uma única fábrica, além disso, os salários eram péssimos. Sua mãe não a entendia e ela não entendia como a mãe podia viver alheia a tudo isso. É lá que Miguel e Diana se conhecem.
Mas para Miguel, trabalhar na fábrica não era uma opção, mas questão de sobrevivência. A princípio, é mostrado no filme, um conflito ideológico entre eles:
– Espero que não seja um daqueles pseudointelectuais que não querem sujar as mãos.
– Espero que não seja uma daquelas pequeno- burguesas que querem acalmar sua consciência com armas.
Miguel e Diana fizeram parte de uma geração que descobriu que o caminho para a liberdade era cheio de restrições. Eles se juntam a um grupo de ativistas, onde a luta armada estava inserida. Mas os jovens eram completamente despreparados, o inimigo era muito mais forte.
No início dos anos 2000, o cinema argentino começou a ganhar o público brasileiro pela capacidade de contar histórias humanas em narrativas simples e profundas. Essa é uma dessas belas histórias. Tocante e reflexiva, com uma linda fotografia. Um filme melancólico, de aspirações não concretizadas, mas que mostra a importância de seguirmos nossas convicções e de não ficarmos surdos às injustiças. Pasaje de Vida é uma história de luta e de luto. E de amor!
Nosso continente guarda uma história comum de invasões, colonialismo e violências. Também temos as ditaduras em comum. Muitos cineastas latino-americanos têm tentado narrar esses fatos. O jovem diretor argentino nascido na Espanha faz talvez uma homenagem à sua própria história familiar. Sim, talvez o filme tenha traços autobiográficos, mas se não, pelo menos nos permite conhecer a história de outras pessoas da época. Presente e passado, Espanha e Argentina, memórias e esquecimento.

IMDB: 6,6/ 5
Filmow: 3,6/ 5
Minha nota: 3,7/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Pasaje de Vida.
País: Argentina.
Ano: 2015
Direção: Diego Corsini.
Roteiro: Diego Corsini, Fran Araujo.
Elenco: Carla Quevedo, Chino Darin, Javier Godino, Miguel Ángel Solá, Alejandro Awada.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

MATE-ME POR FAVOR



Sob uma perspectiva adolescente, a história mergulha em um mundo quase isolado de adultos, e isso acontece de modo proposital, pois uma de suas críticas é justamente a ausência dos pais na vida dos filhos. 
Embebido de alegorias e simbologismos, o filme acompanha a vida de Bia (Valentina Herszage), uma estudante de classe média que mora na Barra da Tijuca, RJ, com sua mãe e o irmão. Assassinatos estão acontecendo pela redondeza e a menina fica obcecada com aquilo enquanto a comunidade parece se apavorar e busca conforto em cultos e vigílias religiosos. 

O ostracismo da juventude atual é traduzido por Bia com perfeição na medida em que ela se distrai e se atrai com facilidade pelo oculto e mórbido. A mortes a seduzem, em contrapartida suas atitudes são de indiferença a cada minuto da projeção. Inclusive essas mortes refletem com perícia a contagem de corpos na cidade maravilhosa, promovida fatalmente por uma violência indiferente às autoridades. 
O interessante do longa, é também a abordagem com que os jovens e seus mundos são retratados. Por momentos isso é feito de maneira bem crua e perversa, além de um humor bem ácido. 

A direção estilosa, com a ajuda da belíssima fotografia garantem um charme ao filme. E a trilha é bem característica do público abordado na história, bem como da cidade do Rio de Janeiro. 

Infelizmente o filme foi vendido como um terror e, apesar da trama flertar com o gênero, em especial pela primeira cena, o pêndulo recai para o lado do drama. Inclusive o frio desfecho é tão triste quanto pesado.
(Comentários: Tom Carneiro)
*Telecine Play
IMDB: 6,3/ 10
Filmow: 3,2/ 5
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica: 
Nome original: Mate-me Por Favor.
País: Brasil e Argentina.
Ano: 2015
Direção: Anita Rocha da Silveira
Roteiro: Anita Rocha da Silveira
Elenco: Valentina Herszage, Dora Freind, Mariana Oliveira 

