Cinéfilos Eternos

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O EFEITO AQUÁTICO




Nada demais, mas é daqueles filmes agradáveis de se ver, que prendem a atenção e te deixam com um sorriso no rosto, coisa boa, não é?
Ficamos o tempo todo torcendo por Samir. Vamos conhecer o Samir: ele tem quarenta e poucos anos, é meio desengonçado e é um solitário. Trabalha como operador de guindaste em Montreuil, nos arredores de Paris. Sua vida desinteressante dá uma guinada quando ele ouve uma conversa entre um homem e uma mulher baixinha e de cabelos curtos. O que falta a ela em altura sobra em atitude. É paixão à primeira vista para Samir. Ele precisa saber quem é e onde encontrar aquela mulher. A princípio, as coisas caminham bem, ele descobre que o nome dela é Agathe, que ela é professora de natação e até o endereço do clube onde dá aulas. Samir então, mesmo sabendo nadar perfeitamente, se matricula no clube e começa a ter aulas com ela.
Mas seu falso papel de aprendiz dura apenas três dias e, quando a verdade vem à tona, Agathe, que como o dito popular "tem cabelinhos nas ventas", fica furiosa. Samir desiste? Não, fica cada vez mais encantado com ela, afinal foi o temperamento dela que o atraiu. Só que Agathe viaja para a Islândia para um congresso. Será o fim? Claro que não, uma paixão assim não desiste. Samir vai para a Islândia atrás de Agathe. Que fica mais furiosa ainda e o trata friamente.
Pobre Samir...
Prêmio de melhor roteiro da semana da crítica, Cannes, 2016.
Prêmios: César de Melhor Roteiro Original, TIFF Awards: The Young Francophone Jury Prize.

IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 3,4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: L'Effet Aquatique
Outros nomes: The Aquatic Effect
País: França/ Islândia 
Ano:2016
Direção: Sólveig Anspach
Roteiro: Solveig Anspach, Jean-Luc Gaget
Com: Samir Guesmi, Florence Loiret Caille, Didda Jónsdóttir.

LUA DE FEL



"Lá estava ela deitada, maravilhosa, voluptuosa. E nada significava para mim."
Com esse sentimento, transformado em atitudes e palavras, Oscar selou o seu destino e o de Mimi. 
Quando eles se conheceram, a louca atração era mútua. Ela, jovem, sexy, bonita. Ele, maduro, charmoso, culto, inteligente. 
Mas depois, ... depois, o interesse e a admiração dela por ele foram crescendo.
E quanto mais ela ficava envolvida por ele , menos ele se interessava por ela. Aqueles olhos suplicantes, aquele corpo gemendo, ansioso por amor, aquela boca já entreaberta, esperando por seus beijos, tudo foi provocando nele o efeito contrário do que ela esperava. 
E ao perceber que estava perdendo-o, mais ela se entregava. É sempre assim: com medo de perder, perdemos!
Ele começou a ter vontade de humilhá-la, talvez despertar o amor próprio dela. 
Quem sabe tenha sido isso, lhe incomodava saber que ela o amava mais do que a ela própria. 
A rejeição dele só provocava nela mais carência e desejo.
A famosa cena de Mimi dançando à luz de velas é o resumo da paixão e desespero dela. 
O amor virou um fardo para os dois. 
E lá estava ela, dançando, bela como nunca, a dança mais erótica que ele já tinha visto e, no entanto, ...já nada significava para ele!

Nigel e Fiona conheceram o casal em um cruzeiro. Com a intenção de aquecer o casamento de sete anos, eles partem para uma segunda lua de mel. Mas Nigel conhece Mimi. Difícil para ele disfarçar o interesse que sente por Mimi. Oscar, que então está preso a uma cadeira de rodas, percebe. Mas, ao contrário de se ressentir, começa a contar toda sua história com ela para Nigel. Ele não esconde nada, parece ter prazer em relatar todos os detalhes íntimos. 
Começa para Nigel e para nós espectadores uma das histórias mais sensuais de todos os tempos. 
Ousada, com certeza. Tensa! Provocante!

Fiona também começa a sentir que Nigel está estranho, distante. 
Também a relação deles irá mudar depois dessa "lua que deveria ser de mel".
Jogos de sedução e de agressão começam entre os quatro. Paixão e vingança veladas. Sado-masoquismo? Tortura psicológica? Ao mesmo tempo, "Lua de fel" é o retrato da melancolia, estampada no rosto de Mimi, o pesar por tudo que poderia ter sido, por tudo que se tornou, a resignação de saber que nunca mais teria de volta aqueles momentos de amor.

"A dança tem que vir do coração e meu coração está partido."
Além da famosa dança da Mimi, um dos pontos fortes do filme para mim, é a dança da Fiona com Mimi. Fiona estava meio que recolhida, digerindo aquilo tudo que estava acontecendo. De repente, surge no salão, com um vestido espetacular. E elas dançam. Não é apenas uma dança. É a mudança do poder dos dois homens para as duas mulheres.
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IMDB: 7,2/ 10
Minha nota: 4/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Bitter Moon
Outros nomes Lunes de Fiel
País: França
Ano: 1992
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski e outros
Elenco: Emmanuelle Seigner, Peter Coyote, Kristin Scott Thomas, Hugh Grant

quarta-feira, 6 de junho de 2018

O FILME DA MINHA VIDA


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Adaptação do livro "Um pai de Cinema", do chileno Antonio Skármeta, o qual assina o roteiro junto de Selton Mello, "O Filme da Minha Vida" é um delicioso escape em tempos tão difíceis para o país. E sua importância não para aí, o longa é uma verdadeira homenagem à sétima arte e sua construção rara no cinema nacional foge do ensolarado cinema sudeste-nordeste já bem recorrente. O Brasil de Selton Mello nesta sensível adaptação é tão Brasil quanto o emocionante "Central do Brasil" e o cativante "Auto da Compadecida" e lembra a indústria de que o cinema verde amarelo precisa traçar viagens corajosas por outros cantos ricos, porém desconhecidos deste país, pois existem muitas histórias a serem contadas ainda.
A trama trata acima de tudo sobre o tempo. Logo no início, o personagem principal Tony Terranova (Johnny Massaro), narra o seguinte trecho: "Antes, eu só via o início e o fim dos filmes. O início, para conhecer a história; e o fim, gostava de assistir porque o fim é sempre bonito", indo na contramão com uma belíssima cena metafórica em um trem, quando o maquinista explica que se alguém quiser adiantar o rumo das coisas o trem fatalmente sai dos trilhos. 
Faz-se necessário então assistir o começo e depois o meio, para então chegar até o desfecho de um filme. Tudo em seu tempo certo, sem atropelos, pois só assim é possível compreender o porquê dos finais. E mais que isso, os meios também devem ser aproveitados.

Em conformidade com o que prega, a história se transcorre. Tony retorna de Porto Alegre, onde cursou faculdade, mas no dia em que ele desceu do trem, seu pai, Nicolas (Vincent Cassel), subiu no mesmo vagão e desapareceu, deixando pra trás o filho e a esposa em uma pequena e charmosa cidade do interior gaúcho. Tony segue inconformado com a atitude do pai e se torna professor de francês na escola local. Ele vive na esperança do retorno ou ao menos de uma resposta do homem por quem ele tinha grande admiração. A mãe, em contrapartida, prefere não falar mais sobre o assunto e se ocupa com o serviço em uma empresa de telefonia e o árduo trabalho de casa. Seguir em frente quando há um assunto inacabado é mais difícil que diante de uma tragédia declarada. Aquele silêncio irremediável fazia de Tony um rapaz melancólico e que se arrastava pela cidade querendo pular o meio e ir direto para o desfecho, quando ele desvendava o maior mistério de sua vida. E assim, ele vivia seus dias, pela metade e sem aproveitar seus meios. Contudo, uma reviravolta estava prestes a acontecer em seu filme.
O roteiro cheio de metáforas, peca um pouco ao entrega-las de forma muito direta ao espectador. Sem dar muita chance a interpretação e a dúvida. Já o grande mistério da história talvez tenha ficado previsível nas atitudes de um personagem. Ainda sim, não é nada que estrague a experiência deliciosa que esse filme proporciona e que em grande parte é mérito do diretor de fotografia Walter Carvalho, o qual com seus planos abertos vislumbrastes, capturou bem a região sul e construiu essa atmosfera triste e bucólica, fazendo o espectador se apaixonar a cada quadro dessa obra de arte. Inclusive um vagão do Trem de Vinho e a própria estação, ambos em Garibaldi (RS), foram restaurados para voltarem ao tempo em que a história acontece. As cenas ali são ainda mais belas pelas mãos de Walter. 
Já a direção competente de Selton Mello, atesta seu crescimento e maturidade por trás das câmeras. Ele, que também atua na fita como um gaúcho machão, certamente está no caminho certo para se tornar um grande diretor brasileiro contemporâneo, a julgar pelos três filmes que Selton dirigiu até agora. Já as músicas foram escolhidas a dedo e dão ainda mais vida e cor a cada quadro.