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A LINHA VERMELHA DO DESTINO



Esse filme me deixou com várias reflexões, nem tanto pelo próprio filme, mas pelos diversos comentários que li depois. Estou aqui a pensar o quanto as pessoas acreditam realmente no que dizem. A vida é tão simples assim, para elas? Saíram do útero da mãe para entrar em uma caixinha. Nessa caixa é permitido isso, não é permitido aquilo, isso é certo, aquilo é errado, ... tudo fora dos padrões deve ser julgado, deve ser apontado, quem não segue as regras deve ser banido. Ninguém se pergunta quem criou as regras. Ninguém questiona? E a ousadia, onde fica?
Manuel e Abril conheceram-se em uma viagem de avião. Sentiram uma forte ligação, beijaram-se apaixonadamente. Ele a convida para se encontrarem na saída, mas um contratempo os afasta, sem que tivessem tempo de trocarem os nome, os telefones. Sete anos depois o acaso, ou o destino, os coloca frente a frente. Só que eles estão casados e ambos têm filhos. Abril ama Bruno, seu marido, e Manuel ama Laura, sua mulher, nem um e nem outro pensavam em traí-los. Mas existe uma atração irresistível entre Abril e Manuel, eles não sabem explicar, mas é um sentimento de inevitabilidade.
O amor perfeito, no momento errado...
Eu sei como é isso,a gente sabe que vai acontecer , que não adianta resistir. Teria sido mais fácil para eles se nunca tivessem se reencontrado.
"Diz a lenda que uma linha vermelha invisível conecta aqueles que estão destinados a se encontrar, independentemente do tempo ou lugar. A linha pode esticar ou emaranhar, mas nunca se romper..."
Sim, claro que seria mais fácil ... aquele encontro no avião teria ficado apenas como uma lembrança boa, ninguém sofreria, nem Hugo, nem Laura, ... e nem eles próprios! Porque era doloroso para eles também. É muito fácil julgar, quando não se está no lugar do outro. "Não gostei do filme porque não gosto de traição", disse alguém. E eu fico com vontade de perguntar a essa pessoa: "mas você negar os seus próprios sentimentos também não é uma traição?" No caso, eu veria aí uma tripla traição: com você mesmo, com a pessoa que você ama e com a pessoa com quem você é casada. Porque você pode até não traí-la fisicamente, mas seu sentimento não é mais dela e você vai esconder isso dela.
"Nunca pensei que fosse me apaixonar de novo", diz Manuel para Abril.
A vida imita a arte? Durante as filmagens de El Hilo Rojo, o ator Benjamin Vicuña, casado há sete anos e a atria Eugenia Suárez apaixonaram-se. Vicuña e a mulher se separaram em meio às acusações de traição do ator. O escândalo durou alguns meses até Benjamin e Eugenia assumirem publicamente seu romance. Vicuña declarou que já estava separado e que tinha não só o direito, mas a obrigação de refazer sua vida.
María Eugenia Suárez Riveiro, mais conhecida como Eugenia Suárez, ou como "La China" Suárez, é uma atriz, cantora e modelo argentina. Ficou famosa por interpretar Jazmín na novela Casi Ángeles e por ter feito parte da banda Teen Angels.
O casal do filme é muito cativante, impossível não se envolver com eles. fora a versão de You Know I'm no Good, interpretada pela atriz/ cantora Eugenia Suárez. Segue o link.
E você? Já sentiu uma linha vermelha te ligando a alguém?

A LENDA DA CORDA VERMELHA:Vinda do Japão, a lenda da corda vermelha explica os mistérios da vida de uma forma muito romântica. Feche seus olhos e imagine um corpo trespassado por uma extensão grande de vasos sanguíneos que ligam todas as partes dele. Existe um canal especial que liga o coração ao dedo mindinho. De acordo com a lenda japonesa, esse fio não termina no dedo em questão. Ele se estende para fora do corpo de forma invisível e passa a entrelaçar com o fio de outra pessoa. Duas pessoas conectadas dessa maneira estão unidas pelo destino e se encontrarão cedo ou tarde e quando isso acontecer, o encontro afetará profundamente os dois.
IMDB: 5,2/ 10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: El Hilo Rojo
Outros nomes: The Red Thread.
País: Argentina.
Ano: 2016
Direção: Daniela Goggi
Roteiro: Daniela Goggi.
Elenco: Eugenia Suárez, Benjamin Vicuña, Guillermina Valdez, Hugo Silva.
O casal, na vida real.