Em uma nostálgica cena do belo "De Onde Eu Te Vejo", o personagem de Juca de Oliveira relembra com gosto como tudo era mágico na saída de um cinema de rua. Isso é retratado aqui de forma tão inesquecível como nas saudosas falas de Juca. Após se maravilhar com o filme de John Wayne, Rio Vermelho, Tony deixa o cinema flutuando e, de acordo com a precisa descrição do outro filme, o personagem sai da sessão, mas tudo ainda parece ter trilha sonora. Foi exatamente como me senti após essa sessão, que por coincidência foi em um cinema de rua.

Sinopse e análise: Tom Carneiro.

IMDB: 7,5/ 10
Nota de Tom Carneiro: 8,5 / 10,0

Ficha técnica:
Nome original: O Filme da Minha Vida
Outros nomes: The Movie of My Life
Paía: Brasil
Ano:  2017
Dirigido por: Selton Mello
Roteiro: Selton Mello, Antonio Skármeta, Marcelo Vindicato
Elenco: Vincent Cassel, Selton Mello, Bia Arantes, entre outros.

MÃE SÓ HÁ UMA



O filme é baseado na história de Pedrinho que comoveu o país em 2002, quando os pais biológicos dele, após 16 anos e buscas incessantes finalmente o encontraram. Pedro tinha sido sequestrado em uma maternidade em Brasília em 1986, poucas horas após o seu nascimento, por Vilma Martins Costa. Mais tarde descobriu-se que também a outra filha de Vilma era vítima de sequestro. Vilma foi presa e os filhos encaminhados às verdadeiras famílias.
Anna Muylaert mostra com o filme o desconforto da situação. É justo, claro, que os pais biológicos que tanto sofreram passem a ter a guarda dos filhos. É justo para os pais. Mas será justo para os filhos? A força do sangue que os une falará mais forte? Eu não acredito nisso. Pierre e a suposta irmã viviam bem com Aracy, agora têm que se separar, os três. Será possível para as novas famílias preencherem todas as lacunas deixadas pelo tempo em que viveram separados?
A diretora aproveita a história real para tratar de outro assunto que é sempre motivo de preocupação entre os pais: a adolescência. Se para os pais que viram os filhos crescerem, têm toda uma série de lembranças, é muito difícil lidar com eles nessa fase, imagina os que começam a conhecer um filho quando ele tem 16/ 17 anos de idade. No filme, Pierre que de repente vira Felipe, nessa difícil fase de transição de uma identidade para outra, também está enfrentando outra crise, que é a definição de sua identidade sexual. Os conflitos com a família são inevitáveis. A família com medo de perdê-lo de novo. E para Pierre/ Felipe é como se os seus pais biológicos é que o tivessem roubado da sua verdadeira família.
O ator que interpreta Pierre, Naomi Nero, é sobrinho de Alexandre Nero. Achei muito interessante ser a mesma atriz, a Dani Nefussi a representar tanto a mãe biológica quanto a mãe que o criou. Numa analogia a que todas as mães são uma só? Dizem que uma mãe de verdade sofre por todos os filhos de todas as mães.
A diretora Anna Muylaert, depois do aplaudido "Que horas ela volta", ousa contar uma história real sem ater-se somente aos fatos, mesclando ficção e focando mais no drama familiar e também no individual.

IMDB: 6,8/ 10
Minha nota: 3,5/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Mãe Só Há Uma
Outros nomes: Don't Call Me Son
País: Brasil 
Ano: 2016
Direção e roteiro: Anna Muylaert
Elenco: Naomi Nero, Dani Nefussi, Matheus Nachtergaele..

Pedro, com a sequestradora Vilma Martins.

COMO NOSSOS PAIS



♫♫♫ 
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais ♫♫♫


É, não dá pra não ficar com essa linda canção composta por Belchior e interpretada maravilhosamente por Elis Regina tamborilando na nossa cabeça, só de lermos o título do filme da diretora Laís Bodanzky. Nem de não refletir sobre o quanto isso é verdade.
Rosa, como a maioria das mulheres de hoje, alterna, ou melhor, faz tudo ao mesmo tempo: ela é mãe, esposa, filha, trabalha fora. E sobra pouco tempo para o papel principal dela, que é ser ela mesma. Rosa quer ser diferente da mãe, quer ser para suas filhas mais do que sua mãe foi pra ela. Sim, Rosa almeja a perfeição. Ela quer ser também uma ótima esposa e amante, uma excelente profissional e, além de tudo, o mundo atual cobra dela que esteja sempre bem informada, que tenha sua opinião formada sobre política, que defenda direitos sociais, que seja engajada!
Rosas, Marias, Joanas, Cecilias, ... pensamos que seria diferente porque achamos que agimos diferente, que somos diferentes. Rosa contestou a vida toda sua mãe e agora sua filha está fazendo a mesma coisa com ela. Quando a mãe de Rosa joga na cara dela um segredo sobre seu pai, sem a menor cerimônia e cuidado, parece ser o fim da linha para as duas. Rosa questiona a mãe por não ter se colocado no lugar dela. Mas a mãe, que já passou por tudo que Rosa está passando, lhe responde que finalmente ela está se colocando no lugar dela mesma.
Parece que vejo esse filme todos os dias, é o filme da minha vida, é o filme da moça que é caixa na farmácia, da moça da esquina, é o filme da moça que faz minhas unhas que diz ter um sonho: chegar do trabalho e sentar no sofá pra ver TV.
O tempo passou, queimou-se sutiãs, houve a revolução sexual, mas as necessidades de nós, mulheres, parecem ser as mesmas. Questionamos os homens por ajudarem pouco nas obrigações domésticas e na atenção com os filhos, mas só essa palavra, ajuda, já mostra que não mudamos nada. Fulano é um marido maravilhoso porque ajuda, escuto dizerem. As próprias mulheres perpetuam esse modo de vida, quando educam os filhos homens.
Culturalmente falando, o modelo de família continua o mesmo. Fomos criadas para sermos super mulheres, super mães, falaram para nós que a maternidade é a melhor coisa que pode acontecer para uma mulher, que amor de mãe é incondicional, mas não nos avisaram que nunca mais iríamos dormir da mesma maneira. A diferença talvez consista em que as mulheres antigamente aceitavam melhor esse papel pois os anseios da mulher contemporânea são diferentes. O que, a longo prazo, pode gerar uma mudança de verdade. Mas, por enquanto, só nos deixa mais estressadas.
Estamos sempre com a sensação de estar fazendo tudo pela metade. E a culpa? Convivemos com ela o tempo todo!
Como os homens são endeusados, ninguém parece achar nada demais ele se espreguiçar em frente a uma televisão enquanto toma uma cerveja. Merecidamente, vão dizer!
Maria Ribeiro carrega todo o filme nas costas. Como todas as Marias carregam todas as responsabilidades nas costas. Como a mãe de Rosa, como as mães das Marias, como as mães das mães das Rosas e Marias do mundo. Aos homens, aos pais dos homens, aos pais dos pais dos pais dos pais, cabe a leveza de deixar o trabalho para trás quando encerra-se o expediente do seu trabalho. E talvez perguntar o que tem para jantar.
O filme prima não pela originalidade, mas pela naturalidade. Todas nós conhecemos uma Rosa. Como Nossos Pais é um filme sobre mulheres. E como trata de mulheres, trata também da difícil relação mãe e filha. E principalmente da necessidade de se buscar um equilíbrio entre homens e mulheres, um novo comportamento!
Laís Bodanzky é uma cineasta e roteirista brasileira, diretora do premiado filme Bicho de Sete Cabeças e do documentário Cine Mambembe - O Cinema Descobre o Brasil.

IMDB: 7,5/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Como Nossos Pais
Outros nomes: Like Our Parents
País: Brasil
Ano: 2017
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi.
Elenco: Maria Ribeiro, Paulo Vilhena, Clarisse Abujamra.

LEONERA



O filme começa com Julia (Martina Gusman) acordando toda machucada e ensanguentada em um apartamento revirado.
Ela toma banho e vai para o seu trabalho. Não tenho certeza mas acho que era um pedacinho de sangue coagulado que cai de seu cabelo e que começa a despertar lembranças nela. No caminho de volta, começa a perceber com horror os hematomas no seu pescoço.
A sensação de pânico chega ao clímax ao voltar ao apartamento e perceber que tem dois homens caídos e muito sangue por tudo quanto é lado.


Julia liga para alguém apavorada relatando os acontecimentos enquanto a polícia arromba a porta.
Um dos homens está morto: Nahuel. O outro, Ramiro, interpretado por Rodrigo Santoro, ainda tem vida e é levado para o hospital enquanto Julia é presa e enviada a uma penitenciária.



Chegando lá, como está grávida, é encaminhada para uma ala específica para mães e grávidas.
Lá, as celas individuais não são trancadas, há uma área em comum e os filhos ficam com as mães até os 4 anos de idade.
Por isso o nome do filme - Leoneras - que, em espanhol significa o lugar onde se mantem os leões, no caso as leoas, as mães leoas.



Este é o 2º filme em que o diretor Pablo Trapero e a atriz Martina Gusman, que é a esposa dele na vida real, trabalham juntos. O anterior foi Nascido e Criado (2006).
Leonera foi rodado em uma verdadeira prisão e muitos figurantes eram detentos do local.
Walter Salles é um dos co-produtores deste Leonera.



A princípio, Julia rejeita o filho, quando ele nasce também se mostra totalmente despreparada para cuidar dele.
Mas, ajudada por Marta (Laura Garcia), aos poucos começa a se adaptar e, muito mais que isso, o pequeno Tomás se torna a fonte de transformação e sustentação para Julia, que se torna uma mãe forte e corajosa, capaz de tudo para ter o filho com ela.



Rodrigo Santoro faz o principal papel masculino do filme argentino, mas não é um papel de destaque. O filme é sobre mulheres e sobre o presídio feminino.
Depois que sai do hospital, ele também é preso, ele e Julia são suspeitos da morte de Nahuel.
Qual a relação dos três? Por que Julia estava ferida? Qual dos dois matou Nahuel? Por que motivo? Nem Julia e nem Ramiro se lembram de nada. Por que não lembram? Tomás é filho de quem?



Se você está interessado nessas respostas, não veja Leonera.



O filme não é sobre o crime, é sobre Julia, é tão real que é quase como se víssemos o mundo através dela. É a jornada de uma mulher frágil, confusa, que passou a ver sentido na vida e se transformou numa leoa para ficar com o filho.



Leonera foi muito elogiado pela crítica. Participou da mostra competitiva de Cannes, foi o representante da Argentina para a indicação do Oscar de melhor filme estrangeiro.
Recebeu o Prêmio Ariel de Melhor Filme Ibero-Americano.



Esqueci de falar que o filme me lembrou um pouco O quarto de Jack, o Tomás nascido e criado naquele ambiente claustrofóbico, a sobrevivência da mãe dependendo do amor que ela tinha por ele. A questão levantada se ela seria mais mãe se tivesse aberto mão dele. Sendo que aqui a visão é a da mãe e não a do filho, como em Room.



IMDB: 7,1/ 10
Minha nota: 3,8/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Leonera
Outros nomes: Lion's Den
País: Argentina 
Ano:2008 
Direção: Pablo Trapero.
Roteiro: Alejandro Fadel, Martin Mauregui, Santiago Mitre, Pablo Trapero.
Elenco: Martina Gusman, Rodrigo Santoro, 

ANITA



Lá vem a piadinha: "um filme argentino sem o Darin?" Pois é. 
Do diretor de "Elsa & Fred", "Anita" é a história comovente de uma menina com síndrome de down, que mora com sua mãe (Norma Aleandro, O Filho da Noiva) em Buenos Aires. Muito doce e obediente, ela depende totalmente da mãe. Porém uma tragédia vai separá-las: o ataque terrorista que houve em 1994 com uma bomba que atingiu a AMIA - Assoc Mutual Israelita Argentina. A mãe de Anita estava lá quando ocorreu. A explosão, que matou 85 pessoas e deixou 300 feridas foi tão forte que foi sentida em toda a redondeza e atingiu até a casa e a loja onde Anita tinha ficado esperando pela mãe.

Anita era condicionada a obedecer, já que não tinha inteligência suficiente pra tomar decisões sozinha. Mas o que fazer se o relógio que ela marcaria a hora que a mãe ia voltar se quebrou com a explosão, o que fazer naquela desordem, com o nariz sangrando, sem ninguém pra ajudá-la, sem ninguém pra lhe dar as coordenadas?
Perdida e confusa, ela sai pelas ruas, não sabe pra onde, não lembra de onde veio. 

Enquanto isso, seu irmão (Peto Menahem) que viu a notícia pela tv está desesperado, acreditando na morte das duas.

Anita encontra algumas pessoas na rua, diz que quer telefonar para a mãe, mas não sabe o número, não sabe nem o nome da mãe, sabe só que é "mamãe". Também não sabe explicar o que houve, diz só que caiu da cadeira, isto é, não fala nada que a ligue ao atentado.
Perambulando com frio e com fome, mas sem nunca perder a doçura, ela conhece umas pessoas boas e outras que não se importam. 

Dá pra imaginar o que Anita passou? 

Ótimo filme, o cinema argentino se destacando mais uma vez.
O mais bacana é uma atriz com síndrome de down (Alejandra Manzo) sendo a protagonista.


IMDB: 7,3/10
Minha nota: 3,6/ 5

Ficha técnica:
Nome original: Anita 
País:  Argentina 
Ano:  2009
Direção: Marcos Carnevale.
Roteiro: Marcos Carnevale, Marcela Guerty, Lily Ann Martin.
Elenco: Norma Aleandro, Alejandra Manzo.